2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
3.2 P ROCEDIMENTO GERAL DA PESQUISA APLICADA
3.2.4 O vinho em Bento Gonçalves
Bento Gonçalves situa-se na Serra Gaúcha e destaca-se no cenário nacional pelo volume e qualidade do vinho produzido.
A produção vitivinícola nessa região está intimamente ligada à imigração italiana. Segundo Dalcin (2008), os primeiros imigrantes oriundos do norte da Itália chegaram a Bento Gonçalves, então colônia Dona Isabel e Conde D‟Eu, no dia 24 de dezembro de 1875. Ocuparam uma esplanada, onde hoje se localiza a Igreja Cristo Rei (Bairro Cidade Alta), onde ficaram aguardando a distribuição das terras. Na sua maioria eram oriundos da província de Trento na Itália.
As famílias receberam os lotes, que depois da posse foram
chamados de colônias. As colônias de D. Izabel e Conde D‟Eu
pertenciam ao município de São João de Montenegro. Com a Proclamação da Republica e expulsão da família real, essas duas colônias receberam os nomes dos revolucionários da revolução de Farropilhas (1835 a 1845). D. Izabel passou a chamar Bento Gonçalves e Conde D‟Eu de Garibaldi, no entanto continuavam como distrito de São João de Monte Negro. Em 1890, Bento Gonçalves contituiu-se em município e Garibaldi passou a pertencer a Bento Gonçalves até 1900, quando também passou a município.
De acordo com Reis, a produção vinícola do Rio Grande era considerada de qualidade inferior. Os primeiros colonos trouxeram novas variedades de uvas que melhorou a qualidade do vinho gaúcho. A partir do início do século XX começavam a ser formadas cooperativas vinícolas e a produção foi crescendo e melhorando, transformando o estado no principal produtor de vinhos finos do país.
começaram a ocorrer investimentos com a implantação e/ou modernização das vinícolas (setor industrial), motivados por um mercado interno com potencial para produtos de melhor qualidade (vinhos finos) e de maior preço.
Segundo Sasso, Bassin e Ronchi (2004), a região da Serra está próxima das condições geoclimáticas ideais para o melhor desenvolvimento de vinhedos (a faixa ao norte e ao sul do planeta, com latitude entre os paralelos trinta e cinquenta). Segundo Protas, Camargo e Melo (2002), a Serra está localizada na latitude 29°S, longitude 51°W, altitude 600-800, com precipitação 1700 mm distribuídos ao longo do ano, temperatura 17,2°C e umidade relativa do ar 76%. O alto nível de umidade, principalmente na época que antecede a colheita, período crucial para a maturação das uvas, tem sido o maior problema dos viticultores da Serra Gaúcha, os quais, obstinados, enfrentam os percalços da natureza, extraem da terra o que de melhor ela pode lhes dar e conseguem. Com trabalho árduo e investimentos em tecnologia, melhoram em qualidade a cada dia e, produzem vinhos que surpreendem.
Fonte SASSO, BASSIN e RONCHI (2004)
Hoje, as melhores vinícolas da Serra Gaúcha utilizam cepas nobres e contam com a mais avançada tecnologia, idêntica à utilizada nos principais países vinícolas da Europa. Extraem o melhor que a terra pode dar e manipulam pouco o sabor do vinho, característica do sistema
Terroirista europeu.
A qualidade de seus vinhos certamente continuará a melhorar, pois já foi implantada a primeira DOC (Denominação de Origem Controlada) do país, Vale dos Vinhedos. O Vale dos Vinhedos está localizado na Serra Gaúcha, entre os municípios de Bento Gonçalves - capital brasileira do vinho, Garibaldi – capital nacional do champanhe e Monte Belo do Sul. Pertencem ao Vale dos Vinhedos todas as terras cujo deságue se dá no Arroio Pedrinho, numa conjunção territorial que toma parte dos três municípios.
O pedido de reconhecimento geográfico do Vale dos Vinhedos foi encaminhado ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em 1998, pela Aprovale, Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos, a qual surgiu em 1995, a partir da união de seis vinícolas.
Para tanto foi necessário muito trabalho. Enquanto a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e a Embrapa Uva e Vinho trabalhavam na delimitação geográfica, traçando o perfil do Vale dos Vinhedos com estudos sobre questões topográficas, topoclimáticas e mapa de solos, as vinícolas investiam em mecanismos para melhorar a qualidade da uva e, consequentemente, dos vinhos, além de ampliar a estrutura para o incremento do enoturismo. Depois desse trabalho todo, a certificação foi alcançada somente em 2001.
Surgiu então o Selo de Controle Vale dos Vinhedos, que foi outorgado pelo Conselho Regulador, exclusivamente, para os vinhos e espumantes elaborados a partir de uvas provenientes do Vale dos Vinhedos e engarrafados na sua origem, além de serem aprovados em rigorosos testes realizados por um grupo de especialistas composto por técnicos da Embrapa Uva e Vinho e da Aprovale. Os selos têm número para controle e são aplicados como lacre ligando a cápsula à garrafa, distinguindo-a das demais. (VALLONTANO, 2010)
O selo assegura o respeito à natureza e às características dos valores sociais que determinam a essência do produto vinho, fruto da cultura familiar e razão da autenticidade do povo descendente de imigrantes italianos. A figura abaixo localiza o Vale dos Vinhedos no mapa do Rio Grande do Sul.
Mapa da Serra Gaúcha
Fonte: SASSO, BASSIN e RONCHI (2004)
O Vale dos Vinhedos foi a primeira região do Brasil a receber a certificação. Outras duas regiões próximas a Bento Gonçalves entraram com o pedido de certificação (Pinto Bandeira e Faria Lemos), no entanto, ainda aguardam a certificação.
3.3 PROCEDIMENTO GERAL DA PESQUISA DE CAMPO.
O procedimento da pesquisa de campo demonstra as etapas realizadas in loco nas realidades empíricas. Inicia-se pela identificação das organizações colaborativas intencionalmente escolhidas a partir dos parâmetros de seleção.
Após a identificação ocorre a redução dos dados, por meio de documentos enviados pela própria realidade empírica, ou seja, pela coleta de dados secundários, a partir dos quais serão definidos: a categorização, o diagrama conceitual preliminar, as questões de pesquisa e a construção da planilha de parâmetros. Analisando este material e a ordenados os dados, sejam eles, divididos em unidades menores e depois reagrupados em categorias por semelhança ou diferença. Esta fase será realizada previamente à observação in loco, como demonstrado, na figura a seguir, pela cor azul.
A segunda fase será realizada no próprio cenário social e físico, no qual será feita a pesquisa in loco, começando-se por uma visão genérica e direcionando-se para o plano específico. Será realizada, por meio do diagrama preliminar, entrevista, de acordo com um roteiro semi estruturado, com os dirigentes das organizações colaborativas no intuito
de verificar como ocorre a produção do conhecimento e quais são os atores participantes desse evento. Será também realizada uma observação do ambiente organizacional, a cultura organizacional e a relação da organização com a comunidade externa. A partir da pesquisa
in loco, devem-se redefinir as categorias, as relações entre elas e as
linhas de influência a fim de gerar um novo diagrama, aqui nomeado de diagrama inicial. Retornando-se ao próprio cenário confirman-se os dados e verificam-se novas relações, desta vez num plano mais específico, quando se averigua, quem realiza a extração, codificação e produção do conhecimento e quais os métodos utilizados para realização deste. Essa etapa da pesquisa aplicada está representada na figura 38, pela cor verde.
Após realizada a observação in loco, nas organizações colaborativas será realizada uma análise dos dados primários e secundários, especificando-se causas e consequências, atribuindo-se significado e realizando-se a divisão de padrões, que deve ser realizada por meio de planilhas, gráficos e mapas conceituais, os quais irão auxiliar na análise qualitativa. A partir da interpretação dos fenômenos conforme mencionado acima é realizada a atribuição dos significados, e definido um pré-sistema, representado pela cor amarela.
A última fase da pesquisa aplicada será a verificação do pré- sistema por meio do raciocínio analítico realizado durante as verificações das conclusões, nas quais serão averiguadas: a plausibilidade; a robustez; a confirmabilidade, confrontando-se as generalizações encontradas in loco com o corpo de conhecimento formalizado nos construtos e teorias. A partir disso serão realizados os ajustes, para a elaboração de um sistema adequado, representado na cor vermelha, que será incorporado a gestão estratégica do design centrada no design thinking.