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No documento CULTURA E CONSCIÊNCIA COLETIVA: (páginas 197-200)

CULTURA E CONSCIÊNCIA COLETIVA:

Leituras Saint-Simonianas de Teoria Sociológica por

Jacob (J.) Lumier

CULTURA E CONSCIÊNCIA COLETIVA:

Leituras Saint-simonianas de Teoria Sociológica ©2007 by Jacob (J.) Lumier.

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A pluridimensionalidade da realidade social e o problema da possibilidade da estrutura: Nota sobre o estudo dos níveis

múltiplos e das hierarquias múltiplas em teoria sociológica. 32

O conceito de estrutura social na sociologia diferencial põe em relevo o fato de o conjunto social por mais complexo que seja preceder virtualmente ou atualmente a todos os equilíbrios, hierarquias, escalas. 35 No interior de uma estrutura social as hierarquias múltiplas implicam uma formação de equilíbrio dinâmico conforme

a escala dos tempos sociais da própria estrutura, e acentuam a permanência das mudanças fundamentais ocorrentes no interior da estrutura que, pela variabilidade, alteram a formação de unidade do tipo de sociedade

global, alteram a combinação das hierarquias que definem o tipo. 36

Ao que parece há uma dificuldade prévia anteposta a todo aquele que se propõe refletir e elaborar sobre a sociologia da cultura e que é um obstáculo relevante do aparente desacordo no tratamento e na definição do campo diferencial do

material que lhe corresponde. 59

A cultura é um segmento de significação que permanece irredutível à natureza e qualquer proposição de retorno à

natureza é absolutamente contrária a uma civilização concreta. 62

Com referência à análise da racionalização e em especial no tocante à Renascença, a utilização aplicada do termo

“cultura” em Max Weber se diferencia em certo aspecto da religião já que “afirma a noção de bens de civilização

sem alcance religioso imediato”. 64

Se a incredulidade moderna é tirada do culto da Renascença pelos heróis, lembrando-nos inclusive o florentino Maquiavel, Max Weber nega que o problema da ética seja um apanágio dessa mesma Renascença. 66 Somente uma inovadora fundamentação epistemológica e lógica diferente que tenha princípio na relação especial do

conhecimento e da realidade histórico-social pode suprir as lacunas que existem todavia entre as ciências

particulares das unidades psicofísicas e as ciências da economia política, do direito, da religião e outras. 69 A apreensão das totalidades dispensa a interpretação do sentido interno das condutas para chegar à construção dos

tipos sociológicos. 69

Em sua orientação pró-realista, Dilthey se distancia tanto da “corrente histórica” quanto da “corrente abstrata” – as duas correntes de conhecimentos universitários mais influentes na vida acadêmica das universidades alemães, no

período do liberalismo, entre 1870 e 1914. 70

A realidade da vida histórico-social está escondida sob a bruma de certas entidades abstratas tais como a arte, a

ciência, o Estado, a sociedade, a religião. 71

O desenvolvimento da ciência da estética tão ao gosto do sentimentalismo da corrente histórica, não é possível sem referência às ciências da moral ou às da religião, afirmando a conexão viva que liga a origem da arte e o fato

ideal. 72

A epistemologia é fundada no princípio de razão suficiente e os enlaces das proposições e das dependências verificadas

não podem ser tomados como unicamente lógicos. 73

A efetividade do incremento histórico é assimilada em graus nas várias formas de certeza científica. 73 Na análise do processus do incremento histórico, o fato do direito não pode ser identificado nem a uma função da

vontade total nem tampouco à função de um sistema de cultura e constitui o nível mais simples onde os elementos

da cultura e da organização exterior ainda se encontram juntos. 76

O culturalismo abstrato ou espiritualista não se presta como orientação intelectual e metodológica para basear os

critérios objetivos que permitem construir tipos sociológicos. 83

A sociologia exige o abandono das ilusões do progresso em direção a um ideal, bem como o abandono das ilusões de

uma evolução social unilinear e contínua. 85

A falta de distinção entre os juízos de realidade e os juízos de valor torna impossível o acesso da análise sociológica a

um dado fundamental da vida social que é a variabilidade. 86

A crença no caráter extra-social do fator predominante como capaz de explicar a generalidade do social funciona para equilibrar a tensão no pensamento de Max Weber sem que, todavia, isso o proteja contra os reveses em sua

sociologia, como a dispersão. 87

O problema sociológico da consciência coletiva é tornar possível compreender na raiz a possibilidade de comunicação

universal entre os seres humanos. (Gurvitch) 95

A utilização da noção de Gestalt aplicada na descrição das atitudes coletivas e em particular das atitudes morais torna possível definir os fatos morais sem tomar posição filosófica precisa nem identificar-se a uma doutrina

particular. 96

Será em decorrência de sua tese pró religião que, em face dos critérios próprios ao fato jurídico como a coação e a sanção, Durkheim fracassará ao tentar delimitar o domínio da moralidade como apego aos grupos sociais,tendo atribuído um alcance demasiado grande ao hábito, à regularidade e à disciplina. 98 A afirmação dos valores como sendo objetivos está em que as coisas e as pessoas às quais tais valores são atribuídos

atendam à condição de serem coisas e pessoas que estão postas em contacto com os ideais por efeito da afetividade

coletiva. 99

Em Durkheim a consciência coletiva exprime o fato social indiscutível da interpenetração virtual ou atual das várias consciências coletivas ou individuais,sua fusão parcial verificada em uma psicologia coletiva. 100 Durkheim manteve-se estranho ao reconhecimento da existência das experiências morais coletivas e dos métodos de

análise que reconduzem mediante procedimentos dialéticos a estas experiências variadas e só raramente imediatas.

102 Ao mesmo tempo em que defendeu a contribuição de Durkheim para a sociologia da vida moral, Gurvitch é impiedoso

ao desmontar o quase delírio espiritualista de Durkheim prejudicando a psicologia coletiva – o que alguns

sociólogos não gostaram ao ouvir. 103

A realidade dos níveis culturais na vida coletiva põe em relevo que a consciência coletiva os apreende, sendo portanto uma consciência situada no ser, intuitiva e capaz de se multiplicar em um mesmo quadro social. 104 Admitindo a dimensão não imediata, mas mediata da experiência moral sobressai a importância dos símbolos

acentuando a flutuação da experiência moral em função dos quadros sociais. 111 Na medida em que compreendem as disposições que levam os agrupamentos sociais, os Nós

e as sociedades inteiras a reagirem em certa maneira comum, a conduzirem-se em certo modo e a assumirem papéis sociais particulares, mesmo que não cheguem ao seu fim, as

atitudes coletivas criam um ambiente social muito peculiar. 114

As atitudes coletivas, ao mesmo tempo flutuantes e persistentes, inesperadas e previsíveis, não se as pode apreender e permitem ao mesmo tempo a experimentação, isto é, a verificação em coeficientes de discordância entre as opiniões exprimidas nas chamadas sondagens de opinião pública e as atitudes reais dos grupos. 115 Não se pode reduzir a vida moral nem às práticas e hábitos nem mesmo mais largamente às condutas regulares

previstas ou esperadas. 117

O estudo dos fatos morais deve ser alargado para além dos deveres e normas no sentido de incluir as imagens-

simbólico-ideais. 118

É em razão do fato de que as atitudes morais implicando o nível dos símbolos, mas a estes não se reduzindo constituem um setor da realidade social que no dizer de Gurvitch a explicação sociológica consiste no

estabelecimento de correlações funcionais. 119

A moralidade real, não reduzida ao símbolo que a representa, é observada na hierarquia variável dos seus gêneros e

formas. 120

Em sua definição da sociologia da vida moral Gurvitch põe em relevo duas linhas de estudo complementares acentuando as correlações funcionais e a pesquisa (a) – das variações das relações da moralidade com as outras regulamentações sociais,(b) – da justificação ideológica, (c) - da gênese da vida moral. 121 Em sociologia trata-se da vida moral efetiva, isto é, de uma regulamentação ou controle

social sempre particular. 122

A função da vida moral é muito mais importante em certos tipos de sociedades ou de grupos do que em outros. 123 O método para diferenciar o fato moral só é possível no dizer de Gurvitch como análise reflexiva dos atos realizados,

reconduzindo às diferentes espécies da experiência coletiva e à sua interpenetração dialética, análise esta derivada

do hiperempirismo dialético. 125

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