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ATRIBUTOS ESPACIAIS

3.3.4 Visita exploratória

A visita exploratória tem o objetivo de familiarizar a pesquisadora com o objeto de estudo e atores do processo.

As visitas às salas selecionadas destinaram-se ao conhecimento dos horários, turmas e professores que atuavam em cada sala. Após a coleta destes dados, foi necessário contatar as secretarias dos cursos para levantar o número de alunos de cada disciplina, bem como o contato dos professo- res responsáveis pelas mesmas, para viabilizar a aplicação da observação do comportamento, poema dos desejos e questionário. Em relação às salas da UFSC, essa etapa foi realizada por telefone, pelo site dos cursos seleciona- dos, e via e-mails.

Para a realização deste método foi desenvolvida uma Ficha de dados (ver Apêndice E) e o período de realização desta etapa foi do dia 21 de setembro a 07 de outubro de 2011.

3.3.5 Observação

Richardson (2009, p. 259) ressalta o significado da palavra observa- ção, “[. . .] o exame minucioso ou a mirada atenta sobre um fenômeno no seu todo ou em algumas partes, a captação precisa do objeto examinado”.

Este método é usualmente utilizado para coleta de informações pre- liminares sobre a situação de vida real sob investigação, pela necessidade de se conhecer o que os usuários fazem no local, quais são as atividades reali- zadas, qual a duração de cada tarefa, etc. Também permite ao pesquisador acesso a aspectos comportamentais, dos quais os próprios indivíduos não têm plena consciência. São aspectos expressados por meio de mensagens não verbais (PINHEIRO; ELALI; FERNANDES, 2008).

As mensagens não verbais do ambiente são compo- nentes da nossa experiência e estão inseridas em muitas partes de nosso entorno imediato (SA- NOFF, 1991 apud Ibid., p. 77).

A observação pode ser dividida em três categorias: observação do ambiente, observação dos traços físicos e observação do comportamento (BINS ELY, 2011).

A observação do ambiente consiste no levantamento físico do espaço, no qual são colhidos dados importantes relativos à funcionalidade e aos aspectos do ambiente construído, que possibilitará recomendações futuras.

É importante destacar que não houve medição dos fatores de con- forto, uma vez que isto não faz parte do escopo da pesquisa. Os dados relativos a estes fatores surgiram a partir da percepção da pesquisadora no momento da observação do espaço físico de cada sala de aula, que ocorreu entre os dias 27 de setembro e 14 de outubro, nos períodos matutino e vespertino.

Para este método, foi desenvolvida uma Planilha de avaliação espacial (ver Apêndice F), para registrar os componentes prós e contra do bem- estar humano do ambiente, o levantamento, bem como uma relação de elementos para registro fotográfico.

A observação dos traços físicos ambientais fornece informações sobre o comportamento humano por meio da observação de suas consequências ou dos vestígios deixados no ambiente de forma consciente ou inconscien- te. Por meio deste instrumento, obtém-se reflexo das atividades realizadas

anteriormente. Como exemplo de vestígios conscientes, pode-se citar o arranjo das carteiras de uma sala de aula, e de vestígios inconscientes, mar- cas de pisadas deixadas na areia da praia (PINHEIRO; ELALI; FER- NANDES, 2008).

Esta técnica foi realizada nos mesmos dias da observação do ambi- ente e a coleta de dados seguiu a organização desenvolvida por John Zeisel para este procedimento. Zeisel (2006, p. 169) organizou quatro categorias para olhar e recolher dados sobre os traços físicos, com o intuito de auxili- ar os arquitetos no controle dos efeitos comportamentais e efeitos colate- rais de suas decisões, bem como aumentar o controle das próprias pessoas sobre suas relações com o ambiente. Para tal, é importante que os traços físicos estejam contextualizados, sem ser analisados separadamente.

A primeira categoria definida como “Produtos de uso”, reflete o que as pessoas ocasionam no ambiente e é representada pela erosão (ex.: desgas- tes, marcas em paredes e pisos), restos (ex.: componentes do lixo) e traços ausentes (ex.: mobília ou equipamentos ausentes).

As “Adaptações para uso”, segunda categoria, são mudanças realizadas no ambiente, pelos usuários, para atender as suas necessidades. Na terceira categoria, denominada pelo autor como “Manifestações de identidade”, ações demonstram a apropriação do espaço pelo usuário, com a marcação terri- torial por meio de elementos que estabelecem o lugar como seu.

A quarta categoria, “Mensagens públicas”, são avisos que os indivíduos deixam nos ambientes para se comunicar com o público. As “Mensagens

públicas” se dividem em: oficiais (ex.: aviso de que é proibido o uso de celu-

lar no ambiente), informais (ex.: cartaz de venda de computador usado no mural da universidade) e ilegítimas (rabiscos e escritas nas carteiras de sala de aula).

O procedimento foi registrado em uma Ficha de observação de traços

físicos (ver Apêndice G) e por meio de fotografias.

Na observação do comportamento, investiga-se a relação entre pessoas e seus ambientes, na qual o pesquisador procura conhecer aspectos manifes- tos do comportamento humano nos ambientes da vida real (PINHEIRO; ELALI; FERNANDES, 2008).

De acordo com Richardson (2009), a observação pode ser classifi- cada como “não participante”, na qual o pesquisador atua como mero espectador, não fazendo parte do grupo do fenômeno estudado, ou como “participante”, atuando como parte do grupo. Ainda, pode ser classificada como “sistemática”, na qual há uma estrutura determinada em que os fatos ocorridos e a sua frequência são anotados, ou “assistemática”, na qual há um plano de observação, porém ocorrendo mais livremente, sem fichas ou livros de registros.

Neste estudo, optou-se pela observação não participativa e sistemá- tica, em que foram levantados dados acerca do comportamento dos alunos e professores nas salas de aula, bem como da relação entre os usuários e entre usuário e ambiente construído. Procurou-se, também, conhecer a maneira como são realizadas as atividades, a ocupação da sala, o número de alunos e como ocorre a manipulação dos equipamentos.

A pesquisadora, com o conhecimento e autorização prévia dos pro- fessores, assistiu às aulas, porém sem ser identificada e sem participar das atividades da turma. A apresentação da pesquisadora à turma ocorreu sem- pre no final do procedimento quando, então, este era complementado com registros fotográficos, devidamente autorizados pelos alunos e professor.

Para sistematizar o procedimento, foi elaborada, pela pesquisadora, uma Ficha de observação do comportamento (ver Apêndice H), com campos para informações gerais – como local, data, hora da observação –, uma planta baixa com o leiaute da sala de aula e com a marcação da posição dos usuá- rios no momento da observação, e perguntas relativas às atividades realiza- das, aspectos comportamentais e conforto ambiental avaliado com a sala ocupada. A técnica teve duração média de uma hora cada sessão, e foi realizada entre os dias 29 de setembro e 8 de novembro de 2011.

O procedimento ocorreu em duas turmas de cada sala, alternando os três turnos para obter dados mais completos devido às variações exis- tentes ao longo do dia. Exceto a sala do CED 603/UFSC, na qual a técnica foi aplicada apenas no turno da tarde, devido à sala atender apenas uma turma.