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Visual na UERJ e no Brasil seria a troca com

pesquisadores nacionais e

internacionais

de realização do filme, as formas de interação com as pessoas filmadas, as particularidades de cada um, a relevância do uso da imagem nas Ciências Sociais. Já temos várias edições, disponíveis no site do INARRA. Organizei um livro23 com resenhas de 30 filmes elaborados por estudantes de gradua-ção e pós-graduagradua-ção para estimular a análise fílmica.

Em 2002, o INARRA organizou um seminário muito importante para a Antropologia Visual da UERJ: Cinema e Ciências Sociais. “Edifício Master”, do Coutinho, acabara de ser lançado e “Cidade de Deus” seria lançado brevemente. Participaram Eduardo Coutinho, Kátia Lund, Consuelo Lins, Geraldo Sarno, entre outras celebridades. Três dias de debates e público de 250 pessoas diariamente.

Assim surgiram os Seminários Imagens & Narrativas. O terceiro semi-nário foi internacional, um pequeno ensaio espelhando aquele de Göttingen.

Convidados internacionais: Bill Nichols, Lourdes Roca, Catarina Alves Cos-ta, Carmen Guarini e muitas(os) das(os) nossas(os) parceiras(os) brasilei-ras(os). Dois dias de muitas trocas e alegrias que, sem nossos alunos da Antropologia Visual, nada teria sido possível!

Deste seminário surgiu a ideia das videoaulas. Mariana Leal e Ana Clara Chequetti, na época doutoranda e graduanda, decidiram entrevistar Bill Ni-chols. Esta foi a nossa primeira videoaula A partir daí fizemos outras com participação de pesquisadores e os estudantes do INARRA: Aline Gama, Edney de Souza, Barbara Copque e Mariana Leal.

Faltou falar dos meus filmes e livros. Há vários anos elaborei um pro-jeto chamado “Indivíduo e Memória Social”, pensando em estudar bio-grafias de pessoas que tinham uma história para contar. Na França, eles chamam de film portrait, um retrato que é mais do que um simples en-quadramento na vida profissional do biografado, aborda também alguns ângulos da vida pessoal.

Eu sou muito lenta na produção dos meus filmes. Por exemplo, iniciei as filmagens de “Gisèle Omindarewa” em 1998 e só finalizei onze anos de-pois, em 2009. O filme sobre a minha avó - “Bebela e a Revolução Gaúcha de 1923” - também levou dez anos para finalizar. Já o portrait do Etienne

23 PEIXOTO, Clarice. (Org.) Antropologia & Imagens: os bastidores do filme etnográfico v. 2. Rio de Ja-neiro: Garamond, 2011. O v. 1, Antropologia & Imagens: narrativas diversas, foi publicado juntamente.

Samain, “De um Caminho a Outro”, foi realizado em apenas três meses, em 2008. Estávamos no seminário “Imagens e Processos Históricos e So-ciais na América Latina”, parceria entre o INARRA e o CPDA/UFRRJ24, na Ilha Grande, do qual participaram Etienne Samain, Carmen Guarini (UBA25, Argentina), Norma Fernandez (documentarista argentina) e Hector Alimon-da (CPDA/UFRRJ). Uma noite, no bar de D. Teresa, o Etienne nos revelou que iria se aposentar. Veio logo a ideia de um filme portrait para lançar na RBA de Porto Seguro, que seria realizada brevemente. Uma homenagem ao nosso amigo inspirador. Um momento de sua trajetória que focalizamos foi sua vida religiosa: Etienne tinha sido padre. Sou sua amiga e não sabia disso, ele nos revelou neste seminário: “Vocês sabem que eu fui padre?”.

Ele estava acompanhado de sua primeira mulher, Godeliève, e começaram a contar sobre a vida pessoal, como eles se conheceram, o abandono da batina e a escolha pela Antropologia e Antropologia Visual. Etienne é fruto das relações pessoais e profissionais que teceu ao longo de sua trajetória, seus relatos são enriquecidos com as fotografias que produziu – fotografa-va e desenhafotografa-va muito em campo.

Foi um trabalho muito intenso, mas muito gratificante. O Portrait é isso.

Foi o primeiro filme que realizei com duas câmeras e um grupo de douto-randas(o): Barbara Copque, Gleice Mattos Luz, César Augusto Carvalho sob minha orientação e Fabiana Bruno sob a do Etienne Samain. Maravi-lhosa equipe.

Depois desse, nunca mais trabalhei en solo. A ideia do filme seguinte,

“Ilha Grande em Outros Tempos” (2010), veio logo após a realização do filme sobre o Etienne e também foi realizado com um grupo de mestrandos e gra-duandos. Fabiene Gama, que na época era mestranda, fez a câmera. O filme

“Roberto DaMatta e seus Carnavais, Malandros e Heróis” (2013), dirigi com Mariana Leal e Barbara Copque, e César Carvalho foi da equipe de roteiro26.

Iniciei minha trajetória na Antropologia Visual com um filme sobre so-ciabilidade na velhice – “Em Busca do Pequeno Paraíso” (1993) - e finalizo a carreira de antropóloga-realizadora com um filme sobre um asilo para velhos no Rio de Janeiro - “IntraMuros” (2015) – inserido na pesquisa

24 Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

25 Universidad de Buenos Aires.

26 Todos os filmes estão disponíveis no site do INARRA: www.inarra.com.br.

“Violência familiar e violência institucional contra pessoas envelhecidas”.

Nesta pesquisa, também de caráter comparativo (Paris / Rio de Janeiro), trabalhei com survey, entrevistas, observação participante e imagens. Vá-rias técnicas de pesquisa que me permitiram entender melhor essa questão social contemporânea sobre a violência contra velhos. Novamente trabalhei com uma equipe de estudantes bolsistas PIBIC27 e de Extensão.

Importante dizer que nem sempre uso imagens nas minhas pesquisas.

Para algumas, elaborei um survey; em outras trabalhei apenas com entre-vistas e observação28. Em várias, usei uma conjunção de métodos quan-titativos e qualitativos porque acredito que nos oferece um rico recurso de pesquisa. Acho que não são todas as pesquisas em que o uso da imagem é pertinente, pois nem sempre ela enriquece nossa compreensão sobre a situação social estudada. Em algumas delas, eu queria conhecer um uni-verso mais amplo, então o survey me deu essa resposta e não a imagem.

Em outras, o acompanhamento por meio de uma observação muito mais focalizada e aprofundada, que talvez

a imagem não me permitisse, foi mais adequada para entender os ele-mentos que buscava.

Ao longo desses anos publiquei alguns livros29 e vários artigos no campo da Antropologia Visual e reali-zei os sete filmes etnográficos acima.

Finalizo essa nossa conversa di-zendo que, para mim, o uso de ima-gens fílmicas, fotográficas,

iconográ-27 Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica.

28 Me arrependo de não ter usado imagens na pesquisa ‘Envelhecimento, políticas sociais e novas tecnologias’, realizada na França, em 1999. Eu e a antropóloga Françoise Clavairolle, do Labo-ratório Techniques et Culture do CNRS/Centre National de la Recherche Scientifique, obtivemos financiamento do Ministère de l’Emploi et de la Solidarité (MIRE) e da Caisse Nationale d’Assu-rance Vieillesse (CNAV) para desenvolver esta pesquisa, no município de Verrières-Le-Buisson.

Infelizmente, a maioria das pessoas foi entrevistada em espaços institucionais (Correios, bancos, asilos, Prefeitura, associações) que não autorizaram o registro de imagens. Publicado pela ed.

FGV, 2005.

29 Alguns deles já foram citados. Faltaram: PEIXOTO, Clarice E.; LUZ, Gleice M.; COPQUE, Barbara (Org.) Famílias em Imagens, Rio de Janeiro: ed. FGV, 2013; PEIXOTO, Clarice; COPQUE, Barbara.

(Org.) Etnografias Visuais. Análises Contemporâneas. Rio de Janeiro: Garamond, 2005.

para mim, o uso de imagens