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5 MEDIDAS A IMPLEMENTAR PARA TORNAR O SETOR MAIS SUSTENTÁVEL

5.2 Medidas a implementar na construção nova

5.2.4 Vidros duplos de qualidade

O desenvolvimento tecnológico que se tem vindo a verificar nos vidros duplos, vem permitir que se possam aumentar as áreas dos vãos envidraçados em prol de uma melhor luminosidade dos espaços interiores, sem comprometer o desempenho energético da habitação. Todos estes

Sistema de isolamento térmico exterior Dryvit composto por poliestireno expandido EPS60 com 0,06m, revestido pelo exterior com primário e revestimento Dryvit com tela tecida de vidro com 150g/m2

Isolamento térmico composto por poliestireno expandido EPS60 com 0,06m introduzido no caixilho

Cordão de silicone

Caixilho de qualidade de alumínio anodizado com dupla vedação, vidro duplo adequado à orientação solar

Peitoril em pedra

Isolamento térmico de poliestireno expandido EPS150 com 0,02m de espessura

Estuque projetado com 0,02m de espessura e pintado com tinta permeável ao vapor

Afinal, o que é a sustentabilidade na construção? MEDIDAS A IMPLEMENTAR PARA TORNAR O SETOR MAIS SUSTENTÁVEL

avanços conferem aos vidros duplos qualidades que, em determinados casos, geram sistemas envidraçados que atingem um grau de desempenho energético similar ao de uma parede maciça. Para que se possa tirar o máximo partido das qualidades dos vidros duplos no balanço energético de uma habitação, é importante haver um equilíbrio entre as áreas envidraçadas e as áreas opacas – paredes cuja inércia térmica armazena a temperatura média do clima. É importante que os materiais pesados no interior da habitação tenham capacidade para absorver uma grande parte do calor que penetra através dos vãos envidraçados, motivo pelo qual o fator solar quantifica o calor da radiação solar que atravessa para o interior dos vidros e deve ser definido consoante a inércia térmica disponível.

Um fator relevante que define a qualidade dos vidros é o coeficiente de transmissão térmica, U. Este fator transmite a capacidade de isolamento térmico do vidro, ou seja, quanto menor for o coeficiente U, maior é o nível de isolamento proporcionado pelo vidro.

Sobretudo nos projetos ou reabilitações em que se pretende aumentar a luminosidade interior e, consequentemente, as áreas de envidraçados, de acordo com Tirone e Nunes (2008), é importante considerar os seguintes aspetos técnicos:

 O coeficiente de transmissão térmica do vidro, U, depende de três fatores: as características técnicas dos próprios vidros duplos, a qualidade da caixilharia e o grau de proteção oferecido pelos sistemas de sombreamento exterior. Estes fatores devem conseguir reduzir as perdas térmicas do interior para o exterior, para que sejam criadas condições de conforto interior, e controlar os ganhos de calor do exterior para o interior;  O fator solar do vidro resulta da soma do fluxo transmitidos e do fluxo irradiado pelos raios solares que incidem sobre o vão e deve ser o adequado para o contexto específico em que o vidro é aplicado;

 O coeficiente de transmissão luminosa do vidro deve ser o adequado para as atividades que se exercem no interior;

 A relação entre a transmissão luminosa e o fator solar é muito relevante sendo designada por índice de seletividade e calculada dividindo a transmissão luminosa pelo fator solar;  As propriedades de segurança e de resistência mecânica do painel de vidro duplo, em que pelo menos um dos vidros deve resistir ao impacto mecânico do vento e precaver a intrusão ou mesmo a quebra;

 O grau de resistência à sujidade do vidro exterior, que contribui para reduzir a manutenção bem como a utilização de químicos a empregar na sua limpeza.

Afinal, o que é a sustentabilidade na construção? MEDIDAS A IMPLEMENTAR PARA TORNAR O SETOR MAIS SUSTENTÁVEL

Figura 5.15 – Quanto mais próximo dos 28º (a 21 de dezembro) for o ângulo em que a radiação solar

incide sobre a área envidraçada, maior será a proporção da radiação que atravessa o vidro e que

entra para os espaços interiores (adaptado de Tirone e Nunes, 2008)

Figura 5.16 – Quanto mais próximo dos 75º (a 21 de junho) for o ângulo em que a radiação solar incide sobre a área envidraçada, maior será a proporção da radiação refletida (também

pelo facto de o vidro ser mais espesso na diagonal) (adaptado de Tirone e Nunes, 2008)

5.2.4.1 Qualidades do vidro a considerar no ato da especificação

Em alçados orientados a Norte ou permanentemente sombreados, o fator solar não é relevante, sendo importante especificar vidro com um fator U de 1,1. Em alçados orientados a Nascente, Poente e Sul, o fator U poderá ser 1,6, mas o fator solar deverá ser igual ou inferior a 0,4. Idealmente, o índice de seletividade – relação entre a transmissão luminosa e o fator solar – deveria ser 2, o que é possível atingir com um valor de transmissão luminosa de 0,8 e um fator solar de 0,4, bem como com um valor de transmissão luminosa de 0,5 e um fator solar de 0,25. A espessura dos vidros e da caixa-de-ar deverá ser (do exterior para o interior): vidro com 8mm, caixa-de-ar de 10mm e vidro com 6mm, assim está assegurada uma redução de 35dB de ruído do exterior para o interior (Tirone e Nunes, 2008).

Os vidros deverão ser sempre incolores para deixar passar toda a luz.

Por mais atrativas que sejam as soluções de construção maioritariamente em vidro, em Portugal, essa escolha será sempre má. Mesmo usando um vidro dotado das mais avançadas características tecnológicas, no sentido de otimizar o respetivo desempenho energético-ambiental, a mensagem estética que passa é extremamente insustentável. Como referido anteriormente, existem já soluções para áreas envidraçadas que conseguem ser tão eficazes como uma parede, no entanto, raramente são aplicadas devido ao seu elevado custo económico (Tirone e Nunes, 2008).

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Figura 5.17 – Exemplo de casa em vidro, Watervilla Kortenhoef, Holanda (de http://waterstudio.nl/projects/52#)