5.2.1 Vulnerabilidades Muito Baixa e Baixa
Está presente nos modelados de acumulação e de denudação, tal abrangência da condição de vulnerabilidade muito baixa e baixa se justifica principalmente pela existência de diferentes variáveis que sobressaem no ambiente natural.
No que concerne a Atf e a Apal, ambas possuem fragilidade geológica e pedológica. Na primeira as características morfológicas são de planície levemente inclinada e a segunda plana levemente ondulada, porém a cobertura vegetal de floresta ombrófila densa (matas de igapó, várzea e terra firme) protegem o solo dos processos erosivos.
Na Aptp a fragilidade corresponde apenas à geológica, sendo o relevo pouco inclinado, cujo solo corresponde ao maturo em que prevalece a pedogênese, o qual é recoberto por um mosaico de vegetação capaz de protegê-lo quanto aos processos exógenos.
Já na Apag a baixa vulnerabilidade abrange pequenas áreas a nordeste e a leste do PARNA em função do recobrimento dos solos frágeis pela floresta densa e buritizais, pois geologicamente é vulnerável, bem como sua morfologia de planície referente à dinâmica de inundações sazonais.
Apesar de apresentar Neossoloss com características de predominância jovens quanto a sua formação e morfologia das vertentes com médio e alto grau de inclinação, o que favoreceria a morfogênese, a Dmec possui muito baixa e baixa vulnerabilidade. Sinaliza-se que sua composição rochosa é geologicamente resistente frente aos processos intempéricos, bem como a cobertura vegetal de floresta ombrófila densa lhe assegura a proteção natural.
Contudo, ressalta-se que a muito baixa e baixa vulnerabilidade se dá em função da cobertura vegetal, com exceção das unidades que possuem solos profundos e resistência das rochas.
5.1.2 Vulnerabilidade Moderada
Com uma extensão de 420km², predominantemente, onde a altimetria varia de 45 a 170m, ou seja, pouco acentuada relacionada à Apag e na Apal, correspondentes ao modelado de acumulação.
As formações geológicas Coberturas Holocênica existente são de baixa resistência, assim como os solos são basicamente atribuídos aos Neossolos, o que demonstra alicerces frágeis.
Entretanto, há na cobertura vegetal heterogeneidade em que estão dispostas as fitofisionomias de características densas que compreende a mata de igapó e as campinaranas florestada e arborizada, que juntas, ocupam proporções mediana em aproximadamente 350km².
Em menor proporção ocorrem os buritizais e majoritariamente as formações de campinarana graminosa, as quais recobrem o solo de forma esparsa, deixando-o exposto. Diante desse panorama, a vulnerabilidade moderada se estabelece com base na predominância da geomorfologia aplainada e por ser vegetada por floresta ombrófila densa.
5.1.3 Vulnerabilidades Alta e Muito Alta
A Drec apresenta rigidez em sua geologia constituída por augen-gnaisses, gnaisses, metagranitoides, granulitos, leucognaisses (BERGMANN, HOLANDA, 2014) e representativa cobertura vegetal de floresta ombrófila densa com ínfima presença de buritizal. Contudo, dispõe de falhas geológicas, as quais determinarão seu isolamento em formato de morros, além do rebaixamento altimétrico como já apresenta a Drse. Morfologicamente suas vertentes são de inclinação acentuada, sujeitas ao escoamento superficial e concentrado, além de áreas em processo de ravinamento, indicativo de perda de sedimento devido à atuação do processo erosivo. A unidade Drse é litologicamente resistente, bem como é vegetada por floresta serrana. No entanto, apresenta linhas de fraqueza atribuídas a falhas geológicas, que destacam o direcionamento do alinhamento dos morros e isolamento entre os mesmos. Além disso, exibem vertentes de acentuada inclinação, prenominando a morfogênese, o que justifica a formação extensiva do neossolo litólico.
Destaca-se que na Apag dominantemente prevalece a vulnerabilidade muito alta, cuja geologia é de baixa resistência composta por sedimentos inconsolidados e, apesar da morfologia plana, esta é recorrentemente inundada sazonalmente, por longo período.
Neste ambiente encontram-se basicamente os Neossolos Quartzarênicos e pequena ocorrência de espodossolos, os quais são parcialmente recobertos pela campinarana graminosa e em menores proporções a campinarana florestada e buritizais.
Os aspectos que caracterizam as áreas das duas primeiras unidades, a Drec e a Drse tidas como vulneráveis, referem-se às fraquezas em decorrência da existência de falhas geológicas, a morfometria do relevo com predominância da morfogênese, a qual promove também a presença de Neossolos. Já na Apag os aspectos cruciais estão relacionados à geologia de sedimentos inconsolidados, solos incoesos e a predominância da tipologia de vegetação.
6 PERCURSOS AMBIENTAIS INTERPRETATIVOS: TRILHAS COM POTENCIAL GEOECOTURÍSTICO
A interpretação ambiental surgiu nos Estados Unidos com o objetivo de suprir a necessidade de entendimento da natureza pelos visitantes, sobretudo com relação aos atrativos geológicos do Parque Nacional de Yellowstone (MOREIRA, 2008). Assim, a atividade com o auxílio de ferramentas adequadas conforme a especificidades de cada ambiente, facilita na “tradução” da linguagem científica para melhor compreensão dos visitantes, o que desenvolve maior percepção e cautela por parte dos mesmos, para não impactar de forma negativa o ambiente visitado.
As trilhas são potenciais para interpretação ambiental, pois se configuram em caminhos que podem ser utilizados para diversas atividades incluindo as esportivas, passeios recreativos, educacionais, turísticas, ou até mesmo, como simples acesso. Dentre as atividades supracitadas, a atividade turística é a que mais tem se destacado, em razão de ser, muitas vezes, o principal acesso dos atrativos turísticos.
Além disso, as trilhas se configuram em atrativos, que podem possuir roteiros e/ou percursos pré-estabelecidos e estabelecidos, sobretudo, em unidades de conservação em que se têm demandas para o uso público como visitas, seja de cunho didático, cientifico, turístico, dentre outros.
Assim, identificar as potencialidades das trilhas e estabelecer seu uso de forma adequada e suas características se tornam fundamentais. Neste sentido, as trilhas do PARNA do Viruá possuem atrativos geoecoturísticos alicerçados por paisagens únicas, que devem ser ainda mais conhecidas e divulgadas, pois se trata de um legado geológico, geomorfológico e biótico, que ao longo do tempo se transformam principalmente pela natureza dos processos exógenos.
Assim, as trilhas interpretativas são áreas que permitem a aproximação da comunidade e visitantes com o meio ambiente, o que proporciona o conhecimento do local visitado, como também o exercício da educação ambiental (OLIVEIRA, et al, p. 791, 2018). Logo, as trilhas tidas como percursos interpretativos considerando a abordagem geoecoturistica foram no total de oito, das quais cinco são de acesso terrestre denominadas de N1 e N2 (grade PPBio), megaleque e serra do Preto, linha norte, Castanhal e três fluviais, correspondentes aos rios Branco, Anauá e Iruá (Mapa 11).