4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.5. Viabilidade econômica dos projetos simulados
Na Tabela 41, estão apresentados os indicadores econômicos utilizados na análise de viabilidade dos projetos, originados dos dados mostrados nas Tabelas 20 a 37, resultantes das simulações com estimativas de preço de R$ 1,43 por quilo de cevado e R$ 0,21 por quilo de milho, que refletem os preços médios recebidos e pagos pelos produtores mineiros no ano de 2000.
Em todos os cenários, foi possível quitar o empréstimo bancário, da ordem de 30% do valor dos investimentos, financiados com um ano de carência e prazo de pagamento de cinco anos, com taxa de juros de 17,25% ao ano. O valor das parcelas do 2º ao 6º ano representou cerca de 6,7% a 3,5% dos custos totais de produção no SISCAL e de 7,5% a 4,5% no confinamento.
Todos os cenários mostraram comportamento normal nesse sentido, não sendo necessária a previsão de novos financiamentos para custeio (inexistentes para a suinocultura) ou para reinvestimentos. SANTOS FILHO E COSTA (1999), comparando a capacidade de pagamento de financiamentos na suinocultura, encontraram uma pequena vantagem para o SISCAL com nível de produtividade semelhante ao do confinamento.
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Tabela 41. Análise de viabilidade econômica para os projetos simulados, considerando R$ 1,43 por quilo de cevado e R$ 0,21 por quilo de milho
SISCAL Confinamento
Cenários Indicadores econômicos Indicadores econômicos
Nível de Produtividade Nº de matrizes VPL (12% a.a.) (R$ x 1000) TIR (% a.a.) PR (anos) Resultado VPL (12% a.a.) (R$ x 1000) TIR (% a.a.) PR (anos) Resultado 200 147,2 19 7 Viável 153,6 18 7 Viável
Alto 700 924,6 25 6 Viável 720,0 20 6 Viável
1500 2.154,2 27 5 Viável 1.638,6 21 6 Viável
200 (49,7) 10 9 Inviável 19,9 13 8 Viável
Médio 700 180,1 15 7 Viável 192,0 14 7 Viável
1500 399,2 15 7 Viável 497,8 15 7 Viável
200 (287,4) (2) - Inviável (126,6) 7 - Inviável
Baixo 700 (635,2) 3 - Inviável (418,2) 7 - Inviável
1500 (1.257,2) 3 - Inviável (909,8) 7 - Inviável
Considerou-se a taxa de desconto de 12% ao ano para o cálculo do valor presente líquido (VPL), que é uma taxa intermediária de mercado, entre a da poupança (6%) e a de desconto social (15%), coerente com os grandes investimentos de capital requeridos pelos projetos simulados.
Nas condições simuladas, os VPL negativos dos projetos com baixa produtividade indicam a completa inviabilidade econômica da suinocultura ineficiente, de modo geral.
No entanto, todos os cenários com alta e média produtividade apresentaram VPL positivo e seriam viáveis economicamente, exceto o SISCAL de média produtividade com 200 matrizes. Os SISCAL de alta produtividade têm VPL até cinco vezes superiores aos de média produtividade, o que enfatiza a importância da manutenção dos índices zootécnicos nos níveis possíveis de serem alcançados nesse sistema.
Em relação ao confinamento, apenas os SISCAL de alto nível com 700 e 1500 matrizes apresentaram maior VPL e, nessas escalas, seriam a melhor opção. O confinamento seria a melhor opção para o cenário de alto nível com 200 matrizes e para os cenários de média produtividade.
Essas comparações são possíveis porque os projetos simulados nesse estudo são independentes, têm a mesma taxa de desconto, uniforme, e são “bem- comportados”, isto é, não têm receitas antecedendo os investimentos nem mais de uma mudança de sinal (negativo ou positivo) nos fluxos durante o período de duração da análise (TALAMINI E SANTOS FILHO, 1998; GITMAN, 1997).
Pelos mesmos motivos, a TIR poderia ser usada como critério de decisão, assumindo-se como atrativos todos os projetos com TIR maior que 12% ao ano. No entanto, não seria um bom parâmetro de comparação entre os cenários, nesse caso, por não considerar a escala, entendida como o montante dos investimentos de cada projeto, diferentes em função dos custos de implantação.
O menor período de retorno (PR) dos investimentos foi obtido no SISCAL de alta produtividade com 1500 matrizes (5 anos) e o maior, no confinamento de nível médio com 200 matrizes (8 anos). Embora esse parâmetro não reflita exatamente o grau de risco, ele pode dar uma idéia sobre a liquidez e segurança de um projeto, já que, quanto mais rápido for o retorno do capital, menos exposto e vulnerável ao risco ele estará.
Nesse estudo, o tratamento do risco nos cenários considerados viáveis foi feito por meio de análises de sensibilidade, nas quais os preços do cevado foram diminuídos em 5% e 10% e os preços do milho foram aumentados em 10% e 20%. Os resultados constam da Tabela 42.
Tabela 42. Resultado das análises de sensibilidade para os cenários viáveis
Cenários Preço do cevado Preço do milho
Nível de produtividade
Nº de matrizes
- 10% - 5% + 10% + 20%
Alto 200 Inviável Inviável C > S Inviável
700 Inviável S > C S > C S > C
1500 Inviável S > C S > C S > C
Médio 200 Inviável Inviável Inviável Inviável
700 Inviável Inviável Inviável Inviável
1500 Inviável Inviável Inviável Inviável
C > S = valor presente líquido maior para o confinamento; S > C = valor presente líquido maior para o SISCAL.
Constatou-se o mesmo comportamento para ambos os sistemas.
A diminuição em 10% do preço do cevado, de R$ 1,43 para R$ 1,29 por quilo, inviabilizaria todos os projetos.
Tanto a diminuição do preço do cevado em 5% quanto o aumento no preço do milho em 20% inviabilizariam os cenários de alta produtividade com 200 matrizes, bem como todos os de média produtividade. No entanto, permaneceria a vantagem dos SISCAL sobre os cenários do confinamento de alta produtividade com 700 ou 1500 matrizes, representada pelo maior VPL e TIR nessas condições.
O aumento do preço do milho em 10% inviabilizaria os projetos de média produtividade. Nos projetos de alta produtividade, esse aumento seria bem suportado. Nesse caso, os VPL para os cenários com 200, 700 e 1500 matrizes do SISCAL seriam de R$ 74,23 mil, R$ 670,98 mil e R$ 1.609,81 mil e, para o confinamento, seriam de R$ 80,03 mil, R$ 463,55 mil e R$ 1.089,91 mil, respectivamente, mantendo a vantagem do SISCAL sobre o confinamento, nos cenários de maior porte.
Em síntese, foi determinada a viabilidade técnica e econômica do SISCAL de grande porte para as regiões mineiras do Triângulo, Alto Paranaíba e Centro-Oeste.
Quando comparado ao sistema de confinamento total, o SISCAL com mais de 700 matrizes foi a opção mais atrativa de investimento, considerando o mesmo nível de uso de tecnologias para ambos os sistemas.
A maior dificuldade encontrada durante esse estudo foi a apontada por BERNUES et al. (1995), na coleta e seleção dos dados que compuseram as planilhas de custos, quando duas ou mais fontes eram contrastadas. A falta de informações sistematizadas sobre o sistema agroindustrial de suínos no Estado de Minas Gerais tornou essa etapa muito delicada, pois se considerou que a qualidade dos dados utilizados garantiria a validação de todas as simulações que embasaram o estudo.