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CAPÍTULO IV – DINAMIZAÇÃO DE ACTIVIDADES E DESENVOLVIMENTO DE PROJECTOS

IV.2. Visita de Estudo ao Porto, Amarante e Viseu

O programa previsto na proposta de Visita de Estudo foi cumprido na sua totalidade e com sucesso. No seu âmbito, ocorreram visitas a museus (três nos quais foram dinamizadas actividades pelos professores estagiários) e a núcleos históricos.

A primeira atividade foi constituída pela visita ao Museu Serralves, tendo o seu início às 10H00. Os propósitos desta visita visaram a apreciação interior e exterior dos edifícios, como também do seu espaço envolvente e exposições aí fixadas: “Fotografias 1978/2010” de Thomas Struth; “DA PÁGINA PARA O ESPAÇO – ESCULTURAS DE PAPEL PUBLICADAS”; e “Outra

A visita incluiu os alunos do 10º, 11º e 12º Anos do CAV e do PAGR, que foram agrupados a fim de se facilitar um discurso propiciador de participação e de diálogo com os guias.

Destacaram-se a exposição “DA PÁGINA PARA O ESPAÇO – ESCULTURAS DE PAPEL

PUBLICADAS”, que proporcionou aos alunos o

contacto com linguagens de especial relevância no século XX, a salientar: Construtivismo, Arte Pop, Arte Conceptual, Novo Realismo, Fluxus e de ordem gráfica, Poesia Visual, através de Pop-up’s; e, a exposição “Outra vez não, Eduardo Batarda”, onde os alunos conheceram o autor nos seus vários registos em Banda Desenhada e Pintura, nos seus jogos de composição figurativa e abstrata.

No âmbito desta mesma exposição, a turma 11ºCTAV realizou um exercício planificado pelo Professor Estagiário Bruno Balegas, no qual foi solicitado que os alunos efetuassem um registo gráfico capaz de reproduzir todas as fases da obra do referido autor. Ou seja, a evolução do artista, partindo do seu começo na década de 60, cuja Pintura Figurativa se encontrava dentro dos parâmetros da Cultura Pop, até aos seus mais atuais jogos abstratos. O principal objetivo deste exercício visou, essencialmente, proporcionar aos alunos o contacto e a compreensão da obra de arte, para que desta forma, estes sejam ao mesmo tempo produtores e usufruidores de objetos artísticos.

Após a visita às exposições, os alunos foram guiados e orientados pelo Professor Nuno Garcia, no sentido de contemplarem o exemplo Art Déco materializado na arquitetura da Casa Serralves e seus jardins, assim como a perspetiva exterior do Museu da Arte Contemporânea de Serralves da autoria do Arquiteto Álvaro Siza Vieira. Neste contexto, pode referir-se que os objetivos foram alcançados, na medida em que se procedeu à identificação e caraterização artística das várias épocas históricas onde se inserem os edifícios que integram esta “Quinta Museu”. Posteriormente, este mesmo professor, junto com o PC, acompanharam a turma PAGR à oficina gráfica da Porto editora.

Simultaneamente, as turmas do 10º e 11º Anos CTAV visitaram o Museu Soares dos Reis, onde se realizou uma visita guiada, sendo que no final foi utilizada a sala dedicada às obras do Escultor Soares dos Reis, e posteriormente a sala onde se encontra exposta a obra “A infância de Caim” do Escultor Teixeira Lopes, para que os alunos efetuassem registos gráficos baseados nos exercícios de Kimon Nicolaides, programados/planificados pelo professor

Figura 16: Pop-up da exposição “Da página para o espaço”

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estagiário Romeu Magalhães, a nível de desenho gestual.

Depois da visita ao Museu Soares dos Reis fez-se um pequeno passeio a pé até à Ribeira do Porto. Este percurso possibilitou a observação de vários edifícios de reconhecido interesse artístico, a referir: a Igreja do Carmo – edifício de estilo Barroco/rococó revestido com uma obra de azulejaria de grandes dimensões; a Livraria Lello & Irmão – considerada uma das mais belas livrarias do mundo; a torre e fachada da Igreja dos Clérigos – edifício barroco projetado por Nicolau Nazoni; a Estação de São Bento – exemplo de arquitetura do ferro – com paredes cobertas com 20.000 azulejos da autoria do artista Jorge Colaço; e por fim os painéis de azulejo “Ribeira Negra” do artista plástico Júlio Resende.

No dia seguinte, seguiu-se a visita de estudo ao Museu Amadeo de Souza-Cardoso. Aqui os alunos foram agrupados pelas respetivas turmas e guiados pelos professores acompanhantes, sendo que os alunos dos 10º e 11º anos realizaram uma tarefa planificada e orientada pela autora deste relatório, a qual, após uma exposição oral sobre o autor, solicitou aos alunos a escolha prévia de uma das obras expostas, para que posteriormente fosse feita a “reprodução” da mesma, porém, de uma forma mais intuitiva com gestos rápidos e vigorosos, característica da fase plástica final de Amadeo, fortemente influenciada pelo cubismo. Após uma pequena paragem na cidade de Lamego, onde foi feita uma exposição oral acerca da planimetria, de jogos de volumes, sistemas de suporte e cobertura, e elementos decorativos da Igreja Gótica, a visita de estudo teve a sua finalização na cidade de Viseu, no Museu Grão Vasco, onde o PC explicou a evolução da pintura do século XIV ao século XX, e onde os alunos tiveram a oportunidade de contemplarem as obras do período renascentista, com particular incidência nas produções da Escola de Viseu, pela mão do pintor Vasco Fernandes.

Tendo sido a chegada ao Fundão à hora prevista, deram-se por cumpridos os objectivos estabelecidos para esta visita de estudo, aos quais se somaram a satisfação e surpresa geral com a inovação de iniciativas criativas em contexto museológico.

IV.2.1. Actividade

Na preparação da actividade a desenvolver no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, a autora deste relatório entrou em contacto com a direcção do mesmo, solicitando algum material relevante, como uma síntese bibliográfica e uma possível análise de obras expostas, assim como para a obtenção de uma autorização para o desenvolvimento de uma actividade nas suas salas. A isto juntou-se uma pesquisa pessoal, para que se pudesse guiar teoricamente os alunos na instituição. Neste âmbito, fez-se uma reflexão desde a sua fase caricatural depois de chegar a Paris, ocupando-se progressivamente da Pintura, transitando da “memória

elegante” e gráfica de ”Os galgos” (1911) para uma vertente entre o cubismo e o abstraccionismo. Quanto à acção práctica, em si, essa foi estipulada de acordo com as normas exigidas - este museu proibia estritamente o uso de materiais riscadores pontiagudos e de máquinas fotográficas – optando-se então pelo pastel de óleo em diário gráfico. Embora o primeiro exercício estipulado envolvesse um retrato comum entre alunos (Apêndice 7), as condições com que se teve de debater não foram as mais favoráveis. Amadeo tinha a representá-lo uma sala demasiado pequena para abarcar a quantidade de alunos presente. Optou-se, portanto, pela escolha de uma obra para o treino do traçado vigoroso de Amadeo, particularmente a partir de 1912. Este traçado, por influência do cubismo encerrava em si, como explicado aos alunos pela autora, a geometrização formal, planos facetados, perspectiva distorcida, figuração interligada – traço curvo, portanto – e riscos oblíquos como principais dinamizadores compositivos, além dos círculos concêntricos, por influência do orfismo dos Delaunay.

Posteriormente, em aula, foram desenvolvidos os exercícios inicialmente propostos insistindo- se com os alunos de DesA na repetição dos mesmos na procura da desenvoltura gestual e simplificação necessárias a esta qualidade de registo.

Embora simples, os resultados foram satisfatórios, contribuindo estes métodos para a insistência na importância da gestualidade na procura das formas gerais e elementares, que, embora não tenham de ser um fim plástico, assim foram assumidas durante o modernismo.