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O trabalho foi publicado na ANPED Sul 2010, tendo como titulo A efetivação dos conselhos escolares como órgão de democracia da gestão escolar, sendo autores Jair Jonko Araújo e Maria Cecilia Sonia Lorea Leite, ambos da Universidade Federal de Pelotas. Trouxe como problema de pesquisa e objetivo discutir os conselhos Escolares como órgãos efetivos de democratização das escolas, utilizando-se como método de pesquisa o Estudo de Caso.

Os autores trazem algumas pinceladas sobre conceitos de participação e, na sequência, resultados de pesquisas onde apontam as dificuldades que se tem na realidade para que aconteça a participação efetiva da comunidade escolar. Tendo como campo de pesquisa o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul- Rio-Grandense, a pesquisa aponta processos, a fim de que se efetivem os diferentes modos de gestão democrática na instituição.

Os autores colocam seu entendimento sobre Gestão democrática como sendo o fundamento de toda a reorganização da instituição inserida nas políticas de autonomia escolar, através da participação efetiva da comunidade na construção de uma identidade para a escola, que seja representativa de seus próprios interesses.

Para os autores, a escola, em uma sociedade democrática, torna-se um lugar especial e rico para a troca de aprendizagens do significado maior de democracia, de modo que toda sua comunidade vivencie o significado de participação coletiva nos diferentes espaços da escola.

Muitas foram as formas e tentativas de criação de conselhos desde a fundação, em 1943, da Escola Técnica de Pelotas. Diversas foram às nomenclaturas: 1959: Conselho de Representantes; 1974: Conselho Técnico Consultivo - CTC; 1975: Conselho de Coordenadores; 1999: Conselho Técnico Profissional, e assim segue-se ao longo dos anos. É importante colocar que todos esses conselhos foram criados internamente sem previsão legal, mas visando, de alguma forma, a participação da comunidade.

Os autores, como considerações finais, apontam que a criação de conselhos e eleições diretas para diretores não garantem a gestão democrática. É necessário a comunidade criar mecanismos como forma de garantir a efetiva participação nas decisões dos espaços institucionais e o respeito às decisões tomadas como forma de garantir a real execução das decisões.

Há necessidade de qualificar os conselhos escolares, pois, muitas vezes, o fracasso se dá pela falta de conhecimento dos que estão à frente do processo.

Como palavras finais dos autores Araújo e Leite (2010, p.89), cito na integra parte do texto:

Na análise histórica do processo de gestão do atual Instituto Federal de Ciência de Tecnologia Sul-rio-grandense, constata-se um processo constante de participação da comunidade na gestão da Instituição, certamente consolidado pela garantia legal de autonomia destas Instituições desde o final da década de 1950. Todavia, o Conselho Superior em implantação no IFSul, com participação expressiva da comunidade escolar e redução significativa da gestão, apresenta características relevantes para potencialização da democratização efetiva da gestão institucional, constituindo um importante espaço para o desenvolvimento de um interessante estudo de caso, cujo, acompanhamento poderá oferecer elementos valiosos para gestão democrática da educação pública.

As autoras Sueli Pereira e Clarice Zientarski, ambas da Universidade Federal de Santa Maria, sinalizam as consequências de um estado neoliberal e globalizado, no trabalho intitulado Políticas educacionais no Brasil: o conselho escolar no contexto neoliberal. Esta realidade consolida a descentralização administrativa, o que configura o poder local e, nele, a participação da comunidade. Neste quadro, a ênfase recai no papel do conselho escolar. A pesquisa qualitativa foi realizada entre 2003 e 2008, sendo o foco os conselhos escolares do estado do Rio Grande do Sul, mostrando o distanciamento dos governos nas decisões que venham a resolver os problemas encontrados nas realidades escolares.

As autoras evidenciam que a LDB (BRASIL, 1996) determina que os sistemas educacionais devem garantir a autonomia das instituições de ensino em seus aspectos administrativos, pedagógicos e de gestão financeira (Art.15), enfatizando a “[...] participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes [...]” (Art. 14).

É importante ressaltar o trabalho de Pereira e Zientarski, ao afirmarem que, sob um novo olhar, o governo descentraliza suas responsabilidades, onde o conselho escolar atua como gestor das decisões sobre os problemas surgidos, num processo de redistribuição das ações e competências. Por isso, há a necessidade de conhecer mais profundamente as políticas públicas, sociais e econômicas. A gestão democrática vem para contribuir com a escola, possibilitando uma caminhada mais tranquila e transparente.

As autoras colocam que, para que haja uma real ação, é necessário que a escola e sua comunidade na sua integralidade, ou seja, professores, pais, funcionários e alunos, estejam envolvidos. Todos devem estar inseridos nas decisões, em especial naquelas que apresentam, em sua construção, autonomia, tomada de decisões e execução do Plano pedagógico. As autoras sustentam que o conselho escolar representa um espaço significativo, para que a gestão democrática se efetive, pois trata de práticas que rompem com uma tradição de distanciamento entre a esfera em que as decisões são tomadas e os locais onde ocorre a participação da população.

Trazendo literalmente as palavras das autoras:

Conclui-se que a democracia proposta por lei para a educação encontra muitos obstáculos para a sua efetivação o que retira do conselho escolar a possibilidade de inserção na gestão da escola. Superar esta limitação implica em uma comunidade escolar organizada, tendo como base a compreensão das políticas do Estado neoliberal (PEREIRA; ZIENTARSKI, 2010, p.01).

Destaco que as autoras, em sentido oposto aos princípios neoliberais, afirmam que o conselho escolar pode sim vir a se constituir em um importante espaço de decisões democráticas, envolvendo todos seus agentes, não se tornando somente um agente de execução.