CAPÍTULO III – ESTADO, ESFERA PÚBLICA E A POLÍTICA LOCAL DE
3.3 Vitória: dados da capital e da juventude local
A cidade de Vitória, capital do estado do Espírito Santo, está localizada no litoral da região sudeste do Brasil. Trata-se de uma ilha cercada pela Bahia de Vitória. Possui um território de 93,38 km2, possui uma porção continental, sendo que 40% dessa área territorial é repleta de morros (PREFEITURA DE VITÓRIA, 2010a).
A capital, juntamente com os municípios de Serra, Cariacica, Vila Velha, Viana, Fundão e Guarapari compreendem o maior aglomerado populacional e urbano do estado. Essa região é conhecida como “Grande Vitória” e é considerada a porção metropolitana estadual.
De acordo com os dados estimados do IBGE (2009), a população do Espírito Santo está em 3.487.199 habitantes. Somente na Grande Vitória existe 1.686.045, ou seja, só a Grande Vitória possui 48,34% do total da população capixaba, quase metade de toda a população do Estado (PREFEITURA DE VITÓRIA, 2010a).
Vitória possui 320.156 habitantes, desses, 100% encontra-se em área urbana91 e 237.554 são
eleitores, sendo assim, a população da capital compreende 9,18% da população do estado.
91 Fonte: Instituto Jones dos Santos Neves. Disponível em: <http://www.ijsn.es.gov.br>. Acesso em: 3 set.
130 Vitória possui um quantitativo de 80.961 jovens entre 15 e 29 anos, ou seja, 28,64% da população total da capital de acordo com Censo IBGE 2000.
FAIXA ETÁRIA POPULAÇÃO
15 a 19 anos 29.608
20 a 24 anos 28.613
25 a 29 anos 22.740
TOTAL 80.961
QUADRO 2 - POPULAÇÃO JOVEM DE VITÓRIA
Fonte: IBGE/Censo 2000 – SEDEC/DIT/INF/PMV (2010)
A disposição e organização dos bairros e regiões administrativas de Vitória estão regulamentadas pela Lei Municipal nº 6.077 de 2003, tendo sofrido alterações através da Lei 6.488 de 2005. Essa é conhecida como lei de bairro (ENTREVISTADO 8). Desse modo, essa legislação estabelece que Vitória possui 79 bairros divididos em 8 regiões administrativas: Regional I - Centro, Regional II – Santo Antônio, Regional III – Bento Ferreira, Regional IV – Maruípe, Regional V – Praia do Canto, Regional VI – Continental, Regional VII – São Pedro e Regional VIII – Jardim Camburi 92 (PREFEITURA DE VITÓRIA, 2010a).
Essa divisão territorial se coloca como um instrumento que facilita a disposição, gestão e controle dos serviços públicos prestados, principalmente pela prefeitura.
92 As ações esportivas, realizadas em geral pela SEMESP também utilizam o litoral e a Bahia de Vitória
para realização das práticas esportivas e atividades físicas, desse modo, para alguns serviços dessa secretaria consideram-se 9 regionais, sendo a nova a Regional Praia.
131
FIGURA 1 – DIVISÃO DAS REGIÕES ADMINISTRATIVAS DE VITÓRIA
Fonte: PREFEITURA DE VITÓRIA (2010a)
Está na capital a maior concentração de riqueza do estado do Espírito Santo. Vitória possui quase metade (48,80%) do Produto Interno Bruto (PIB) de toda a Grande Vitória e em relação ao estado, concentra 36%; 26,9% em termos de potencial de consumo em 2009; metade dos postos de trabalho localiza-se na capital, tendo 28,6% da mão de obra de todo o estado trabalhando Vitória (WIKIPEDIA, 2010a).
Em relação ao contexto nacional, Vitória parece ocupar lugares razoáveis em termos de indicadores de desenvolvimento social e econômico. Nacionalmente, Vitória está em 18º em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), 20º no PIB (R$ 9.270.129.000,00), tendo renda per capita de R$ 29.951,00 (PREFEITURA DE VITÓRIA, 2010a).
Resumo dos Indicadores de Desenvolvimento de Vitória Posição no Ranking dos Municípios
Maior índice de inclusão digital (2003) 5º
Menor grau de exclusão social (2000) 8º
Melhor renda do país (2000) 9º
Melhor renda per capita do país (2000) 9º
Melhores condições para se fazer carreira (2009) 3º
Municípios mais dinâmicos (2006) 23º
Melhor índice de responsabilidade fiscal e social (2007) 18º
Melhores condições de vida (ICV/FGV, 2005) 2º
Melhor Índice de Desenvolvimento (Firjan 2006) 1º
Capital que Realiza mais Investimentos (ABRASF - 2008) 3º
QUADRO 3 - INDICADORES DO DESENVOLVIMENTO DE VITÓRIA NO RANKING DOS MUNICÍPIOS
132 Por outro lado, embora o município tenha atingido níveis razoáveis em termos de desenvolvimento humano, social e econômico, um panorama mais amplo da situação de vitória demonstra uma dura realidade a ser enfrentada, isso está relacionado com os altos índices de violência, que tem colocado a capital num dos piores lugares do ranking nacional e esses dados têm grande incidência na juventude do município.
De acordo com Waiselfisz (2008), dos 556 municípios brasileiros pesquisados, o que representa apenas 10% do total de 5.562 municípios no país, Vitória ocupa o 13º lugar entre os municípios com as maiores taxas de homicídio (em 100 mil habitantes) na população total em 2006.
O Mapa da Violência de 201093
traz um dado ainda mais preocupante, Vitória é a capital que está em terceiro lugar no ranking em maior taxa de homicídios entre 100 mil habitantes.
De acordo com dados disponibilizados pela Secretaria de Saúde de Vitória, o caso de maior incidência de mortes violentas no município é o homicídio, conforme Quadro 4 abaixo. São as pessoas entre 15 e 34 anos do sexo masculino as maiores vítimas de homicídios no município. A faixa etária que compreende toda a juventude, como destacamos no Quadro 5.
Causa básica final do fato violento de acordo com a faixa etária em Vitória (2007 a 2009)
Causa Básica Final e Faixa
Etária < 01 1 a 4 5 a 14 15 a 24 25 a 34 35 a 44 45 a 54 55 a 64 < 64 Total
Acidente 5 1 7 7 15 15 18 12 27 107
Acidente de transporte 0 1 0 18 27 16 14 9 14 99
Complicações de cuidados
médicos 0 0 0 2 0 1 0 1 1 5
Efeito tardio de causa externa 0 0 0 0 0 0 1 0 2 3
Evento de intenção
indeterminada 2 0 0 1 5 8 10 8 5 39
Homicídio 0 0 6 192 144 45 38 11 6 442
Morte natural 0 0 0 0 0 0 3 2 4 9
Não identificado como causa
externa 0 0 0 0 0 0 3 3 5 11
Overdose 0 0 0 0 2 0 0 0 0 2
Suicídio 0 0 0 7 6 5 9 3 2 32
Total 7 2 13 227 199 90 96 49 66 749
QUADRO 4 – MORTES VIOLENTAS ENTRE JOVENS DE VITÓRIA (2007-2009)
Fonte: SEMUS/GVS/CVE/ NUPREVI
93
Waiselfisz, Julio J. Mapa da violência 2010: anatomia dos homicídios no Brasil. São Paulo: Instituto Sangari, 2010.
133
Número de homicídios de acordo com a faixa etária e sexo em Vitória (2007 a 2009) Faixa Etária X Sexo Feminino Masculino Total
< 01 ano 0 0 0 1 a 4 anos 0 0 0 5 a 14 anos 0 6 6 15 a 24 anos 10 182 192 25 a 34 anos 15 129 144 35 a 44 anos 4 41 45 45 a 54 anos 3 35 38 55 a 64 anos 3 8 11 acima de 64 anos 0 6 6 Total 35 407 442
QUADRO 5 – HOMICÍDIOS ENTRE JOVENS DE VITÓRIA DE ACORDO COM SEXO (2007-2009)
Fonte: SEMUS/GVS/CVE/ NUPREVI
QUADRO 6 – BAIRROS DE VITÓRIA COM MAIOR INCIDÊNCIA DE HOMICÍDIOS ENTRE JOVENS
Fonte: SEMUS/GVS/CVE/ NUPREVI
Embora não seja o objetivo deste estudo tratar da questão da violência entre jovens, nos preocupamos em pontuar a situação de violência juvenil que se encontra o município. Percebemos que os dados divulgados colocam a capital capixaba entre os piores índices de vitimização da população jovem de Vitória.
Bairros de Vitória com maior ocorrência de homicídios de acordo com faixa etária (2007 a 2009)
Bairro de Ocorrência do Fato Violento e
Faixa Etária < 01 1 a 4 5 a 14 15 a 24 25 a 34 35 a 44 45 a 54 55 a 64 > 64 Total
BAIRRO DO QUADRO 0 0 1 3 7 1 1 0 0 13
CARATOIRA 0 0 1 8 5 1 0 0 0 15
CONSOLACAO 0 0 0 3 4 3 1 0 0 11
CRUZAMENTO 0 0 0 6 2 0 2 0 1 11
FORTE SAO JOAO 0 0 0 2 7 3 4 0 0 16
GURIGICA 0 0 0 7 2 2 1 0 0 12 ILHA DO PRINCIPE 0 0 0 7 4 1 0 0 0 12 INHANGUETA 0 0 0 5 7 0 2 2 0 16 ITARARE 0 0 0 4 4 2 0 0 0 10 MARIA ORTIZ 0 0 0 6 6 1 0 1 0 14 NOVA PALESTINA 0 0 1 11 8 5 3 0 0 28 PRAIA DO SUA 0 0 0 4 3 1 3 0 0 11 RESISTENCIA 0 0 0 10 7 3 0 1 0 21 ROMAO 0 0 1 9 9 1 2 0 0 22 SANTO ANDRE 0 0 0 16 10 1 3 0 0 30 SANTO ANTONIO 0 0 0 8 6 1 3 0 0 18 SAO PEDRO 0 0 0 16 3 0 0 0 0 19
134 Os dados municipais nos possibilitam identificar também que os jovens dos bairros periféricos do município são a parcela mais vitimizada por homicídios na capital.
Esses dados colocam a Prefeitura de Vitória e seu corpo gestor em xeque para tomarem medidas em termos de políticas públicas e sociais que contribuam para a melhoria das condições e da qualidade de vida da população juvenil, visando a ampliação das possibilidades em termos de educação, trabalho, assistência, cultura e lazer para as juventudes da cidade.
3.4 O SURGIMENTO DAS INICIATIVAS PÚBLICAS LOCAIS DE JUVENTUDE NO