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Zoneamento Geoambiental aplicado ao Planejamento

Para entender os problemas ambientais de forma genérica propondo algumas alternativas de manejo de áreas com restrições ambientais e destacando os potenciais naturais de uma paisagem, passa por um estudo holístico do ambiente e pela compreensão da história de ocupação socioeconômica política, cultural e técnica estabelecidas, levando em conta os processos de apropriação da natureza em seus vários níveis.

Os trabalhos de planejamento e ordenamento territorial buscam, de certo modo, prevenir os impactos negativos que frequentemente aparecem quando o homem se apropria dos recursos ambientais para o atendimento das suas necessidades básicas de espaço (moradias, atividades rurais, etc.) e de insumos de uso imediato como água, energia, materiais e alimentos. Especificamente, procura-se através do planejamento e ordenamento do território definir cartograficamente os setores de um território que apresentam peculiaridades de qualidade ambiental e dependendo da situação encontrada, propor o melhor uso. Além disso, sua preservação ou mesmo a recuperação ou reabilitação das áreas que se encontram degradadas por atividades que sejam incompatíveis com sua vocação de uso (MASSON et al. 1990).

De acordo com Ab‟ Sáber (2003), já se pode prever que, entre os padrões para o reconhecimento do nível de desenvolvimento de um país, devam figurar a capacidade do seu povo em termos de preservação de recursos, o nível de exigência e o respeito ao zoneamento

de atividades, assim como a própria busca de modelos para uma valorização e renovação corretas dos recursos naturais.

Para Sánchez (1992):

“Zonear é um conceito geográfico que significa desagregar um espaço em zonas ou áreas específicas. O modelo de todo zoneamento que interpreta qualidades ecológicas de um território depende de objetivos e da natureza dos indicadores e utilizadas durante a análise”. (SÁNCHEZ, 1992, p.19).

De acordo com Vallejo (2009), o zoneamento é um instrumento de ordenamento territorial, utilizado para se conseguir determinados resultados no manejo de uma unidade da paisagem, estabelecendo usos diferenciados para cada zona.

Refletir e analisar as condições de vida e problemas ambientais de uma dada sociedade, passa pela necessidade de saber quais as relações de produção que se estabeleceram e que hoje prevalecem no meio ambiente. Nessa perspectiva proposta do zoneamento corresponde a um instrumento que se opõe ao ideal do modelo desenvolvimentista, caracterizado por intensa atuação das políticas governamentais centralizadas e progressistas que não reconhecem as diferenciações e restrições de uso existentes em cada paisagem.

De acordo Ross (2006):

As proposições de zoneamento ambiental devem refletir a integração das disciplinas técnico-científicas na medida em que consideram as potencialidades do meio natural, adequando os programas de desenvolvimento e os meios institucionais a uma relação harmônica entre sociedade e natureza, cujo princípio básico é o ordenamento do território calcado nos pressupostos do desenvolvimento com política conservacionista. (ROSS, 2006, p.149).

Nesse sentido, define-se o Zoneamento Ambiental, a partir da ideia de “integração sistemática e interdisciplinar da análise ambiental ao planejamento dos usos do solo, com o objetivo de definir a melhor gestão dos recursos ambientais identificados.” (IBGE, 2004, p.322).

O processo de re-organização das formas criadas pelo homem a partir da relação da apropriação da natureza estabelece outro processo, que segundo Leff (2006), seria a reapropriação social da natureza. Nesse sentido, indicar as rupturas desencadeadas pela atuação do homem na natureza, enfatizando uma nova organização das formas espaciais que se materializa na paisagem, é o intuito do Zoneamento Geoambiental.

Partindo desses pressupostos teóricos, esta tese traz como discussão central a questão de que os estudos da paisagem devem ser desenvolvidos sob uma perspectiva sistêmica de interação entre sociedade e natureza, a exemplo do que foi sendo recomendado por Jurandyr Ross, Aziz Ab‟ Sáber, Valter Casseti, Jean Tricart, Georges Bertrand, Antônio Christofoletti, entre outros estudiosos ligados as causas ambientais. Neste trabalho, busca-se através do Zoneamento Geoambiental, subsidiar um ordenamento territorial através da interpretação da paisagem.

Ao verificar a literatura, percebe-se que várias instituições e pesquisadores nacionais e internacionais têm produzido elevada quantidade de trabalhos de Zoneamentos Geoambientais, com metodologias distintas, para serem utilizadas no planejamento e uso adequado do território. Conforme DE NARDIN & ROBAINA (2010), “o Zoneamento Geoambiental pode ser caracterizado como um instrumento de auxílio no planejamento e no ordenamento territorial seja em escala regional ou local.”

A proposta de Zoneamento Geoambiental procura definir, através de uma abordagem sistêmica, as restrições e potencialidades ambientais da paisagem. Essa paisagem pode ser estudada tanto no limite da bacia hidrográfica, no limite do município ou estado, ou ainda de uma região, desde que se consiga estabelecer uma correlação entre o uso e ocupação com a geomorfologia dentro do território.

O planejamento busca a organização e ordenamento do território a partir de ações lógicas e racionais, visando à melhoria das condições atuais da sociedade presente naquele espaço. Este se dá a partir do conhecimento da realidade, a avaliação das ações a serem tomadas e o posterior processo de transformação, visando sempre melhoramentos futuros, FLORENZANO (2008). No planejamento ambiental, o foco de estudo está voltado aos recursos naturais e as consequências da apropriação destes pelo homem, como por exemplo, a própria vulnerabilidade humana frente aos processos desencadeados pelo desequilíbrio gerado nessa relação. Trata-se de um processo contínuo envolvendo coleta, organização e análise sistematizada de informações, para se chegar a decisões ou escolhas acerca das melhores alternativas para o aproveitamento dos recursos naturais disponíveis em função da suas potencialidades, e com a finalidade de atingir metas específicas no futuro, tanto em relação a recursos naturais quanto á sociedade, SANTOS (2004).

Nesse sentido, se faz necessária a adoção de sistemas de planejamento que identifiquem e integrem componentes biofísicos, econômicos, sociais e institucionais, observando a estrutura e a função dos sistemas naturais ou antrópicos, de forma a compreender os seus comportamentos diante das perturbações. Os componentes e seus

intricados sistemas devem ser avaliados em função de um espaço e de um período de tempo, SANTOS (2004).

Através desta perspectiva, a proposta de Zoneamento Geoambiental adquire um enfoque direcionado para a determinação das restrições e potencialidades ambientais das paisagens. Neste sentido, ao avaliar que o meio ambiente é formado por elementos interligados e interdependentes, a análise de sistemas compreende o método mais adequado para estudar e explicar a estrutura e as mudanças existentes nas paisagens.