META 4 Análise dos
4. O PROJETO RGSG COMO REDE DE PESQUISA
4.3. Visitas ao Projeto SAG: uma ação para ampliação da REDE
Do ponto de vista das ações de ampliação da REDE, características dos espaços de compromisso, foi organizada, ainda no primeiro semestre de 2008 (de 15/06 a 19/06/2008), uma Expedição dos pesquisadores do Projeto RGSG a Montevidéu, Rivera/Santana do Livramento e Buenos Aires, com o objetivo de estabelecer contato com pesquisadores e instituições vinculados ao Projeto SAG e envolvendo especialmente os pesquisadores do Marco Jurídico (Meta 4) do Projeto, nos dias 15/06 a 19/06/2008,
Segundo Depoimento (2010-2012), sabendo-se que seria composta uma comissão para discutir o marco jurídico para o SAG, tentou-se fazer um convênio para viabilizar a participação dos pesquisadores naquela comissão:
Essa comissão seria formada com representantes dos países de ocorrência do Aquífero Guarani (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina) para elaboração de um marco regulatório e gestão sustentável do mesmo. Na oportunidade, procurou-se, também, obter informações sobre a metodologia interdisciplinar adotada naquele projeto, e para isso a equipe de pesquisadores do Projeto RGSG visitou um dos projetos piloto do SAG, (transfronteiriço) que tem como foco a análise da vulnerabilidade do aquífero, e a poluição por agrotóxicos, semelhante à que está sendo desenvolvida, em algumas áreas do projeto. (RELATÓRIO FAPESC (2008a META 6, ANEXO 7:01-02).
O encontro tinha o propósito de possibilitar aos pesquisadores da Rede o conhecimento dos resultados alcançados até então no SAG, bem como iniciar um intercâmbio entre os pesquisadores dos dois projetos de forma a otimizar os esforços de pesquisas.Como parte do cumprimento dos objetivos da viagem, a equipe da Rede visitou uma das áreas piloto do projeto SAG em Rivera/Santana do Livramento, (divisa entre Uruguai e Brasil) e reuniu-se com representantes do projeto em Buenos Aires (Argentina)
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(RELATÓRIO FAPESC (2008a: META 6, ANEXO 7:01).
21 A viagem foi organizada pela Coord. Geral do Projeto RGSG e contou com a
participação de:
-Profa Maria de Fátima S. Wolkmer (UNIPLAC) Coord. Geral da Rede e Coord. da Meta 6; Prof. Valdeci Israel (UNIPLAC) Coordenador da Meta 3 Comp. 1; Prof. Rogério Portanova (UFSC) Coordenador da Meta 4, Comp. 2 e 4; Prof. Eloi Anpessan Filho (UNIPLAC) Coordenador da Meta 4, Comp. 2 e 4; Profa Lucia Ceccato de Lima (UNIPLAC) Coordenadora da Meta 5 Comp. 1; Profa Lucia Helena Baggio Martins (UNIPLAC) Coordenadora da Meta 2, Comp. 2; Prof. Alvaro Sanchez Bravo (Universidade de Sevilha, Espanha) Coordenador da Meta 4, Comp. 1; Prof. João Alberto Alves Amorim (Universidade Anhembi-Morumbi) Coord. da Meta 4, Comp. 1 e 3; Profa Sirlane M. Bruggemann (UNIPLAC) Pesquisadora da Meta 4; Luciano Augusto Henning Acadêmico de Geografia (UFSC).
Conforme Relatório FAPESC (2008a, META 6, ANEXO 7) 22, o primeiro compromisso foi na Sede da Secretaria Geral do Projeto Sistema Aqüífero Guarani (SAG), em Montevidéu. Na reunião, coordenada pelo Secretário Geral do Projeto SAG o brasileiro Dr. Luiz Amore, foram estabelecidas as primeiras tratativas para a formalização de uma parceria de cooperação jurídica entre a pesquisa que era desenvolvida no âmbito do SAG e o projeto Rede Guarani/Serra Geral.
No que diz respeito aos resultados até então alcançados pela equipe do SAG, o Coordenador Geral Luiz Amore disponibilizou o acesso aos mesmos. Quanto ao estabelecimento de trabalhos conjuntos, mostrou-se reticente quanto à sua necessidade, devido ao fato de que, já na fase final de suas pesquisas, teria ficado evidente a pequena importância de um marco transnacional para a gestão das águas subterrâneas do SAG já que os estudos hidrogeológicos realizados apontavam que a retirada de água do Aqüífero num determinado ponto não comprometeria sua disponibilidade em locais distantes. O Coordenador destacou, sim, a necessidade de gestão cautelosa quanto ao uso indiscriminado local das águas subterrâneas.
O representante da OEA, Sr. Jorge Rucks, por sua vez, destacou a importância da visita realizada pela equipe da Rede e a Coordenadora Geral da Rede, Profa Maria de Fátima S. Wolkmer, ressaltou que a parceria com os pesquisadores do SAG seria imprescindível para as pesquisas conduzidas pela RGSG, que, aproveitando os resultados já obtidos pelo SAG, otimizariam tempo e recursos.
Diante dessas ponderações, o Coordenador Geral do SAG, Prof. Luiz Amore, finalmente, admitiu a possibilidade de participação de pesquisadores da RGSG no grupo de estudos jurídicos do SAG.
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As demais informações referentes a esta Expedição constam, também, do mesmo Relatório.
Figura 11: Detalhe do momento da reunião na Sede do SAG, em Montevidéu, entre pesquisadores do SAG e da RGSG. Da esquerda para direita: Luiz Amore (Coordenador Geral SAG), Jorge Rucks (OEA) e Ana Vidal (Coordenadora Jurídica SAG). Foto: Luciano A. Henning.
Figura 12: Detalhe do momento da reunião na Sede do SAG entre pesquisadores do SAG e da Rede. Ao fundo, da esquerda para direita: Prof. Álvaro Sanchez Bravo (Universidade de Sevilha), Profa. Maria de Fátima S. Wolkmer (Coordenadora Geral da RGSG), Prof. Eloi Anpessan Filho (Uniplac), Profa Lucia Helena Baggio Martins (Uniplac), e, de costas, Prof. Rogério Portanova (UFSC) e Prof. Valdeci Israel (Uniplac), Foto: Luciano A. Henning.
O segundo compromisso foi na Universidade de Montevidéu, quando a Profa Maria de Fátima S. Wolkmer, juntamente com os Prof. Valdeci Israel e Profa Lúcia Baggio Martins, apresentaram o projeto Rede Guarani/Serra Geral para professores, acadêmicos e autoridades do Uruguai. Em seguida, o Prof. Álvaro Sanchez Bravo, da Universidade de Sevilha e pesquisador colaborador da Meta 4, proferiu uma palestra sobre a experiência de gestão das águas subterrâneas transfronteiriças na União Européia.
Figura 13: Profa Maria de Fátima S. Wolkmer (Coordenadora Geral - RGSG) apresentando o Projeto Rede Guarani/Serra Geral, na Universidade de Montevidéu em 16/06/2008.
Foto: Sirlane M. Bruggemann.
No dia seguinte, o grupo viajou para as cidades de Rivera e Santana do Livramento, para visita já agendada ao projeto piloto de monitoramento e georreferenciamento do SAG.
Na ocasião, através do relato do Sr. Achyilles Coordenador do Projeto Piloto Rivera/Santana do Livramento foi possível apreender a importância do Aqüífero Guarani para a região. O referido coordenador informou que praticamente toda a
água consumida pela população das duas cidades provém do Aqüífero Guarani. Existem, só em Santana do Livramento, 43 poços perfurados com, aproximadamente, 130 metros de profundidade. O maior problema, na concepção desse funcionário, é [...] a possibilidade de poluição (do Aquífero) pelo fato de que as cidades de Santana e Rivera se situam totalmente sobre uma área de afloramento do Arenito Botucatu. (RELATÓRIO FAPESC, 2008a, META 6, ANEXO 7:10).
Ele relatou que, 48% da cidade de Santana do Livramento era atendida por rede de saneamento básico, enquanto em Rivera estaria se alcançando 70-75% de cobertura, conseguida através de verbas do Banco Mundial.
Foram significativos, também, outros aspectos do trabalho da equipe no âmbito daquele projeto piloto, como:
- Trabalho de educação ambiental nas escolas de Rivera (Uruguai) e de Santana do Livramento (Brasil) com a exposição de mapas, vídeos e conversas a respeito do Aqüífero Guarani; - Parte dos equipamentos necessários para coleta de dados pertinentes ao monitoramento os poços (pH, condutividade e oxigênio dissolvido) é disponibilizada pela Organização Internacional de Energia Atômica (OIEA). Outras análises, como dos isótopos, eram realizadas por laboratórios internacionais contratados. (RELATÓRIO FAPESC, 2008a, META 6, ANEXO 7:11).
Figura 14: Detalhe da reunião na Sede do Projeto Piloto do SAG em Rivera, em que Sr. Achyilles expunha os trabalhos realizados por sua equipe. Foto: Luciano A. Henning.
No dia 18/06, a equipe seguiu para Buenos Aires para a realização de uma reunião com o Sr. Miguel Giraut, Coordenador Nacional do Sistema Aqüífero Guarani (SAG) daquele país. Essa reunião, além de permitir o contato e conhecimento de alguns pesquisadores que trabalham com águas subterrâneas na Argentina, possibilitou uma melhor compreensão das questões jurídicas que envolvem as águas subterrâneas no contexto específico dos países do Mercosul.
Figura 15: Detalhe da reunião com o Coordenador Nacional do SAG na Argentina, Geólogo Miguel Giraut (à esquerda), na Sede do SAG em Buenos Aires, em 18/06/2008. Foto: Luciano A. Henning.