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VIA CRUCIS

No documento Novembro 2009 (páginas 89-92)

À Ail Machado, Alceni Sério, Antonio Alves de Oliveira Neto, Antonio Marcos dos Santos, Beatriz Gessner, Carmen Hoffmann, Eduardo Nascimento, Eros Merlin

Trevisan, Inah, Hugo Vidal e família, Juni, Gene e Jane Feres,

Mousinho/Staniscia/Rocha. Lucinha Corrêa, Lucio “Gabiroba” Togo Mange, dona Maricota, Irene, Girão, Marisa, Marly e família, Marigel Machado, Marly Garcia

Correia, Neivo Beraldin, Olguinha Mussi, Terezinha Mussi de Oliveira, Rafael Camargo, Regina e Nelson Kaluff e Warly Martins Ribeiro.

Páscoa, tempo de reflexão sobre os ensinamentos de Jesus.

Lamentavelmente, antes, durante e depois do Nazareno, o ser humano foi e é capaz de tudo para alcançar o que ambiciona. É claro que existiu e existe gente boa. Deus nos acuda e nos aproxime dos que são do bem!

As filosofias contribuíram e contribuem pra que seres pensantes vivessem e vivam com decência.

As mensagens de Jesus, nos três anos que falou ao seu povo e depois registradas nos Evangelhos pra todas as gentes, muitas vezes são temas de inflamados discursos não levados à ação. Pra alguns, a pregação teatral e catártica rende montanhas de dinheiro. Quanto mais ignorante for o povo, melhor. São maiores as condições pra manipulá-lo, mantê-lo em constante pânico com a possibilidade do inferno. Dá-lhe exploração. O medo mais que a fé embota o raciocínio, a capacidade de discernimento.

Pelos que seguem, de verdade, as palavras de Jesus – dirá o Mestre em sua misericórdia – valeram a pena as falações e os suplícios da Paixão.

Os cristãos celebram na Semana Santa os últimos dias de Cristo em Jerusalém. O fechar das cortinas de sua missão entre os mortais.

A moça lembra que em Antonina a família participava das cerimônias. A procissão da Sexta-feira Maior era o máximo. Multidões acompanhavam o féretro, vestidos adequadamente pra ocasião solene. A imagem do Senhor em tamanho natural – a escultura, com cabelos verdadeiros, tão perfeita que inspirava medo pelas marcas do flagelo e a expressão do sofrimento - era conduzida num esquife roxo.

Rezas e cantos fúnebres acompanhavam o percurso. As matracas eram batidas de tal forma que arrepiavam geral.

Dona Sandra Mussi toda de preto fazia Verônica. Em lugares estratégicos cantava e desvendava, aos poucos, o pano com o qual a piedosa mulher enxugou o sangue e o suor do rosto do condenado, pano onde ficou fixado o rosto daquele que se dirigia ao Gólgota. Que cena formidável!

No templo do deus Quatzalcoatl Borboleta – “a serpente emplumada” – em Teotihuacan/México, está escrito “O Tempo Passa Inexoravelmente Ponto.” Muito bem! Com o passar do tempo, são inexoráveis as mudanças. Boas ou más.

Hoje, a celebração transformou-se em espetáculo. Os atores ao vivo e em cores mostram as Estações, em especial, nos pontos turísticos da cidade. É bonito e emocionante, sem dúvida. Pena que algumas pessoas acompanham a trajetória como se estivessem na farra. Conversando, fazendo piadas, rindo, gritando, tomando cerveja, comendo, berrando palavrões na disputa por melhores lugares pra apreciar a encenação.

Os passos derradeiros: a Santa Ceia com os apóstolos (Maria Madalena estava presente?). No Monte das Oliveiras, a súplica: “Pai, afasta de mim este cálice”. Jesus sua sangue. Os apóstolos dormem. Com a chegada dos soldados, Pedro tomando a espada de um deles decepa-lhe a orelha. O Messias reprova a violência. O beijo de Judas. A prisão. O julgamento de Caifás. A negação de Pedro. Iscariotes recebe as prometidas 30 moedas. Arrependido, as joga fora. Enforca-se. (Judas, nasceu pro papel. Se não fosse desse modo a profecia não se teria cumprido. Sua alma, com certeza, não arde no fogo do inferno.) A ordem de Pilatos: flagelação. Os açoites. A coroa de espinhos. A humilhação do manto rubro e do cetro de bambu. O pronunciamento do governador romano: “Ecce Homo”! “Ele ou Barrabás?”. Grita o povo: “Barrabás!!! Barrabás!!!”. Pôncio lava as mãos. Jesus é condenado à cruz.

A caminhada sob insultos. As quedas. Simão de Cirene leva o pesado lenho. Verônica. Com os dois ladrões no Gólgota. A crucificação. Ao bom ladrão Jesus prometeu: “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso.” Maria, Madalena, Salomé e João aos pés do moribundo, em desespero. Os outros apóstolos, cheios de medo, estão escondidos. A esponja com vinagre. A morte: “Eli, Eli, lammá sabactáni”. “Está tudo consumado. Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”. Com lugar cativo na Santíssima Trindade, o Salvador intercede: "Pai, perdoa-os porque não sabem o que fazem". O triste nesse titânico martírio é que nós continuamos não sabendo. A missão redentora está cumprida. Trevas. Raios. Trovões. Rasga-se o véu do templo. A terra treme. A

lança de Longino perfura o peito de “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”- INRI, como Pilatos mandou escrever na placa fixada à madeira. A descida para os braços da mãe.

Michelangelo, em sua magnífica “Pietá”, registrou pra todo o sempre esse momento de profunda dor.

A preparação do corpo. O enterro no túmulo de José de Arimatéia. A ressurreição. Maria Madalena fala com Jesus. Informa aos apóstolos que o Mestre está vivo. Alguns não acreditam.

A ascensão aos céus, na encenação, é feita em moderna tecnologia, com muito gelo seco. Fim do show.

Sem contrição, sem emoção, sem pensar sobre o que se está rememorando muitos aplaudem aos gritos e assovios e vão saindo apressados, empurrando os outros grosseiramente. O público tem mais o que fazer naquele feriado como outro qualquer.

Passar a Semana Santa em Antonina, apesar do que observo, é sempre chocolate com recheio de marzipã.

No documento Novembro 2009 (páginas 89-92)

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