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3.5. Variáveis dos compostos bioativos

3.5.1. Vitamina C

Para a determinação da vitamina C foi utilizado a metodologia de Terada et al. (1978), utilizando amostras de 0,1 g de pimentão, homogeneizadas com 3 mL de ácido

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oxálico (0,5 %), em seguida, submetidas à centrifugação a 4 ºC por 15 minutos a 10000 rpm. Onde foi retirado uma alíquota de 0,5 mL do sobrenadante acrescentando 150 μL da solução aquosa a 0,25% de 2,6-Dichlorophenoindophenol (DCFI), 1 mL de 2,4- Dinitrophenylhydrazine (DNPH) a 2% e 50 μL de tiouréia 10%. A mistura foi submetida a aquecimento em banho-maria por 15 minutos, em seguida realizou o resfriamento em gelo, depois adicionados 5 mL de ácido sulfúrico 85%. A leitura foi realizada em espectrofotômetro, em comprimento de onda de 525 nm. Os resultados foram comparados com a curva padrão de ácido ascórbico 100 μg mL-1 em ácido oxálico 0,5%, sendo os resultados expressos em mg de ácido ascórbico 100 g-1 de amostra.

3.5.2. Fenois

Foi determinado utilizando o método espectrofotométrico Folin-Ciocalteu (HORWITZ, 1995). Para a análise, foi utilizado 300 mg da amostra triturada, sendo adicionada 5 mL de acetona resfriada a 5 %, imersão em banho ultra sônico por 20 minutos e centrifugação a 5000 rpm por 10 minutos a 10 °C. Após a primeira centrifugação, retirou-se o sobrenadante e armazenou em um frasco escuro devidamente tampado armazenado em geladeira, repetiu-se o processo por duas vezes. Do sobrenadante, foi retirado 0,1 mL colocado em tubo de ensaio e adicionado 0,9 mL de água deionizada, 0,5 mL de Folin- Ciocalteu e 2,5 mL de carbonato de sódio a 20 %. Após o repouso de uma hora, a amostra foi lida em espectrofotômetro com comprimento de onda de 725 nm. Os resultados foram obtidos pela curva padrão de ácido gálico e expresso em mg de ácido gálico 100 g-1 de amostra.

3.5.3. Flavonoides totais

A determinação dos flavonoides totais foi realizada de acordo com as metodologias descritas por Awad, Jager e Westing (2000) e Santos e Blatt (1998). Os flavonoides foram extraídos com 4 mL de metanol a 70 % e ácido acético a 10 % (85:15, ambas v:v) em 0,3 g de amostra de pimentão, colocados em banho ultra sônico por 30 minutos, em seguida, adicionou-se 1 mL de cloreto de alumínio a 5 % e após o repouso de 30 minutos no escuro, foi centrifugado a 10000 rpm por 20 minutos a uma temperatura de 5 ºC. O sobrenadante foi lido em espectrofotômetro com comprimento de onda de 425 nm. Para esta determinação, foi utilizada rutina como referência, de acordo com o método do padrão

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externo. Os resultados foram calculados de acordo a curva de calibração da rutina e expressos em mg de rutina 100 g-1 de amostra.

3.5.4. Carotenoides

A determinação dos carotenoides totais foi realizada segundo o método validado por Sims e Gamon (2002). Para realização da metodologia foi utilizado 100 mg de amostra sendo adicionado de 3 mL de tampão tris (acetona/Tris-HCl (80:20, 0,2M v:v, pH 7,8), homogeneizada em agitador de tubo em seguida centrifugada a 4 ºC por 5 minutos, 4 °C a 2000 rpm. O sobrenadante foi imediatamente lido em espectrofotômetro com comprimento de onda de 470 nm.

As determinações de antocianinas e clorofila A e B foram realizadas do mesmo modo descrito acima, com exceção do comprimento de onda da leitura, que para antocianina é utilizado 537 nm, para clorofila A 663 nm e para clorofila B 647 nm. Os valores de absorbância são convertidos em mg 100 g-1 com base nas fórmulas abaixo:

Carotenóides (μmol mL-1

) = [A470- (17,1.(Cla+Clb)-9,479.antocianina]/119,26 Clorofila A (μmol mL-1) = 0,01373(A663)-0,000897(A537)-0,003046(A647) Clorofila B (μmol mL-1) = 0.02405(A647)-0.004305(A537)-0.005507(A663)

3.6. Análise Estatística

A análise estatística foi realizada de acordo com Banzatto e Kronka (2006), os resultados foram submetidos à análise de Variância (ANOVA) a 1 % e a 5 % de probabilidade e para estudar o efeito entre a interação dos fatores, em parcela subdividida, onde o primeiro nível representa tipos de cobertura de solo e o segundo, os tipos de adubação. As médias que apresentaram diferença significativa foram comparadas pelo teste de Tukey (p< 0,05), para tanto empregou-se o programa Sisvar versão 5.6 (FERREIRA, 2011).

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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com o resumo da análise de variância (Tabela 2) para as características de firmeza, Luminosidade (L*), cromaticidade ou croma (C*), ângulo Hue (h°), pH, Sólidos solúveis (°Brix), acidez titulável (%) e a relação (SS/AT) foi observado, que os diferentes tipos de cobertura apresentaram efeito significativo apenas para o parâmetro de cor Hue (H°) referente ao ângulo de tonalidade ao nível de 5 % de probabilidade pelo teste F, não influenciaram para os demais parâmetros avaliados. As proporções de adubação com fonte orgânica e mineral (organomineral) apresentaram influência sobre a intensidade da cor a cromaticidade (C*) e sobre a relação SS/AT, não apresentando efeito para os demais parâmetros. Foi observada interação significativa entre os fatores cobertura de solo e proporção de adubação organomineral apenas sobre o teor de sólidos solúveis. Ferreira et al. (2006) trabalhando com doses de nitrogênio e adubação orgânica na cultura do tomate, também não obtiveram significância nos valores de pH e acidez em tomates após o incremento das doses de nitrogênio no campo. Sampaio et al. (1998) não verificaram efeito significativo da cobertura do solo sobre as características de qualidade ( AT, pH e teor de vitamina C).

Tabela 2. Resumo da Análise de variância para firmeza, cor (L*, C* e h°), pH, sólidos solúveis (°Brix), acidez titulável (%) e relação (SS/ATT) em frutos de pimentão „Melina‟, submetidos a diferentes tipos de cobertura de solo e proporções de adubação orgânica e mineral. UFCG, Pombal, 2017.

FV G L QM Firmeza L* C* h° pH Sólidos solúveis Acidez Titulável SS/AT Bloco 3 1,052ns 16,162ns 21,570ns 18,749* 0,014ns 4,829ns 1,275* 22,308ns Cobertura (C) 2 3,601ns 18,432ns 9,106ns 14,627* 0,002ns 8,698ns 0,116ns 0,250ns Resíduo (a) 6 0,878 8,406 17,564 2,271 0,051 10,247 0,254 14,879 Adubação (A) 4 0,345ns 2,136ns 34,518* 5,154ns 0,036ns 7,468ns 0,150ns 27,864* Interação C x A 8 1,480ns 4,628ns 16,067ns 5,372ns 0,044ns 10,218* 0,481ns 17,968ns Resíduo (b) 4 1,303 6,758 9,578 7,231 0,051 4,469 0,225 9,927 Média 8,69 30,40 38,03 23,87 5,01 8,51 1,37 7,30 CV (%) – C - 10,79 9,54 11,02 6,31 4,53 37,62 36,72 52,81 CV (%) – A - 13,14 8,55 8,14 11,27 4,52 24,84 34,52 43,14

ns, * respectivamente não significativo, significativo a p <0,05.

Os tipos cobertura do solo e as diferentes proporções de adubação orgânica e mineral não influenciaram quanto à firmeza dos frutos de pimentão, que apresentaram média de 8,69N (tabela 2). Resultado semelhante também foi observado por Botrel e Resende (2014)

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para o parâmetro de firmeza quando avaliaram a qualidade de pimentões produzidos em sistema orgânico, por Porto et al. (2016) ao avaliarem a qualidade e atividade antioxidante de tomate cultivado sob diferentes fontes e doses de nitrogênio (N), observaram que a firmeza dos frutos não foi significativamente afetados pelos diferentes níveis e fontes de N. Apesar de estar dentro dos parâmetros de firmeza encontrados por Rosa et al. (2011), na caracterização físico-química, nutricional em acessos de tomates produzido sob manejo orgânico para produção de polpa, observaram valores médios entre 4,81 N e 10,64 N para os frutos analisadas. Agronomicamente, a firmeza é importante porque possibilita que frutos firmes possam ser colhidos em estádios mais adiantados de maturação, com a consequência de melhor qualidade para a comercialização (ANDREUCCETTI et al., 2007).

Para as variáveis de cor analisadas sob o efeito da cobertura do solo e diferentes proporções de adubação orgânica e mineral o parâmetro Luminosidade (L*) apresentou-se não significativo, com média de 30,40 (Tabela 2), tendendo assim ao preto em uma escala de 0 (totalmente preto) a 100 (totalmente branco), provavelmente isso pode ter ocorrido devido os frutos terem obtido alta cromaticidade e baixo h*, além de terem sido colhidos no mesmo padrão de maturidade, fazendo com que os mesmos se mostrassem com menos brilho (opacos), pois valores de luminosidade se alteram conforme os frutos amadurecem e consequentemente, aumentam ou diminuem o parâmetro de luminosidade, dependendo da cultura. Resultado próximo ao encontrado por Pedó et al. (2014) quando avaliando a caracterização físico-química em cultivares de pimentas submetidas a diferentes fontes e doses de adubação orgânica, verificaram valores próximos para este parâmetro de 35,3 a 36,93. Botrel e Resende (2014) constataram valores que variaram de 21,11 a 45,10 no fruto para a mesma característica de cor quando analisaram a qualidade de 14 cultivares de pimentões produzidos em sistema orgânico. De acordo Bartz e Brecht (2003), a coloração do pimentão é determinada pela cultivar e pelo estágio de amadurecimento dos frutos.

Pode-se observar na Figura 1 que houve uma redução no índice de saturação Cromaticidade (C*) paralelamente ao incremento das proporções de adubo mineral. Desta forma, a adubação 100% adubo orgânico e 0% de adubo mineral proporcionou aumento na intensidade da cor dos frutos próximo a 60 que é o limite máximo, com valor de 40,56 sendo superiores às adubações 4 e 5. Provavelmente, a utilização de adubos orgânicos, conforme a recomendação técnica associada às menores doses de adubação mineral foi benéfica para a fertilidade do solo. Os nutrientes provenientes da ciclagem do solo contribuem de forma significativa para melhoria da qualidade dos frutos, devido aos seus efeitos positivos, em especial, na elevação dos teores de M.O, Ca, Mg, na soma de bases e CTC do solo

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(CARDOSO et al., 2011). Possivelmente, as plantas bem nutridas obtiveram frutos com cores mais intensas, pois a adição de matéria orgânica no solo em maiores proporção aumenta a disponibilização de nutrientes às plantas e, com isso, atende às exigências nutricionais das mesmas.

Figura 1. Parâmetro de cor Cromaticidade (C*) em frutos de pimentão „Melina‟, submetidos a

diferentes proporções de adubação orgânica e mineral. UFCG, Pombal, 2017.

A tonalidade dos frutos depende da relação entre os valores de a* e b*, sendo o valor do ângulo Hue (hº), para que possam distinguir tons diferentes para uma mesma luminosidade, este ângulo tem seus valores determinados, sendo os mais próximos de 0º tonalidades mais fortes de vermelho e mais próximo de 90º representa o amarelo (ARIAS, 2000). Verifica-se na Figura 2, que o valor de h° para os frutos de pimentão cultivados em solo sem cobertura obteve valor de 24,52°, sendo superior aos frutos cultivados em solo coberto com palha de carnaúba, apresentando ângulo de 22,90°, valor que tente à coloração mais forte de vermelho. Desta maneira, a cobertura com palha de carnaúba proporcionou aos frutos valores menores estatisticamente, porém, ideais para o hº, caracterizando maior presença de pigmentação de tons avermelhados pela maior proporção de carotenoides (Tabela 5), onde possivelmente esse menor valor pode estar associado à maior estruturação do solo devido à cobertura do mesmo, onde houve a maior eficiência na retenção de água no solo estando à mesma disponível por mais tempo quando utilizada a palha de carnaúba, que potencializou a tonalidade vermelha do fruto de pimentão. Fator esse positivo, visto que hº é uma medida apropriada para expressar a variação da coloração em frutas e vegetais e é um parâmetro que pode ser utilizado para identificar ponto de colheita (BRUNINI et al., 2004) ideal para o mercado consumidor. Preczenhak et al. (2014), avaliando as características

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agronômicas de genótipos de mini tomates, encontraram valores do ângulo Hue variando entre 25,76 e 85,00; valores estes, superiores aos encontrados neste trabalho.

Figura 2. Ângulo Hue (h°) em frutos de pimentão „Melina‟ submetidos a diferentes

tipos de cobertura de solo. UFGC, Pombal, 2017.

Os valores de pH nos frutos de pimentão apesar de não terem diferido quando submetidos aos tipos cobertura de solo e diferentes proporções de adubação orgânica e mineral, apresentaram média de 5,01(Tabela 2). Este resultado corrobora com os valores encontrados por Pedó et al.(2014) ao avaliarem a caracterização físico-química em cultivares de pimentas submetidas a diferentes fontes e doses de adubação orgânica, onde o pH dos frutos variaram de 5,03 a 5,06; e por Borges et al. (2015), que obtiveram valores de pH 4,98 e 5,45 nos frutos de pimentas Capsicum spp e C. chinense, respectivamente. Os resultados de pH encontrados nesse estudo foram mais ácidos em relação aos observados por Leme (2012), que avaliando o pH de frutos de pimentão provenientes de sistema orgânico e convencional verificou valores de 6,33 e 5,71 do pH, visto que frutos mais ácidos são, naturalmente, mais estáveis quanto à deterioração do que frutos que apresentam pH próximo à neutralidade. Potencial hidrogeniônico ligeiramente maior foram constatados por Braga et al. (2013) que obtiveram valores de 5,13 a 5,57 em frutos de cinco progênies de pimenta malagueta.

Em relação ao parâmetro de sólidos solúveis dos frutos de pimentão (Tabela 3), verificou-se que a adubação de 50% de adubo orgânico e 50% de adubo mineral associada à cobertura com palha de carnaúba, forneceu os melhores resultados, onde a combinação dos fatores apresentou o teor de 13,18°Brix. Possivelmente a adição de matéria orgânica no solo em equilíbrio com a da adubação via fertilizante mineral resulta em efeitos benéficos, com a melhoria nas propriedades do solo, desta forma, aumentando o fornecimento de nutrientes às plantas. Bissani et al. (2008) ressaltam que os adubos orgânicos apresentam baixas

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concentrações de N, fósforo e potássio , podendo ser complementados com adubação mineral, de forma a favorecer o sincronismo de liberação ao longo do crescimento das plantas. Os valores que variaram de 6,66 a 13,18 °Brix foram superiores aos encontrados por Leme (2012), para os teores de sólidos solúveis que variaram entre 3,64 e 3,77 ºBrix em pimentões, e próximos aos encontrados por Pereira et al. (2008) que, ao estudarem a presença dos sólidos solúveis em pimentas obtiveram valores entre 5,99 e 10,51 para Capsicum

annuum, e por Braga et al. (2013) que, analisando as características físico-químicas de C. frutescens, obtiveram valores de sólidos solúveis de 10,38 °Brix. Para os autores, o teor de

sólidos solúveis é um índice de qualidade, sendo sua concentração e composição componentes indispensáveis ao sabor do fruto.

Tabela 3. Teor de sólidos solúveis (°Brix) em frutos de pimentão „Melina‟, submetidos a

diferente tipos de cobertura de solo e proporções de adubação orgânica e mineral. UFCG, Pombal, 2017. Tipo de cobertura do solo Tipo de adubação 100% adubo orgânico e 0% adubo mineral 100% adubo orgânico e 50% adubo mineral 50% adubo orgânico e 50% adubo mineral 50% adubo orgânico e 100% adubo mineral 0% adubo orgânico e 100% adubo mineral

Sem cobertura 7,65aA 8,27aA 8,68bA 7,92aA 9,06aA

Palha de Carnaúba 8,95aAB 7,08aB 13,18aA 9,52aAB 7,48aB

Capinagem 6,66aA 8,56aA 7,42bA 8,66aA 8,55aA

DMS linha 3,10

DMS coluna 2,47

Médias seguidas por letras maiúsculas e minúsculas iguais nas linhas e colunas, respectivamente, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade (p<0,05); DMS: diferença mínima significativa.

A variável acidez titulável (AT) não diferiu em função dos tipos cobertura do solo e diferentes proporções de adubação orgânica e mineral para os frutos de pimentão, com média de 1,37% (Tabela 2), porém, o resultado segue dentro dos parâmetros para a cultura. Pois resultados encontrados por Rocha et al (2006) em estudo das características de frutos de pimentão demonstraram valores entre 0,81 e 1,87% para esta variável. Sendo ainda superiores aos resultados de Borges et al. (2015) na caracterização físico-química de pimentas, observaram que acidez total titulável com valores de 0,156% e 0,561 % para as cultivares

Capsicum spp. e C. chinense, respectivamente, e Araújo (2011) avaliando frutos de tomate

cultivado sobre diferentes coberturas do solo, que obtiveram valores entre 0,34 a 0,41%. Segundo Reis et al. (2015), quanto menor o teor de acidez titulável no fruto melhor seu estado de conservação, o que reflete diretamente na qualidade final para o consumo, provavelmente

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essa tendência apresentada neste estudo, pode estar relacionada com a homogeneidade de maturação dos frutos.

A relação entre o teor de sólidos solúveis e a acidez titulável dos frutos de pimentão (figura 3) a adubação com 50% de adubo orgânico e 50% de adubo mineral foi superior para os que receberam adubação apenas orgânica, no qual se obtiveram SS/AT de 9,67 e 5,57, respectivamente, e estatisticamente igual às demais adubações. Em relação à associação de adubos orgânicos e minerais, Royo (2010) afirma que, como os organominerais têm características orgânicas e minerais, as perdas de nutrientes são reduzidas quase a zero devido a uma maior agregação dos nutrientes nos coloides do solo. Os resultados desta pesquisa foram superiores aos valores encontrados por Rocha et al. (2012), avaliando as características químicas de frutos de híbridos de pimentão, observaram valores variando de 4,39 a 4,96. Ao contrário da laranja (SS/AT=11) e tomate (SS/AT=10), nos quais existem padrões de qualidade estabelecidos para o balanço entre o teor de sólidos solúveis e ácido cítrico (SS/AT), no pimentão não há (OLIVEIRA, 2012). Entretanto, Mattedi et al. (2011) citam que o elevado valor para a relação SS/AT proporciona um melhor sabor, enquanto que baixos valores, um sabor ácido. A relação SS/AT, que representa o equilíbrio entre os ácidos orgânicos e açúcares, é muito importante na avaliação do sabor dos frutos e quanto maior melhor, sendo mais representativa do que a determinação isolada de ácidos e açúcares (CHITARRA; CHITARRA, 2005).

Figura 3. Relação entre o teor de sólidos solúveis e acidez titulável em frutos de pimentão „Melina‟,

submetidos a diferentes proporções de adubaçãoorgânica e mineral. UFCG, Pombal, 2017.

Observa-se, na Tabela 4, que não houve efeito significativo dos tratamentos para as variáveis vitamina C, carotenoides, flavonoides e fenois para os tipos de cobertura. Observou-se interação significativa entre os fatores tipos cobertura de solo e proporção de

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adubação orgânica e mineral para o teor de carotenoides a 5 % de probabilidade pelo teste F, indicando que há uma dependência entre os efeitos sobre esta variável, constatando efeito isolado para o fator proporções da adubação apenas sobre os teores de fenois.

Tabela 4. Resumo da Análise de variância para Vitamina C (mg 100 g-1), Carotenoides (mg 100 g-1), Flavonoides (mg 100 g-1) e Compostos fenólicos (mg 100 g-1) dos frutos de pimentão submetidos a diferentes tipos cobertura de solo e proporções de adubação orgânica e mineral. UFCG, Pombal, 2017.

FV GL QM

Vitamina C Carotenoides Flavonoides Fenois

Bloco 3 53,486ns 37,798* 0,069* 0,518** Cobertura (C) 2 74,106ns 10,281ns 0,016ns 0,129ns Resíduo (a) 6 19,763 3,993 0,012 0,050 Adubação (A) 4 22,680ns 1,675ns 0,060ns 0,446* Interação C x A 8 19,003ns 19,838* 0,051ns 0,253ns Resíduo (b) 36 20,757 8,146 0,029 0,130 Média 24,26 42,40 1,16 1,86 CV (%) – C 18,32 4,71 9,35 12,03 CV (%) – A 18,78 6,73 14,74 19,45

ns, **, * respectivamente não significativo, significativo a p < 0,01 e p < 0,05.

Os conteúdos de vitamina C observados na tabela 4 não mostraram diferenças nos frutos de pimentão analisados, apresentando média de 24,26 mg g-1 , porém, este resultado encontra-se dentro dos parâmetros de vitamina C nos frutos de tomate apresentados por Alvarenga (2004) que, ao avaliar frutos maduros de tomate, obteve teores que variam de 18 a 40 mg g-1. Ferreira et al. (2012), estudando a caracterização física e química de híbridos de tomate, encontrou valores de vitamina C de 15,38 mg 100g-1 para o híbrido “Mariana” e de 13,43 mg 100g-1 para o híbrido “SM-16”. Os valores de vitamina C em pimentão podem variar ou permanecer constante dependendo da genética da cultivar, da cultivar e do grau de maturação do fruto, assim como do manejo de solo, época do ano, sendo influenciado positivamente pelas condições do ambiente de cultivo, como por exemplo, a intensidade luminosa durante o período de crescimento da planta e dos frutos, essa influenciando na biossíntese do ácido ascórbico que é sintetizado a partir dos açúcares produzidos na fotossíntese (LEE; KADER, 2000; CERQUEIRA-PEREIRA et al., 2007). A vitamina C pode ser considerada a mais importante vitamina para a alimentação humana, mais de 90% da vitamina C da dieta humana provêm de frutas e hortaliças (MORAES et al., 2010).

OS tipos de cobertura de solo e as proporções de adubação orgânica e mineral influenciaram significativamente no teor de carotenoides nos frutos de pimentão (Tabela 5),

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evidenciando dependência entre os dois fatores. Verifica-se que a adubação contendo 100% de adubo orgânico e 50% de adubo mineral obteve melhor resultado para esta variável, uma vez que associada à palha de carnaúba, proporcionou aos frutos teores 45,43 mg g-¹ de carotenoides, seguido pelos que foram submetidos à cobertura com capinagem com adubação com 50% adubo orgânico e 50% adubo mineral. Este fato comprova que o uso da cobertura morta favorece o desenvolvimento de microorganismos benéficos à planta que, ao sofrer decomposição essas coberturas, provavelmente pode ter fornecido nutrientes essenciais a mesma, isso atrelado ao fato de que a maior quantidade de matéria orgânica misturada ao solo promove melhorias nas suas características físicas, químicas e biológicas, uma vez que os nutrientes da adubação mineral são retidos com maior eficiência nos colóides do solo (CHIODINI et al, 2013), possivelmente esta interação propiciou melhor qualidade aos frutos.

Pedó et al. (2014) avaliando a caracterização físico-química de pimentas, observaram que a cultivar doce submetidas a diferentes fontes e doses de adubação orgânica, obteve valores de 14,27; 11,78 e 12,08 mg g-1 de carotenoides, valores estes inferiores aos encontrados neste estudo, no entanto, a cultivar Vulcão, com valores de 138,06; 180,26 e 189,61 mg g-¹ de carotenoides submetidas às mesmas adubações

Estudando a extração de carotenoides totais a partir de vegetais, Costache et al. (2012), verificaram que o teor de carotenoides no pimentão apresentavam variações entre 8,0 e 25,0 mg g-1 de peso fresco, para o tomate os teores variaram entre os 6,55 a 12,0 mg g-1 de peso fresco. Porto et al. (2016) ao analisarem a qualidade e atividade antioxidante de tomate cultivado sob diferentes fontes e doses de nitrogênio, constataram um aumento de 3,33 para 4,47 g de 100 g-1 no conteúdo de carotenoides, quando as doses de N foram elevadas de 0 a 420 kg ha-1. Silva et al. (2011) avaliando a qualidade de tomates e diferentes adubações, observaram que o efeito das doses de fósforo e potássio não interferiram significativamente nos teores de carotenoides contidos nos genótipos de tomates industrial.

Valores elevados de carotenoides são desejados na alimentação humana porque estes compostos apresentam propriedades que atuam no sistema imunitário, associado com menor risco de doenças cardíacas e de alguns tipos de cancro, assim como proteção contra a degenerescência macular própria da idade (GUL et al. 2015; LIU et al. 2016).

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Tabela 5. Teor de carotenoides (mg 100 g-¹) em frutos de pimentão „Melina‟,submetidos a diferente tipos de cobertura de solo e proporções de adubação orgânica e mineral. UFCG, Pombal, 2017. Tipo de cobertura do solo Tipos de adubação 100% adubo orgânico e 0% adubo mineral 100% adubo orgânico e 50% adubo mineral 50% adubo orgânico e

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