"E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue. E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte. E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Cai sobre nós, escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?”
Ao abrir o sexto selo, João tem a atenção novamente voltada à terra. A medida que olha, a visão revela catastróficos sinais dos fins dos tempos. Cumprem-se as profecias do Antigo e de Novo Testamento (Is 34.4; J1 2.31; Mc 13.24,25).
Muitos intérpretes da Bíblia tendem a tomar tais eventos como meros símbolos da decadência política, moral e espiritual que marcará os últimos tempos. (6) Veja 2 Timóteo 3.1-5. Contudo, se o outros selos são revelações de eventos literais tais como a guerra, a fome, a morte e os martírios, não vejo porque os flagelos do sexto não devam ser considerados também como reais.
Há evidência científica de que a rocha que forma a crosta terrestre, aparentemente sólida, na realidade é de basalto. Parte dela acha-se em constante movimento. É provável que suas partes arrebentem-se e provoquem o "grande terremoto, que fará com que apareçam milhares de vulcões a vomitar poeira, gás e cinza que causarão o obscurecimento do Sol e a Lua.
Alguma coisa grande o suficiente para provocar um terremoto destas proporções, provavelmente seria acompanhada por distúrbios cósmicos. Muitos tomam a queda das estrelas, conforme a descrição de João, como algo parecido com as chuvas de meteoritos. Ele a compara a uma figueira que deixa cair seus últimos figos de verão quando sacudida por um poderoso vento. Estes figos são, provavelmente, aqueles que não estavam maduros no tempo apropriado da estação, ficando portanto pendurados nas árvores quando da chegada das tempestades de inverno.
Apesar de a linguagem do versículo 14 ser metafórica, ela descreve um evento real. Para os israelitas do Antigo Testamento, os céus pareciam com uma tenda esticada sobre a terra (SI 104.2; Is 40.22). Os céus se recolheram, isto é: dividiram-se e separaram-se, enrolando-se para os lados como um pergaminho. Tudo isto refere-se a distúrbios atmosféricos nas nuvens - o primeiro céu dos judeus. Ou, talvez, seja uma referência a distúrbios cósmicos ocorridos acima das nuvens.
Estes fenômenos nos céus são seguidos por terríveis mudanças na topografia do planeta, um efeito natural ocasionado por este terremoto tremendo (v.12). Toda a terra é envolvida por uma catástrofe que não tem nada de figurativo. Estes eventos e cataclismos talvez sejam o "grande terremoto" do sexto selo; suas consequências permanecerão até o final da tribulação.
Apesar de as zonas de terremotos estarem localizadas ao redor do Pacífico, Oriente Médio e Mediterrâneo, constata-se que os tremores começam a ocorrer com regularidade em todas as partes do mundo. A descrição dada em conexão com a abertura do sexto selo, mostra um cataclismo que afeta a todas as montanhas e ilhas. Hoje não há lugar sobre a terra que nos proteja dos terremotos. Nossa única segurança é aceitar a Jesus. NEle há real proteção.
Não é com alegria que anunciamos a ira e o julgamento de Deus que, brevemente, virão sobre este mundo. Entretanto, é maravilhoso podermos, os cristãos, consolar-nos uns aos outros com a esperança de sermos
arrebatados a encontrar o Senhor nos ares antes que o julgamento de Deus comece (1 Ts 4.17,18). Tal conforto não deve ser ministrado de forma leviana. O sentido implícito na palavra "confortar" inclui encorajamento e exortação. Jesus enfatiza repetidamente que, até que Ele venha, nossa esperança tem de nos manter despertos e vigilantes.
Para que esta bem-aventurada esperança (Tt 2.11-14) se concretize, deve ser acompanhada de um repúdio aos desejos mundanos e pecaminosos. Devemos viver sóbria, justa e fielmente a Deus neste mundo. Devemos lembrar que o Cristo que servimos entregou-se a si mesmo para redimir-nos de todo o pecado e purificar-nos, fazendo de nós um povo escolhido; um povo que se empenha a realizar as obras que agradam a Deus.
Os sinais catastróficos levam os moradores da terra a ficar cientes quanto à chegada do dia do julgamento; o dia da ira do Cordeiro já é uma realidade.
As sete classes de pessoas mencionadas no versículo 15 incluem todos os líderes e todo o povo comum da terra. Os líderes são mencionados mais especificamente. Entre os "reis", podemos contar os presidentes, ditadores e outros chefes de estado. "Os homens ricos" são também contados com os poderosos. "Os tribunos" são identificados como os oficiais militares. Mas todos eles não prevalecerão no dia do julgamento divino. O povo comum inclui "o servo" e o "livre". Vemos, assim, que nenhuma das classes sociais deixará de ser afetada por tais catástrofes. O fato de todos os povos da terra estarem aqui incluídos é outra indicação de que o arrebatamento já terá acontecido, e que a verdadeira Igreja, os vencedores, os vitoriosos já estarão com o Senhor. Não há, pois, menção da Igreja nesta passagem.
A primeira reação daqueles que estiverem vivos, e que não tenham sido arrebatados, será de medo. Eles tentarão esconder- se a si mesmos nas cavernas, nas cavidades, nas rochas, nos penhascos, nas grotas e nas montanhas. Contudo, quando perceberem que estes lugares não lhes poderão fornecer proteção adequada, hão de se desesperar, chegando às raias do suicídio; pedirão que as montanhas simplesmente caiam sobre si. A glória, ou presença daquEle que se acha assentado sobre o trono, e a ira do Cordeiro, os aterrorizarão sobremaneira.
Todavia, não mostram eles nenhum sinal de arrependimento. Eis a pergunta que fazem: "Quem poderá subsistir?". A maneira como a frase é colocada só comporta uma resposta: Ninguém - nem reis, nem grandes, nem ricos, nem oficiais do exército, nem soldados, nem escravos, nem livres. Todos os que forem deixados sobre a terra, provarão a ira de Deus e do Cordeiro (Rm 1.18; 2.16; Ap 15.7.
Os que tomaram parte no arrebatamento não sofrerão de nenhum modo a ira; já estão salvos (1 Ts 5.9). Esta salvação é a herança que, como
crentes, vencedores e vitoriosos, receberemos quando nos encontrarmos com o Senhor nos ares. Receberemos novos corpos que jamais sofrerão os danos da morte ou da enfermidade. Neste contexto, a ira funcionará como a recompensa daqueles que pertencem às trevas e que forem deixados de lado quando do rapto da Igreja. Os julgamentos que se seguem são especificamente de juízo e ira (Ap 15.7; 16.1). Todos os habitantes da terra sofrerão tal julgamento, não importa onde estejam. Mas a Igreja não estará mais neste mundo (1 Ts 1.10; 5.10).
Apocalipse
Capítulo 7
O capítulo sete representa um interlúdio, ou parênteses, entre as visões de João narradas no sexto e no sétimo selo. Ele tem duas visões distintas como resultado da abertura do sexto selo, antes que o sétimo fosse descerrado. A primeira é sobre o número dos componentes das tribos de Israel - 144.000 - que são marcados com o selo do Deus vivo (Ap 7.1-8). A segunda, acerca da grande multidão "vestida com roupas brancas" que estava diante do trono (Ap 7.9-11).