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3.5 INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DE IMPLEMENTAÇÃO E COLETA DE

3.5.3 Workshop

A tomada de decisão é uma aptidão dinâmica fundamental nas empresas e gerenciar atividades, seja no nível organizacional ou individual, com base em

informações é uma forma de estimular ações mais acertadas, pois o nível de desempenho que uma empresa alcança é resultado da eficiência e eficácia das ações que ela empreende (NEELY et al., 1995). Barbuio (2007) enfatiza que a comunicação adequada faz parte do processo de estratégia organizacional, fornecendo o feedback necessário para a melhoria do desempenho. Observa-se que a compreensão acerca de um sistema de indicadores precisa ser estimulada, bem como a forma como ele será implementado e gerenciado.

3.5.3.1 Aspectos gerais

As oportunidades de melhoria que um sistema de indicadores poderá gerar devem ser amplamente publicadas e divulgadas para cada nível da organização, a fim de explicitar o quanto cada operação influencia nos objetivos estratégicos globais da mesma. Neste sentido, o workshop é uma das estratégias que pode ser utilizada para a divulgação eficaz de informações (TANNER; HALE, 2002).

Para Fraga (2011), o workshop é um subsídio estratégico muito utilizado em diferentes áreas, estimulando uma visão abrangente dos processos (organizacionais, de comunicação, projetuais) por meio da interação entre os sujeitos envolvidos. Este tipo de dinâmica consiste em uma experiência de aprendizagem de curto prazo (podendo ser de algumas horas ou até seis dias), em que se estimula o aprendizado ativo e experiencial com uma variedade de atividades que remetem ao tema em discussão. É um momento de imersão criativa e valioso pela riqueza de conhecimentos gerados que podem ser obtidos junto aos participantes (BROOKS-HARRIS; STOCK-WARD, 1999; MARTIN; HANINGTON, 2012; SCALETSKY, 2008). Incorpora-se a estes conceitos a visão de Fraga (2011, p. 48), segundo a qual o workshop promove

[...] a reunião de um grupo de pessoas em torno de uma situação que exija reflexão e aprofundamento investigativo por meio da ação. [...] permite, em um determinado espaço de tempo, e sob orientação de um ou vários especialistas, a aprendizagem pela experimentação prática.

Segundo Braus e Monroe (1994), pessoas de todas as idades assimilam melhor as informações quando participam da construção de conhecimento por meio de atividades interativas, como as desenvolvidas em workshops. Os autores apresentam um modelo de aprendizagem experiencial cíclico, em que os

participantes se envolvem com um tema de forma interativa; recebem um tempo determinado para processar e interiorizar a informação recebida; desenvolvem um raciocínio de correspondência, estendendo o conhecimento para outras situações (generalização); e aplicam o que foi aprendido (figura 20).

Figura 20 – Modelo de aprendizagem experiencial

(fonte: BRAUS; MONROE, 1994, p. 13)

Sobre o processo de correspondência estimulado pela técnica do workshop, Bellman e Kelly (1986) acrescentam que, quando aplicado em uma organização, ele pode gerar economia de tempo e dinheiro, possibilitando benefícios de longo prazo, pois as habilidades criadas passam a ser transferidas para o trabalho que é executado no dia-a-dia. Steinert (2014) destaca que além do desenvolvimento de habilidades, os workshops promovem a aquisição de competências e podem ser igualmente eficazes para estimular as lideranças. Observando que a transmissão de informações por meio de um workshop ocorre de forma eficaz e flexível, Brooks-Harris e Stock-Ward (1999) elaboraram um modelo que apresenta cinco características inter-relacionadas dos workshops:

a) solução de problemas: os participantes se reúnem para compartilhar seus conhecimentos sobre o tema visando encontrar soluções para os problemas;

b) construção de competências: os temas trabalhados capacitam os participantes com habilidades específicas que podem ser usadas em suas atividades ou vida pessoal;

c) aumento do conhecimento: as informações acerca do tema do workshop são transmitidas e oportuniza-se aos participantes a aplicação dos conhecimentos recém desenvolvidos por meio de atividades experimentais;

Experiencia

Processa

Generaliza Aplica

d) mudança sistêmica: trata de temas ligados ao contexto das empresas e desenvolvimento e/ou mudança organizacional;

e) consciência pessoal ou autoaperfeiçoamento: o tema abordado concentra-se em questões como a autoestima ou pensamento positivo e visa promover mudanças positivas nas vidas dos participantes.

Ao se considerar o uso de workshops associados ao desenvolvimento por meio do design (seja de projetos ou estratégias empresariais), pode-se verificar a manifestação das características acima mencionadas. Esta constatação se dá porque os workshops, quando ligados ao design, podem se fundamentar em técnicas participativas de mapeamento de processos, avaliação de conceitos, concepção de estratégias de implementação e geração de feedback, atividades estas que contribuem com insights para solução de problemas (design) e direcionamento do planejamento e estratégia da empresa (MARTIN; HANINGTON, 2012).

3.5.3.2 Uso de workshop para a análise dos resultados do Sistema de Indicadores ICD – UFRGS

Finalizadas as coletas de dados na empresa D realizou-se o cálculo dos indicadores.

Este procedimento foi efetuado por meio de planilha eletrônica na qual a soma dos valores de cada indicador possibilitou a identificação do grau de inovação, competitividade e design da empresa. Considerou-se importante que os resultados alcançados fossem apresentados à empresa sob a forma de quadros com os resumos dos valores gerados e gráficos com a variação de cada indicador (conforme será apresentado no item 4.2.2.1 deste trabalho).

Para tanto foi elaborado um Workshop para identificação de possíveis decisões a serem tomadas, relacionadas aos produtos, com base nos resultados do Sistema de Indicadores ICD – UFRGS. O evento foi realizado no dia 11 de março de 2016, na sede da empresa D. Sua duração foi de 02 horas e 37 minutos e contou com a participação de cinco colaboradores da empresa (um Assistente, um Analista e um Supervisor de Desenvolvimento de Produtos; um Supervisor de Qualidade; e uma Gerente de Marketing) e três pesquisadores do Projeto ICD (um doutor em Engenharia Civil com pós-doutorado em Design, uma doutoranda em Design e a autora do presente trabalho).

Por meio desta atividade intencionou-se estimular os participantes à interagir com os resultados do sistema através da instrução sobre como os dados gerados poderiam ser lidos e interpretados. A fim de nortear a dinâmica seguiu-se o ciclo de aprendizagem experiencial descrito por Braus e Monroe (1994) no item anterior:

a) houve a apresentação das informações por meio de apostilas, quadros e gráficos;

b) os participantes receberam um tempo para processar e interiorizar a informação recebida;

c) os participantes desenvolveram um raciocínio de correspondência com as rotinas diárias da empresa;

d) e aplicaram o conhecimento adquirido discutindo os comportamentos dos indicadores e gerando ideias de possíveis decisões, relacionadas aos produtos, que poderiam ser concebidas para a melhoria de cada indicador e, consequentemente, das categorias e do Indicador ICD-UFRGS.

No capítulo a seguir, são apresentados os resultados alcançados com a aplicação de cada instrumento e técnica de validação, implementação e coleta de dados.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Neste capítulo, são apresentados os resultados obtidos com a pesquisa bem como suas respectivas análises. Sua estrutura está dividida de acordo com os procedimentos e ferramentas adotados, sendo estes acompanhados dos objetivos da pesquisa que se propunha alcançar com a sua aplicação. Em cada subitem são descritos os resultados atingidos em cada empresa individualmente. As análises são efetuadas com base nos resultados obtidos e no conhecimento acerca dos procedimentos internos das empresas, adquiridos através das interações entre a pesquisadora e as mesmas (reuniões, grupos focais, entrevistas e workshop).

4.1 VALIDAÇÃO DO SISTEMA DE INDICADORES ICD POR MEIO DE GRUPOS