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CAPÍTULO 2 – INDICADORES SOCIAIS E A QUALIDADE DE VDA

2.3 World Value Survey (WVS)

2.3.1 World Happiness Report (WHR)

O Relatório Mundial sobre Felicidade lançado em 2012 no encontro da ONU sobre “Wellbeing and Happiness: Defining a New Economic Paradigm” (Bem-estar e Felicidade: Definindo um Novo Paradigma Econômico), chegou em 2019, em sua sétima publicação. O relatório apresenta dados globais sobre felicidade e mostra que a qualidade de vida pode ser avaliada de forma coerente, confiável e válida através de medidas subjetivas de bem-estar. A cada relatório são apresentadas atualizações dos indicadores e novos tópicos, com alguns aprofundamentos de tema em países e regiões específicas. Destaca o alcance cada vez maior dessa discussão, líderes mundiais já destacam a relevância do bem-estar como guia para suas nações e para o mundo (HELLIWELL; LAYARD; SACHS, 2013).

Em 2015 se apresenta como fundamental a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O relatório WHR, destaca a felicidade e bem-estar como conceitos que ajudarão a orientar o progresso rumo ao desenvolvimento sustentável. No ano de 2016 o WHR destacou papel da desigualdade na distribuição do bem-estar entre países e regiões e destaca que as pessoas são mais felizes vivendo em sociedades com menor desigualdade de felicidade. O WHR de 2017 destacou que 80% da variação da felicidade ocorre dentro dos países. Em países mais ricos, a desigualdade de renda não é a principal variável para explicar essa variação, mas as diferenças na saúde mental, físicas e relacionamentos pessoais. A diferença de renda tem maior impacto nos países pobres. Destacou também a importância do trabalho para a felicidade e o quanto o desemprego impacta negativamente a felicidade. O WHR de 2018 traz uma análise da felicidade dos migrantes nacionais e internacionais, não deixando de lado as comunidades migrantes e os anfitriãs e as comunidades de origem do migrante. Concluem que em geral os resultados da migração são positivos. Segundo o relatório um ranking da felicidade da população migrante de um país é quase exatamente o mesmo da sua da sua população local. A felicidade dos migrantes como e dos não migrantes, depende das características do tecido social,

ultrapassando questões econômicas como a renda, fator comumente tido como motivacional e recompensador da migração. Já que os países que apresentam os imigrantes mais felizes, não são os países mais ricos, são os que apresentam entregam de forma mais equilibrada apoios sociais e institucionais para melhor qualidade de vida.

A desigualdade da felicidade é medida pelo desvio padrão da distribuição das avaliações de vida individuais (Cantril Ladder) na escala de 0 a 10 de 2005-2016 a 2018. São seis as variáveis chaves que contribuem para explicar a amostra completa das pontuações médias anuais nacionais: o PIB per capita, o apoio social, a expectativa de vida saudável, a liberdade, a generosidade e a ausência de corrupção. A medida de felicidade da pesquisa não é construída com base nessas variáveis, é baseada nas avaliações individuais de suas vidas, segundo a escala Cantril. As variáveis são utilizadas para explicar a variação da felicidade entre os países. Escore de felicidade ou bem-estar subjetivo avaliada através da resposta à pergunta: pergunta “Por favor, imagine uma escada, com etapas numeradas de 0 na parte inferior a 10 na parte superior. O topo da escada representa a melhor vida possível para você e o fundo da escada representa a pior vida possível para você. Em qual degrau da escada você diria que se sente pessoalmente neste momento?15” Essa medida também é chamada de escada de vida do Cantril16, ou apenas escada de vida em nossa análise.

As expectativas de vida saudável ao nascer são baseadas nos dados extraídos do repositório de dados do Observatório Global da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados na fonte estão disponíveis para os anos de 2000, 2005, 2010, 2015 e 2016. Para corresponder ao período de amostra deste relatório (2005-2018), foram usadas interpolação e extrapolação. A população de países latino-americanos tem níveis de satisfação com a vida, mais elevados que seria previsto com base apenas na renda e no nível de corrupção, por exemplo. Está na força e importância dada a laços familiares, vida social, a explicação para os níveis elevados de felicidade da população da América Latina. São mais satisfeitos com a vida familiar, que em outros lugares (HELLIWELL; LAYARD; SACHS, 2018). O mais recente WHR foi publicado em 2019, tem como tema central as mudanças tecnológicas da informação ocorridas nos últimos 12 anos e a sua influência nas comunidades. As mudanças nas formas de comunicação e interação entre as pessoas no mundo sofreram transformações e estão cada vez mais aceleradas.

15 “Please imagine a ladder, with steps numbered from 0 at the bottom to 10 at the top. The top of the ladder

represents the best possible life for you and the bottom of the ladder represents the worst possible life for you. On which step of the ladder would you say you personally feel you stand at this time?”

É importante considerar não apenas a felicidade média de uma população, mas como ela é distribuída. A desigualdade é uma medida útil na avaliação da felicidade. Assim como a renda é um indicador limitado para a qualidade de vida geral, a desigualdade de renda é uma medida limitada para a desigualdade geral (ATKINSON, 2015; KEELEY, 2015). Os efeitos da igualdade da felicidade são maiores e mais sistemáticos do que a desigualdade de renda, destacam os autores.

GRÁFICO 1 – Escala de felicidade, Brasil 2007 a 2018

Fonte: World Happiness Report (WHR).