2.3. Teoria Institucional
2.3.1. Vertentes da Teoria Institucional
A teoria institucional tradicional toma por objeto de estudo as organizações individuais ou
isoladas, que são uma expressão estrutural da ação racional, que está sujeita às pressões
sociais, as quais lhes transformam em sistemas orgânicos, mutáveis, onde os valores
substituem os fatores técnicos na determinação das tarefas organizacionais. Essa perspectiva
acaba por considerar o ambiente como um pano de fundo que pouco influencia os valores
(CARVALHO; VIEIRA; LOPES, 1999). Já a nova abordagem institucional
(neoinstitucionalismo) entende as organizações individuais como consequência do ambiente
em que essas estão inseridas, considerando que essas refletem os mitos dos contextos
individuais nos quais estão inseridas. O ambiente nesse caso é formado por fluxos e
intercâmbios técnicos (MEYER; ROWAN, 1977; PECI, 2006).
Entre os teóricos recentes ainda reina alguma confusão a respeito do sentido preciso do termo
neoinstitucionalismo. De acordo com Hall e Taylor (2003, p.194), grande parte dessa
discórdia desaparece quando entende-se que, através de sua aplicação, busca-se “elucidar o
papel desempenhado pelas instituições na determinação de resultados sociais e políticos” e se
admite que o termo não constitua uma corrente de pensamento unificada. Segundo estudiosos
(HALL; TAYLOR, 2003; POWELL; DIMAGGIO, 1991; ZUCKER, 1987; BURNS;
SCAPENS, 2000), é possível distinguir três vertentes do neoinstitucionalimo.
Para esse trabalho, será adotada a classificação realizada por Burns e Scapens (2000), por se
entender que sua proposta permite melhor entendimento das características de cada vertente e
suas contribuições para os estudos organizacionais aplicados às ciências contábeis. Dessa
forma, a corrente neoinstitucional é divida em: a) Velha Economia Institucional; b) Nova
Economia Institucional; e c) Nova Sociologia Institucional.
2.3.1.1. Velha Economia Institucional – (Old Institutional Economics – OIE)
De acordo com Cavalcante (2007) o surgimento da Velha Economia Institucional pode ser
atribuído a Thorstein Verblen, mas outros estudiosos deram a sua contribuição. Pode-se citar,
dentre eles, John Commons, Westley Michel, Emile Durkheim, Max Weber, Talcott Parsons e
Philip Selznick.
Segundo Conceição (2002, p.122), é possível resumir o conceito de instituição de Veblen
como “um conjunto de normas, valores e regras e sua evolução”. O entendimento é de que
tais fatores representam, no presente, uma situação que molda o futuro através de um processo
seletivo e coercitivo, orientado pela forma como os acontecimentos são vistos pelos
indivíduos, o que altera ou fortalece seus pontos de vista. A partir desse conceito é possível
perceber um foco no indivíduo, ou seja, a OIE tem por objeto as chamadas
“microinstituições”, os estudos são direcionados para as relações entre os indivíduos no
interior das organizações, tendo por objetivo avaliar os comportamentos que produzem uma
nova realidade social, que, após um processo de mudança, possa ser considerada
institucionalizada (REIS, 2008).
Verblen foi o ponto de partida para consideração das instituições dentro da teoria econômica.
Seu entendimento era de que as instituições teriam um papel fundamental na evolução da
sociedade e, assim, não deveriam ser negligenciadas, como era proposto pela economia
ortodoxa, fundamentada em hipóteses irrealistas, baseadas em suposições psicológico-
comportamentais, as quais se relacionavam superficialmente com o funcionamento real da
economia (CAVALCANTE, 2007).
O paradigma dominante à época era o da economia neoclássica, baseada fortemente no “homo
economicus”, o qual o indivíduo é visto em termos hedonísticos, sendo socialmente passivo,
inerte e imutável. A crítica da OIE é contundente neste ponto. Os institucionalistas negam
uma economia estruturada sob a noção de equilíbrio marginal, uma vez que, sob a visão
institucional, é impossível ao ser humano realizar cálculos a todo momento para maximização
de resultados, reinterando a importância do processo de mudança e transformação na
economia e na sociedade. (CARVALHO; VIEIRA; LOPES, 1999; CONCEIÇÃO, 2002).
Para os autores da OIE, as decisões também são frutos do meio, não necessariamente
baseadas em cálculos racionais, ou seja, os costumes e as convenções determinam o
comportamento econômico, dessa forma, a ação individual encontra-se influenciada pelas
circunstâncias e pelas relações de natureza institucional (SANTANA; COLAUTO, 2010).
Para os defensores da OIE, a perspectiva social é evolucionista, sob essa visão, a vida em
sociedade, da mesma forma que de outras espécies, é uma luta pela existência, sendo essa um
processo de seleção adaptativa, que, no âmbito da estrutura social, reflete-se em um processo
de seleção natural de instituições (CONCEIÇÃO, 2002). Nessa concepção, as rotinas
coletivas e os hábitos individuais representam reflexos e fatores que, simultaneamente,
conduzem à fixação de instituições, pois a reprodução de hábitos e rotinas, ao longo do
tempo, conduz a situações de institucionalização ou de dissociação de certas formas de pensar
e agir diante das respectivas origens históricas (DIMAGGIO; POWELL, 1991).
Em resumo, pode-se dizer que a vertente da velha economia institucional compreende a
institucionalização como o processo de construção de uma forma e coerência social imposto
sobre as atividades humanas, por meio da produção e reprodução de hábitos estabelecidos de
pensamento e ação (BURNS; SCAPENS, 2000).
2.3.1.2. A nova economia institucional – (New Institutional Economics – NIE)
A Nova Economia Institucional possui como seus principais expoentes os teóricos Ronald
Coase, Oliver Williamson e Douglass North. Coase e Williamson contribuíram com a teoria
dos Custos de Transação, enquanto que North foi responsável por estabelecer o elo de ligação
das instituições com a abordagem neoclássica através dos Custos de Transação
(CAVALCANTE, 2007).
Os custos de transação podem ser entendidos como aqueles a que estão sujeitas todas as
operações de um sistema econômico, mais claramente, pode-se dizer que são os custos
potenciais negociação, elaboração e de rompimento dos acordos, implícitos ou explícitos,
estabelecidos para realizar empreendimentos conjuntos, em condições de racionalidade
limitada e de presença de comportamentos oportunistas (NORTH, 1990; BUENO, 2004). A
possibilidade de redução dos custos de transação pelas organizações poderia ocorrer de duas
maneiras: a) através do mecanismo de preços, que permitiria à empresa escolher os mais
adequados em suas transações com o mercado; e b) substituindo qualquer contrato incompleto
por vários contratos completos (CONCEIÇÃO, 2002).
Salienta-se que o reconhecimento da racionalidade limitada constitui-se como uma das
principais críticas ao modelo econômico neoclássico (BUENO, 2004).
Buscando esclarecer o entendimento sobre os custos de transação e as instituições, Conceição
(2002, p. 131) expõe que:
[...] como todo o esquema de funcionamento da organização econômica baseia-se na transação, que é o objetivo central, deriva-se daí a seguinte proposição básica: assim como a estrutura de mercado é importante para avaliar a eficácia do comércio em atividades mercantis, a estrutura interna é útil para avaliar a organização interna. Portanto, fatores ambientais, conjugam-se com fatores humanos para, dentro do enfoque de mercados e hierarquias, explicar quão custoso é elaborar um contrato, colocá-lo em execução e fazer respeitar suas complexas condições. Tais dificuldades, aliadas ao risco de se enfrentarem contratos incompletos, sob diversas condições não previsíveis, podem fazer com que a empresa decida evitar o mercado e recorrer a modelos hierárquicos de organização. Há, portanto, uma conexão entre os três conceitos fundamentais da NEI: racionalidade limitada e oportunismo são hipóteses de comportamento que justificam a existência de custos de transação.
A partir da concepção dos custos de transação a NIE se desdobra em duas correntes: a) a
corrente originária do trabalho de Ronald Coase, que versa sobre o comportamento individual
de sujeitos e firmas, e só se consolida com os trabalhos de Oliver Williamson. Seu objetivo
principal é entender como se formam e se modificam as estruturas de governança, isto é, o
conjunto de instituições que permite que um determinado tipo de transação se realize de
forma contínua (BUENO, 2004); e b) uma originada nos trabalhos seminais de Douglass
North, que busca entender como se formam as instituições de caráter abrangentes, como as
que regulamentam os direito de propriedade e o regime político, envolvendo transações em
vários níveis, identificando aquelas que são mais propícias ao desenvolvimento econômico e
mostrando por que em alguns países as instituições mais adequadas não são adotadas,
perpetuando-se uma situação de subdesenvolvimento econômico.
As instituições, dentro do contexto da NIE, podem ser entendidas como as regras do jogo que
regulamentam o funcionamento da sociedade, as quais são formadas por regras formais e por
restrições informais, tais como convenções e normas de comportamento (NORTH, 1990).
Assim, a principal proposição da NIE é que as instituições de uma sociedade são constituídas
por meio de complexos processos de negociação entre indivíduos e grupos de indivíduos, na
busca da redução dos custos de transação (BUENO, 2004). De acordo com Conceição (2002),
a geração da ação coletiva e formulação de arranjos contratuais adequados para minimizar
custos de transação orientam o comportamento e a definição das próprias instituições.
É possível verificar que o enfoque dessa vertente da Teoria Institucional está direcionado aos
estudos relacionados às formas de governança, cujo objetivo seria estruturar um processo que
permita aos entes organizacionais tomarem as melhores decisões, com o fim de maximizarem
os resultados econômicos de suas atividades, com foco institucional na eficiência dos
processos de negociação, na busca de reduzir os custos de transação envolvidos (REIS, 2008).
Em primeira instância, talvez seja possível correlacionar essa vertente com processos de
contratualização de resultados, como instrumentos de institucionalização de ações nas
organizações. Contudo, não é possível, de antemão, identificá-la como estrutura conceitual
suficiente para analisar, de forma clara, as relações existentes em um processo de mudança
em Contabilidade Gerencial no setor público.
O início das discussões teóricas que utilizavam o institucionalismo para explicar os
comportamentos organizacionais pode ser creditado a David Silverman (1971), a partir da
década de 70. É possível destacar também os estudiosos John Meyer, Brian Rowan e Lynne
Zucker, mais recentemente Richard Scott, Walter Powell e Paul DiMaggio. A Nova
Sociologia Institucional rejeita a concepção racionalista na análise organizacional e considera
as instituições uma variável independente, pensando as organizações, assim, como expressão
de valores sociais, destacando a sua relação com o ambiente. Justamente essa ênfase na
influência do ambiente, o qual introduz a legitimidade e o isomorfismo como fatores vitais
para a sobrevivência das organizações, é que se destaca, pela literatura, como principal
contribuição dessa vertente (VIEIRA; CARVALHO, 2003).
Segundo Carruthers (1995), diante a discussão de que instituições são importantes para
análise organizacional, a NIS rejeita os pressupostos do individualismo metodológico e
racionalidade individual, abraçando como fator relevante a cultura, particularmente como o
mundo social é constituído e internalizado pelos atores sociais. Neste sentido, as pessoas são
vistas como vivendo em um mundo socialmente construído, o qual é preenchido por
significados e regras comumente aceitos. O que acaba por estabelecer linhas de
comportamento que por vezes não são nem intencionais, nem conscientes, mas apenas
reproduzidos por rotina.
Scott (2008) identifica três pilares sobre os quais as instituições são desenvolvidas: a)
regulador; b) normativo; e c) cognitivo. É a partir deles que as instituições conferem
estabilidade e significado ao comportamento social, tornando a organização socialmente
legítima (QUADRO 3).
QUADRO 3: Comparativo dos pilares das instituições
Regulador Normativo Cognitivo
Bases de submissão Diligência Obrigação social Pressuposto
Mecanismos Coercitivo Normativo Mimético
Lógica Instrumental Apropriação Ortodoxia
Indicadores Regras, leis, sanções Certificação, acreditação Prevalência, isomorfismo
Bases da legitimidade Sancionada Legalmente Governada moralmente Sustentada culturalmente
Sob o pilar regulador estão aquelas instituições que pressionam comportamentos com ênfase
nas ações de estabelecimento e controle de regras, leis e sanções. Ingredientes como força,
medo e conveniência articulados por regras, são elementos centrais dessa concepção. A
estruturação dos comportamentos vale-se de mecanismos de controle coercitivos. Dessa
forma, a base da legitimação organizacional é a conformidade às exigências legais (SCOTT,
2003; 2008).
O pilar normativo apresenta uma ênfase na análise de valores e normas, os quais, sob essa
perspectiva, introduzem uma dimensão prescritiva, avaliativa, de obrigatoriedade no contexto
social e organizacional, uma vez que se tornam papéis, formais ou informais, a serem
desempenhados por indivíduos ocupantes de posições específicas no enfrentamento de
determinadas situações. Dessa forma, a interiorização de valores e normas, através da
repetição, acabam por tornar esses comportamentos obrigatórios e sujeitos à avaliação moral
quando não reproduzidos (SCOTT, 2008).
O pilar cognitivo, trazendo uma visão interpretativa baseada na Semiótica
6, dá ênfase aos
aspectos simbólicos das ações, resultantes das interpretações e consequentes representações
que os indivíduos fazem do ambiente. Sob essa visão, a sobrevivência das organizações não
se justifica apenas pela capacidade adaptativa a especificações ambientais técnicas e
financeiras, mas também pela conformação a fatores normativos de apoio e legitimidade, uma
vez que o ambiente em que as organizações estão inseridas é constituído por regras, crenças,
valores e redes relacionais, criados e consolidados por meio da interação social (SCOTT,
2008).
O entendimento difundido a partir do pilar cognitivo é que, cotidianamente, não há uma
resposta mecânica aos estímulos, mas uma formação da resposta após a interpretação do
estímulo, pois, a partir dele, o indivíduo tomará um rumo de ação, valendo-se de um conjunto
de significados, legitimados socialmente, integrados em um universo simbólico que é
expresso em regras e em um sistema de crenças amplamente difundido. No ambiente
institucional, esse processo estabelece os “mitos racionais”, ou seja, um conjunto de preceitos
institucionalizados na sociedade moderna, legitimados e socialmente aceitos, acerca da
maneira mais eficaz de funcionamento das organizações (VIEIRA; CARVALHO, 2003).
Neste mesmo sentido, Clemens e Cook (1999), informam que a visão estabelecida pela ótica
cognitiva é de absorção de valores legitimados socialmente, identificados como instituição em
consonância com a definição de Scott (2008), e que se tornam fortemente enraizados no
cotidiano dos indivíduos que não é necessário apelos de autoridades para que o
comportamento seja repetido. Segundo esses autores, uma instituição firmada no campo
cognitivo tende a permanecer constante até que um choque externo leve aos indivíduos e suas
coalizões a questionarem os arranjos institucionais estabelecidos (CLEMENS; COOK, 1999).
Sobre o pilar cognitivo, a legitimidade e sobrevivência organizacional decorrem do
compartilhamento de parâmetros de conduta pelos atores sociais, independentemente dos
conceitos de eficiência ou efetividade. Assim, estudos expõem que vários programas e
tecnologias são adotados nas organizações por força de pressões contextuais, refletindo regras
e significados fixados por estruturas construídas e institucionalizadas na sociedade
(POWELL; DIMAGGIO, 1991).
Scott (2003) ressalta que as organizações são estruturadas valendo-se diversos elementos dos
pilares citados. Que cada instituição varia de acordo com os tipos de elementos dominantes.
O que a NIS se propõe é compreender a congruência entre o interior e o exterior das
organizações, assumindo que essa aproximação não é ditada por critérios técnicos
(CARRUTHERS, 1995). O processo de adequação é muito mais relacionado a preocupações
de legitimidade cultural e política do que com a busca pura da eficiência.
Para Meyer e Rowan (1977) a existência de elementos racionais na organização não possuem
a função principal de resultarem em decisões mais eficientes ou melhores produtos, mas esses
são incorporados porque mantém as aparências. Tais fatores auxiliam em conferir
legitimidade ao funcionamento organizacional. Segundo esses autores, as sociedades tidas
como desenvolvidas privilegiam essa proposta particular de racionalidade, dessa forma,
organizações operando dentro desse contexto cultural, se apresentaram mais legitimas e
adaptadas se simularem ou simbolicamente reproduzirem tal modelo racional.
A proposta central do argumento de Meyer e Rowan (1977) é de que uma organização formal
com altos níveis de racionalidade aparente apresenta provavelmente uma prática
organizacional descasada da estrutura formal. Para esses autores, a estrutura formal se
preocupa muito mais com a apresentação da organização do que com o como as coisas são
realmente desenvolvidas internamente na organização, sendo a estrutura formal apenas uma
representação. Nesta visão, se gasta muito mais esforço idealizando regulamentos e
procedimentos o que aderindo a eles.
De acordo com Carruthers (1995), quando o descolamento entre prática e estrutura formal é
elevado, atribui-se tal falto a diferença entre procedimentos racionais e a cultura
organizacional, ao invés de uma orientação baseada em escolhas técnicas realizadas pelos
atores mais próximos da base da pirâmide organizacional. Para os defensores da NIS,
procedimentos racionalizados não podem melhorar o desempenho organizacional se não são
capazes de influenciar como as coisas são realmente feitas. A busca pela eficiência, valendo-
se de questões técnicas, não é completamente negligenciada pela NIS, pois segundo Meyer e
Rowan (1977), quando os produtos organizacionais são facilmente mensuráveis, as
tecnologias são bem definidas e os critérios de mensuração do sucesso são claros, então
definições técnicas de eficiência são realmente importantes. Contudo, quando essas condições
são inexistentes é que os aspectos míticos de racionalidade tornam-se mais importantes.
Scott e Meyer (1991) analisam justamente as interações entre a influência técnica e
institucional nas organizações. Os autores afirmam que diversas organizações estão sujeitas
simultaneamente a pressões dos dois tipos, citando como exemplo instituições públicas, e que
diante de tal situação essas organizações podem desenvolver aparatos administrativos
relativamente mais elaborados. Contudo, prevalece o entendimento que esse desenvolvimento
é mais por motivos adaptativos do que por escolhas técnicas e racionais, sendo que aspectos
políticos e culturais estão escondidos sob uma superfície técnica.
De acordo com Vieira e Carvalho (2003), organizações podem tentar garantir essa
conformidade com padrões ambientais, ocultando-a, amortecendo o impacto das pressões
institucionais sobre determinadas áreas que as constituem, ou mesmo escapando de normas e
expectativas. O que pode acontecer é a elaboração de planos e procedimentos que, na
realidade, não se tenciona implementar, rituais ou pretensas cerimônias alheios à rotina de
trabalho.
DiMaggio e Powell (1991), discussão sobre a tendência das organizações, em um mesmo
ambiente, tenderem a ter a mesma estrutura formal, tendência essa conceituada como
isomorfismo. Segundo esses autores existem dois tipos clássicos de isomorfismo, o
competitivo e o institucional, sendo que esse último de divide em coercitivo, mimético e
normativo. O isomorfismo competitivo caracteriza-se por uma aproximação dos modelos
organizacionais devido ao um ímpeto competitivo que exige das organizações a buscarem o
melhor meio, mais barato e eficiente de realizar alguma coisa. O Quadro 4 apresenta
resumidamente as subdivisões do isomorfismo institucional.
QUADRO 4: Vertentes do isomorfismo institucional
Vertente Descrição
Coercitivo Refere-se a organizações que são moldadas devido a pressões externas de outras organizações as quais as primeiras são dependentes ou apresentam uma expectativa cultural mais abrangente. Ex: Agências reguladoras podem obrigar a organizações adotarem novos procedimentos; Grandes industriais podem forçar seus fornecedores a utilizarem seus processos produtivos.
Mimético A incerteza é força que impele a adaptação nesse caso. Refere-se a uma aproximação de organizações devido a dificuldade em compreender o ambiente em que a organização está inserida, dessa forma, procura-se referencia no grupo mais próximo, copiando o que esse grupo faz em situações parecidas.
Normativo Refere-se a aproximação de modelo organizacional devido a influência de um
grupo profissional com treinamento e conhecimentos semelhantes que frequentemente definem os termos e as condições de trabalho. A disseminação de práticas através dessa rede profissional acaba por influencia no comportamento intraorganizacional.
Fonte: Elaborado pelo autor.