1 CUIDANDO COMO UM MODO DE VIDA
1.1 Vivenciando os rituais do cuidado
A subcategoria é constituída pelos componentes: encarando o cuidado como um mistério; caracterizando o cuidado como algo singular; entendendo o cuidado como processo de complementaridade e preparando-se interiormente para o
cuidado. / ENCARANDO O CUIDADO COMO UM MISTÉRIO PREPARANDO-SE INTERIORMENTE PARA O CUIDADO VIVENCIANDO OS RITUAIS DO CUIDADO ' CARACTERIZANDO O N
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CUIDADO COMO ALGO SINGULAR ^
' ENTENDENDO O \ CUIDADO COMO
PROCESSO DE COMPLEMENTARIDADE
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1.1.a Encarando o cuidado como um m istério
Na vivência do cotidiano hospitalar, o enfermeiro vai convivendo com pessoas e situações que permitem afirmar a existência de mistérios no cuidado, que não são descritos nem estudados, mas que estão muito presente. Quando esses fatos são comentados, as pessoas não acreditam, mas a percepção é de vários enfermeiros, não somente de um, que compartilham dessa experiência, como é manifestado:
... o cuidado é um mistério, enfrentei e presenciei situações humanamente impossíveis de serem explicadas, mas que aconteceram... (e2)
... não consegui explicar coisas que presenciei juntamente com outras pessoas, coisas que a ciência não consegue explicar, mas que estão aí para serem vistas ou percebidas.. (e6)
... acredito que esses mistérios do cuidado foram e serão criticados, mas essa compreensão é para as pessoas sensíveis que conseguem captar algo mais, conseguem perceber e aceitar esta força que age em nós ... é preciso ser humilde para admitir que, muitas vezes, este mistério existe no cuidado ao paciente.. (e2)
Quadro 1 - Encarando o cuidado como um mistério
“ Categoria: CUIDANDO COMO UM MODO DE VIDA
Subcategoria: VIVENCIANDO OS RITUAIS DO CUIDADO
_______ _______ Componente: Encarando o cuidado como um mistério______________
Códigos
■ deparando-se com situações ignoradas e imprevistas durante o cuidado
- vendo no paciente alguém que pode surpreender
■ enfrentando situções humanamente impossíveis de explicar
■ defrontando-se com acontecimentos impalpáveis, mas visíveis e compreensíveis
■ desconhecendo a explicação para certos casos presenciados ■ conhecendo muitas pessoas que admitem a existência desses
fenômenos
■ necessitando de humildade para perceber essa realidade ■ vendo o cuidado como um mistério
■ vendo o paciente como um mistério
■ percebendo a manifestação de forças espirituais
■ admitindo o mistério existente no cuidado e no paciente________________
1.1.b Caracterizando o cuidado como algo singular
O cuidado como relação não tem um modelo rígido a ser seguido, a não ser o de respeitar a individualidade e a dignidade do paciente. O enfermeiro mostra que o cuidado é um ritual particular e diferente para cada paciente e em cada momento. Esse ritual não significa rotina e repetição, mas existe toda uma preparação para o cuidado, para a relação. O ritual depende de cada profissional,
pois cada um tem um estilo próprio de fazer a abordagem, tem uma personalidade e uma postura, que é influenciada pelo ambiente de trabalho, social e familiar.
Precisamos, saber como profissionais, que temos limites na relação do cuidado, não podendo simplesmente impor o conhecimento científico e tecnológico ao paciente. Se formos éticos, respeitaremos o ser humano paciente, dialogaremos como iguais, mesmo diferentes, aceitaremos a pluralidade humana, reconhecemos o outro como um sujeito autônomo, capaz de tomar decisões sobre o seu processo de doença, aceitando ou rejeitando as ações do enfermeiro e de outros profissionais da saúde. A assistência ao paciente não pode ser impositiva, hierarquizada, mas discutida e traçada com o paciente através do diálogo, sem tratá-lo como passivo, compassivo, conforme o real significado dessas palavras.
Nenhum profissional enfermeiro está fazendo caridade ao cuidar de um paciente internado num hospital. Faz parte de seu papel e de suas obrigações éticas atender essa pessoa do melhor modo possível, respeitando a sua individualidade e a sua dignidade humana. Minha ação só será ética, se for realizada respeitando a livre vontade do outro. O ritual do cuidado passa necessariamente pelos princípios, de respeito à dignidade humana, ao cuidar. Além disso, é necessário fazer uma reflexão diária sobre os resultados e conseqüências de nosso cuidado.
... acho que é um ritual, um ritual muito particular, singular, podes dizer que meu estilo é esse, só que para cada paciente é diferente. É uma coisa muito subjetiva... (e2)
...se olharmos friamente, o cuidado é um ritual, pois tem uma preparação, um encontro, a adaptação, readaptação com o paciente... (e7)
... desprezando algumas receitas modeladoras para cuidar, pois cada situação é peculiar. O cuidado é um ritual, não querendo dizer com isso que é algo repetitivo e rotineiro, pelo contrário... (e2)
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Quadro 2 - Caracterizando o cuidado como algo singular
Categoria: CUIDANDO COMO UM MODO DE VIDA Subcategoria: VIVENCIANDO OS RITUAIS DO CUIDADO
________________Componente: Caracterizando o cuidado como algo s in g u la r_______________
Códigos
■ definindo o cuidado como um processo muito particular e diferente para cada paciente (ritual não significa rotina, repetição)
- olhando o cuidado um verdadeiro ritual ■ caracterizando o cuidado como um ritual
■ apresentando cada profissional um estilo próprio de cuidar ■ entregando-se por inteiro ao cuidar
■ criando limites ao cuidar
- desprezando receitas para cuidar, pois cada situação de vida é diferente - vivenciando de modo diferente cada relação de cuidado
_______ ■ adquirindo um olhar de cuidado______________________________________________
1.1.c Entendendo o cuidado como processo de complementaridade
Embora o pensamento reducionista nos condicionou a enxergar a realidade de maneira compartimentalizada, e a desprezar a idéia de complementaridade e interdependência, os profissionais enfermeiros despertaram para a discussão, embora incipiente, sobre esse assunto. Os enfermeiros já demonstram alguns sinais de entendimento do cuidado como um processo de complementaridade e interdependência.
A idéia de complementaridade existe, mas somente nos discursos, pois na prática, o que se observa é a existência de um poder do enfermeiro sobre o paciente. Há motivação crescente para a abertura do profissional à discussão desta idéia que é entender o cuidado como um processo de complementaridade. Na relação do cuidado, ocorre a interação profissional/paciente, pois há um sentido de dependência mútua e uma complementaridade, isto é, enfermeiro e paciente se complementam.
... o cuidar não é uma via de mão única, pois é uma vivência, momento de troca de experiências com as pessoas... (e2)
... entendo o cuidado como complementaridade entre quem cuida e quem é cuidado, aprendo muito com o paciente e ensino algo ... (e8)
... deixo algo de mim com o paciente ficando com algo dele em troca ... (e4)
Quadro 3 - Entendendo o cuidado como um processo de com plem en taridade
Categoria: CUIDANDO COMO UM MODO DE VIDA Subcategoria: VIVENCIANDO OS RITUAIS DO CUIDADO
Componente: Entendendo o cuidado como um processo de complementaridade
Códigos
■ cuidando e levando em conta a experiência que está sendo vivida ■ aprendendo com o paciente ao cuidar
■ refletindo sobre a afirmação de que cuidar não é uma via de mão
única
■ deixando algo de mim com o paciente e ficando com algo dele em troca
* completando-se ao cuidar do outro ■ sendo cuidada pelo paciente
■ aprendendo lições de vida com o paciente
■ trocando diariamente experiências com os pacientes que cuido ■ vivenciando o cuidado como forma de trocar experiências com as
pessoas
■ entendendo o cuidado como complementaridade de quem cuida e de quem é cuidado
■ crescendo quando os pacientes nos apontam erros e mostram caminhos a seguir
1.1.d Preparando-se interiormente para o cuidado
Esse componente demonstra que o enfermeiro busca forças na espiritualidade para melhor enfrentar as dificuldades do cotidiano, que é muito árduo e difícil. Há algo superior, uma força maior, que guia o profissional para o cuidado à saúde das pessoas. Os momentos de oração são importantes para as reflexões comigo mesmo, para ouvir a consciência que fala mais alto. A fé ajuda o profissional a encontrar forças para enfrentar a jornada de trabalho com mais serenidade e paz de espírito. Outra forma de buscar força interior e estar mais preparado para cuidar é compartilhar os problemas, através de terapias e orientação psicológica.
... nos momentos difíceis de trabalho, à noite em casa, faço minhas orações pedindo motivação para o trabalho e bem cuidar no dia seguinte ... (e5)
... tenho muito fé em algo superior que nos guia para melhor cuidar das pessoas... (e4)
... Compartilho os problemas com colegas e também busco suporte e orientação psicológica para poder ter forças para enfrentar as situações vividas no meu setor... (e12)
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Quadro 4 - Preparando-se interiormente para o cuidado
Categoria: CUIDANDO COMO UM MODO DE VIDA Subcategoria: VIVENCIANDO OS RITUAIS DO CUIDADO ___________Componente: Preparando-se interiormente para o cuidado
Códigos
■ orando para conseguir forças
■ rezando á noite para ter motivação para o trabaiho no dia seguinte ■ buscando suporte psicológico
« compartilhando os problemas com colegas - rezando nas horas mais difíceis
• compartilhando os problemas pessoais com superiores ______■ depositando muita fé em algo superior_________________________