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WALDISA RUSSIO

No documento Rio de Janeiro 2015 (páginas 191-200)

DOCUMENTO ENUNCIADO

WR01 “O museólogo hoje é, antes de tudo, um homem comum em meio à multidão de homens comuns. Isso quer dizer que, não ungido, ele é um ser humano e um cidadão comum. Com todos os problemas que afetam os seres comuns e, eventualmente, vivendo as questões sociais que atingem os cidadãos. Mas é, também, um profissional, o que pressupõe uma adequada formação anterior” (p. 240)

“O museólogo é, hoje, um agente consciente de seu papel profissional, humano e social. Não é um ‘amado dos deus [dos deuses?]’, é um homem comum. Não é um eleito por seu talento excepcional: é um profissional que realiza, a um só tempo, o ser cientista e trabalhador social” (p. 242).

WR02 “(...) o trabalhador de museu é de fundamental importância para a manutenção do trinômio orientador do processo cultural; esse trinômio consiste em três atividades distintas e interligadas, saber, preservar, informar e agir” (p. 232).

WR03 ----

WR04 “Não renunciar a posições de supervisão, chefia e direção que devem estar nas mãos de museólogo, pois é ele o cientista do fato museal”

(p. 220).

WR05 “(...) quero mostrar alguns dos conceitos com os quais o museólogo trabalha no seu cotidiano, ou seja, com que dados culturais” (p. 59).

Quadro 27 – Categoria 1: quem são os conservadores/museólogos Fonte: A autora, com base nos documentos selecionados para análise

A primeira referência à origem do profissional é delineada por Gustavo Barroso (GB01), Coordenador do Curso de Museus e Diretor do MHN, ao afirmar que o próprio termo de conservador possui prestígio tanto na Europa quanto nas Américas. Essa carta-resposta de Gustavo Barroso à Divisão de Aperfeiçoamento do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) é direcionada aos membros da Comissão do Plano de Classificação de Cargos, para a revisão dos níveis de vencimentos do Funcionalismo Civil da União e data de 24 de maio de 1954.

Importante destacar que esse documento foi citado, anteriormente, em três pontos no capítulo 4, particularmente no item 4.2, no que diz respeito ao momento de afirmação da profissão de museólogo, como demostramos a seguir: (a) Projeto de Regulamento da Profissão, Lei no 801, de 1963 – justificativa da proposta de lei do Deputado Muniz Falcão na Sala de Sessão, em 31 de julho de 1963; (b) Projeto de Lei no 5.654, 1981 – justificativa submetida para aprovação pelo Deputado Alvaro

Valle, em 23 de novembro de 1981; (c) Parecer da museóloga Lygia Martins Costa, em 12 de abril de 1982, no processo de regulamentação da profissão de museólogo.

Os dois primeiros pontos são compostos pelas propostas de projetos de lei para regulamentação da profissão de museólogo que tiveram a participação de egressos do Curso de Museus como membros da ABM. Já o terceiro ponto diz respeito ao parecer de uma museóloga também formada pelo curso do Museu Histórico Nacional com base no pedido de Aloisio Magalhães, então diretor do Conselho Federal de Cultura, em resposta ao pedido de análise da proposta pelo Congresso Nacional.

A segunda referência de Gustavo Barroso emerge no livro Introdução à Técnica de Museus, considerado uma referência para formação dos conservadores/museologos até o início da década de 1970.

A partir desse momento, temos enunciados de autoria dos outros dois Coordenadores de Curso, Valentin Calderón e Waldisa Rússio, relativos à década de 1970 e 1980. Cabe salientar que quanto maior for a distância temporal entre esses enunciados em relação aos enunciados de Gustavo Barroso, no Curso de Museus, menos poéticos e exaltados são os contornos que definem e especificam o profissional.

Vejamos, a seguir, como funcionam os enunciados selecionados que dão suporte à CATEGORIA 1:

DOCUMENTO GB01

1a ocorrência: “(...) o Título Conservador possui incontestável prestígio. Daí a relutância dos componentes da carreira em propugnar sua mudança para designações que têm sido algumas vezes propostas: Técnico de Museus, Museólogo ou Museologista”.

Podemos observar um esforço para promover a formação de conservador como status e defesa de um funcionário especializado, se considerarmos a denominação do título para supor um valor numa relação que pode ser expressa da seguinte forma:

Título com inestimável prestígio = Funcionário especializado

DOCUMENTO GB02

1ª ocorrência: “(...) é o técnico ou entendido em Museus”.

Temos aqui a primeira ocorrência da GB02, que diz respeito ao grau de habilidade do profissional somado ao conhecimento e desempenho prático. Nesse

caso, o conservador/museólogo passa a ser visto como o especialista que compreende a instituição museal.

Homem ilustre = Funcionário público

2a ocorrência: “(...) conservador tem de ser, antes de tudo, um evocador”.

Esse enunciado sugere que o profissional conservador de museu tem como habilidade evocar ao rememorar fatos notáveis por meio de sua atividade.

Evocador = Torna presente pela lembrança

DOCUMENTO VC01

1a ocorrência: “(...) primeira turma de museólogos seja como desbravadora e force as portas dos museus. Quando eles estiverem atuando e mostrando a necessidade de seu trabalho, talvez contribuam para aumentar o campo de trabalho”.

A ocorrência selecionada de Calderón (VC01) diz respeito ao grau de pioneirismo dos primeiros técnicos de museus na Bahia, considerando o processo de aceitação complexo e não imediato, sendo necessário forçar as portas da instituição.

A questão da força ganha notoridade se pensarmos na necessidade de impor a presença profissional.

Desbravador = como pioneiro no exercício profissional

2a ocorrência: “(...) São condutores de cultura com um instrumento na mão que é o museu. (...) porque o museólogo é quem consegue dar vida ao museu”.

Aqui temos uma narrativa do profissional nos mesmos moldes do enunciador anterior. Ou seja, destacamos o valor da formação especializada para vitalidade da instituição museal.

Condutor de cultura = Funcionário especializado

DOCUMENTO WR01

1a ocorrência: “(...) O museólogo hoje é, antes de tudo, um homem comum em meio à multidão de homens comuns. (...) Mas é, também, um profissional, o que pressupõe uma adequada formação anterior”

Daqui em diante temos enunciados da terceira Coordenadora de Curso, Waldisa Rússio, idealizadora da Pós-graduação em Museologia da FESPSP. Dessa

forma, a ocorrência WR01 retoma a ideia de uma formação prévia para habilidade profissional de um gestor no âmbito humano e social.

Profissional = Formação especializada

2a ocorrência: “(...) museólogo é, hoje, um agente consciente de seu papel profissional, humano e social. Não é um ‘amado dos deuses’, é um homem comum.

Não é um eleito por seu talento excepcional: é um profissional que realiza, a um só tempo, o ser cientista e trabalhador social”

Esse enunciado sugere o profissional especializado como consciente de suas ações, ou seja, um pesquisador e investigador social.

Agente consciente = Gestor habilitado

DOCUMENTO WR02

1a ocorrência: “(...) trabalhador de museu é de fundamental importância para a manutenção do trinômio orientador do processo cultural”

Em WR02, o profissional museólogo é colocado como referência para encaminhar e conduzir o processo cutural para o público geral.

Trabalhador de museu = Dirigente e guia cultural

DOCUMENTO WR04

1a ocorrência: “(...) posições de supervisão, chefia e direção que devem estar nas mãos de museólogo, pois é ele o cientista do fato museal”

Abordamos, no momento, as referências WR04 que pontuam a amplitude da atuação do museólogo na coordenação, gestão e/ou direção na instituição como um especialista do fato museal.

Gestor, coordenador = Especialista do fato museal

DOCUMENTO WR05

1a ocorrência: “(...) conceitos com os quais o museólogo trabalha no seu cotidiano, ou seja, com que dados culturais”

A temática do trabalhador voltado para dados culturais é retomada na referência WR05 em relação à WR02, sendo esta habilidade usual ao próprio profissional.

Trabalhador = Dados culturais

Na leitura dos enunciados da CATEGORIA 2, é possivel sublinhar que as referências dizem respeito à disciplina Museologia, que deve ser caracterizada como estudo científico e ciência em formação. No quadro 28, constam os documentos

GB02 “Chama-se Museologia o estudo científico de tudo o que se refere aos Museus, no sentido de organizá-los, arrumá-los, conservá-los, dirigi-los e classificar e restaurar os seus objetivos. O termo é recente e resultou dos trabalhos técnicos realizados nos últimos decênios sobre a matéria. A Museologia abarca âmbito mais vasto do que a Museografia, que dela faz parte, pois é natural que a simples descrição dos Museus se enquadre nas fronteiras da Ciência dos Museus” (p. 6).

VALENTIN CALDERÓN

DOCUMENTO ENUNCIADO

VC01 “Para quem gosta e tem amor pela cultura não há nenhuma profissão mais bonita que a Museologia”.

WALDISA RUSSIO

DOCUMENTO ENUNCIADO

WR01 “Museologia e Museu se dessacralizam e vão se constituindo, respectivamente, em arcabouço científico e cenário de fato museológico. Na medida em que crescem em seu caráter cientifico, despem-se de sua sacralidade e, por isso, não exigem sacerdotes, mas profissionais competentes e conscientes” (p. 238).

“(...) o reconhecimento crescente da Museologia como ramo de conhecimento científico e do museólogo como cientista e profissional”

(p. 239).

WR02 “(...) podemos dizer que a Museologia é uma ciência em formação. O seu caráter científico é dado, sobretudo, pelo fato de possuir um objeto específico como centro de seu interesse e investigação” (p. 233)

“(...) a Museologia é a ciência do fato museológico, e fato museológico é a relação profunda entre o Homem (sujeito que conhece) e o Objeto (parte da realidade de que o Homem também participa), num cenário institucionalizado, Museu. Tenho insistindo em que a institucionalização pressupõe não apenas o reconhecimento de quem cria o organismo museológico (em geral, alguém de estrutura de Poder), mas sobretudo o reconhecimento público da comunidade” (p. 233).

WR03 “A Museologia é uma ciência nova em formação. Ela faz parte das ciências humanas e sociais. Possui um objeto específico, um método especial, e já experimenta a formulação de algumas leis fundamentais. O objeto da museologia é o fato “museal” ou fato museológico. O fato museológico é a relação profunda entre o homem – sonhador conhecedor –, e o objeto, parte da realidade sobre a qual o homem igualmente atua e pode agir. Essa relação comporta vários níveis de consciência, e o homem pode apreender o objeto por intermédio de

seus sentidos: visão, audição, tato etc. Essa relação supõe, em primeiro lugar e etimologicamente falando, que o homem ‘admira o objeto’’ (p. 123).

“O museu tem sempre como sujeito e objeto o homem e seu ambiente, o homem e sua história, o homem e suas ideias e aspirações. Na verdade, o homem e a vida são sempre a verdadeira base do museu, que faz que o método a ser utilizado em Museologia seja essencialmente interdisciplinar, posto que o estudo do homem, da natureza e da vida, depende do domínio de conhecimentos científicos muito diversos”

(p. 125).

“Quando o museu e a Museologia, no senso global do termo, estudam o ambiente, o homem ou a vida, são obrigados a recorrer às disciplinas que a exagerada especialização atual separou por completo. A interdisciplinaridade deve ser o método de pesquisa e de ação da Museologia e, portanto, o método de trabalho nos museus e cursos de formação de museólogos e funcionários de museu” (p. 126).

WR04 “(...) prefiro definir Museologia como ciência do fato museal, entendido este como a relação profunda entre o Homem – sujeito que conhece – e o Objeto – fração e testemunho da realidade de que o Homem também participa – num cenário institucionalizado, o Museu” (p. 219).

WR05 “(...) a museologia é uma disciplina científica e é uma ciência em construção. Por ser uma ciência em construção, nós temos ainda um grande panorama em aberto. Mas essa ciência em construção já se caracteriza como uma ciência larvar, embrionária, se construindo, se fazendo, porque ela tem um objeto específico. E é esta especificidade que lhe dá caráter de ciência. E esse objeto específico, para nós, é uma coisa chamada simplesmente de fato museológico” (p. 59-60).

Quadro 28 – Categoria 2: como os museólogos delimitam sua área do conhecimento Fonte: A autora, com base nos documentos selecionados para análise

Abordamos, a seguir, como funcionam os enunciados selecionados para a CATEGORIA 2:

DOCUMENTO GB02

1a ocorrência: “(...) Museologia o estudo científico de tudo o que se refere aos Museus, no sentido de organizá-los, arrumá-los, conservá-los, dirigi-los e classificar e restaurar os seus objetivos”.

A primeira referência localizada é pontual na medida em que a denominação da disciplina não surgiu no discurso oficial nos primeiros anos de formação. Na produção de Gustavo Barroso, temos, em GB02, uma única ocorrência que denomina a Museologia como um conhecimento/aprendizado específico relacionado à instituição museal com características científicas ligadas ao método e à prática museológica.

Estudo científico = conhecimento/aprendizado específico

DOCUMENTO VC01

1a ocorrência: “(...) quem gosta e tem amor pela cultura não há nenhuma profissão mais bonita que a Museologia”.

A segunda referência é de autoria de Valentin Calderón, quando este define a Museologia atrelada ao exercício profissional como uma ocupação bonita por tratar da cultura. Em alguns momentos, esta temática mais poética vem entrecruzada às referências da origem da profissão e da mística ligada ao profissional por contemplar o belo, o objeto-sagrado.

Profissão bonita = Afeição/simpatia pela cultura

DOCUMENTO WR01

1a ocorrência: “(...) Museologia e Museu se dessacralizam e vão se constituindo, respectivamente, em arcabouço científico e cenário de fato museológico”.

Nas ocorrências relativas à produção de Waldisa Russio, existe uma forte tendência de demarcar a própria disciplina e o cenário institucionalizado do museu como científico. Ou seja, estruturas científicas que requerem um método/conhecimento.

Arcabouço científico = Método/conhecimento específico

2a ocorrência: “(...) Museologia como ramo de conhecimento científico e do museólogo como cientista e profissional”

O esquema discursivo permanece atrelado ao enunciado da ocorrência anterior, a questão científica como modo de fazer algo.

Conhecimento científico = Método/procedimento profissional

DOCUMENTO WR02

1a ocorrência: “(...) a Museologia é uma ciência em formação. O seu caráter científico é dado, sobretudo, pelo fato de possuir um objeto específico”

Já na referência de WR02, a Museologia é apresentada como método científico que se refere a um aglomerado de regras de como deve ser o procedimento com fato museológico.

Ciência em formação = Método/conhecimento específico

2a ocorrência: “(...) a Museologia é a ciência do fato museológico, e fato museológico é a relação profunda entre o Homem (sujeito que conhece) e o Objeto (parte da realidade de que o Homem também participa), num cenário institucionalizado, Museu”.

Esse enunciado sugere um olhar sobre a tríade (Homem x Objeto x Museu) que define o fato museológico, atrelado à ocorrência anterior.

Ciência do fato museológico = Método/procedimento científico

DOCUMENTO WR03

Em alguns momentos da produção de Waldisa Rússio, a temática da Museologia como método científico vem atrelada à denominação de ciência em desenvolvimento, essencialmente, diversa por estabelecer relações entre dois ou mais ramos do conhecimento, questão esta apresentada nos enunciados de WR03.

1a ocorrência: “(...) Museologia é uma ciência nova em formação. Ela faz parte das ciências humanas e sociais. Possui um objeto específico, um método especial, e já experimenta a formulação de algumas leis fundamentais”.

Ciência nova em formação = Método/conhecimento específico

2a ocorrência: “(...) método a ser utilizado em Museologia seja essencialmente interdisciplinar, posto que o estudo do homem, da natureza e da vida, depende do domínio de conhecimentos científicos muito diversos”.

Interdisciplinar = Conhecimento diverso/plural

3a ocorrência: “(...) interdisciplinaridade deve ser o método de pesquisa e de ação da Museologia e, portanto, o método de trabalho nos museus e cursos de formação de museólogos e funcionários de museu”.

Interdisciplinar = Atuação/exercício profissional

DOCUMENTO WR04

1a ocorrência: “(...) Museologia como ciência do fato museal, entendido este como a relação profunda entre o Homem – sujeito que conhece – e o Objeto – fração e testemunho da realidade de que o Homem também participa – num cenário institucionalizado, o Museu”.

Em WR04, a disciplina museológica é definida como ciência do fato museal que privilegia a relação da tríade que se estabelece entre o homem e o objeto via o cenário institucional, o museu. Desse modo, tal alteração ocorre pelo desenvolvimento da área do conhecimento para balizar/demarcar os limites do campo museológico.

Ciência do fato museal = Tríade homem, objeto e museu

DOCUMENTO WR05

1a ocorrência: “(...) museologia é uma disciplina científica e é uma ciência em construção”.

Conforme treicho transcrito, o enunciado aponta que o conhecimento científico do campo museológico permanece em formação.

Disciplina Científica = Conhecimento em formação condição inferior como a guarda ou limpeza de materiais e edifícios.

Nada mais absurdo” (p. 230).

“(...) toda Carreira de Conservador de Museu sofre a humilhação e a injustiça de ser considerada inferior à de Naturalista. No entanto, as funções e objetivos são idênticos: se o último conserva e pesquisa o material etnográfico, zoológico, botânico ou geológico, o primeiro conserva e pesquisa o material histórico, artístico, numismático ou paleográfico. Em que poderá ser o estudo e o trabalho de um superior ao trabalho do outro?” (p. 230).

“(...) unicamente a pura justiça da causa e a defesa da carreira de Conservador, pois o rebaixamento do seu nível de salário terá como consequência lógica o rebaixamento de sua qualidade. Isto já se evidenciou com a inexplicável supressão da defesa pública de tese no último concurso, o que permitiu a entrada no quadro de elementos menos preparados do que os anteriores. Se o cargo de Conservador de Museu for mal considerado e mal pago, não atrairá pessoal de melhor preparação, pouco a pouco se inferiorizará e isso será terrivelmente prejudicial ao

VC01 “A carreira de Museologia está regulamentada, mas não devidamente considerada nos quadros dos organismos oficiais”

WALDISA RUSSIO

DOCUMENTO ENUNCIADO

WR01 “(...) quando se falava em conservador de museu, a frase era acompanhada de um gesto universal: dedos da mão unidos, movidos mais ou menos ritmicamente de um para o outro lado, simulando espalhar o pó existente sobre um objeto imaginário ou invisível. Também é recente a frase em que as pessoas franziam as sobrancelhas e repetiam em

tom indagador: ‘Museólogo? Ah... Museólogo, não é?”. Porém, há pelo menos alguns anos, o termo parece não surpreender tanto as pessoas, que já não nos dizem com tanta frequência e ar de piedosa incredulidade: “Tão jovem! E tralhando em museu ...” (É certo que a ausência desta última observação pode se justificar quando se abandona a quadra dos 20...)” (p. 237).

WR02 --- WR03 --- WR04 --- WR05 ---

Quadro 29 – Categoria 3: como os museólogos atribuem as representações que os outros fazem da Museologia

Fonte: A autora, com base nos documentos selecionados para análise

Os enunciados apresentados na categoria 3 atribuem aos museólogos uma versão negativa. Esses profissionais constroem um diálogo e manifestam uma materialidade que retoma uma memória sobre o que eles atribuem serem as representações que os outros profissionais fazem da Museologia.

Importante salientar que essa categoria teve poucas ocorrências nos documentos selecionados, fato este que nos chama atenção à medida que a desvalorização permanece enumerada nas justificativas dos projetos de lei para regulamentação da profissão e, ainda, se destaca nos discursos dos profissionais em defesa da profissão de museólogo, como, por exemplo, na minuta do I Encontro de Museólogos do Norte e Nordeste, organizado pela Fundação Joaquim Nabuco, de 1982.

DOCUMENTO GB02

1a ocorrência: “(...) Conservador presta-se à interpretação acima aludida por ignorância ou malícia. Por isso, muitas vezes se pretende rebaixar o cargo assim nomeado, porque ao seu nome se atribuem funções de condição inferior como a guarda ou limpeza de materiais e edifícios. Nada mais absurdo”

Nessa ocorrência temos a utilização de ignorância e malícia funcionando como valor complementar à falta de justiça em relação aos profissionais ao conceber a função de ordenação e de higienização.

Cargo inferior = Equívoco/ignorância

2a ocorrência: “(...) toda Carreira de Conservador de Museu sofre a humilhação e a injustiça de ser considerada inferior à de Naturalista. (...) Em que poderá ser o estudo e o trabalho de um superior ao trabalho do outro?”

No documento Rio de Janeiro 2015 (páginas 191-200)

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