2.3 ACABAMENTOS ESPECIAIS
2.3.2 Tipos de Vernizes UV
2.3.2.2 Verniz UV Localizado
Também conhecido como verniz de reserva ou verniz em reserva é o tipo de verniz aplicado em uma determinada área do material a fim de criar efeitos sobre o material, oferecendo-lhe um acabamento sofisticado, duradouro e resistente, principalmente àqueles produtos que serão manuseados com frequência (Villas-Boas, 2010, p.163).
Pode ser aplicado em qualquer tipo de material publicitário e editorial. Como há uma alta gama de diferentes tipos de vernizes, é necessário que o profissional conheça a respeito de cada um deles e analise qual é a melhor alternativa para o material que está sendo desenvolvido.
É válido mencionar que detalhes muito finos, como textos, linhas devem ser evitados para aplicar o verniz localizado, pelo fato de que tendem a desaparecer durante o processo da gravação da tela e dificultam o acerto de registro para a aplicação. E ainda que o registro seja correto, o efeito brilhoso pode apresentar uma sensação desagradável, como se a leitura não estivesse perfeita. Durante a visita à Gráfica, observou-se que, muitas vezes, não é possível acertar o registro de uma lâmina inteira, precisando cortar o filme em diversas partes, acertá-lo com o material, para então gravar a tela. Esse problema ocorre pelo fato do filme perder o formato original durante a gravação do fotolito, podendo ele variar em milímetros em tamanho, o que torna-se uma diferença relevante no processo de verificação da combinação do filme com o material impresso.
Interessante seria aplicá-lo em áreas maiores de maneira a realçar certas informações importantes, como imagens, títulos, logotipos, ou até mesmo aplicar o verniz sobre um fundo escuro criando um efeito de imagem ou escrita (Villas-Boas, 2010, p. 164).
2.3.2.3 Verniz UV Texturizado
O verniz texturizado é um tipo de verniz que oferece um efeito de relevo quando aplicado, de maneira a oferecer ao material uma superfície com um tratamento diferenciado e dependendo de como é utilizado, cria diversos efeitos interessantes ao impresso.
Esse verniz, segundo a UV PACK (2012)6, não possui uma formulação apropriada para suportar o “estresse” devido a espessura da camada aplicada, sendo necessário deixar uma reserva de 1 mm nas áreas de dobras, vincos e rente ao refile. É um tipo de verniz que pode ser aplicado em áreas determinadas de uma imagem impressa, de maneira a oferecer sensações táteis ao material. A camada a ser aplicada
pode mais alta ou mais baixa, dependendo apenas do impacto visual e tátil a ser proporcionado.
Para a aplicação do verniz de textura, a gráfica utiliza normalmente a tela serigráfica fio 120, que é considerado uma tela de traço médio.
Pode ser utilizado em diversos materiais publicitários e de vários jeitos, dependendo apenas da criatividade para utilizá-los, como sobre imagens de pedras, areias, troncos de árvores, catálogos de pisos, entre outros.
A gramatura mínima do papel deve ser 150g/m² para obter um bom resultado.
2.3.2.4 Verniz UV Aromático
O verniz aromático é aquele que quando a área aplicada é friccionada é possível sentir o cheiro. Esse efeito só é possível devido à microcápsulas que existem na composição do verniz, que se rompem devido à fricção7.
Esse tipo de verniz é muito utilizado em catálogos e mostruários nos quais é importante sentir o cheiro de um determinado produto, como mostruários de produtos cosméticos e perfumaria.
Existem diversos aromas disponíveis e podem ser feitos sob encomenda.
2.3.2.5 Verniz UV Raspadinha
A raspadinha é um tipo de tinta especial, opaco e raspável, para cobertura de informações e dados variáveis, que serão revelados após a remoção da área
envernizada. A remoção é fácil e pode ser feita com o auxílio da unha, moeda ou outro objeto metálico.
7
É um verniz que inspira cuidados na hora do planejamento do material, para que haja boa aderência ao substrato e que se cumpra o objetivo de raspagem da área reservada.
O material deve ser impresso em offset em ambos os lados e em um papel de gramatura mínima de 150g/m², para que dessa forma se evite a transparência no verso. Para a impressão dos dados variáveis, o ideal é que seja utilizado também impressão offset, pois outros tipos de impressão como digital ou jato de tinta, impossibilitam uma boa cobertura das informações pelo verniz.
Para um bom resultado, o ideal é que se dê preferência para impressão em cores claras, ou até mesmo em retículas8, evitando-se o preto, pois dificulta a cobertura e permite visualização da informação que deveria estar completamente coberta.
Ao optar por utilizar a raspadinha, a impressão do verniz deve ser feita em apenas um dos lados, pelo fato da tinta ser muito sensível ao atrito, e pode causar danos ao verso durante o processo de impressão.
É recomendável aplicar a raspadinha sobre plastificação, podendo ser brilhante ou fosca, evitando o uso de laminação fosca ou brilho ou verniz UV, pois há a possibilidade de o verniz raspável aderir a superfície e não raspar.
E por fim, sempre deixar uma área de sangra de pelo menos 1 mm para garantir cobertura total da informação.
2.3.2.6 Verniz UV Perolizado
O verniz UV Perolizado permite que determinadas áreas do impresso sejam realçadas, deixando o impresso sofisticado. Segundo a UVPACK (2012), a formulação desse verniz não é apropriada para suportar “estresse” devido a espessura da camada aplicada, podendo soltar ou quebrar, por esse motivo, se faz necessário 1 mm de reserva nas áreas de dobras, vincos e próximo ao refile.
Pode ser aplicados em diversos tipos de materiais que mereçam receber áreas de destaque, enriquecendo o produto, como capas de livros, folders, catálogos, entre outros.
A gramatura mínima ideal do papel deve ser 150g/m² e o papel deve ter revestimento.
2.3.2.7 Verniz UV Glitter
O verniz UV glitter, também conhecido como cintilante, é um verniz de alto brilho. Contém flocos de poliéster metalizado, o glitter, que adiciona certa cintilação nas áreas em que é aplicado. Ele possui diversas opções de cores: prata, ouro, verde, vermelho, multicol e perolado.
Tal como o verniz perolizado, segundo a UVPACK (2012) a formulação desse verniz não é apropriada para suportar “estresse” devido a espessura da camada aplicada, podendo soltar ou quebrar, por esse motivo, se faz necessário deixar 1 mm de reserva 9nas áreas de dobras, vincos e próximo ao refile. Além de não ser recomendada aplicação sobre laminação devido à baixa aderência.
Para uso desse tipo de verniz, a gramatura mínima ideal do papel deve ser 150g/m², podendo ser um cartão.
2.3.3 Laminação
A laminação é o processo de aplicação uma camada de filme plástico transparente, aplicado através do calor, velocidade e pressão, variáveis fundamentais do processo para obter um bom resultado, que tem como objetivo a proteção e o
embelezamento do material. É um procedimento indicado para obter um produto final diferenciado e com maior durabilidade, seja de manuseio ou exposto ao tempo, como capas de livros, revistas, cardápios, entre outros. Além de ser atóxico, pois não há liberação de solventes ou resíduos.
A velocidade e a temperatura influirão no tempo de contato entre o calor aplicado entre o filme e o substrato. Qualquer discrepância entre esses dois pontos pode ocasionar falta de aderência ou uma alteração da superfície do filme, consequentemente alterando o aspecto do produto.
Para um bom resultado na adesão da lâmina ao substrato, é importante considerar que ambos tenham características suficientes para a realização do processo, caso contrário, alguns inconvenientes não previstos podem acontecer como, por exemplo: se o filme for muito fino, poderá ocorrer a delaminação10; se muito espesso, encanoamento11. Quando não há a adesão da lâmina, pode haver alguns motivos: a bobina pode estar com o prazo de validade vencido; a temperatura para a aplicação daquele determinado filme não era ideal para adesão em certo substrato; ou houve aplicação de verniz de máquina a base de água ao final do processo de impressão ainda na máquina offset. Após a impressão, é necessário um período entre 48 e 72 horas para secagem da tinta antes de iniciar o processo de acabamento, pois se esse período não for respeitado, a laminação tende a não ser satisfatória.
Qualquer papel pode ser laminado, tendo preferência pelos papéis de superfície lisa, revestidos ou não, que conferem ao material um melhor resultado. Papéis muito finos devem ser evitados. E o ideal é que as folhas estejam perfeitamente planas, para evitar que ruguem12. (LUNARDELLI, p. 247)
Deve-se levar em consideração também outros processos de acabamentos que poderão ser aplicados na sequência como corte e vinco13, sendo necessário que a função de adesão tenha sido desempenhada de maneira satisfatória, para um produto final de qualidade.
10 Delaminação: Processo de separação da lamina do substrato. 11 Encanoamento: Tendência do papel curvar.
12 Ruguem: Tornar rugoso, crespo.
Uma máquina de laminação pode chegar a produzir até seis mil unidades por hora, dependendo da velocidade de rotação das bobinas. A temperatura varia conforme o tempo, que pode ser em torno de 120 graus.
O processo de aplicação da laminação (figura 14) é simples, se comparado com o processo de aplicação de verniz, já que o equipamento faz praticamente todo o serviço, precisando de uma pessoa apenas para regular temperatura e a velocidade de operação.
Figura 14: Imagem do equipamento de laminação Fonte: Adaptado de Bann, 2011
Após a impressão e a consequente secagem do material, uma pilha de impressos deverá ser colocada no início da máquina. Não há como estipular um número de lâminas, pois a gramatura do papel pode fazer com que haja variação da quantidade, pois a pilha precisa alcançar um cilindro que empurra cada folha para uma espécie de esteira. Essa esteira faz com que os papéis sejam arrastados através da máquina.
Foi possível observar na gráfica que, a laminação efetivamente acontece quando o impresso é prensado por dois outros cilindros, logo após a esteira, de maneira que haja adesão entre o filme e o papel.
2.3.3.1 Processo
A bobina de filme é “puxada” por um cilindro aquecido, chamado de calandra, que pressiona a lamina contra o papel, que por sua vez está sendo pressionado por um cilindro chamado de contrapressão. Após esse procedimento, o material volta para a esteira para ser empilhada novamente, para que o responsável pelo próximo processo, seja o verniz UV, seja o corte e vinco, leve para o próximo passo.
De tempos em tempos, o operador da laminação pausa o processo para verificar se o material está ficando adequado, sem falhas. Essa verificação é importante para evitar que uma grande quantidade de material venha a ser perdido.
2.3.4 Tipos de Laminação
Assim como verniz UV, inúmeros tipos de laminação disponíveis no mercado gráfico. Existe a laminação chamada de laminação a frio. A laminação que a Corgraf disponibiliza é denominado termolaminação (ou a quente). Os tipos oferecidos são: fosca, brilho, holográfica, prata e ouro.
2.3.4.1 Laminação Fosca
A laminação BOPP fosca oferece proteção e resistência (UVPACK, 2012), sem brilho, a um material que será manuseado com frequência como capas de livros e cardápios. É aplicado também como base para uso do verniz localizado. Segundo a Prolam, é um tipo de filme que possui aspecto mateado, sem brilho, levemente aveludado, o que confere ao material um aspecto elegante. No entanto, ele tem tendência a descascar com o atrito, visto que é mais frágil que o filme brilhante. O uso da lamina fosca é interessante quando aplicada sob uma superfície impressa em cores escuras, pois se torna mais visível (BANN, 2010). Outra desvantagem da laminação BOPP fosca é que quando aplicado, as cores do impresso tendem a perder vivacidade e prejudica a definição de elementos pequenos e detalhados.
Pode ser utilizados em produtos como relatórios empresariais, folders, brochuras, cardápios, catálogos, sacolas, cartões de visita, capas de livros, revistas, mapas, etiquetas, pontos de venda e mostruários.
Para um resultado satisfatório, o ideal é o uso de papel de no mínimo 115g/m², sendo ideal a partir de 150g/m², devido a possível encanoamento.
2.3.4.2 Laminação Brilhante
A laminação brilho oferece, segundo a Prolam (2012) um filme de brilho intenso e alta proteção à abrasão, e possui baixo custo. Esse tipo de laminação tem a capacidade de realçar as cores, no entanto, sob certas condições de iluminação, o brilho pode vir a dificultar a leitura e visão do produto.
Esse tipo de laminação pode ser utilizado nos mesmos tipos de produtos que a laminação fosca como relatórios empresariais, folders, brochuras, cardápios, catálogos, sacolas, cartões de visita, capas de livros, revistas, mapas, etiquetas, pontos de venda
e mostruários. O que varia de um tipo de laminação para o outro é a intenção do
designer em relação ao material.
O papel deve ter as mesmas especificações que a laminação fosca: mínimo 115g/m², sendo ideal a partir de 150g/m², devido a possível encanoamento.
2.3.4.3 Laminação Holográfica
A laminação holográfica é um filme transparente que tem como característica principal prover diversos efeitos holográficos, além de maior resistência à abrasão e rasgos. Esses efeitos oferecem um aspecto de modernidade e descontração ao material (UVPACK, 2012).
Quanto à utilização, o ideal é que o filme holográfico seja aplicado sobre uma superfície escura, conferindo maior destaque.
Esse tipo de laminação é aplicado principalmente em livros infantis.
A laminação holográfica destaca-se pela possibilidade de se encontrar diversos filmes com estampas diferentes, oferecendo uma larga gama de opções de escolha, conforme o material que está sendo produzido.
A desvantagem desse material é que não possui durabilidade externa, podendo o material perder o efeito holográfico em até 120 dias (SERILON, 2012).
A gramatura mínima para essa lamina é de 150g/m².