TÓPICO 2 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS
3.2 WILHELM DILTHEY
FIGURA 2 - WILHELM DILTHEY
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/-6VDU-jbs2G8/TuKv8K_W-rI/AAAAAAAAClo/ dyNtNcjPzaM/s1600/Dilthey.jpg>. Acesso em: 25 abr. 2013.
O passo inicial para a constituição da hermenêutica filosófica foi dado por Wilhelm Dilthey, filósofo alemão do século XIX (RICKMAN, 1979). Esse período coincide com um renovado interesse nos estudos humanos ou das sociedades humanas, estimulado pelo desenvolvimento das ciências históricas e antropológicas e o surgimento de novas abordagens, como a Psicologia e a Sociologia.
A preocupação desses estudos era quanto à certeza das suas análises e conclusões, em comparação com os estudos da natureza, em pleno desenvolvimento metodológico na época. Ao invés de buscar um modo de ser e fazer os estudos humanos em semelhança com os estudos da natureza, Dilthey procurou uma abordagem única e distinta destes, desenvolvendo um modo próprio para os estudos do espírito.
Por espírito, que traduz o alemão Geist, Dilthey queria dizer duas coisas: Por um lado, [...] a capacidade intelectual e criativa do pensamento abstrato, o raciocínio conceitual e lógico que distingue o ser humano de outras criaturas. [...] Por outro lado, tudo o que é produzido e modelado pela atividade criativa da mente humana: [...]. Linguagens, religiões, códigos legais, ciências, casas, jardins, ferramentas, máquinas e ornamentos (RICKMAN, 1979, p. 61).
Portanto, o espírito é a vida mental humana objetivada para dentro do seu ambiente ou contexto de vida, acessível aos seus sentidos e à sua experiência no mundo, modelada por meio da sua ação. O mundo está lá, fora da mente humana, mas o que dá sentido e define o agir humano nele está dentro da sua mente.
Dilthey, então, acentuou que era necessário um modo distinto de abordar esta mente objetiva. No passado, seu estudo esteve sob o domínio da Metafísica e da Teologia. No presente, ela se subordinava ao modo de ser e fazer dos estudos da natureza. Para estabelecer a diferença, ele acentuou três características do agir humano:
1 é dirigido e tende para um propósito ou conforme uma intencionalidade; 2 atribuição de um valor, negativo ou positivo, ao mundo a partir da ação
humana que nele tem lugar;
3 a ação humana se conduz no mundo por meio de regras, normas e princípios. Esta última característica é que as ações humanas se fazem dentro de tradições que são explicadas somente pela evolução histórica.
Há apenas duas maneiras de a intenção, o valor e os princípios observáveis nas tradições históricas humanas serem conhecidos. Por meio da experiência interior reunida na memória, e através da sua comunicação a outro ser humano no mundo exterior ou das relações entre eles. Assim, todas as aproximações ao ser humano em seu contexto, ambiente ou mundo de vida estavam ligadas umas às outras pelo mesmo modo de ser e proceder: o discurso humano.
Tudo isso aponta para a necessidade de um círculo hermenêutico, que vai do particular para o geral e deste para o particular. A hermenêutica é necessária porque lida com o significado de textos, e, no caso particular do agir humano, os sentidos que ele dá à sua ação no mundo.
Assim, “a hermenêutica deixa de ter uma função orientadora ou normativa, para assumir uma função de fundamentação. Não é mais Kunstlehre (teoria da arte de interpretar), e sim um tipo de teoria do conhecimento” (RUEDELL, 2000, p. 22).
Dilthey, porém, disse mais do que isso. Interpretamos porque desejamos entender aquilo que nos é estranho no mundo, a fim de agirmos de modo significativo nele. Isto tem a ver com uma obra de arte e até com um sorriso ou um muxoxo. Isso não é tão problemático quando estamos em nosso próprio mundo, ambiente ou horizonte de vida. Mas, quando cruzamos a fronteira para um mundo ou uma vida nova, diferente da qual nos acostumamos, sentimos a dificuldade de viver nela ou de vivê-la. Em um primeiro momento, tentamos acostumar alguma novidade a algo correspondente em nossa própria vida. Contudo, quando isso não é possível, somos obrigados a confrontar nosso conhecimento acerca da vida com aquela novidade e interpretar, isto é, traduzi-la de modo que consigamos interagir e agir naquela nova situação.
Desse modo, a Hermenêutica é mais que uma disciplina que fundamenta as denominadas ciências do espírito, para se tornar o modo pelo qual se compreende a totalidade da vida humana que acontece em uma realidade histórica total. Essa compreensão se dá quando o ser humano adquire consciência de algo que lhe acontece no mundo. De início, são apenas vivências, que serão incorporadas a si mesmo, quando elas são interiorizadas em eu próprio Eu. A interiorização das vivências é armazenada na memória e elas passam a constituir uma representação do próprio Eu, a qual, por sua vez, oferecerá ao ser humano uma maneira dele interpretar e compreender as vivências que ele faz a cada dia.
As vivências com outros seres humanos, a sociedade humana, se tornam possíveis porque cada ser humano torna objetiva a representação do seu próprio Eu. Nesse encontro vivencial, as diversas representações vão se encaixando umas às outras, tornando a vida confortável para todos através do compartilhamento mútuo. Dele surge o significado da vida, ou seu fundamento, isto é, a identificação de todas as vivências particulares com a totalidade de vida compartilhada.
4 DESENVOLVIMENTO: MARTIN HEIDEGGER
Coube a Martin Heidegger a divulgação das ideias de Dilthey e a fundamentação da Hermenêutica em uma compreensão geral de quem é o ser humano, basicamente, um ser que compreende a si mesmo na medida em que vai compreendendo o mundo que está em sua volta.
A pré-compreensão de si sempre antecede a compreensão do mundo, e é orientada para a maneira como o ser humano vai atuar no mundo de modo a torná-lo habitável, acolhedor, capaz de recebê-lo. Trata-se de uma idealização da vida no mundo, mas não baseado em um ideal fora do mundo, mas presente e para dentro dele.
Desse modo, a interpretação da vida no mundo ou da pergunta “o que há no mundo?” não pode ser respondida separadamente daquele que faz a pergunta. Ao contrário, ele já possui certas noções adquiridas a partir da sua própria vivência no mundo. Ao se interessar pela alegria, o ser humano já antecipa algumas vivências alegres e vai ao mundo no intuito de ver como elas se dão, de modo a refinar a sua compreensão da alegria. Assim, existe uma circularidade inesgotável que vai ampliando a compreensão da totalidade do mundo. Isto sugere uma centralidade absoluta do Eu envolto em um jogo individual no qual seus preconceitos vão sendo edificados unicamente a partir de um movimento interior.
Conforme Heidegger, toda tentativa de compreender parte de certas noções particulares previamente dadas que temos das coisas, as quais, se levadas ao mundo diretamente, somente confirmarão aquelas noções, sem acrescentar nada que lhe seja desafiador. É o problema da indução. No entanto, se consideramos que o mundo que nos cerca é parte ou componente das noções que temos, estaremos abertos às outras possiblidades que ele nos apresenta, até mesmo a corrigir nossas noções prévias e particulares. É o problema da dedução. Poderemos partir de um caminho com a chegada já predefinida pelo ponto de partida, ou poderemos, partindo do mesmo caminho, com a chegada aberta às múltiplas possibilidades que a experiência do mundo nos apresentará, não sabendo exatamente onde será e quando se dará o nosso ponto de chegada, talvez nunca.
5 CONSOLIDAÇÃO: HANS-GEORG GADAMER
Seguindo a Heidegger, mas afastando-se dele também, a hermenêutica filosófica de Gadamer desenvolve a temática da finitude, a temática da historicidade. Pois o ser humano não se trata de um Eu que vai se formulando na medida em que experimenta o mundo. A experiência mesma no mundo é que o torna o Eu que ele é. Experiência é o conceito central, entendida como o processo dedutivo que possibilita a representação ou descrição da totalidade da vivência no mundo. Há, portanto, uma hermenêutica da faticidade: interpretar o mundo é interpretar a condição humana, nela somados os elementos históricos e culturais nele presentes. (STEIN, 2004, p. 74-79).
A condição hermenêutica humana depende da consciência histórica, de que somos determinados pelos eventos históricos limitantes da nossa compreensão, mas que devidamente explicitados, analisados e interpretados, possibilitam o avanço de quem somos e o que e como devemos agir no mundo. Visto que a forma de expressar a compreensão é por meio da linguagem, é ela o objeto a ser interpretado, pois transcende ao ser humano como declaração quanto ao que lhe acontece no mundo.
Como seres que usam da língua para se expressar – linguagem –, é acerca desta que se dá a formação da consciência histórica do ser humano. Compreender a linguagem é acessar a essa consciência histórica, o que permite a crítica dessa consciência. Semelhantemente, sendo a consciência histórica mediada pela linguagem, o resultado da conversação ou diálogo com outro ser humano, a compreensão resulta da investigação de como se dá a formação da consciência histórica através dela, o atravessar e o diluir dos horizontes históricos, em meio às muitas tradições que se colocam em conversação.
A hermenêutica, então, é a ciência da compreensão do ser humano na medida em que se vão se dando as relações entre o que ele sabe quem é e o que o mundo diz para ele quem ele é. Compreender essas relações, isto é, perceber como se joga esse jogo entre o ser humano e o mundo que o envolve, entre o que conhece e o que pode vir a conhecer, chama- se interpretação (FERRATER MORA, 2000, p. 1166-1168, 1327-1328).
6 CONCEITOS FUNDAMENTAIS
Os desdobramentos da hermenêutica filosófica, em seu estágio atual, requerem uma espécie de vocabulário especializado que é preciso conhecer para desenvolver um conhecimento razoável do seu conteúdo. O que oferecemos a seguir é uma apresentação básica que ajude como introdução e meio para avançar nos estudos (SILVA, 2010).
● Atestação
de si, ele adquire condições de se expor e se identificar enquanto alguém. Evidentemente, não há nada em que ele possa sustentar a identidade de si a não ser na sua própria narrativa. Por meio dela, ele se expõe às demais pessoas no mundo, e esta exposição o torna reconhecível, e, então, confiável a elas. A fim de manter a coerência entre o que ele fala de si e o que as pessoas ouvem dele mesmo, o ser humano se esforça por fazer valer a sua palavra, isto é, ele deve fazer de tudo para mantê-la acreditável e, assim, confiável às demais pessoas.
● Aplicação
O conceito de aplicação foi desenvolvido por Gadamer em oposição à noção de que a função da hermenêutica se esgota quando se chegou à compreensão da intenção do autor e das condições históricas da composição da sua obra, atribuição da denominada hermenêutica técnica. Ainda, para rejeitar o processo: compreensão, primeiro; aplicação, depois, também próprio deste uso hermenêutico da obra.
Ao contrário, a aplicação é o acontecer histórico ou contextual da compreensão de uma obra na realidade histórica daquele que a interpreta. De fato, seria uma antecipação do sentido da obra na pré-compreensão do intérprete, isto é, quando ele se aproxima de um texto, o faz antevendo certos fins ou resultados que possa obter através do seu estudo e compreensão. Ele deseja aplicá-lo a alguma situação concreta que motivou a sua ida ao texto. O exemplo do trabalho interpretativo do juiz em relação ao texto legal, e do pastor ou padre em relação ao texto bíblico, são significativos aqui. Ambos vão aos textos em busca de respostas para questões atuais, que demandam uma urgente solução que se apresenta na sentença do juiz ou na pregação do pastor/padre. Portanto, conforme Gadamer, a hermenêutica é aplicação que se torna sabedoria prática, que aproxima o intérprete da solução de problemas concretos da sua própria vida.
● Círculo hermenêutico
Schleiermacher foi quem introduziu esse conceito na Hermenêutica para identificar a relação entre as partes de um texto e o seu todo, mas também a relação do autor desse texto com o seu ambiente inspirador do seu pensamento. Portanto, tratava-se da circularidade textual ou literária e histórica. Afastando-se dele, Wilhelm Dilthey percebeu que, mais importante que compreender o autor e sua obra em seu próprio ambiente, o intérprete procurava compreender sua própria situação de vida em relação com o texto interpretado.
A interpretação atual do texto antigo, então, seria deixar falar a vida presente por trás dele em diálogo com a própria experiência de vida do intérprete. A este procedimento Dilthey chamou círculo hermenêutico ou círculo da compreensão. Este consistia no ato do intérprete em fazer reviver, representar, reproduzir, tornar presente em sua vida a mesma experiência de vida de outra época, colocando-a em conexão com a sua própria experiência de vida.
Coube a Martin Heidegger transferir o uso da circularidade hermenêutica da compreensão do texto para a compreensão da existência. Segundo ele, o ser humano é alguém que busca por compreensão no mundo a partir de uma compreensão prévia de como ele é. Marcado pela própria finitude do seu lugar no mundo, ele amplia a sua compreensão finita pela incorporação contínua de novas vivências, em um processo que nunca termina. Assim acontece com tudo o que ele faz no mundo, sendo que o sujeito do próprio entendimento será ele mesmo, a partir do que ele consegue incorporar a si a partir do diálogo desenvolvido com a totalidade da existência histórica. A consciência da própria finitude e da totalidade que está para além de si mesmo é o fundamento para o círculo hermenêutico.
Em contraste com Heidegger, Gadamer entendeu que o círculo da compreensão não apenas aumentava o conhecimento que o intérprete tinha de si mesmo. A verdadeira compreensão só acontecia quando o intérprete incorporava, integrava ou fundia em seu próprio horizonte as vivências de outros horizontes, aumentando o conhecimento quanto aos mesmos.
Como isso acontece? Ao procurar por um novo horizonte ou contexto, o intérprete também abre o seu próprio contexto. Ele faz isto porque está em busca de algo em sua própria vivência, que não é suprido por tudo o que recebeu de sua comunidade histórica original. Ao entrar em diálogo com outro contexto, o intérprete conversa com a experiência de vida de um determinado horizonte sustentado por uma tradição ou comunidade. Ele é introduzido à sua herança cultural e histórica, trazendo este contexto para dentro do seu próprio horizonte. Portanto, não há como ele separar o conhecimento de uma obra das condições de vida e das pessoas que a produziram.
Na prática, o círculo da compreensão, segundo Gadamer, assume que todos temos conhecimento prévio das coisas, adquirido em nossa própria comunidade histórica onde nascemos e onde formamos tudo o que sabemos. Nós imaginamos que estamos certos até o momento em que somos desafiados por um novo conhecimento ou nova maneira de ver e fazer as coisas, vindo de outro lugar. Ao invés de nos fecharmos em nosso próprio horizonte, devemos procurar entender melhor aquele novo conhecimento através das próprias explicações que as pessoas que o possuem têm a oferecer. Entretanto, a este diálogo nós trazemos nossas próprias explicações, fornecidas pela nossa comunidade histórica. Trata- se, então, de um diálogo entre comunidades ou contextos, muito mais do que entre dois indivíduos.
● Compreensão
A noção foi formulada por Dilthey em oposição ao conceito de explicação. Para ele, se trata do ato e método que o espírito humano realiza de dar significado à realidade externa, relacionando gestos, linguagem, objetos da cultura etc. A partir
Por fim, Gadamer entendeu a compreensão como o ato do ser humano de se localizar historicamente, ao mesmo tempo em que apreende a realidade histórica na qual se localiza.
● Conflito
Este conceito resulta da investigação de Paul Ricoeur quanto às dificuldades da hermenêutica contemporânea em relação à função simbólica da linguagem, após as contribuições de Freud, Nietszche e Marx, por ele chamados os fundadores da hermenêutica da suspeita, em oposição à hermenêutica até então praticada, por ele chamada hermenêutica da confiança.
Para aquela, a linguagem humana se compõe de símbolos pelos quais os seres humanos dissimulam a realidade das coisas, ao invés de expressá-las exatamente como são. Para esta, a simbologia da linguagem humana deve ser entendida literalmente, pois ela é usada para expressar as coisas como de fato são. Ricoeur tenta uma aproximação entre ambas ao enfatizar o valor semântico da simbologia da linguagem humana, a partir da sua dupla intencionalidade: ao mesmo tempo em que ela revela o mundo como ele é, ela também o vela ocultando-o atrás do próprio símbolo. Essa duplicidade gera a necessidade da interpretação em cada momento que a linguagem é usada, que assume a sua conflitividade no assumir os diversos jogos de significação sem fazer a opção por nenhum deles, mas mantendo-os em perspectiva um perante o outro.
● Explicação
Este conceito foi inicialmente empregado por Dilthey para designar a atividade científica que tinha por fim a redução dos fenômenos observados na natureza a leis e teorias gerais explicativas, de modo a constituir uma representação mental verdadeira acerca deles. Ele discordou que as ciências do espírito, hoje denominadas ciências humanas ou humanidades, devessem recorrer ao mesmo procedimento, tendo em vista que elas observam as expressões humanas que não estão sujeitas no mesmo grau à invariabilidade e estabilidade, isto é, elas não podem ser mentalmente representadas, devendo ser linguisticamente interpretadas. Entretanto, ainda que a explicação não cabe às ciências humanas, por outro lado ela não deve ser totalmente excluída, pois estas lidam com textos, signos e expressões que trazem em si mesmos a necessidade da explicação.
Assim, é na reunião entre um sujeito interpretante e um texto a ser interpretado, a partir de suas próprias características interpretantes, que se encontra o verdadeiro modo de acontecimento da existência humana.
● Fusão de horizontes
Cada época histórica possui sua própria realidade ou horizonte. Heidegger demonstrou como o intérprete, localizado no agora, é limitado pelo horizonte
mesmo. A realização deste projeto se dá por meio de um diálogo contínuo, uma circularidade entre o intérprete e o horizonte de sua época.
Gadamer passou a considerar esta pré-compreensão como fundamental para que o intérprete se aproxime de outra época em condições de compreendê- la. Ao investigá-la, o intérprete está interessado em entender em que medida ela o ajuda na compreensão que ele tem de si mesmo e da sua época. Já consciente dos seus pré-juízos, ele se abre a novos horizontes históricos ou tradições ou comunidades hermenêuticas.
Assim, o intérprete progride, abrindo o próprio horizonte aos novos horizontes, até alcançar uma compreensão cada vez maior de si. O encontro com novos horizontes pode fazer com que eles se introduzam no horizonte pessoal do intérprete, de modo que a compreensão que ele tem de si mesmo seja modificada pela integração ou fusão de seu próprio horizonte com um ou mais horizontes. Isto equivale a dizer que não existe a suposta neutralidade e objetividade científica no ato de conhecer, mas que o próprio ato pertence a uma tradição interpretativa da realidade, compartilhada por uma comunidade e que se renova ou se soma na constante abertura a novas tradições e possibilidades.
● Hermenêutica da confiança
Expressão desenvolvida por Paul Ricoeur para identificar a atitude humana de confiança no texto como revelador da palavra que não somente apresenta o mundo ao ser humano, como o interpela e convoca a uma posição no mundo a partir dele. A função hermenêutica se trata de deixar o texto falar por meio da sua explicação e um convite à participação no mundo criado, a partir do texto mesmo.
● Hermenêutica da suspeita
Expressão elaborada por Paul Ricoeur em contraposição à hermenêutica da confiança. Considerada esta de uma objetividade direta e ingênua da consciência a partir do texto, a hermenêutica da suspeita considera que toda consciência objetiva deve ceder lugar à desconfiança quanto às suas possibilidades. De fato, subjazem outros elementos à consciência humana que impedem a apropriação direta entre o texto e o seu sentido: os sonhos (para Freud), os