Grande parte das pesquisas iniciais sobre RDS definiram as bases para a busca de sistemas de r´adiocomunica¸c˜ao dotados de “inteligˆencia”. Na maioria dos casos, a pesquisa e o desenvolvimento da tecnologia RDS buscava a constru¸c˜ao de sistemas para resolver problemas espec´ıficos.
Vimos que os esfor¸cos do DoD est˜ao centrados na portabilidade das formas de onda e na interoperabilidade dos sistemas. O projeto RDRN preocupou-se com a implementa¸c˜ao r´apida de redes de comunica¸c˜ao m´oveis em resposta `as cat´astrofes.
O trabalho do Dr. Vanu Bose estava voltado para resolu¸c˜ao de problemas associados
`a transi¸c˜ao de sistemas anal´ogicos, ou circuitos dedicados (ASIC), para um proces-sador de uso geral (GPP). Toda a aten¸c˜ao estava voltada para o desenvolvimento dehardware com maior desempenho e de estruturas desoftware interoper´aveis.
Com a flexibilidade oferecida pelo RDS, o pr´oximo passo seria o de utilizar a computa¸c˜ao para poder adaptar mais que somente a forma de onda, utilizando melhor todo o sistema de comunica¸c˜ao dispon´ıvel.
Na sua tese de doutorado [29], Joseph Mitola III, analisou a forma como a pr´oxima gera¸c˜ao de RDS poderia ser utilizada. Ele supˆos que, dada a flexibili-dade inerente ao RDS, um novo tipo de r´adio inteligente poderia ser desenvolvido capaz de “perceber” o ambiente de RF e coletar as necessidades de comunica¸c˜ao dos usu´arios, agindo para satisfazer essas necessidades. A esse r´adio inteligente ele deu o nome de r´adio cognitivo. Pela defini¸c˜ao proposta, o r´adio cognitivo ´e uma classe de RDS que trabalha com base em um modelo de racioc´ınio e, pelo menos, um n´ıvel de sofistica¸c˜ao na utiliza¸c˜ao, planejamento e cria¸c˜ao de regras de uso. Na sua vis˜ao, a realiza¸c˜ao de um r´adio cognitivo se daria entre cinco a dez anos.
Ele descreveu como um r´adio cognitivo poderia melhorar a flexibilidade dos servi¸cos pessoais sem fios atrav´es de uma nova linguagem, chamada de linguagem de representa¸c˜ao do conhecimento do r´adio (RKRL) [29]. A RKRL ´e uma linguagem para descrever as caracter´ısticas e capacidades de um r´adio. Ela pode ser
des-crita como uma ontologia11 do conhecimento do r´adio. Suas pesquisas resultaram no desenvolvimento de uma arquitetura para r´adios cognitivos e a formula¸c˜ao de um conjunto de casos de uso para r´adios “computacionalmente inteligentes”. Al´em disso, ele desenvolveu um ambiente de simula¸c˜ao para testar a viabilidade da RKRL.
O foco da simula¸c˜ao foi centrado no processamento da linguagem natural.
A experiˆencia adquirida enquanto ele realizava sua simula¸c˜ao levou-o `a for-mula¸c˜ao de sua arquitetura para o r´adio cognitivo. Este trabalho foi um marco na pesquisa da tecnologia do r´adio cognitivo, pois estabeleceu uma formaliza¸c˜ao do que significa para o r´adio incorporar inteligˆencia computacional. Ele descreveu 9 n´ıveis de funcionamento que se relacionam com a funcionalidade de um dispositivo dito cognitivo [29].
- N´ıvel 0 - Pr´e-programado - N´ıvel 1 - Orientado a metas
- N´ıvel 2 - Conscientizado do contexto - N´ıvel 3 - R´adio Consciente
- N´ıvel 4 - Capaz de Planejamento - N´ıvel 5 - Negociador
- N´ıvel 6 - Aprendiz - N´ıvel 7 - Adapta Planos - N´ıvel 8 - Adapta Protocolos
Atualmente, os pesquisadores est˜ao trabalhando em dispositivos que operam no n´ıvel 7 (adapta planos). No seu trabalho [29], Joseph Mitola descreveu tamb´em os poss´ıveis passos que um r´adio cognitivo poderia seguir para avaliar o seu ambiente, como observar, orientar, planejar, aprender, decidir e agir (Figura 2.6). V´arias rela¸c˜oes complexas podem ser definidas entre estes passos.
11E uma representa¸c˜ao formal de um conjunto de conceitos dentro de um dom´ınio e as rela¸c˜oes´ entre esses conceitos. Ele ´e usado para raciocinar sobre as propriedades desse dom´ınio, e pode ser usado para definir o dom´ınio. Uma ontologia fornece um vocabul´ario comum, que pode ser
Figura 2.6: Ciclo de aprendizado do r´adio cognitivo, segundo J. Mitola III.
O conceito de r´adio cognitivo, desde ent˜ao, evoluiu para o uso do r´adio mais centrado na comunica¸c˜ao propriamente dita. Baseado em um sistema RDS recon-figur´avel, o r´adio cognitivo usa sensores para coletar informa¸c˜oes sobre o ambiente de RF onde ele se encontra e um algoritmo inteligente para reagir adequadamente
`as mudan¸cas nesse ambiente e nas necessidades dos usu´arios, estabelecidas em uma determinada qualidade de servi¸co (QoS) [9, 3, 55].
A defini¸c˜ao do r´adio cognitivo est´a sob debate desde a sua introdu¸c˜ao e at´e o presente momento a sua defini¸c˜ao formal pelo ITU-R ainda n˜ao foi estabelecida, sendo prevista para junho de 2010 [33].
Segundo o ITU-R [33] a proposta atual de defini¸c˜ao do r´adio cognitivo ´e a se-guinte: “um sistema r´adio que emprega a tecnologia que permite ao sistema: obter o conhecimento do seu ambiente funcional e geogr´afico, regras (pol´ıticas) estabelecidas e seu estado interno; ajustar dinamicamente e autonomamente os seus parˆametros funcionais e os seus protocolos de acordo com os conhecimentos obtidos, a fim de atingir objetivos pr´e-definidos; e aprender a partir dos resultados obtidos.”.
No in´ıcio, boa parte das pesquisas sobre o r´adio cognitivo tratavam do conceito de acesso dinˆamico ao espectro, ou seja, a capacidade de selecionar faixas de frequˆencia
usado para modelar um dom´ınio - isto ´e, o tipo de objetos e/ou conceitos que existem e as suas propriedades e rela¸c˜oes [54].
dinamicamente para permitir o compartilhamento e reuso do espectro. Embora esta seja uma das aplica¸c˜oes do r´adio cognitivo, n˜ao ´e certamente a ´unica. Os outros aspectos do desenvolvimento do r´adio cognitivo se voltam para uma vis˜ao orientada para os servi¸cos de comunica¸c˜oes em que todo o sistema de comunica¸c˜oes est´a adaptado para oferecer uma melhor qualidade de servi¸co (QoS).
Um r´adio cognitivo atribui formas de onda e escolhe protocolos em tempo real usando um algoritmo cognitivo. Estas a¸c˜oes requerem componentes capazes de desempenhar trˆes fun¸c˜oes:
- Percep¸c˜ao: sensores que recolhem dados oriundos de fatores externos (condi¸c˜oes do canal de comunica¸c˜oes, outros r´adios, regras, necessidades dos usu´arios) e de fatores internos (formas de onda, poder computacional dis-pon´ıvel, consumo de bateria).
- Concep¸c˜ao: um n´ucleo inteligente que aprende e compreende como combinar o conhecimento adquirido pelo mecanismo de percep¸c˜ao visando auxiliar o mecanismo de adapta¸c˜ao.
- Execu¸c˜ao: um mecanismo de otimiza¸c˜ao e adapta¸c˜ao que altera o comporta-mento do r´adio.
Figura 2.7: Arquitetura gen´erica do r´adio cognitivo, segundo J. Mitola III.
A Figura 2.7 apresenta uma arquitetura gen´erica para o r´adio cognitivo, segundo J. Mitola III.
O n´ucleo cognitivo ´e um sistema separado que se utiliza das informa¸c˜oes do usu´ario, do ambiente de RF e no conjunto de regras para obter instru¸c˜oes sobre a melhor forma de controlar o sistema de comunica¸c˜ao. Esta estrutura funciona bem como uma arquitetura generalizada, uma vez que n˜ao faz recomenda¸c˜oes sobre a forma como o n´ucleo cognitivo deve se comportar durante o processo de mapea-mento das intera¸c˜oes com os demais sistemas. O pr´oprio sistema de comunica¸c˜ao ´e apresentado como uma pilha simplificada de protocolos, mais uma vez mostrando a independˆencia do n´ucleo cognitivo do restante do sistema.
O ambiente do usu´ario informa ao n´ucleo cognitivo quais as necessidades de desempenho de servi¸cos e aplica¸c˜oes, que s˜ao relativos `a qualidade do servi¸co (QoS) desejada para o sistema de comunica¸c˜oes. Uma vez que cada aplica¸c˜ao requer n´ıveis de QoS diferentes, por exemplo limites de velocidade e latˆencia, este ambiente define as metas de desempenho do r´adio.
O ambiente externo, incluindo informa¸c˜oes sobre o canal de RF, fornece in-forma¸c˜oes sobre o ambiente externo para estabelecer o comportamento do r´adio nos processos de transmiss˜ao e recep¸c˜ao. Diferentes ambientes de propaga¸c˜ao provocam mudan¸cas no desempenho das formas de onda e na escolha da arquitetura ´otima do receptor.
Um ambiente de propaga¸c˜ao com m´ultiplos caminhos requer um receptor mais complexo do que o utilizado em um ambiente onde predomina a visada direta. O ambiente externo tamb´em desempenha um papel significativo no desempenho e nos processos de adapta¸c˜ao. Estas informa¸c˜oes do ambiente externo ajudam a fornecer limites de otimiza¸c˜ao sobre o processo decis´orio e sobre o desenvolvimento das formas de onda.
Finalmente, o ambiente de regulamenta¸c˜ao trata as regras determinadas pelos
´org˜aos reguladores, que estabelecem restri¸c˜oes relacionadas ao uso otimizado do espectro e `a m´axima potˆencia de transmiss˜ao.
Importantes a¸c˜oes reguladoras referentes `a tecnologia do r´adio cognitivo trami-tando na FCC incluem a proposta para uso do RDS [56], a proposta de uso do espectro ocupado pela TV anal´ogica [57] e a recente proposta para utiliza¸c˜ao da
faixa de frequˆencias a partir de 700 MHz para uma rede p´ublica de salvaguarda [58].
Tendo-se em conta que o primeiro RDS dispon´ıvel comercialmente surgiu apenas recentemente (2005) [45], a aplica¸c˜ao da tecnologia do r´adio cognitivo pode ser vista no programa XG [59], na norma IEEE 802.22 [60, 61] e no IEEE P.1900 [62], conhecido comoStandards Coordinating Committee (SCC) 41.
- DARPA neXt Generation Communications.
O projetoneXt Generation Communications(XG), sob controle da DARPA, pre-tende desenvolver um sistema de acesso dinˆamico ao espectro (DSA) que fornecer´a comunica¸c˜oes militares “seguras”com mudan¸ca dinˆamica da banda de frequˆencias utilizada, evitando interferir com outras redes ou efetuando medidas anti-jamming.
A detec¸c˜ao, sele¸c˜ao e coordena¸c˜ao da utiliza¸c˜ao do espectro de RF, bem como um sistema operacional dedicado, s˜ao avan¸cos significativos obtidos no projeto [59].
A meta ´e tornar poss´ıvel aumentar a utiliza¸c˜ao do espectro em dez vezes sem causar interferˆencias prejudiciais nos equipamentos legados. O projeto XG est´a desenvolvendo sistemas baseados na tecnologia do r´adio cognitivo que funcionar˜ao no n´ıvel 5 (negociador). Os objetivos do projeto ser˜ao atingidos atrav´es de trabalhos te´oricos, simula¸c˜ao e desenvolvimento de novas plataformas dehardware esoftware.
Figura 2.8: Lacunas no espectro devido ao baixo uso.
Al´em disso, o projeto XG procura criar uma forma de onda que combine canais de banda estreita n˜ao-cont´ıguos. Essas formas de onda v˜ao tirar proveito das lacunas no espectro tanto em frequˆencia como no tempo (Figura 2.8). A dificuldade reside na capacidade de maximizar a utiliza¸c˜ao do espectro, permitindo mudan¸cas de curta
dura¸c˜ao na frequˆencia utilizada, sem saturar a rede com a sobrecarga de mensagens de controle do protocolo.
- IEEE 802.22.
O desenvolvimento do padr˜ao IEEE 802.22 (WRAN) destina-se a utiliza¸c˜ao da tecnologia do r´adio cognitivo para permitir o compartilhamento do espectro lo-calmente desocupado atribu´ıdo ao servi¸co de difus˜ao de TV, em regime de n˜ao-interferˆencia, para levar o acesso banda larga a regi˜oes de dif´ıcil acesso, ´areas de baixa densidade populacional, ambientes rurais, e por isso ´e oportuna e tem o po-tencial para uma ampla aplicabilidade em todo o mundo [63].
Os dispositivos compat´ıveis com o padr˜ao, de tipo fixo ou port´atil (pessoal), ope-rar˜ao nas bandas de difus˜ao de TV, faixa de V/UHF entre 54 e 862 MHz incluindo os canais e as bandas de guarda dos respectivos canais, garantindo que nenhuma interferˆencia prejudicial seja causada ao funcionamento da difus˜ao de TV anal´ogica e digital, bem como aos dispositivos licenciados de baixa potˆencia, como microfo-nes sem fio [60, 61, 64]. Espera-se finalizar o padr˜ao, cujos estudos iniciaram em 2004 [65], no primeiro trimestre de 2010, mas j´a est´a dispon´ıvel o primeiro esbo¸co da norma (D1 draft) e as discuss˜oes a respeito est˜ao em curso [66].
Nos E.U.A., o IEEE, em conjunto com a FCC, est´a buscando uma abordagem centralizada para a descoberta de faixas de frequˆencia dispon´ıveis. Especificamente, cada esta¸c˜ao-base teria um receptor GPS para obter a sua posi¸c˜ao. Esta informa¸c˜ao seria enviada de volta para servidores centralizados (que nos E.U.A. seriam geridos pela FCC), que responderiam com a informa¸c˜ao sobre os canais de TV de acesso livre e faixas de prote¸c˜ao na ´area da esta¸c˜ao-base.
Uma funcionalidade importante ´e a capacidade de efetuar a percep¸c˜ao dis-tribu´ıda. Os terminais-cliente fariam periodicamente o percep¸c˜ao do espectro e enviariam essas informa¸c˜oes para a esta¸c˜ao-base, que, de posse dessas informa¸c˜oes, avaliaria se seria necess´aria uma mudan¸ca no canal utilizado ou n˜ao.
Outras propostas permitiriam somente a percep¸c˜ao local do espectro, onde a esta¸c˜ao-base iria decidir por si quais canais estariam dispon´ıveis para a comunica¸c˜ao.
Uma combina¸c˜ao h´ıbrida destas duas abordagens tamb´em ´e vislumbrada.
H´a outras formas sugeridas pela FCC e pelo IEEE para evitar interferˆencias, como: percep¸c˜ao dinˆamica do espectro (detec¸c˜ao) e controle dinˆamico de potˆencia
de transmiss˜ao.
O objetivo pretendido para a camada f´ısica ´e oferecer um excelente desempenho, por´em sem complexidades. Ela dever´a ser capaz de se adaptar a diferentes condi¸c˜oes e tamb´em precisa ser flex´ıvel para permitir o salto entre canais, sem erros na trans-miss˜ao ou desconex˜oes de terminais-cliente. Esta flexibilidade ´e tamb´em necess´aria para o ajuste dinˆamico da largura de banda, modula¸c˜ao e para os esquemas de codifica¸c˜ao.
O esquema de modula¸c˜ao utilizado ser´a o OFDMA para os enlaces de subida e descida. Utilizando apenas um canal de TV com largura de banda de 6 MHz (em alguns pa´ıses, eles podem ser de 7 ou 8 MHz) a vaz˜ao m´axima aproximada ´e de 19 Mbps, at´e uma distˆancia de 30 Km. Entretanto, a vaz˜ao e o alcance atingido n˜ao
´e suficiente para cumprir as exigˆencias da norma. Para contornar esse problema, o recurso de agrega¸c˜ao de canal (channel bonding) possibilita a utiliza¸c˜ao de mais de um canal para transmiss˜ao e/ou recep¸c˜ao. Isso permitir´a que o sistema possua maior largura de banda, melhorando o desempenho global do sistema [66].
A camada MAC ser´a baseada na tecnologia do r´adio cognitivo, sendo capaz de se adaptar dinamicamente `as mudan¸cas no ambiente utilizando-se da percep¸c˜ao do espectro. A camada MAC ser´a composta de duas estruturas: quadro e super-quadro.
Um super-quadro ser´a formado por muitos quadros e ter´a um cabe¸calho de controle de super-quadro (SCH) e um preˆambulo. Ambos ser˜ao enviados pela esta¸c˜ao-base em todos os canais onde ´e poss´ıvel transmitir e n˜ao causar interferˆencia.
Quando um terminal-cliente tornar-se ativo, ele efetuar´a a percep¸c˜ao do espectro, descobrir´a quais canais est˜ao dispon´ıveis e neles receber´a todas as informa¸c˜oes ne-cess´arias para se conectar `a esta¸c˜ao-base [66].
Dois tipos diferentes de medi¸c˜ao do espectro ser˜ao feitos pelos terminais-cliente:
interno ao canal (in-band) e fora do canal (out-of-band). A medi¸c˜ao interna ao canal consiste na percep¸c˜ao do canal atual que est´a sendo utilizado pela esta¸c˜ao-base e terminal-cliente. Na medi¸c˜ao fora do canal ser´a feita a percep¸c˜ao dos demais canais existentes.
A camada MAC realizar´a ainda dois tipos diferentes de percep¸c˜ao, tanto interna-mente quanto fora do canal: percep¸c˜ao r´apida (fast sensing) e percep¸c˜ao qualitativa (fine sensing). No primeiro tipo, a a¸c˜ao de percep¸c˜ao ocorrer´a em velocidades
in-feriores a 1 ms por canal sendo realizada pelo terminal-cliente e pela esta¸c˜ao-base, que ir´a reunir toda a informa¸c˜ao e decidir´a qual a¸c˜ao tomar. No segundo tipo, ela ser´a mais lenta (cerca de 25 ms por canal ou mais) e ser´a utilizado com base nos resultados obtidos com a percep¸c˜ao r´apida. Ambos os tipos ser˜ao utilizados, prin-cipalmente, para identificar se existe um usu´ario prim´ario transmitindo e se haver´a necessidade de evitar a interferˆencia com ele.
Para executar uma percep¸c˜ao confi´avel, no modo de funcionamento b´asico, em uma ´unica banda de frequˆencias, como descrito anteriormente, faz-se necess´ario estabelecer per´ıodos de silˆencio (quiet times) onde nenhuma transmiss˜ao ´e permitida.
Esta interrup¸c˜ao peri´odica de transmiss˜ao de dados poderia comprometer a QoS dos sistemas baseados em r´adios cognitivos. Esta quest˜ao ´e abordada por um modo de opera¸c˜ao alternativo chamado salto dinˆamico de frequˆencia (DFH ) [67], onde a transmiss˜ao de dados ´e feita em paralelo com a percep¸c˜ao do espectro, sem causar qualquer interrup¸c˜ao.
- IEEE P.1900 Effort: Standards Coordinating Committee (SCC) 41.
O IEEE P1900 Standards Group foi criado no primeiro trimestre de 2005 con-juntamente peloIEEE Communications Society (ComSoc) e pelaIEEE Electromag-netic Compatibility Society (EMC) com o objetivo ´e desenvolver padr˜oes e normas em conformidade com as novas tecnologias e t´ecnicas que est˜ao sendo desenvolvidos para a r´adio da pr´oxima gera¸c˜ao e para a gest˜ao avan¸cada do espectro.
Em mar¸co de 2007, o IEEE Standards Board aprovou a reorganiza¸c˜ao deste grupo que passou a ser chamado deStandards Coordinating Committee 41 (SCC41), Dynamic Spectrum Access Networks (DySPAN).
O SCC 41 ir´a desenvolver normas relativas `as redes capazes de acesso dinˆamico ao espectro objetivando a melhor utiliza¸c˜ao do espectro. As novas t´ecnicas e m´etodos de acesso dinˆamico ao espectro requerem o gerenciamento das interferˆencias, a coor-dena¸c˜ao das tecnologias sem fio e incluem gerenciamento de rede e compartilhamento de informa¸c˜oes.
O IEEE 1900 Committee deixou de existir a partir de abril do mesmo ano. Os grupos de trabalho individuais s˜ao ainda chamados como IEEE P1900.x e atuam conforme a seguir:
- IEEE P1900.1: Termos, defini¸c˜oes e conceitos de Gest˜ao do Espectro, regras
de conduta, r´adio adaptativo e RDS;
- IEEE P1900.2: Pr´aticas recomendadas para an´alise de interferˆencia e coe-xistˆencia.
- IEEE P1900.3: Pr´aticas recomendadas para a avalia¸c˜ao de conformidade dos m´odulos de software para RDS;
- IEEE P1900.a: Confiabilidade e avalia¸c˜ao da conformidade das regras de con-duta para sistemas r´adio com acesso dinˆamico ao espectro12.
- IEEE P1900.4a: Norma para a arquitetura e interfaces para redes com acesso dinˆamico ao espectro em faixas de frequˆencia desocupadas;
- IEEE P1900.4.1: Norma para interfaces e protocolos com suporte `a deciso-res distribu´ıdos para uso otimizado do recurso de RF em redes sem fio hete-rogˆeneas;
- IEEE P1900.5: Linguagem e arquiteturas para estabelecimento de regras (pol´ıticas) para o gerenciamento do r´adio cognitivo para aplica¸c˜oes capazes de acesso dinˆamico ao espectro;
- IEEE P1900.6: Interfaces de percep¸c˜ao do espectro e estruturas de dados para acesso dinˆamico ao espectro e outros sistemas avan¸cados de comunica¸c˜ao por RF.
Em fevereiro de 2009, o IEEE aprovou o primeira norma estabelecida pelo SCC 41, “Architectural Building Blocks Enabling Network-Device Distributed Decision Making for Optimized Radio Resource Usage in Heterogeneous Wireless Access Networks”.
Vimos at´e o momento aspectos diversos da utiliza¸c˜ao do r´adio cognitivo, por´em estendendo um pouco o conceito do r´adio cognitivo funcionando isolado para a sua utiliza¸c˜ao em conjunto, passamos a ter a chamada rede cognitiva.
A primeira defini¸c˜ao a respeito [68], surgida em 2005, embora incompleta por n˜ao fazer men¸c˜ao clara sobre o conhecimento propriamente dito da rede (comparando
12H´a uma possibilidade de fus˜ao deste grupo de trabalho com o P1900.3.
com as caracter´ısticas do r´adio cognitivo definidas por Joseph Mitola III [29]), esta-belece que “uma rede cognitiva ´e aquela com processos cognitivos capazes de per-ceber as condi¸c˜oes instantˆaneas da rede e planejar, decidir, agir e aprender a partir das consequˆencias dessas a¸c˜oes, tudo feito enquanto persegue objetivos fim-a-fim.”.
Desta forma, as redes cognitivas, ao contr´ario das demais redes (legadas), s˜ao ca-pazes de adaptar o seu funcionamento (proativamente ou reativamente) em resposta
`a est´ımulos externos [11]. Isto ´e conseguido atrav´es de mecanismos que captam esses est´ımulos do ambiente e obtˆem conhecimento a partir desta intera¸c˜ao, planejando, em conformidade, suas a¸c˜oes futuras.
Figura 2.9: Ciclo de opera¸c˜ao de uma rede cognitiva.
Este processo pode ser visualizado em um ciclo de opera¸c˜ao (Figura 2.9). Este ciclo repete-se num processo de aprendizagem, que leva a cogni¸c˜ao. O ciclo ´e guiado por um conjunto de regras e objetivos, que consideram as observa¸c˜oes feitas no planejamento das pr´oximas a¸c˜oes.
A rede cognitiva continuamente observa (monitora) o ambiente, procurando por poss´ıveis mudan¸cas que possam afetar a sua opera¸c˜ao. A observa¸c˜ao constitui a base para a decis˜ao sobre o in´ıcio do processo de reconfigura¸c˜ao. A rede pode
“aprender” a partir dessas reconfigura¸c˜oes e utilizar esse aprendizado para tomar uma decis˜ao futura, simultaneamente enquanto considera outros objetivos fim-a-fim. Nesta perspectiva, a rede cognitiva se utiliza de fun¸c˜oes objetivo visando a otimiza¸c˜ao do desempenho [68].
No caso, os objetivos fim-a-fim podem ser entendidos como qualquer dos ele-mentos da rede envolvidos na transmiss˜ao de dados. Para uma transmiss˜aounicast,
poder´ıamos considerar, por exemplo, sub-redes, switches, conex˜oes virtuais, esque-mas de criptografia, o canal, interfaces ou foresque-mas de onda utilizadas. Os objetivos fim-a-fim s˜ao os que proporcionam, verdadeiramente, o enfoque de rede `as redes cog-nitivas, separando-as de outras tecnologias, que possuem apenas um enfoque ´unico, local.
Em alguns casos, como nas redes est´aticas com comportamento previs´ıvel, n˜ao faz muito sentido evoluir para um comportamento cognitivo. Outros ambientes, como as redes (heterogˆeneas) sem fio, s˜ao melhores candidatas.