3.6 Gerenciamento de Reservas Internacionais
4.1.2 Web Services
Web Service ´e uma solu¸c˜ao utilizada na integra¸c˜ao de sistemas e na comunica¸c˜ao entre aplica¸c˜oes diferentes atrav´es da Internet. Permitem `as aplica¸c˜oes enviar e receber dados em formato XML. Com esta tecnologia ´e poss´ıvel que novas aplica¸c˜oes possam interagir com aquelas que j´a existem e que sistemas desenvolvidos em plataformas diferentes sejam compat´ıveis.
Segundo Austin et al. (2002), um Web Service ´e uma aplica¸c˜ao auto-contida, identificada por um URI (Uniform Resource Identifier ), cujas interfaces e liga¸c˜oes s˜ao definidas, descritas e localizadas por artefatos que utilizam a linguagem XML (Extensible Markup Language), que deve ser capaz de interagir com outras aplica¸c˜oes atrav´es da troca de mensagens XML utilizando os protocolos de comunica¸c˜ao padr˜ao atualmente dispon´ıveis na Internet.
O principal objetivo dos Web Services ´e proporcionar a interoperabilidade entre sistemas distribu´ıdos, independente da plataforma e da linguagem de programa¸c˜ao utilizada por eles, disponibilizando uma melhor interliga¸c˜ao destas aplica¸c˜oes.
A Figura 4.7 mostra como ocorre uma intera¸c˜ao entre clientes e Web Services. Uma aplica¸c˜ao cliente envia uma mensagem (requisi¸c˜ao) para o Servidor Web, este por sua vez, processa a requisi¸c˜ao e envia uma mensagem (resposta). Vale apenas ressaltar que a aplica¸c˜ao cliente tamb´em pode ser um Servidor Web.
Figura 4.7: Intera¸c˜ao entre cliente e Web Service
Web Services est˜ao se tornando comuns para disponibiliza¸c˜ao de servi¸cos. Entre os disponi- bilizados pelos ´org˜aos governamentais no Brasil podem-se citar o servi¸co de informa¸c˜oes sobre s´eries temporais de indicadores econˆomicos (Banco Central), ou o servi¸co de pesquisa por c´odigo postal dos correios.
Na implementa¸c˜ao de ambientes de web semˆantica, Web Services assumem papel relevante, pois permitem a adi¸c˜ao constante de novos elementos devido `a possibilidade de intera¸c˜ao entre novos m´odulos e aqueles que j´a existem. Dessa forma, um ambiente de web semˆantica pode evoluir segundo sua ontologia, que deve ser a linha de orienta¸c˜ao na implementa¸c˜ao dos Web Services necess´arios.
4.2
Gerenciamento de Modelos
As pesquisas em gerenciamento de modelos datam da d´ecada de 1970 (Jr. & Watson 1975). Os primeiros trabalhos utilizaram uma analogia com o gerenciamento de dados, tecnologia mais consolidada neste per´ıodo - data-centric approach (Bhrammanee & Wuwongse 2008): Fou- rer et al (modelo hier´arquico) (Fourer, Gay & Kernighan 1990), Blanning (modelo entidade- relacionamento) (Blanning 1986), Liang (modelo relacional) (Liang 1985).
Geoffrion buscou estender esta abordagem e propˆos uma modelagem conjunta de dados e modelos como forma de alcan¸car melhor integra¸c˜ao entre eles, a qual denominou “Structured Modeling”. O autor usou o modelo entidade-relacionamento para representar os dados e cinco elementos adicionais para representar os modelos: a entidade primitiva que define conceitos do modelo; a entidade composta, ou relacionamento, que indica uma associa¸c˜ao entre duas ou mais entidades; o atributo que define uma caracter´ıstica ou propriedade de uma entidade primitiva; a fun¸c˜ao que representa uma propriedade resultante de um c´alculo, e o teste, ou restri¸c˜ao, que define restri¸c˜oes existentes nos atributos ou nas fun¸c˜oes (Geoffrion 1987).
A Figura 4.8 mostra um exemplo, extra´ıdo de (Ma 1996), do Structured Modeling para um problema de produ¸c˜ao.
Figura 4.8: Exemplo de Modelagem com Structured Modeling
Para Geoffrion, os modelos podem ser representados em diferentes n´ıveis de abstra¸c˜ao (Geoffrion 1987):
• O paradigma do modelo (“model paradigm”) indica uma classe de problemas. Por exemplo: modelos de programa¸c˜ao quadr´atica.
• O modelo (“generic model ” ou “model schema”) descreve a estrutura geral de um pro- blema segundo o paradigma. Por exemplo: o modelo m´edia-variˆancia para otimiza¸c˜ao de portfolios definido atrav´es de programa¸c˜ao quadr´atica.
• Uma instˆancia do modelo (“model instance”) ´e a execu¸c˜ao de um modelo gen´erico - o modelo foi instanciado. Por exemplo: a escolha de um portfolio ´otimo de a¸c˜oes negociadas na Bovespa7 utilizando o modelo m´edia-variˆancia.
Para Ezechukwu & Maros, a diferencia¸c˜ao entre modelo e instˆancias ´e interessante do ponto de vista do reuso de modelos, o que permitiria v´arias execu¸c˜oes de um modelo com diversos conjunto de dados (Ezechukwu & Maros 2003).
Geoffrion definiu, ainda, uma linguagem, “Structured Modeling Language” (SML), para des- cri¸c˜ao dos modelos (Geoffrion 1992a), (Geoffrion 1992b). A Figura 4.9 mostra em exemplo da linguagem retirado de (Dolk 2000).
Apesar de ter enfoque em dados, para Bhrammanee & Wuwongse, a abordagem de Geoffrion foi um paradigma bem diferente em compara¸c˜ao aos demais supracitados. Assim, para esses autores Structured Modeling ´e uma “structure-centric approach” (Bhrammanee & Wuwongse 2008).
Na d´ecada de 1990, ocorreu a difus˜ao da computa¸c˜ao distribu´ıda e, como consequˆencia, sua incorpora¸c˜ao `a teoria de gerenciamento de modelos. Outras tecnologias desenvolvidas foram alvo de experimenta¸c˜ao, como orienta¸c˜ao a objetos, agentes inteligentes, redes neurais, computa¸c˜ao evolutiva, data warehousing. Para Bhrammanee&Wuwongse, esta abordagem, a qual os autores denominaram “abstraction-centric approach”, reduziu a complexidade da modelagem por incor- porar heran¸ca e generaliza¸c˜ao adaptados do paradigma de orienta¸c˜ao a objetos (Bhrammanee & Wuwongse 2008). Para Ma, a principal vantagem seria a minimiza¸c˜ao da redundˆancia e da inconsistˆencia no processo de modelagem (Ma 1995).
Kim propˆos uma extens˜ao do Structured Modeling Language ao usar o paradigma de orien- ta¸c˜ao a objetos, a qual nomeou “Object-Oriented Structured Modeling” (OOSM) (Kim 2001).
Dolk analisou o uso de data warehouses no processo de decis˜ao e indicou que, apesar de serem ostensivamente orientados `a tomada de decis˜ao, ainda faltava capacidade preditiva a tais sistemas. O autor propˆos um model warehouse para armazenar os modelos e as interfaces com os solvers. O autor utilizou tanto SML quanto UML8 para representa¸c˜ao dos modelos (Dolk 2000).
Com a massifica¸c˜ao da Internet ocorrida principalmente na primeira d´ecada deste s´eculo, novas tecnologias e abordagens foram incorporadas nos trabalhos sobre gerenciamento de mode- los. Para El-Gayar & Tandekar, o novo ambiente tecnol´ogico trouxe novos requisitos ao processo de desenvolvimento de modelos: portabilidade, independˆencia de fornecedor, extensibilidade e compatibilidade (El-Gayar & Tandekar 2007).
Neste sentido, Kim desenvolveu uma linguagem para representa¸c˜ao e gerenciamento de mo- delos baseada em XML9 e OOSM, a qual nomeou “Object-Oriented Structured Modeling Markup Language” (OOSML). Para o autor, adotar um padr˜ao de troca de informa¸c˜oes, o XML no caso, melhoraria o suporte dos fornecedores de solvers para compartilhamento de modelos. A Figura 4.10 mostra a comunica¸c˜ao entre ferramentas sob diferentes arquiteturas: em (a), n˜ao h´a um padr˜ao e o compartilhamento de modelos somente se tornaria poss´ıvel se cada fornecedor imple- mentasse primitivas de comunica¸c˜ao com os outros solvers; em (b), a situa¸c˜ao seria simplificada com a utiliza¸c˜ao de um padr˜ao, pois cada ferramenta precisaria ter implementada somente a interface padr˜ao (Kim 2001).
(a) Sem padr˜ao de trocas (b) Com padr˜ao de trocas Figura 4.10: Formas de Comuni¸c˜ao entre Ferramentas
Kim ainda afirma que sua proposta atende aos novos requisitos de gerenciamento de mo-
8Unified Modeling Language - linguagem para especifica¸c˜ao, documenta¸c˜ao, visualiza¸c˜ao e desenvolvimento
de sistemas orientados a objetos.
delos na era da Internet : simplicidade, extensibilidade, interoperabilidade. Para El-Gayar & Tandekar, por´em, a proposta de Kim se mostrou ineficiente na representa¸c˜ao de modelos mais complexos (El-Gayar & Tandekar 2007).
Iyer et al. observaram o processo de modelagem sob o prisma das pessoas que participavam do processo e identificaram trˆes tipos de usu´arios (stakeholders): model builder, respons´avel pelo desenvolvimento dos modelos atrav´es de uma linguagem de manipula¸c˜ao espec´ıfica, analyst, respons´avel pela manipula¸c˜ao dos modelos, e decision-maker, respons´avel pela interpreta¸c˜ao dos resultados dos modelos (Iyer, Shankaranarayanan & Lenard 2005).
Baseados nesta classifica¸c˜ao de usu´arios, os autores descreveram as funcionalidades dese- j´aveis para cada uma deles e assim desenvolveram uma arquitetura multi-camadas na qual o gerenciamento de modelos ´e implementado segundo um web service. Com esta arquitetura em mente, foi poss´ıvel ainda a identifica¸c˜ao de um quarto tipo de usu´ario, model administrator, com fun¸c˜oes semelhantes `as do administrador de banco de dados (Iyer et al. 2005).
Com uma perspectiva um tanto mais restrita, Ezechukwu & Maros indicaram que, para os modelos de otimiza¸c˜ao, o desenvolvimento de software e a especifica¸c˜ao de padr˜oes para representa¸c˜ao de modelos n˜ao acompanhariam o desenvolvimento dos solvers e das ferramentas de an´alise de dados. Este fato ocasionaria uma baixa portabilidade de modelos, baixo reuso, alto custo de implementa¸c˜ao de novos modelos e baixa flexibilidade dos modelos desenvolvidos, levando, consequentemente, as organiza¸c˜oes a adquirirem ferramentas propriet´arias, acarretando em eleva¸c˜ao de custos e redu¸c˜ao do n´umero de potenciais usu´arios de modelos (Ezechukwu & Maros 2003). Para lidar com essa situa¸c˜ao, os autores propuseram uma arquitetura open-source - Open Optimization Framework (OOF) - para representa¸c˜ao de modelos de otimiza¸c˜ao (modelos e instˆancias) e dos resultados gerados pelos solvers, como mostrada pela Figura 4.11. Seus componentes principais s˜ao (Ezechukwu & Maros 2003):
1. AML (Algebraic Mark-up Language) - linguagem de marca¸c˜ao10, baseada em XML, para
descrever modelos e criar instˆancias port´aveis. Ela suporta todos os modelos de otimiza¸c˜ao. 2. ORML (Optimization Reporting Mark-up Language) - linguagem de marca¸c˜ao, baseada
em XML, para representa¸c˜ao dos resultados da execu¸c˜ao de instˆancias dos modelos. 3. OSCP (Optimization Service Connectivity Protocol ) - componente Java que define a forma
de localiza¸c˜ao e acesso a softwares de otimiza¸c˜ao.
H´a, ainda, WSOP (Web Services Optimization Protocol ) que ´e o protocolo para acesso distribu´ıdo a servi¸cos de otimiza¸c˜ao dispon´ıveis na Internet.
Figura 4.11: Componentes do Open Optimization Framework
A possibilidade de compartilhamento de modelos vem se mostrando uma tendˆencia e, se- guindo esta tendˆencia, El-Gayar & Tandekar propuseram a combina¸c˜ao de Structured Modeling (SM) e XML - “Structured Modeling Markup Language” (SMML) - para representa¸c˜ao e com- partilhamento de modelos em um ambiente distribu´ıdo (El-Gayar & Tandekar 2007). Para os autores, o uso do XML leva a uma independˆencia de plataforma, independˆencia entre esquema e instˆancias, al´em de criar um formato padronizado para trocas de modelos, o SM, por sua vez, ´
e respons´avel pelo formalismo e a fundamenta¸c˜ao te´orica j´a consolidados para representa¸c˜ao dos modelos e instˆancias. Eles, ainda, citaram o uso da linguagem em duas arquiteturas poss´ıveis: na arquitetura centralizada de trˆes camadas (Three-tier Architecture.), o gerenciamento de modelos ´
e executado no servidor - Model Management System (MMS); na arquitetura descentralizada, o acesso aos modelos, bem como aos dados e solvers, ou como os autores denominam “decision support resources”, ´e disponibilizado via web services, e sua localiza¸c˜ao pode ser distribu´ıda entre v´arios ambientes.
As tecnologias internet forneceram os insumos para Liu & Ma desenvolverem um sistema - Internet-based Science Information Systems (ISIS) - para sele¸c˜ao de projetos de P&D11 para
National Natural Science Foundation of China (NSFC) baseado em web service e ontologia. O objetivo do sistema era apoiar o processo de escolha de projetos desde a submiss˜ao de uma pro- posta, sele¸c˜ao de avaliadores at´e a escolha efetiva dos projetos a serem financiados pelo ´org˜ao. Para os autores, o uso de ontologia tornou o conhecimento acerca do processo mais f´acil de ser compartilhado e reutiliz´avel por outros usu´arios e por outros componentes de software. E mais, as caracter´ıstivas anteriormente desej´aveis como simplicidade, extensibilidade, interoperabili- dade e portabilidade, continuaram sendo contempladas com essa nova forma de representa¸c˜ao de modelos (Liu & Ma 2005). Para Deokar & El-Gayar, com essa nova abordagem de semantic web para explorar a sinergia entre modelos e servi¸cos, o gerenciamento de modelos ´e melhorado
de forma consider´avel, resultando em maior reuso de modelos, maior autonomia entre os compo- nentes, maior n´ıvel de abstra¸c˜ao, mais baixo acoplamento entre componentes e maior facilidade para compor modelos a partir de modelos pr´e-definidos (Deokar & El-Gayar 2008).
A utiliza¸c˜ao de ontologias no processo de modelagem vem recebendo aten¸c˜ao crescente dos pesquisadores. Um exemplo ´e o trabalho de El-Gayar et al., no qual foram comparadas represen- ta¸c˜oes de modelos baseadas em XML, mais especificamente o SMML, com o uso de ontologias, OWL, no caso. Os autores definiram quatro crit´erios para avalia¸c˜ao: (i) Estrutura (regras para representar os modelos); (ii) Facilidade em representar dados em n´ıvel elementar (mais baixo n´ıvel); (iii) Representa¸c˜ao da semˆantica; (iv) Facilidade para representar estruturas complexas. Segundo o estudo, no XML ´e mais simples a representa¸c˜ao dos modelos, por´em, a ontologia se mostrou mais eficiente nos demais crit´erios avaliados (El-Gayar, Deokar, Taskin & Aljafari 2008). Outro estudo associado `a utiliza¸c˜ao de ontologias ´e fornecido por Bhrammanee & Wuwongse. Nele, os autores propuseram o ODDM - OWL Declarative Description for Modelbases - para representa¸c˜ao de modelos de decis˜ao. Para os autores, h´a uma grande dificuldade no reuso de modelos por conta de n˜ao haver um consenso pr´e-definido e amplamente difundido entre os usu´arios e aplica¸c˜oes acerca dos conceitos envolvidos nos modelos. Seria poss´ıvel representar um modelo em dois n´ıveis de abstra¸c˜ao: a Ontologia do Modelo (Model Ontology), onde s˜ao definidos todos os conceitos acerca do contexto no qual o modelo est´a inserido; e o Esquema do Modelo (Model Schema), no qual ´e definido o esquema gen´erico (“esqueleto”) de um deter- minado modelo de decis˜ao (Bhrammanee & Wuwongse 2008). A partir do esquema, pode-se, ainda, criar instˆancia do modelo para posterior execu¸c˜ao por um solver, mantendo a necess´a- ria independˆencia de plataforma e promovendo a portabilidade dos modelos (Bhrammanee & Wuwongse 2008).
A Figura 4.12 mostra a arquitetura do ODDM bem como os usu´arios que interagem com o sistema identificados no trabalho. No ambiente h´a 2 componentes: a ontologia de modelos e o esquema de modelos, os usu´arios intreagem com ambos atrav´es da OWL Declarative Descrip- tion (ODD). A utiliza¸c˜ao da ODD permite que dados e modelos sejam representados livres de inconsistˆencias e imprecis˜oes, possibilitando mesmo a implementa¸c˜ao de regras de inferˆencias sobre os mesmos.
Figura 4.12: Arquitetura do ODDM
Em um trabalho posterior, Bhrammanee & Wuwongse estenderam o conceito do ODDM para uma representa¸c˜ao unificada de dados e modelos, a qual denominaram OFMD - OWL Declarative Description for Modelbases and Databases. Para os autores, tanto o banco de dados, como o banco de modelos necessita de uma representa¸c˜ao dos relacionamentos, descri¸c˜ao de informa¸c˜ao e restri¸c˜oes (Bhrammanee & Wuwongse 2007).
A Figura 4.13, adaptada de (Bhrammanee & Wuwongse 2007), mostra os componentes do framework definido.
Cap´ıtulo
5
Ambiente Computacional de Apoio `a
Decis˜ao
em Reservas Internacionais
O estudo de Reservas Internacionais ´e tema bastante explorado, sobretudo, na literatura acadˆemica emp´ırica sobre economia. Essa preponderˆancia de estudos emp´ıricos talvez decorra da ausˆencia de uma teoria econˆomica consolidada espec´ıfica do assunto ou da controv´ersia existente entre os economistas sobre a real necessidade de manuten¸c˜ao de reservas para a promo¸c˜ao do desenvolvimento econˆomico de um pa´ıs.
Para o p´ublico em geral, este tema tornou-se mais pr´oximo, somente a partir do ano de 2008, quando, por conta da crise subprime, a imprensa, de uma forma em geral, come¸cou a divulgar os n´ıveis de reservas internacionais de diversos pa´ıses, em especial de pa´ıses emergentes. Essa atitude objetivava sobretudo acalmar a popula¸c˜ao, demonstrando que as autoridades estavam preparadas para combater eventuais efeitos negativos advindos da crise e, assim, evitar a perda de confian¸ca1.
Parte da literatura sobre o assunto est´a voltada ao desenvolvimento de modelos matem´a- tico/estat´ısticos, sejam modelos te´oricos ou modelos emp´ıricos. Ao analisar tais modelos, ´e poss´ıvel verificar rela¸c˜oes de semelhan¸ca entre eles, por´em, por n˜ao haver pleno compartilha- mento dos modelos, h´a uma certa dificuldade em reproduzir seus resultados de forma acurada. De fato, essa mesma quest˜ao, em contextos distintos, ´e citada por Hunter, que sinaliza grande dificuldade de interoperabilidade entre modelos por conta dessa falta de compartilhamento dos insumos (dados, modelos, metodologia) usados nos trabalhos. Para o autor, essa dificuldade ´e amenizada pelo uso de ambientes de e-learning2: “ ... Bibliotecas digitais, de acesso p´ublico
ou de acesso controlado, tˆem sido constru´ıdas utilizando-se tecnologias sofisticadas de indexa- ¸c˜ao, armazenamento, pesquisa, recupera¸c˜ao e integra¸c˜ao de objetos digitais de m´ıdias diversas. Por´em, as tecnologias utilizadas nessas bibliotecas tˆem-se concentrado no suporte apenas ao elearning, sem apoio aos dados b´asicos inicias da cadeia de aprendizado. Assim, a emergente
1Uma frase muito famosa do ex-presidente Lu´ıs In´acio Lula da Silva mostra essa inten¸c˜ao de mostrar confian¸ca
na economia `a popula¸c˜ao: “L´a, a crise ´e um tsunami. Aqui, se chegar, vai ser uma marolinha que n˜ao d´a nem para esquiar.´´
2Ensino eletrˆonico, ou e-learning ´e um modelo de ensino n˜ao presencial suportado por tecnologia. Os con-
te´udos s˜ao disponibilizados via internet e o professor, se existir, est´a `a distˆancia dando suporte s´ıncrono ou ass´ıncrono, com a possibilidade de sess˜oes presenciais.
infraestrutura de eScience n˜ao est´a atenta `a necessidade de apoiar novas formas de produ¸c˜ao intelectual que n˜ao prescindem de novas formas curadoria, publica¸c˜ao e colabora¸c˜ao. De fato, n˜ao raro se observa o clamor da comunidade acadˆemica para que pesquisadores disponibilizem os dados b´asicos e detalhes de seus experimentos, bem como suas formas de visualiza¸c˜ao e seus m´etodos anal´ıticos, em adi¸c˜ao ao formato usual das publica¸c˜oes cientificas. O registro mais detalhado do processo de descoberta cient´ıfica permite aos interessados a revis˜ao do m´etodo de pesquisa, bem como das pr´oprias conclus˜oes apresentadas, outro efeito desse registro ´e a pos- sibilidade de maior compartilhamento do conhecimento, reutiliza¸c˜ao da pesquisa e compara¸c˜ao entre diferentes abordagens para solu¸c˜ao de problemas, redundando em redu¸c˜ao da repeti¸c˜ao de esfor¸co e diminuindo a perda de dados, devido a maior disponibilidade de informa¸c˜ao contextual, al´em da facilita¸c˜ao da repeti¸c˜ao e verifica¸c˜ao dos resultados obtidos nos experimentos/modelos cient´ıficos.”(Hunter 2006).
Como j´a apresentado no primeiro cap´ıtulo, o tema de estudo da presente tese ´e reservas in- ternacionais. Por´em, um interesse espec´ıfico foi definido: modelos de gerenciamento de reservas. Esse interesse levou ao projeto de um ambiente colaborativo para pesquisa, desenvolvimento e utiliza¸c˜ao destes modelos. Um ambiente colaborativo possibilita maior intercˆambio de infor- ma¸c˜ao, com impactos na produtividade e na gera¸c˜ao de conhecimento. O ambiente proposto est´a alicer¸cado nos conceitos e recursos da Web Semˆantica, j´a apresentados no Cap´ıtulo 3. Este cap´ıtulo descreve o ambiente proposto, tendo considerado dois aspectos principais: as vantagens da utiliza¸c˜ao dos recursos da Web Semˆantica no processo de armazenamento, consulta e busca de informa¸c˜oes sobre modelos de reservas internacionais; e processo de concep¸c˜ao do pr´oprio ambiente, para tanto.
Para desenvolver a presente tese foi necess´ario realizar um amplo levantamento da utiliza¸c˜ao de modelos no gerenciamento de reservas internacionais. Assim, n˜ao apenas os modelos foram estudados, mas tamb´em o impacto das reservas no ambiente econˆomico foi considerado a partir de diversos indicadores macroeconˆomicos e sociais. A partir dessa ‘base’ de modelos, pode-se propor a constru¸c˜ao de uma ontologia de forma a oferecer `a comunidade um melhor ve´ıculo para representa¸c˜ao dos modelos de gerenciamento de reservas. Adicionalmente, verificou-se a implementa¸c˜ao do ambiente utilizando-se de servi¸cos web, possibilitando um maior grau de automa¸c˜ao de tarefas, atrav´es da incorpora¸c˜ao de semˆantica aos servi¸cos disponibilizados, e.g., utiliza¸c˜ao de pesquisas semˆanticas no lugas das tradicionais pesquisas sint´aticas.
Os modelos e dados usados neste ambiente s˜ao um subconjunto dos trabalhos citados no Ca- p´ıtulo 3. Na se¸c˜ao 5.1, os modelos te´oricos e emp´ıricos descritos naquele cap´ıtulo s˜ao mostrados com vistas a deixar claras as rela¸c˜oes entre eles. Em seguida, na se¸c˜ao 5.2, quatro destes modelos emp´ıricos s˜ao analisados de forma mais acurada e estruturados segundo suas caracter´ısticas. Na se¸c˜ao 5.3, descreve-se a incorpora¸c˜ao de semˆantica `a estrutura definida. Por ´ultimo, na se¸c˜ao 5.4, os modelos analisados s˜ao organizados em uma arquitetura em camadas como servi¸cos web.
5.1
Contextualiza¸c˜ao
Como j´a mencionado, h´a uma grande diversidade de estudos sobre Reservas Internacionais