No tema anteriormente apresentado as vivências maternas estiveram relacionadas a aspectos negativos na vida das mães. No entanto, ao se depararem com as dificuldades, as mães encontraram na esperança, na confiança e na fé sustentação para vivenciarem tal momento. Pode-se dizer ainda, que os aspectos positivos que ajudaram as mães ao passarem pela hospitalização de seu RN foram as redes de apoio por elas encontradas, sendo a família, a religião e a equipe de saúde, redes essenciais nesse processo de hospitalização.
Entende-se por conceito de família aquela que é dinâmica, que tem sua própria identidade, que é composta por integrantes unidos por laços consanguíneos, de interesse e/ou afetividade, que convivem por um espaço de tempo e que constroem uma história de vida; nela seus membros familiares criam e transmitem valores, conhecimentos e práticas de saúde, com responsabilidades e direitos (ELSEN, 2004).
Para Oliveira et al. (2013), a família participa de forma ativa desse processo de hospitalização, constituindo um valioso suporte emocional. Nesse período, os pais são capazes de identificar pessoas que dentro de seu grupo de relações, destacam-se como os mais significativos e capazes de contribuir, direta ou indiretamente, para o cuidado da criança, inclusive quando esta já estiver em casa.
Nesse momento de hospitalização e fragilidade, são os membros da família que se tornam necessários para os pais enfrentarem tal mudança. Por vezes, as mães permanecem de
forma integral no ambiente hospitalar, deixando os demais filhos em casa, tendo sua rotina modificada. No entanto, as mães precisam multiplicar seu papel e dar conta de tamanha demanda que é a hospitalização, por isso, o apoio familiar é indispensável.
Por outro lado, Santos et al. (2013) referem que a família é afastada do processo de cuidados do RN na UTIN, tendo dias e horários restritos a visitações. Contudo, a família desenvolve estratégias para apoiar essa mãe que está nesse contínuo processo de hospitalização, utilizando-se de palavras de conforto, de grupos de orações, e ligações telefônicas diárias que buscam incentivar a puérpera por meio de mensagem de fé e esperança (SANTOS et al., 2013).
A mãe que muito esteve afastada do ambiente familiar para estar junto de seu bebê no hospital, conta com a ajuda de outras pessoas, mas o quanto isso não prejudicou a família por ela não estar presente? E as mães que tem outros filhos, será que estes entenderam sua ausência? Será que essa mulher não precisaria de um atendimento especial por parte da equipe de saúde? Há muitas perguntas a se fazer a essa puérpera, há muito o que olhar para esses fatores que a envolvem emocionalmente, e que estão presentes nesses momentos de fragilidade na fase puerperal.
Nos estudos de Monteiro, Pinheiro e Alves e Souza (2007), Oliveira et al. (2013) e Santos et al. (2013), os membros da família formam um forte elo de apoio quando um de seus membros é afetado ao passar por momentos difíceis. Direcionando o olhar especificamente para as mães, seria interessante que a equipe de enfermagem fosse capacitada na formação de grupos de apoio, grupos de interação e trocas de experiências, pois o objetivo dessa dinâmica consolidaria uma rede de apoio adicional para essas mães.
Outra fonte de apoio encontrada foi a religiosidade referida pelas mães, esta destacando-se como mediadora entre o processo saúde-doença. No intuito de buscarem forças para viver tal momento, a expressão graças a Deus é referida por algumas mães, no sentido que esse Deus traz força, segurança e conforto (SANTOS et al., 2013). Anjos et al. (2012) relatam essa mesma expressão referida pelas mães, e afirmam que é compreensível esse dizer diante dos sentimentos de insegurança, tristeza e culpa vivenciados.
Nesse contexto, a religião desempenha um papel fundamental na formação moral, ética e cultural do ser humano, assim proporcionando a compreensão da realidade da vida e de seus objetivos essenciais (RAMALHO et al., 2010).
Nos estudos de Oliveira et al. (2013) e Santos et al. (2013) defendem a ideia que a fé está associada à esperança, conforto e alívio, também referenciada como suporte para o enfrentamento da angústia. A oração é destacada pela puérpera como um momento na qual
esta encontra esperança para o controle interno de suas emoções e para vivenciar melhor a experiência da hospitalização (OLIVEIRA et al., 2013; SANTOS et al., 2013). Assim, a fé em Deus também destaca-se como suporte básico para superar as dificuldades encontradas no percurso pela sobrevivência do filho (SOUZA et al., 2010).
As mães ao se deparar com os desafios de saúde e doença de seu RN encontram na religiosidade estratégias para o enfrentamento, assim permitem-se, por meio da crença, elaborar, compreender e lidar melhor com a situação (PAIVA, 2007). Ao buscar um apoio para o enfrentamento, a mulher se faz forte diante da situação, e sem dúvida a religiosidade provém forças e a impulsiona a transpor o desafio que a espera.
Já para Oliveira et al. (2014), no momento em que os pais recebem a notícia que a criança está obtendo uma boa recuperação, os sentimentos de confiança e esperança se renovam. Os sentimentos de esperança pela recuperação de seu filho e o fortalecimento da religiosidade fizeram mais sentido para os pais ao enfrentarem tal situação.
Portanto, percebe-se de alguma forma, que a família que está ligada alguma crença, força superior ou religiosidade, refere esta como importante para o enfrentamento da hospitalização. Nesse sentido, as equipes de saúde devem respeitar as crenças individuais, e o oferecer apoio e a atenção necessária às mães que desejam expressar sua fé no ambiente hospitalar.
Assim, a equipe de saúde entra como uma terceira fonte de apoio às mães, sendo ela citada como fundamentais para o enfrentamento desta experiência de hospitalização. Com a assistência acolhedora antes do nascimento e ao longo de toda a internação, com as orientações recebidas, as possibilidade de acompanhamento nos cuidados, isto tudo é destacado como fator que contribui para a redução da ansiedade e proporciona conforto e confiança a elas (OLIVEIRA et al., 2013).
Anjos et al. (2012), afirmam que as mães verbalizam que o conforto recebido por parte dos profissionais é inerente do tratamento, e sim é uma extensão natural do cuidado prestado ao filho à família, assim:
Durante a internação, os pais podem se desestruturar e criar fantasias ameaçadoras em torno das diferentes situações Por isso é oportuno propiciar informações à família, colocando os pais a par da evolução do filho para não aumentar o nível de angústia causado pela espera e incertezas. O tempo dispensado para os pais ficarem com o filho pode ser desperdiçado se não houver alguém que oriente sobre sua conduta junto ao bebê, promovendo a formação e/ou manutenção do vínculo (COSTA, ARANTES e BRITO, 2010 p.On).
Oliveira et al. (2014), reafirmam que a equipe de enfermagem, realizam a assistência permite uma maior aproximação com o paciente, favorece uma influência na adaptação das dificuldades que os pais irão encontrar no que se referem ao processo saúde-doença do filho durante a internação. Além disso, o enfermeiro é capaz de desenvolver e promover uma maior comunicação entre a equipe, o paciente e a família. Assim, além da equipe de enfermagem fazer os procedimentos técnicos, o profissional deverá também assistir a família em suas dúvidas e no desempenho do cuidado. A relação entre a equipe e as mães são fortalecidas por meio do diálogo e tem sob influência a segurança e confiança que essas depositam na equipe.
A expectativa dos familiares para receber boas notícias é sempre muito grande, no entanto, o profissional deve ter o compromisso ético de fornecer informações verdadeiras e precisas, sejam elas boas ou más (RAMALHO et al., 2010). A equipe de enfermagem, no momento em que realiza o cuidado ao RN quando este se encontra na UTIN, pode orientar a família, mostrar o que está sendo realizado, para assim ensinar e acalmar os pais.
Em outras situações Schmidt et al. (2012) afirmam que os pais ao visitar seu filho na UTIN não sentem-se preparados para tocá-los:
O desejo de tocar o filho esteve presente, mas o medo de prejudicar a criança inibiu os pais a tocar em seus filhos. Ressalta-se, então, que a equipe de enfermagem tem papel essencial no apoio a esta aproximação, na promoção do vínculo entre pais e filhos de tal modo que o estímulo ao toque se traduza em exercício importante para o início da formação do apego (SCHMIDT et al., 2012 p.79).
Assim, reforça-se a importância da equipe de enfermagem em ser suporte básico às mães, com atenção, respeito, diálogo e escuta dos sentimentos vivenciados pelas mesmas. O desenvolvimento do vínculo entre a equipe de saúde e a mãe ou o pai começa quando esta é informada da real situação de seu bebê, recebendo informações concretas tanto da evolução de seu diagnóstico como dos exames que serão submetidos.
Roso et al. (2014), destacam que proporcionar o vínculo por meio do apego, do cuidado prestado pela mãe (através da alimentação, colo, abraço), são essenciais para o recém-nascido e para a criação da afetividade, principalmente nesta etapa familiar. A importância que a equipe de saúde, principalmente a de enfermagem, em proporcionar esse momento é fundamental para mãe e o RN, pois são esses pequenos cuidados que ajudarão na formação do vínculo.
Outro aspecto importante relacionado aos sentimentos despertados na mãe ao se deparar com o RN hospitalizado, é que dependendo do tipo de cuidado ofertado pela equipe, e da comunicação dos profissionais com a mesma, pode-se fazer com que a mãe não queira
realizar os cuidados ao filho na UTIN, deixando de participar dos mesmos ou de visitá-lo. Nessa fase puerperal a mulher também sente necessidade de cuidados, uma fase de intensas modificações, na qual é preciso que a mesma seja valorizada e contemplada quando auxiliar nos cuidados do RN.