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Antes de apresentarmos a abordagem proposta para a construção automática de mapas conceituais a partir de textos em português do Brasil, é necessário esclarecer a intenção subjacente à pesquisa. Em capítulos anteriores, afirmamos que os esforços presentes nesta pesquisa não são meros exercícios computacionais, mas ações que buscam alternativas favoráveis à integração de diferentes tecnologias e mídias a fim de criar oportunidades para a descoberta de maneiras de ensinar, aprender e desenvolver o currículo. Portanto, à luz da Educação, a ressignificação

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A Língua Portuguesa é a língua materna de cerca de 200 milhões de pessoas e a sexta mais falada no mundo. As variações do português com maior número de falantes são o português europeu e o português brasileiro que diferem em aspectos fonológicos, lexicais, morfológicos e sintáticos. (ALUÍSIO et al., 2004).

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de conteúdos convencionais por meio de mapas conceituais, possibilitando o seu uso como recursos de apoio à aprendizagem, passa pela necessidade de que estes mapas sejam: (i) fiéis ao conteúdo do texto que lhes deu origem e (ii) compreensíveis para leitores humanos.

A abordagem que propomos busca resguardar a fidelidade ao conteúdo do texto original, assegurando a compreensibilidade dos mapas conceituais construídos e por isso, necessita enfrentar os desafios inerentes à manipulação da linguagem natural, além das particularidades da Língua Portuguesa. Então, a adoção de métodos e técnicas que restrinjam a perda semântica no mapeamento texto-mapa conceitual sem comprometer a essência do conteúdo e sem limitar a leitura humana é crucial para o êxito desta abordagem.

Dentre os achados relatados no Capítulo 3 desta dissertação, encontramos números importantes: 10 das 15 abordagens, 66,67%, usam fontes de dados não estruturadas; destas, metade constrói mapas conceituais ditos completos por meio de métodos híbridos e métodos linguísticos. As opções metodológicas para esta pesquisa não poderiam ser realizadas à margem dos dados expostos. Levando-se em consideração os resultados apresentados pelas pesquisas similares desenvolvemos uma predileção natural pelos métodos linguísticos e híbridos para tratar do problema da representação do conteúdo de um documento em Língua Portuguesa por meio de mapas conceituais.

Novak e Gowin (1984) afirmam que, na construção de mapas conceituais, é importante que palavras adequadas sejam escolhidas para rotular conceitos e relações. Considerando que um documento é formado por sentenças, que por sua vez são listas de palavras dispostas segundo regras linguísticas, configura-se um grande desafio a identificação de um único subconjunto de palavras para nomear de forma adequada os elementos centrais dos mapas conceituais.

Com vistas a clarificar o problema, lançamos mão da analogia (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p.70) entre o documento e o brinquedo de encaixe, no formato do famoso sistema LEGO8. No brinquedo de encaixe, peças podem ser arranjadas de diversas maneiras, produzindo diferentes módulos. Analogamente, no documento,

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LEGO é a designação comercial de uma família de brinquedos composta por peças que se encaixam (www.lego.com)

as sentenças são módulos constituídos por peças, no caso, por peças linguísticas, tais como: palavras, números e sinais de pontuação. Estas peças linguísticas são organizadas observando-se a sintática, a semântica e a pragmática. Tanto no conteúdo de um documento como em módulos construídos a partir das peças de encaixe, pode-se observar a existência de unidades atômicas de construção. O rearranjo das peças do brinquedo permite novas construções, assim como a recombinação das peças linguísticas admite outras representações, sendo a representação proposicional a peremptória para a construção de mapas conceituais.

A partir da definição da analogia, como exposta anteriormente, propomos uma abordagem em que o conteúdo de um documento deve ser fragmentado até que suas peças, de natureza linguística, tornem-se disponíveis. Posteriormente, as peças linguísticas são reconstruídas na forma de conceitos e relações em mapas conceituais. A expressão síntese da abordagem consiste na dicotomia “desconstruir- reconstruir”. Equacionando o problema, projetamos um modelo de processo composto por um conjunto de atividades que se concatenam por meio de suas entradas e saídas, formando um túnel, de sentido único, linear, como ilustrado na Figura 6.

A abordagem se inicia com a seleção do documento que será “desconstruído”. Primeiramente, o conteúdo do documento é processado com o objetivo de eliminar marcas de formatação para que o mesmo passe a conter somente texto puro. Em seguida, o conteúdo é separado em orações, que por sua vez, são divididas em

tokens, ou seja, em palavras, números e sinais. A seguir, cada token é etiquetado

com a etiqueta morfológica (Part-of-Speech tag9 ou POS tag) correspondente, deixando evidente a estrutura de constructos da oração.

Figura 6. Modelo de Processo para Construção de Mapas Conceituais a partir de Textos

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Part-of-Speech tag (POS tag) é um rótulo que identifica uma “classe de palavra”, como por exemplo, verbos, adjetivos, substantivos, adjetivos, advérbios, preposições, etc.

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Por meio de um conjunto de padrões linguísticos baseados nas etiquetas morfológicas, grupos linguísticos denominados de chunks10 são reconhecidos em uma atividade que visa à identificação de elementos candidatos a conceitos e relações, com o objetivo de iniciar a reconstrução na forma de um mapa conceitual. Os candidatos a elementos centrais de mapas conceituais, uma vez reconhecidos, passam a ser identificados como nós de grafos11. Por meio de uma atividade que consiste no caminhamento pelo grafo, buscam-se arranjos na forma de proposições. Quando uma tripla é reconhecida, os nós são mapeados na forma de conceitos ou de relações. Ao final da atividade, quando todos os nós do grafo já tiverem sido visitados, tem-se o conjunto de proposições que pode ser exibido graficamente como um mapa conceitual.

Na próxima seção, cada uma das atividades será explicada em mais detalhes.

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