3.4 ANÁLISE DA VIABILIDADE FINANCEIRA E ECONÔMICA
3.4.2 Viabilidade financeira e econômica do projeto
Conforme é possível notar no Gráfico 5, os valores que foram pagos no ano de 2020 à concessionária de energia elétrica (Celesc) não foram tão expressivos, entretanto, o que deve ser levado em consideração aqui é que, devido à pandemia do COVID-19, todas as pessoas foram significativamente atingidas, incluídas as pessoas físicas, jurídicas e até mesmo os trabalhadores autônomos, eis que foram surpreendidos pelo fechamento de todos os setores (lockdown).
Com o lockdown, o Camelódromo teve de ser fechado por um longo período devido às medidas restritivas determinadas por decretos emitidos tanto pela Prefeitura de Florianópolis quanto pelo Governo de Santa Catarina, o que acabou por gerar um impacto relevante no consumo de energia reativa do sistema de climatização, tendo em vista que este não foi ligado durante todo este período.
Outrossim, para a aplicação dos métodos de análise de viabilidade financeira foi elaborado um fluxo de caixa descontado levando-se em consideração o investimento inicial, os fluxos de caixa negativos e positivos, além da taxa de desconto que é de 12% a.a. (Gráfico 6)
Custos para a correção do fator de potência
Itens Descrição Quantidade
Preço unitário (R$) Preço total (R$) SUBTOTAL Material Mão de obra Material Mão de obra 1 Capacitor trifásico 9,17kvar – Ref. UCW9,17V40 N14 (6) unidades R$ 268,35 R$ 215,00 R$ 1.610,10 R$ 1.290,00 R$ 2.900,10 2 Cabo elétrico 2,5mm² (preto, vermelho, branco) (12) metros cada R$ 3,52 R$ 0,00 R$ 126,72 R$ 0,00 R$ 126,72 3 Terminal Ilhós 2,5mm² (50) peças R$ 0,16 R$ 0,00 R$ 8,00 R$ 0,00 R$ 8,00 4
Disjuntor tripolar 20A. Curva C 3kA – Ref. SDD63C20 - STECK
(6)
unidades R$ 72,90 R$ 25,00 R$ 437,40 R$ 150,00 R$ 587,00 Obs: Os valores dos
materiais e da mão de obra foram cotados na data de
Gráfico 6 - Fluxo de caixa descontado (5 anos)
Fonte: Elaboração do autor, 2020.
Dessa forma, para a implantação do sistema, o investimento inicial será o custo de implementação no instante 0. Os fluxos de caixa negativos referem-se aos custos de manutenção incidentes a cada 12 (doze) meses.
Os fluxos de caixa positivos representam o retorno financeiro do projeto, que neste caso, são os valores projetados de faturamento de energia reativa excedente que incidiriam, caso a correção não fosse realizada. Esses são considerados fluxos positivos porque são custos que deixam de existir caso o projeto seja executado.
A TMA adotada é de 12% a.a., ou 1% a.m. Ressalta-se, que esse valor representa o custo de oportunidade e que foi idealizado de forma a trazer um retorno mínimo para o cliente.
O Gráfico 6, portanto, apresenta o fluxo descontado para todo o horizonte de tempo do projeto. Observa-se que, após o investimento inicial, não há mais fluxos de caixa negativos devido ao fato de que os custos de manutenção incidentes são inferiores a economia gerada pela correção do fator de potência.
Ainda assim, na Tabela 7 são demonstrados os parâmetros necessários para se definir a viabilidade financeira do projeto. Portanto, chega-se à conclusão de que utilizando-se dos métodos de payback descontado, é possível definir com alto grau de probabilidades quanto tempo será necessário para que os valores investidos na implantação possam se pagar, o que levará 17 (dezessete) meses.
Em relação ao VPL, este se mostrou muito atrativo para o período analisado, ficando em R$ 7.301,31, inclusive, superando as expectativas.
-R$ 3.621,82 R$ 2.445,98 R$ 2.183,91 R$ 1.949,92 R$ 1.741,00 R$ 1.554,47 -R$ 4.000,00 -R$ 3.000,00 -R$ 2.000,00 -R$ 1.000,00 R$ 0,00 R$ 1.000,00 R$ 2.000,00 R$ 3.000,00 0 1 2 3 4 5
Fluxo de caixa descontado
A TIR é um outro método utilizado para a análise da viabilidade econômica que se superou as expectativas, pois apresentou resultados de 52% (cinquenta e dois por cento) maior, ou seja, quase 4,5 (quatro e meia) vezes maior que a TMA definida.
Isto posto, com base na análise anteriormente realizada, deixa evidenciada que a implantação do sistema para a correção do fator de potência, sob o ponto de vista financeiro é muito atrativa, mostrando-se ainda como um bom investimento a curto prazo.
Cabe salientar ainda, que o retorno esperado pelo payback descontado, embora já tenha apesentado ótimos resultados para 17 (dezessete) meses, poderá ser ainda melhor, visto que a pandemia do COVID-19, provavelmente, acabou por mascarar os resultados de consumo da demanda de reativo no período analisado.
Tabela 7 - Viabilidade financeira do projeto
Viabilidade financeira do projeto
TMA / Ano 12% Saída -R$ 3.621,82
TIR 52% Entrada R$ 2.739,50
VPL R$ 7.301,31
Payback Descontado
Ano FC /simples Descontado Saldo
0 -R$ 3.621,82 -R$ 3.621,82 -R$ 3.621,82 1 R$ 2.739,50 R$ 2.445,98 -R$ 1.175,84 2 R$ 2.739,50 R$ 2.183,91 R$ 1.008,07 3 R$ 2.739,50 R$ 1.949,92 R$ 2.958,00 4 R$ 2.739,50 R$ 1.741,00 R$ 4.699,00 5 R$ 2.739,50 R$ 1.554,47 R$ 6.253,46
4 CONCLUSÃO
Este trabalho de conclusão de curso baseou-se em um estudo de caso cujo objetivo principal foi a identificação dos fatores causadores do baixo de fator de potência nas instalações elétricas do Camelódromo Municipal de Florianópolis/SC, visando o estudo analítico a respeito da melhor opção para que fosse corrigido o baixo fator de potência e sugerir as adaptações necessárias no sistema de forma que fosse economicamente viável .
As análises realizadas se mostraram muito relevantes tendo em vista os diversos conhecimentos que foram agregados durante o desenvolvimento do estudo. Diversos obstáculos e dificuldades foram também encontrados ao longo do desenvolvimento, mas foram superados de forma que o autor teve que encontrar soluções alternativas diante do cenário de recursos limitados e do enfrentamento do COVID-19.
A pandemia forçou um cenário de lockdown em Florianópolis por um longo período, fechando todo o comércio, universidades, paralisando os transportes municipais, intermunicipais e estadual, o que prejudicou significamente o andamento do estudo, pois além de ter limitado o acesso ao Camelódromo, restringiu a própria biblioteca da instituição de ensino para a realização de pesquisas, encontros com o orientador, dentre outras situações que tiveram de ser adequadas devido ao “novo normal” vivido por todos durante todo o ano de 2020.
Apesar da complexidade exigida pelo presente trabalho, aliada ao surgimento do COVID-19 que surpreendeu a todos, com o desenvolvimento do estudo o autor pode expandir os seus conhecimentos e aplicar na prática muitos temas estudados durante a sua formação acadêmica.
Além disso, a partir da coleta de dados e da análise das faturas de energia elétrica do Camelódromo foi possível realizar a análise técnica e financeira acerca da viabilidade da implantação de uma solução para a correção do baixo fator de fator potência apresentado no sistema elétrico do referido comércio varejista.
Foram analisadas as topologias mais eficazes para a correção do fator de potência levando-se em consideração os fatores de projeto e, portanto, chegou-se aos métodos mais indicados para a referida correção conforme as melhores doutrinas ensinam. Contudo, a opção que mostrou ser a mais adequada e eficiente foi a correção individual, também conhecida como correção semi-automática, tendo em vista que a instalação de um banco automático de capacitores (BAC) demanda um maior investimento, além de ser recomendado somente para as instalações que possuam um consumo mais diversificado, onde não seja possível uma correção direta.
O método de correção sugerido (correção individual) é bastante simples, e do ponto de vista econômico é o mais atrativo que os demais, pois não depende de dispositivos de comando próprio, ou seja, está atrelado diretamente ao circuito de comando do equipamento (self- contained) e é colocado em operação sempre que ele é ligado.
Por fim, em relação à viabilidade financeira e econômica, tal implementação se mostrou viável devido ao fato de que o payback descontado demonstrou uma previsão de retorno de curto prazo, sendo de aproximadamente 17 (dezessete) meses, contando com um investimento inicial estimado em apenas R$ 3.621,82 (três mil e seiscentos e vinte e um reais e oitenta e dois centavos), e uma taxa interna de retorno de 52% (cinquenta e dois por cento), sendo que o valor estimado para a TMA (taxa mínima de atratividade) era de 12% (doze por cento). Superando, portanto, mais de quatro vezes o que era imaginado.
4.1 SUGESTÃO PARA NOVOS TRABALHOS
Destaca-se que foram diversos os aspectos das instalações não abordados por não fazer parte do objeto de estudo deste trabalho, muito embora mereçam também análise e desenvolvimento de estudos de trabalhos futuros para que também possam ser modificados e melhorados. Pode-se citar, por exemplo, o correto enquadramento das instalações de segurança em todo o sistema elétrico do Camelódromo Municipal de Florianópolis, conforme determina a NBR-5410, eis que não estão de acordo com a norma mencionada.
Ademais, sugere-se a aplicação do método de correção de fator de potência com base na metodologia apresentada neste estudo de caso para outros comércios e indústrias, de maneira a testar a viabilidade técnica e financeira do método proposto neste trabalho em diferentes cenários.
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