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2 – VISITA DOMICILIÁRIA E CONTINUIDADE DE CUIDADOS

Stephen Covey

2 – VISITA DOMICILIÁRIA E CONTINUIDADE DE CUIDADOS

A visita domiciliária tem uma longa história nas sociedades ocidentais para a prestação de serviços a populações vulneráveis, faz parte da rotina de cuidados de saúde para a mãe e criança em muitos países europeus.

Os serviços de saúde devem estar acessíveis a todos os cidadãos, de forma a prestar em tempo útil, os cuidados técnicos e científicos que assegurem a melhoria da condição do doente e uma resposta eficiente, suscetível de proporcionar o necessário acompanhamento até ao seu completo restabelecimento. Para isso, as diferentes unidades de saúde têm de se coordenar, de forma a evitar quebras na prestação de cuidados (Escoval et al, 2010). Ainda na opinião destes autores, um sistema de saúde, face aos novos desafios, deverá ser planeado numa perspetiva sistémica, funcionando através de redes de articulação entre os diferentes níveis de cuidados.

Dos vários estudos já realizados conclui-se que as maiores necessidades dos pais de crianças prematuras, aquando da alta, são no âmbito da informação e de se sentirem confiantes, daí a importância de um acompanhamento contínuo destas famílias, mesmo após a alta, realçando o papel da enfermagem neonatal e o seu elo de ligação com os cuidados de saúde primários.

A visita domiciliária é considerada um continuum dos cuidados de saúde pois os serviços de saúde são oferecidos às famílias nas suas casas com o objetivo de maximizar o nível de independência destas e de reduzir o tempo de internamento hospitalar. Com efeito reduzir o tempo de internamento num hospital poderá ser benéfico por várias razões: diminui o risco de infeção, um maior número de utentes pode ser tratado, a família e o bebé fica menos tempo fora do seu ambiente familiar o que garante uma adaptação a um modo de vida em segurança no seu quotidiano. Contudo é necessário que a articulação entre cuidados funcione de modo a garantir um adequado acompanhamento às famílias, para que os benefícios se concretizam, e se evitem correr riscos com as respetivas consequências.

A visita domiciliária em alguns contextos profissionais é a consulta de enfermagem no domicílio, realizada pela enfermeira da neonatologia, após a alta do bebé da unidade, em articulação com os cuidados de Saúde Primários. Neste domínio é importante enfatizar a importância da articulação existente entre os cuidados hospitalares e os cuidados de saúde primários, através da visita domiciliária.

Neste sentido a visita ao domicílio é um procedimento para a garantia da qualidade, sem prejuízo de recursos, é uma atividade que o enfermeiro desenvolve de forma a concretizar os cuidados diretos à criança e família conduzindo a uma maior autonomia e independência

Escola Superior de Saúde de Portalegre – Instituto Politécnico de Portalegre 16 constituindo um instrumento para conhecer o meio em que vive a família e que influência a saúde de quantos nele habitam (Martin, 1994).

Os cuidados prestados no domicílio favorecem um seguimento direto que ajuda a melhorar o nível de bem-estar das famílias. Através da educação para a saúde as famílias vão manifestar um maior controlo e segurança nos cuidados a prestar aos seus bebés, facilitando a consolidação das competências parentais e a tomada de decisão. Para Marinheiro (2008), a comunicação que se estabelece no domicílio é mais fluida, espontânea e num clima de maior liberdade, promovendo um conhecimento apropriado dos sucessos quotidianos e a adoção de uma relação de ajuda mais congruente com uma avaliação completa e realista do meio físico, familiar e social.

O acompanhamento do prematuro no domicílio de forma supervisionada poderá garantir: menores taxas de readmissões, menor índice de infeções nos primeiros meses e anos de vida dessas crianças, melhores taxas de crescimento, adequada inclusão na escola e potenciar a aprendizagem e inserção na sociedade e na vida adulta. Dada a importância da continuidade de cuidados na qualidade do CUIDAR, nos ganhos em saúde e na diminuição das taxas de internamento, esta é considerada um direito, consagrado no Artigo 83, alínea d, do Código Deontológico do Enfermeiro – do direito ao cuidado – “Assegurar a continuidade dos cuidados, registando fielmente as observações e intervenções realizadas (…) entre instituições e níveis de cuidados” (Nunes et al, 2005).

Assim, torna-se pertinente implementar, valorizar e promover a continuidade dos cuidados sendo esta definida como uma intervenção planeada, que coordena vários profissionais de saúde e tipos de cuidados, tendo como resultado um aumento da eficiência e da eficácia dos cuidados globais prestados à criança e família ao longo do tempo.

É essencial que o enfermeiro valorize as características gerais e individuais de cada família para determinar que tipo de ajuda necessita e que cuidados podem prestar. Fatores desencadeantes de stress podem alterar as relações familiares, produzindo uma crise na adaptação da família ao prematuro, devendo o enfermeiro facilitar o processo de adaptação à nova situação. O papel do enfermeiro na visita domiciliária é fundamentalmente de apoio e de transmitir segurança aos pais, ou à pessoa cuidadora. Avaliar diretamente as condições habitacionais, detetar situações de risco e educar, sendo o reforço dos ensinos extremamente importante.

Segundo Souza et al (2004), a visita domiciliária também deve ser considerada no contexto de educação em saúde por contribuir para a mudança de padrões de comportamento e, consequentemente promover a qualidade de vida através da prevenção de doenças e promoção da saúde. Garante atendimento holístico por parte dos profissionais, sendo, portanto, importante a compreensão dos aspetos psico-afetivos, sociais e biológicos da família assistida, ao permitir viabilizar ações integradas de vigilância, constituindo uma importante

Escola Superior de Saúde de Portalegre – Instituto Politécnico de Portalegre 17 ferramenta de trabalho no cuidado estratégico às famílias atendidas ao possibilitar in loco o acompanhamento da situação de saúde, esperando-se a produção de resultados positivos através da antecipação de situações de risco. Assim, o domicílio abrange um grupo de pessoas que partilham responsabilidades na saúde, tornando-se um contexto que potencia as mudanças de comportamento conducentes a mais e melhor saúde.

Segundo a Comissão Nacional de Saúde Infantil (2008), a continuidade de cuidados de saúde pela interligação entre os respetivos serviços é uma base indispensável ao seu bom funcionamento, à boa qualidade de trabalho e ao atendimento da criança e família em tempo útil e de acordo com as suas necessidades. Segundo esta Comissão é fundamental esta adoção de comportamentos e práticas de saúde entre serviços e profissionais que atendem a criança e família. Os profissionais são sujeitos importantes nos processos de mudança de comportamentos, quando se tornam atores sociais com vontade de transformar e de se responsabilizar com a vida do outro.

A parceria pais/profissionais é um mecanismo poderoso para a capacitação e potencialização familiar. A colaboração que é dada é vista como um continuum e a família encontra-se nesse continuum consoante as suas necessidades e capacidades (Marinheiro, 2008).

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