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VISIBILIDADE, REPRESENTAÇÃO E ACCOUNTABILITY

No documento gustavofernandesparavizomira (páginas 62-71)

Os conceitos de visibilidade e representação são fundamentais para compreender o que a comunicação e a política compartilham no que se refere ao escopo deste trabalho – as conexões políticas e comunicacionais de deputados federais. Até este momento, os termos foram utilizados de forma genérica para descrever os principais elementos constitutivos dos campos e sua correlação na medida em que foi desenhada uma zona convergência entre ambos, na qual fenômenos da comunicação e da política dialogam com maior ou menor dominância.

No capítulo anterior, discorremos sobre o estreitamento da relação entre os campos da comunicação e da política ao longo dos anos em função das inúmeras inovações técnicas e gramaticais que acompanharam o processo de midiatização e democratização do corpo social. A modificação das arenas de debate e a transformação dos sistemas representativos foram essenciais neste processo porque influenciaram e foram influenciadas pelas reconfigurações dos sistemas de governo e também pela entrada de novos jogadores na arena política, entre eles, partidos políticos, organizações civis e os próprios agentes da comunicação massiva (MANIN, 1995; GOMES, 2004; ALDÉ, 2001).

Torna-se necessário considerar a comunicação como um importante elemento no jogo de poder contemporâneo, tendo em vista que estas alterações nas relações sociais

impactaram diretamente a forma pela qual o cidadão participa da política. Os significativos deslocamentos que ocorreram nas fronteiras entre os diferentes espaços e grupos sociais foram acompanhados pela fragmentação das percepções individuais que estabilizam os sentidos sobre o mundo e, por sua vez, tem consequências importantes na ação política (MIGUEL E BIROLI, 2010b, p. 695-696).

Diante deste quadro, Miguel e Biroli (2010b) afirmam que a visibilidade é um dos principais atributos da mídia na relação com a política e adotam uma definição que atende aos objetivos deste trabalho. Para eles, a visibilidade é uma propriedade que se relaciona com a sua capacidade de agendar temáticas no âmbito da discussão pública e de atribuir valores simbólicos que podem ser utilizados para finalidades distintas, desde a diferenciação dos atores políticos no âmbito das disputas internas do campo, até a capitalização eleitoral enquanto momento de avaliação pública de mandatos. Segundo os autores, a luta pelo acesso e acumulação de capital político é importante para definir as posições centrais no campo e não se limita apenas à conquista de altos cargos eletivos durante os pleitos. Por essa razão, políticos diferentes da mesma casa legislativa podem exercer influência de formas diferenciadas.

Nesta perspectiva, Miguel e Biroli (2010b, p. 696) destacam que os agentes do campo político lutam pela maximização de seu “capital”, entendido como o reconhecimento de sua relevância por outros políticos naquele universo, o que inclui a obtenção de cargos, mas não deve ser confundido com ela. Fatores intrínsecos ao campo político como a representação influem diretamente no comportamento político no momento em que os atores assumem determinadas posturas e discorrem sobre questões específicas. No caso, os representantes se identificam como tal por se constituírem como “porta-vozes” de certos segmentos sociais, fato pelo qual são reconhecidos pelos seus representados e por outros atores políticos. Neste âmbito, a concorrência entre os agentes no campo político pode ser entendida como uma disputa pelo direito de falar em nome de outros (MIGUEL E BIROLI, 2010b, p. 696-697).

Percebe-se na argumentação dos autores que a visibilidade exerce papel fundamental para a política em função da capacidade de conferir legitimação a classe política no momento que é estabelecido o vínculo vital da representação no sistema democrático. Em função disso, definem a relação entre visibilidade e capital político como a incorporação de elementos de valorização e distinção reconhecidos por parte dos atores políticos, nos quais os meios de comunicação são percebidos ao mesmo tempo como fonte e índice de capital simbólico (MIGUEL E BIROLI, 2010b, p. 697)

Para Gomes (2004), a experiência democrática contemporânea foi maximizada pela visibilidade pública na proporção em que trouxe à baila instituições como a esfera pública e as

eleições. Segundo ele, buscou-se diminuir a força de um tipo de “política obscura”, realizada nos bastidores dos gabinetes, na tentativa de aumentar tanto os lugares e situações de publicidade como aqueles de decisão política autentica e legal (GOMES, 2004, p. 263).

Como parte de um sistema simbólico de conhecimento e reconhecimento social, Carvalho Júnior (2013, p. 3-4) acredita que a questão da visibilidade afeta profundamente os discursos da representação no Congresso e, além disso, impacta diretamente na formação da agenda legislativa. Quanto maiores tais recursos, maior o poder simbólico ou “capital acumulado”. Segundo ele, os meios de comunicação de massa constituem-se como o locus de gestão da visibilidade e da imagem pessoais construídas ao longo as carreiras políticas, as quais já não se reduzem apenas aos períodos eleitorais – como defendem Miguel e Biroli (2010b) e uma gama variada de autores preocupados com a perspectiva da “campanha permanente”.

De qualquer modo, o capital midiático constitui-se como uma forma de capital simbólico que essencialmente dependente do reconhecimento gerado pelo público e pelos agentes políticos, no qual a visibilidade midiática desempenha um papel relevante. Carvalho Júnior (2013) enfatiza ainda que a exposição favorável no espaço midiático contribui para orientar certos “tipos” de carreiras na política, constituindo formas de valorização não somente dentro dos partidos, mas também nas variadas dimensões em que tais carreiras se constroem (CARVALHO JÚNIOR, 2013, p. 3-4).

Obviamente a visibilidade não é somente um elemento de grandeza positiva para a classe política em campanhas eleitorais e mandatos. A perspectiva de Thompson (2002) a respeito do escândalo político também deve ser lembrada quando se discute o papel da visibilidade e o seu papel no conhecimento, reconhecimento e legitimação públicos. Segundo ele, o acesso à esfera de visibilidade auxilia na construção de imagens de personalidades e atores políticos e reforça sentimentos de familiaridade e intimidade diante do eleitorado. No entanto, ao se revelar determinadas atividades do campo político, certos valores e normas podem ser violados, o que daria origem ao chamado “escândalo político”.

Para Thompson (2002), três tipos de escândalos políticos associam a questão da visibilidade à política: 1) o escândalo político-financeiro: relacionado à corrupção, desvios de verbas, etc.; 2) o escândalo político-sexual: o qual revela relacionamentos privados e íntimos dos representantes; 3) e o escândalo de poder: o qual envolve questões sobre o mau uso ou abuso do poder político.

Diante destas situações, o capital simbólico dos atores políticos fica ameaçado pela visibilidade de ações de instituições/grupos/agentes até então ocultos ou desconhecidos pelo cidadão/eleitor. Vale lembrar ainda que os escândalos também podem ser utilizados como arma

política com o objetivo de atingir adversários e minar a credibilidade e a reputação de outros players. Ainda que os escândalos políticos não sejam socialmente desejados, constituem-se como uma das possíveis implicações de novos ambientes sociais que progressivamente alteram as fronteiras da comunicação com outros campos, conforme o autor explica:

Nessa era de visibilidade midiática, os que ocupam ou aspiram posições de poder estarão sujeitos a um grau de escrutínio público que excede em muito aquele que seus predecessores foram obrigados a suportar e não devemos subestimar a angústia pessoal e o prejuízo político que isso pode causar. Mas se tudo isso ajudar a produzir mais transparência e responsabilidade no governo, se isso estimular um debate mais efetivo sobre os padrões de conduta tanto na vida pública como na mídia, e se isso encorajar nossos líderes políticos a exercer, com mais circunspeção e humildade, a confiança que neles foi depositada como titulares de uma função pública, então os ganhos não serão desprezíveis (THOMPSON, 2002, p. 325).

Conforme discutiu-se até o momento, as implicações da visibilidade – enquanto elemento intrínseco à comunicação e incidente em outros campos como a política – são importantes no que se refere à construção e validação de sentidos. Em um cenário em que as imagens públicas constituem-se como mapas instrucionais para uma sociedade complexa, a mediação da política permite que os atores desse campo legitimem suas funções, sejam avaliados por suas ações e disputem cargos. O que está em jogo, neste sentido, é o processo de representação e suas finalidades no sistema democrático.

Considera-se que o processo representativo está diretamente associado à visibilidade, ainda que não seja dependente dela como variável última, já que o campo político possui características e regras específicas de funcionamento, conforme tratado na seção anterior. O conceito de representação, no entanto, deve ser discutido em virtude da necessidade de validação e legitimação que recorta a atividade política – relação que julgamos fundamental para os campos da comunicação e da política.

De acordo com Bobbio, Matteuci e Pasquino (1998), deve-se considerar como favoráveis todas as condições que jogam no sentido de um alto grau de publicidade nos negócios públicos e de compreensão dos mesmos para os cidadãos, e, no sentido oposto, todas as condições que tornam cognoscíveis à classe política as atitudes do público. Segundo eles, dada a natureza dos processos institucionais que a envolvem, a representação está estreitamente ligada a um processo ambivalente de comunicação das mensagens políticas.

A origem do verbo "representar" e do substantivo "representação" revelam um grande universo de interpretações do conceito – como representar, no sentido de atuação teatral ou mesmo de personificação de outros indivíduos. Os autores afirmam ainda ser compreensível que a polivalência da palavra permita uma acepção ligada à política que evoca uma multiplicidade de significados (BOBBIO, MATTEUCI E PASQUINO, 1998, p.1106-1007).

Pitikin (2006, p. 16) compartilha essa ideia quando afirma que a representação se constitui, em grande medida, como um fenômeno cultural e político. A diversidade do conceito de representação política, neste sentido, pode ser verificada em três modelos longamente discutidos pela literatura, conforme descrevem Bobbio, Matteuci e Pasquino (1998). Na visão destes autores, os estudos do campo político se resumem em investigações referentes à delegação, à confiança e à representatividade.

Segundo eles, a representação como relação de delegação pode ser entendida como um modelo no qual o representante é concebido como um executor sem iniciativa e autonomia em relação às demandas que os representados lhe distribuem, o que os autores comumente reconhecem como “mandato imperativo”. A representação como relação de confiança, no entanto, é estabelecida quando o representante conserva uma posição de autonomia e presume que a única orientação para suas atividades advém dos interesses dos representados – algo que se verifica no clássico Speech to the electors of Bristol, de Edmund Burke.A representação como "espelho", também conhecida como representatividade sociológica, concentra-se na ideia de efeito de conjunto mais do que no papel de cada representante, dado que o organismo representativo seria como um microcosmos no qual se reproduz com fidelidade as características do corpo político (BOBBIO, MATTEUCI E PASQUINO, 1998, p. 1003).

Os três modelos podem ser vistos em perspectiva no trabalho de Pitikin (2006), segundo a qual o conceito de representação deriva de experiências históricas profundamente perpassadas por efeitos de sentido. Em O Federalista, a autora identifica a existência de um sentido de “bem público” no qual a representação, superior a democracia direta, pode assegurar sem a influência e distração de interesses individuais e de facções10. Para Madison, Hamilton e Jay, a representação deveria funcionar como uma espécie de filtro refinador e ampliador das perspectivas do público ao passarem por um corpo eleito de cidadão. Desta maneira, a sabedoria dos representantes poderia discernir melhor os verdadeiros interesses do seu país, no qual o patriotismo e amor pela justiça estariam menos suscetíveis a sacrificá-la em razão de questões parciais ou menos urgentes (PITIKIN, 2006, p. 35-36).

Para os autores utilitaristas, no entanto, a questão do interesse no processo representativo é vista de forma de diferente da visão americana. O que motivaria as tomadas de decisão seriam os interesses de cada indivíduo, responsável por ser o guardião do seu próprio interesse, isto porque outros indivíduos seriam demasiadamente egoístas para defendê-lo ou

10 Segundo a definição de Hamilton, Madison e Jay (1948, p.10-42), citados por Pitikin (2006, p.36-36), facções

são “uma quantidade de cidadãos, que pode constituir a maioria ou a minoria do todo, que são unidos e atuam por algum impulso comum de paixão, ou de interesse, contrário aos direitos dos outros cidadãos, ou ao interesse permanente e agregado da comunidade”.

porque suas razões seriam desconhecidas por outros agentes. Caberia ao legislador, neste caso, o fomento de ações socialmente desejáveis alinhando os interesses individuais com o bem público. Para John Stuart Mill, o legislador seria substituído pela legislatura eleita enquanto o altruísmo daria lugar à mecanismos institucionais de representação. Segundo ele, um governo representativo falharia se apenas uma pequena proporção de indivíduos ou grupos tivesse interesse pelos assuntos gerais de Estado, os quais seriam necessários para a formação de uma opinião pública – condições sob as quais os eleitores fariam uso do direito de sufrágio para servir seu interesse privado ou o interesse da sua localidade (PITIKIN, 2006, p. 39-40).

O parâmetro circunstancial do tipo de representação e suas finalidades, levando-se em conta os exemplos tratados, decorre de experiências específicas e de sua interpretação em cada momento histórico. É notado por Bobbio, Bobbio, Matteuci e Pasquino (1998, p. 1104), contudo, que os tipos de representação sugeridos, considerando-se as nuances particularizadas, compõem-se a partir de necessidades específicas e uma certa concepção dos interesses individuais e coletivos.

A evolução da discussão proposta por Bobbio, Matteuci e Pasquino, (1998) mostra a variação e a incorporação dos três modelos com contribuições específicas – desde a vinculação de representantes e representados, proveniente do modelo de delegação; passando pela representação de confiança, de onde se origina uma margem de autonomia; até chegar ao modelo de representatividade sociológica, no qual concebe-se que grupos específicos se identificam com certas características e se fazem representar por aqueles que defendem seus interesses. Ou seja, estes modelos conservam em si um mínimo característico da representação política que aparece com maior ou menor frequência nos sistemas democráticos.

A multidimensionalidade do conceito de representação política sintetiza a importância do fenômeno e lhe dá uma grande amplitude de elementos constitutivos, embora sua finalidade e lógica causal permaneçam as mesmas. Desta forma, a representação política11 é entendida neste trabalho como um sistema institucionalizado de responsabilidade política, no qual ocorrem processos de escolha dos governantes e de controle sobre sua ação por meio de eleições competitivas (BOBBIO, MATTEUCI E PASQUINO, 1998).

Além disso, a representação política pressupõe um complexo de direitos políticos (liberdade de imprensa, de associação, de propaganda, etc.) que permitem a efetivação do processo representativo, diretamente ligado ao campo da comunicação e à circulação de mensagens políticas. Portanto, é sensível aos estímulos dos canais de informação e às

perturbações que aconteçam neste campo (BOBBIO, MATTEUCI E PASQUINO, 1998, p. 1106).

Na visão de Weber (2007, p. 40), os processos de comunicação no sistema democrático respondem a demandas não apenas de prestação de contas entre representantes e representados, mas também se referem ao exercício de relacionar o público a um projeto político, a um sujeito ou partido de forma propagandística. De acordo com a autora, ocorre um processo de rompimento e reconstrução da participação e opinião do cidadão nas ambiências, mediações e relações estabelecidas direta ou indiretamente com governos, candidatos e parlamento. Segundo ela, o poder do discurso político se concentraria na visibilidade de temas de interesse coletivo expostos em formato de notícia, propaganda, diálogos e ações de relações públicas. Desta maneira, a eficácia discursiva estaria ancorada nos argumentos que convenceriam o eleitor da sua efetiva representação.

Segundo Veiga e De Paula (2007, p. 4), é fundamental incorporar a variável mídia à discussão sobre a forma pela qual políticos e eleitores se relacionam, tendo em vista que a “prestação de contas” na relação mandantes-mandatários, conhecida como accountability, é uma exigência do sistema democrático para a avaliação dos mandatos e para a sequente legitimação da representação. As autoras criticam a visão de O’Donnell (1998) a respeito da prestação de contas na medida em que não é visualizada a necessidade de informação para o processo de tomada de decisões políticas.

Na concepção do autor, o conceito de accountability vertical pressupõe a existência de uma relação assimétrica entre representantes e representados, segundo a qual os representantes exercem controle sobre representantes no momento das eleições, ao passo que o conceito de accountability horizontal daria conta de uma relação mais simétrica, cujos mecanismos de checks and balances, garantiriam o equilíbrio entre os três poderes do estado (O’DONNELL apud VEIGA E DE PAULA, 2007, p. 4).

No entanto, segundo as autoras, a dimensão proposta por O’Donnell, centrada apenas em eleições, em última instância no voto, não garantiria uma efetivação da accountability considerando-se que, para que um governo seja de fato representativo, é necessário contar com cidadãos qualificados para escolher politicamente. Para Lattman- Weltman (2001, p. 8), citado por Veiga e De Paula (2007, p. 4), é importante ressaltar a dimensão vertical da prestação de contas para compreender que a participação dos representados os percebe como consumidores de informação e restringe a produzir informação. Contudo, a relação entre deputados e eleitores, quando observada pela intermediação midiática,

perpassaria ambas as formas de participação destacadas por O’Donnell (VEIGA E DE PAULA, 2007, p. 4).

Esta relação fica clara quanto as autoras explicam que os eleitores seriam consumidores quando utilizam as informações disponíveis na mídia para avaliar, fazer julgamentos, comparações, e se posicionar, de forma positiva ou não, diante dos seus candidatos/representantes. Por outro lado, seriam produtores da informação na medida em que fizessem uso da mídia para criarem demandas e serem ouvidos, já que seria função da mídia dar visibilidade a diferentes opiniões e percepções sobre os candidatos/representantes. Segundo Veiga e De Paula (2007, p. 4), o vetor da conexão midiática estaria ligado, no primeiro caso, dos políticos para os eleitores, e no segundo caso, dos eleitores para os políticos. Ressalva-se, entretanto, que a lógica inversa não se aplica à accountability, considerando-se que esta variável não depende exclusivamente da mídia para acontecer. As autoras afirmam, portanto, que é preciso reconhecer a vinculação da mídia ao processo enquanto meio de informações ligado à participação política, embora isso não garanta que a prestação de contas seja bem-sucedida ou ampliada, já que tanto o conteúdo dessas informações quanto a recepção dos eleitores são dependentes de uma ampla gama de elementos externos a variável mídia (VEIGA E DE PAULA, 2007, p. 4-5).

A constatação de que o processo político como um todo envolve variáveis dinâmicas que se entrecruzam na racionalização de métodos, procedimentos e técnicas de cada campo em específico evidencia a intrincada rede de mecanismos articulados para produzir sentidos sobre os atores políticos nas democracias contemporâneas. É desta maneira que os campos da comunicação e da política estão em amplo diálogo, produzindo relações de poder que extrapolam suas especificidades na medida em que a complexidade técnica dos processos condiciona certos tipos de ação desejáveis, e não outras. Desta forma, visibilidade e representação, como finalidades dos campos da comunicação e da política, também podem ser entendidas como importantes variáveis, capazes de fomentar comportamentos e induzir a estratégias que respondam de forma mais eficiente às necessidades de cada ator político.

As discussões realizadas a respeito das práticas particularistas de maximização de benefícios, sobre a necessidade de visibilidade para construção e manutenção de capital político e sua associação direta com o processo de representação política sugerem que estratégias distintas são enfatizadas pelos mandatos. Conforme as tipologias tratadas a respeito da representação, evidencia-se que o comportamento dos deputados é motivado por diferentes escalas de fidelidade estabelecidas de formas específicas, desde as preferências e filtros

próprios do mandato até a interferência de partidos na atuação parlamentar e a participação de grupos mobilizados durante a eleição (LEAL, 2002, p. 32).

Afinal de contas, se é possível falar de ranking de prioridades, formal ou não, a partir do processo de representação, a quem devem fidelidade: A si mesmos? Aos grupos sociais

No documento gustavofernandesparavizomira (páginas 62-71)