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VIVA EL REI, D. SEBASTIÃO

No documento TEATRO DO NORTE BRASILEIRO (páginas 108-111)

(1998) Tácito Borralho

(Músicas de Josias Sobrinho, Tácito Borralho e recolhidas da cultura popular).

PERSONAGENS

1. D. SEBASTIÃO (O cavaleiro Misterioso) 2. PAI FIRMINO (Pai-de-Santo)

3. VELHA LIBANHA (Mãe-pequena)

4. MESTRE GURIJUBA

5. MÃE-DE-SANTO (Albina, dos Lençóis) 6. PÉ-DE-ESSE

7. TRÊS GIGAS 8. PISA BRASA 9. PACA MIJADA 10. CALDO GROSSO 11. CALÇA JUSTA

12. CAVEIRA-DA-DESGRAÇA 13. CAIXEIRA 1

14. CAIXEIRA 2 15. CAIXEIRA 3

16. FILHA-DE-SANTO 1 17. FILHA-DE-SANTO 2

18. FILHA-DE-SANTO 3 19. COREIRO/Abatazeiro 1

20. COREIRO/Abatazeiro 2 21. COREIRO/Abatazeiro 3 22. PAJEM/ Figuração 1 23. PAJEM/ Figuração 2 24. PAJEM/ Figuração 3 25. PAJEM/ Figuração 4 26. PAJEM/ Figuração 5

27. PAJEM/ Figuração 6

PARTE I CENÁRIO

(QUANDO EM PALCO ITALIANO, este deverá estar no princípio do espetáculo, totalmente no escuro. Aparentemente sem nenhum elemento cênico. No desenrolar da ação, serão introduzidos os componentes do cenário).

(QUANDO EM ARENA OU PRAÇA PÚBLICA, ainda sem a luz de cena, um grande praticável servindo de palco com escadaria em duas extremidades (frente e costa) tendo ao centro um praticável/base para o mastro do barco e o toldo do barco).

PRÓLOGO (Opcional).

(Quando em palco italiano):

(Ao terceiro sinal, as luzes da 107latéia caem em resistência até à penumbra. Pai Firmino entra pela direita da cena e caminha até o centro do palco. Ao mesmo tempo, um contrarregra entra pelo lado oposto empurrando uma “arara” com roupas de cena de Pai Firmino que está trajando apenas roupas de baixo. Enquanto vai se vestindo dirige-se para a platéia).

PAI FIRMINO – Boa noite. Peço desculpas por esta situação um tanto constrangedora.

Mas como quase ninguém se dá ao trabalho de ler os longos textos dos programas de espetáculos, o autor pede que situemos os senhores e as senhoras no contexto deste espetáculo. E ele promete ser rápido. Coube a mim fazer este prólogo. (Vai se vestindo).

Falaremos hoje aqui de Sebastianismo, do mito Del Encobierto. Sim, de D. Sebastião.

Mais exatamente da lenda tal como se conta – e como se acredita – no Maranhão, aquele pedacinho do Brasil, lá no Norte, onde as terras de encantamento se acham em abundância. No arquipélago de Maiaú, na Ilha dos Lençóis, bem em frente à Ilha de Bate-vento, se crê que habita encantado o Rei Sebastião de Portugal. Na noite de São João ele é um touro negro com uma estrela de prata na testa. Às vezes, durante o dia, ele é o cavaleiro misterioso com armadura prata reluzente, que aparece aos pescadores para comprar víveres para seus empregados. Quase sempre vem na forma de três vagas – as três ondas fortes da baia de Lençóis, terror dos embarcadiços. Tudo isso são variações da mesma lenda. Mas há um detalhe curioso: Lençóis é habitada por uma população de albinos. São chamados “filhos da lua” porque só enxergam bem à noite. Eles também são chamados “filhos do dono”, do dono da praia, e o dono da praia é o Rei Sebastião. E assim esta história vai ficando mais misteriosa ao longo do tempo.

Conta a lenda: “quem desencantar Lençóis põe abaixo o Maranhão”. E liberta o Rei que voltará para governar Portugal e o Brasil em toda sua glória... São Luís vai ao fundo e Queluz surgirá das praias de Lençóis.

Bom, aproveitem para ler o programa calmamente depois do espetáculo. Mas, chega de conversa. Preparem-se. Vamos dar início ao nosso espetáculo de desencantamento.

(Black-out. O ator retira em silêncio a “arara”).

PRÓLOGO (opcional).

(Quando em praça pública):

(As luzes sobre o grande praticável acendem em resistência e vão executando um balé sobre o palco, enquanto em BG ouve-se música e a voz de um locutor narra o prólogo):

NARRADOR – Boa noite. (Segue-se a apresentação dos créditos de realizadores e patrocinadores e outras inserções necessárias) – Agora, muita atenção!

O autor desta peça pede que situemos os senhores e as senhoras no contexto deste enredo. Falaremos hoje aqui de Sebastianismo, do mito delEncobierto. Sim, de D.

Sebastião. Mais exatamente da lenda tal como se conta – e como se acredita – no Maranhão, este pedacinho do Brasil, aqui no Norte, onde as terras de encantamento se acham em abundância. No arquipélago de Maiaú, na Ilha dos Lençóis, bem em frente à Ilha de Bate-vento, se crê que habita encantado o Rei Sebastião de Portugal. Na noite de São João ele é um touro negro com uma estrela de prata na testa. Às vezes, durante o dia, ele é o cavaleiro misterioso com armadura prata reluzente, que aparece aos pescadores para comprar víveres para seus empregados. Quase sempre vem na forma de três vagas – as três ondas fortes da baia de Lençóis, terror dos embarcadiços. Tudo isso são variações da mesma lenda. Mas há um detalhe curioso: Lençóis é habitada por uma população de albinos. São chamados“filhos da lua” porque só enxergam bem à noite.

Eles também são chamados “filhos do dono”, do dono da praia, e o dono da praia é o Rei Sebastião. E assim esta história vai ficando mais misteriosa ao longo do tempo.

Conta a lenda: “quem desencantar Lençóis põe abaixo o Maranhão”. E liberta o Rei que voltará para governar Portugal e o Brasil em toda sua glória... São Luís vai ao fundo e Queluz surgirá das praias de Lençóis.

Preparem-se. Vamos dar início ao nosso espetáculo de desencantamento.

(As luzes do praticável/palco se apagam).

CENA 1 – palco escuro. Cai a luz da platéia até o black-out. Um solo feminino (Voz de uma caixeira velha).

BENDITO 1

(Uma candeia (lamparina) vem subindo do fundo do palco até o centro).

(Outra caixeira velha entoa). levantado e a luz da candeia que ficará em sua ponta (ou mastaréu) vai-se espalhando por ele todo). (Quando em praça pública, um contrarregra traz uma lamparina até o praticável/base enquanto outro contrarregra e os cenotécnicos, de traje preto, trazem o mastro e colocam-no no suporte acendendo a luz do mastaréu).

(Um grupo de caixeiras vai entrando pela plateia, cantando as loas em louvor à

Lá vem marinheiro nas ondas do mar

No documento TEATRO DO NORTE BRASILEIRO (páginas 108-111)