PARTE III – O ESTUDO DE CASO
Visitada 1.1. Pessoas Abordadas 1.2 Natureza da Visita 1.3 Inquérito
3. Sensibilizar os responsáveis e funcionários dos museus para a animação educativa com estes públicos.
1.1.1 Visitas tácteis e objectos passíveis de ser tacteados
O tacto, juntamente com a audição, é dos principais sentidos utilizados pelas pessoas com deficiência visual para adquirirem informações do mundo exterior. É através dele que mais facilmente percepcionam aquilo que caracteriza a realidade material: os volumes, as formas, as texturas, as dimensões, as temperaturas. Ao contrário da vista que capta a informação de uma só vez num processo global, o tacto actua sequencialmente para captar a informação. Deste modo, requer uma quantidade de tempo mais alargada de análise. A percepção efectuada através deste sentido precisa de ser educada pois não é uma capacidade inata das pessoas com deficiência visual. Por conseguinte, a pessoas que cegaram na infância ou na adolescência possuem melhor
destreza táctil em relação aos que cegaram tardiamente. Por outro lado, necessita de indicações básicas que lhe garanta decifrar conteúdos. Sem estas muito dificilmente conseguirá perceber a definição de uma peça que nunca tenha percepcionado, pois aquilo que efectua na maioria dos casos é o reconhecimento das sensações tácteis já experimentadas.
As visitas tácteis aos museus de artes visuais podem-se traduzir numa das alternativas mais viáveis, são até mesmo as mais habituais, para as pessoas com deficiência visual conhecerem as suas colecções123. A experiência táctil no museu pode contemplar o toque directo (ou com luvas apropriadas) em peças escultóricas, o recurso a réplicas, e objectos de manipulação ou outros materiais susceptíveis ao toque relacionados com uma determinada obra. Se o toque directo na obra é proporcionado, deve-se ter em conta se as proporções da mesma podem ser abrangidas na sua totalidade pelo visitante sem causar qualquer dificuldade ou desconforto, dado que a sua capacidade de identificar formas depende desta situação ao contrário da visão, que o faz independentemente do seu tamanho. Uma vez que vão ser tocadas é importante que se encontrem limpas e sem pó.
As visitas tácteis aos museus podem ser realizadas individualmente por uma pessoa portadora de deficiência visual que deseje visitar o museu sozinha ou até mesmo em família sem recurso a um guia do museu desde que haja informação escrita ou áudio que complete a informação da obra original ou do modelo didáctico destinado à exploração táctil e que descreva o espaço de circulação, como é o caso do Museu de Loures.
Por outro lado, as visitas tácteis podem ser propiciadas por um guia do museu no sentido de auxiliar o visitante com deficiência visual na locomoção dentro do espaço e na exploração das obras e dos materiais destinados à exploração táctil. O guia deverá conhecer os métodos adequados para guiar esses visitantes assim como deverá ter noções básicas das causas e principais problemas relacionados com a deficiência visual. As visitas devem ser limitadas a um grupo pequeno e as obras a explorar não devem ser mais de quatro. Se só existe um material didáctico para cada uma das obras a explorar durante a visita, o guia deverá promover o diálogo bem como outras informações verbais para que os restantes participantes não percam o interesse enquanto não estão a
123 Sobre esta pesquisa consultar: Cano, B. Consuegra, Maquetas accesibles a las personas con discapaidad visual, Integración -
revista sobre ceguera y deficiência visual, n.28, pág. 16-20, Outubro 1998; Corvest, Hoëlle, Las condiciones para la accesibilidad
táctil a la cultura: Una invitación a la reflexión, Entre dos Mundos, n.14, pág. 23-27, Junho 2000; Hardcastle, Pippa, Exploración manual en Eureka!, Entre dos Mundos, n.3, p.37-39, Outubro 1996; Lorenzo, M.J. Sánchez, I Bienal de Arte Contemporâneo Fundación ONCE: Obras Nascidas en la Capacidad de la Emoción – Madrid (España) 12 diciembre 2005 – 5 febrero 2006, Integración - revista sobre ceguera y deficiência visual, n.47, pág. Abril 2006; Ortiz, Francisco Rey, F. Pérez Borrero e J. García Rincón, Um Museo al alcance de tu mano, Integración - revista sobre ceguera y deficiência visual, n.3, pág. 22-23, Setembro- Dezembro 1989; Torres, I. Gilili e J. Yago Escrivá, El arte a través de las manos, Integración - revista sobre ceguera y deficiência visual, n.25, pág.44-50, Outubro 1997.
tocar em nenhuma peça. É fundamental que essa comunicação verbal seja sincronizada com as experiências tácteis.
Seria ainda útil a utilização de suportes que sustentassem os materiais no decorrer da visita, como por exemplo os carrinhos de apoio utilizados no Museu de Zoologia e na Pinacoteca do Estado em São Paulo124, para que não ocorra a tendência, por exemplo, de os analisar em cima das pernas, sem nenhum apoio estável. Uma vez que na maioria dos casos as pessoas portadoras de deficiência visual trazem consigo a bengala de apoio à mobilidade é fundamental promover alguns momentos que possam ter as duas mãos livres para tactear com toda a liberdade o modelo ou peça em análise.
Para a eficácia da visita, será ainda necessário, o recurso a bancos que permitam que os visitantes se sentem ao longo percurso, não só para terem as duas mãos livres, mas também para garantir o seu descanso. Talvez possa existir uma maior tendência para se sentirem cansados uma vez que não podem usufruir de toda a informação visual presente no museu que lhes possa causar alguma forma de distracção.
Por último, o diálogo entre os guias e os visitantes deverá decorrer da mesma forma que em todas as visitas de outros âmbitos efectuadas pelos serviços educativos: promover o espírito crítico e a partilha mutua de ideias. Este aspecto não é exclusivo mas essencial a todos os públicos dos museus.
Seguem-se alguns modelos elaborados com vista à exploração táctil. Importa ainda referir que em todos se procurou manter a cor original, não os restringindo às cores preto e branco como é habitual, no sentido de poderem vir a ser úteis a quem tenha algum resíduo visual por explorar e ainda para que sejam igualmente apelativos às pessoas normo – visuais para que a partilha de experiências ocorra entre todos os visitantes.
Exemplos: