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Ajuste da curva de Von Bertalanffy e estimativa dos parâmetros de crescimento

No documento higor hoffmann - Univali (páginas 38-51)

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.5. Ajuste da curva de Von Bertalanffy e estimativa dos parâmetros de crescimento

A seguir, os gráficos representam o ajuste da curva dado pelo modelo de Von Bertalanffy, onde foi realizada curva de crescimento para todos os exemplares (Fig.13);

todos exemplares acima de 3 anos de idade (Fig.14 ); jovens e fêmeas (Fig. 15); fêmeas acima de 3 anos de idade (Fig. 16); jovens e machos (Fig.17) e machos acima de 3 anos de idade (Fig. 18). Para comparação com os resultados do presente trabalho, no Anexo I foram compilados dados dos parâmetros de crescimento da corvina estimados por diferentes autores.

O ajuste na curva de Von Bertalanffy para sexos agrupados (Fig. 13) contendo todos os exemplares foi:

– –

Figura 13. Ajuste da curva de crescimento de Von Bertalanffy para todos os exemplares de Micropogonias furnieri analisados entre os anos de 2008 e 2012 no sudeste do Brasil.

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0

0 5 10 15 20 25

Ltotal (cm)

t (anos)

L. obs L. est.

R²= 0,89

O valor de representa o tamanho assintótico da espécie (AUBONE e WOHLER, 2000), valor encontrado pelo ajuste de Von Bertalanffy para o presente trabalho foi de 54,32cm. Em comparação com trabalhos realizados na mesma região (23°-29°S) o valor de variou entre 67 a 72cm para Isaac-Nahum (1989) e 63,1cm para Pinter (1998), observando uma aproximação dos valores de com o trabalho realizado mais recentemente. A diferença entre esses valores pode ser explicada pela influência da intensidade da atividade pesqueira, pois o crescimento dessa espécie parece ser fortemente denso-dependente na fase adulta (HAIMOVICI e IGNÁCIO, 2005), reduzindo o valor de encontrado para população, devido à diminuição da abundância do estoque.

Assim, com um aumento da captura da corvina pode provocar um decréscimo nos valores de comprimento assintótico, em comparação com estudos entre os anos de 1989, 1998 e 2013; 67 a 72cm (1989) apresentou valores maiores comparados com os 63,1cm (1998) que ainda foi maior do que encontrado nesse trabalho de 54,32cm (2013).

O parâmetro k indica o crescimento da espécie, em peixes varia de acordo com a influência dos fatores ambientais e fisiológicos (ISAAC-NAHUM e VAZZOLER, 1983). Para k o valor encontrado pelo ajuste no presente trabalho foi de 0,23 ao ano. Issac-Nahum (1989) encontrou 0,15 a 0,41 ao ano, enquanto para Pinter (1998) foi de 0,26 ao ano. O valor de para sexos agrupados, no presente estudo, foi igual a zero.

O ajuste da curva de idade e crescimento (Fig. 14) para exemplares de ambos os sexos acima de 3 anos de idade, foi:

Figura 14. Ajuste da curva crescimento de Von Bertalanffy para todos os exemplares de Micropogonias furnieri com idade superior a 3 anos.

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0

0 5 10 15 20 25

Comprimento (cm)

Idade (anos)

L obs.

L est.

R²= 0,83

O ajuste da curva de crescimento para os exemplares acima de 3 anos de idade (Fig. 14) forneceu valores para os parâmetro de comprimento assintótico = 53,42cm, sendo menor que o valor encontrado no ajuste utilizando para todos os exemplares. A falta de exemplares pequenos e exemplares grandes em um ajuste de curva de idade e crescimento podem subestimar ou superestimar os valores dos parâmetros biológicos, relatados por Campana (2001). Para essa análise, o valor do parâmetro k foi superior (0,28 ao ano) ao obtido na curva que incluiu os jovens, isso pode ser explicado pela diferença do valor encontrado para o crescimento assintótico de cada curva. Haimovici e Umpeirre (1996) sugerem que populações que apresentarem valores de menores tendem a possuir valores de k maiores. O valor de foi superior, sendo 0,88 , enquanto que no ajuste onde possuíam exemplares de classes etárias menores que 3 anos de idade o valor de tendeu a zero, pois possuíam diversos exemplares com idade inferior a 1 ano.

Isaac-Nahum (1989) encontrou valores de = 67 a 72cm, superiores ao presente trabalho, e para k variou entre 0,15 a 0,41 ao ano. Valores para a mesma população realizados por Pinter (1998) se mostraram mais próximos, com o valor de crescimento assintótico de 63,1cm e k 0,26 ao ano, o que se é esperado, pois o valor de comprimento assintótico atribuído por Pinter (1998) é superior ao encontrado no atual trabalho.

A curva ajustada para fêmeas e juvenis apresentou os seguintes parâmetros: = 56,32cm, k= 0,21 ao ano, = 0 (Fig. 15), seguindo a equação:

Schwingel e Castello (1990) encontraram para o estoque sul (31°- 34°S) o valor de = 54,74cm. Tal diferença pode ser devido às populações de Sudeste (23°- 29°S) e Sul (29°- 33°S) apresentarem divergências, devido a fatores ambientais, migratórias, fisiológicas e genéticas (CARNEIRO et al., 2005), assim apresentarem ajuste com valores distintos. Outro fato, pode ser atribuído ao presente estudo trabalhar com um número elevado de exemplares com menos de 1 ano (n= 56). No estudo realizado por Schwingel e Castello (1990) os menores exemplares obtidos foram de 3 anos, fato que pode ter contribuído para subestimação do valor do tamanho assintótico, sendo necessário um número de exemplares maiores para melhor ajuste. Vazzoler (1991), para mesma região (23°-29°), calculou um tamanho assintótico para fêmeas de 60,1cm, superior ao registrado no presente estudo.

Figura 15. Ajuste da curva de crescimento de Von Bertalanffy para exemplares Micropogonias furnieri fêmeas com jovens.

O parâmetro K no estudo de Schwingel e Castello (1990) foi de 0,15 ao ano.

Diferenças para o presente estudo podem ser atribuídas a variações ambientais, que podem alterar fatores como disponibilidade de alimento e temperatura da água. Fatos que auxiliam para um aumento no metabolismo do organismo, fazendo com que tenha um aumento na taxa de crescimento. Para trabalhos realizados na mesma região de estudo, o valor de K encontrado foi de 0,22 ao ano, relatados nos trabalhos de Isaac-Nahum (1988), Vazzoler (1971) e Vazzoler (1991). O mesmo valor encontrado para todos os trabalhos pode ser explicado pelos organismos estarem submetidos às mesmas variações e condições ambientais além de pertencerem à mesma população. Para Schwingel e Castello (1990) o valor de foi de - 2,76 , sendo que a diferença dos valores encontrados no presente trabalho deve estar associada à falta de organismos jovens nas amostras, pois a maioria dos trabalhos já realizados para o Sudeste-Sul do Brasil trabalharam com amostras de corvinas realizadas por desembarque pesqueiros, assim não tendo a presença de organismos jovens. Para o sudeste do Brasil trabalhos de Issac (1988); Vazzoler (1971, 1991) mostram valor de para fêmeas de -2,08 , estudos que também não utilizaram organismos juvenis.

O ajuste da curva de crescimento pelo modelo de Von Bertalanffy (Fig. 16) para fêmeas superiores a 3 anos é:

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0

0 5 10 15 20 25

Comprimento (cm)

Idade (anos)

L obs.

L est.

R²= 0,89

Figura 16. Ajuste da curva de crescimento de Von Bertalanffy para fêmeas de Micropogonias furnieri com idade superior a 3 anos.

A curva de crescimento para fêmeas superiores a 3 anos apresentou uma subestimação do valor de comprimento assintótico de 54,86, sendo inferior aos 56,32cm quando incluía organismos menores que 3 anos. O valor da taxa de crescimento (k) se comportou da mesma forma tendo um aumento, devido à diminuição do valor comprimento assintótico estimado.

Em comparação com o estoque de Sul (31° a 34°S), os valores dos exemplares fêmeas se mostraram próximos, onde o relatado por Schwingel e Castello (1990) foi de 54,74cm, o valor de k foi inferior sendo 0,15 ao ano e de -2,76 .

A curva ajustada para machos e juvenis apresentou os seguintes parâmetros: = 52,34cm, k= 0,24 ao ano, = 0 (Fig. 17), seguindo a equação:

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0

0 5 10 15 20 25

Comprimento (cm)

Idade (anos)

L obs.

L est.

R²= 0,92

Figura 17. Ajuste da curva de crescimento de Von Bertalanffy para exemplares machos com jovens de Micropogonias furnieri.

Para Schwingel e Castello (1990) o valor do comprimento assintótico para a região Sul (31° a 34° S) do Brasil foi de 48,87cm, diferenças que podem ser explicados pelos mesmos fatores citados para o ajuste dos parâmetros biológicos das fêmeas. O para corvina na mesma região que o trabalho atual estimou valores para machos de 82,9cm (ISAAC, 1988; VAZZOLER, 1971; VAZZOLER, 1991), mostrando uma diferença alta em relação ao encontrado no presente trabalho.

Para k os trabalhos de Isaac (1988), Vazzoler (1971) e Vazzoler (1991) foi de 0,10 ao ano, mostrando que o valor encontrado no presente trabalho foi superior. Fato que pode ser explicado pelo k ser o responsável por determinar a velocidade em que o organismo se aproxima de seu comprimento assintótico. Um aumento na taxa de crescimento pode ser devido o seu encontrado ser menor e também a intensidade pesqueira na região nos últimos anos, forçando os indivíduos crescerem mais rápido para atingir . Para a população Sul (31° a 34°S) foi encontrado um valor também inferior, k= 0,17 (SCHWINGEL e CASTELLO, 1990).

O valor de = 0 se mostra distintos dos valores encontrados para mesma população, -2,97 citados por Issac (1988), Vazoller (1971) e Vazoller (1991) e diferente também para população do Sul (31° a 34°S), onde Schwingel e Castello (1990) obtiveram valor de = - 2,80 .

A equação da curva de Von Bertalanffy para machos (Fig. 18) acima de 3 anos foi de:

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0

0 5 10 15 20 25

Comprimento (cm)

Idade (anos)

L obs.

L est.

R²= 0,87

Figura 18. Ajuste da curva de crescimento de Von Bertalanffy para machos superiores a 3 anos de idade de Micropogonias furnieri.

O valor de para a curva de crescimento de machos superior a 3 anos foi de 52,13cm, próximo ao valor da curva anterior (Fig. 17), também nota-se pequena variação de k de 0,24 para 0,29 ao ano e de 0 para 0,98 . Logo a curva do ajuste de crescimento para exemplares machos não teve diferenças significativas quando incluídos exemplares juvenis.

A Tabela 7 representa os valores encontrados dos parâmetros biológicos para sexos agrupados, fêmeas e machos, com ou sem a presença de jovens.

Comparando os valores observa-se que as fêmeas possuem um valor de comprimento assintótico maior que indivíduos machos, mas o valor da taxa de crescimento para os machos é superior ao valor das fêmeas, resultado o qual comprova que quanto maior o valor de menor deve ser a velocidade de crescimento ou valor k. Os valores dos parâmetros biológicos para sexo agrupado segue uma média entre os valores ajustados para machos e fêmeas.

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0

0 5 10 15 20 25

Compriemnto (cm)

Idade (anos)

L obs.

L est.

R²= 0,87

Tabela 6. Valores dos parâmetros biológicos para Micropogonias furnieri (L∞

(cm), k ( /ano) e ).

Sexos L∞ k To

Agrupados com jovens 54,56 0,23 0,00

Agrupados 53,42 0,28 0,88

Fêmeas com jovens 56,32 0,22 0,00

Fêmeas 54,86 0,28 1,23

Machos com jovens 52,34 0,24 0,00

Machos 52,13 0,29 0,98

5.8. Mapa de distribuição das latitudes e isóbatas por idades no sudeste do Brasil (23°- 29°S)

Para melhor verificar onde as amostras foram coletadas, utilizaram dados de coleta de latitude e longitude. As classes de idades foram separadas entre 0 a 3 anos, 4 a 8, 9 a 11, 12 a 15 e 16 a 23anos de idade entre as isóbatas de 25, 50, 75 e 100m. São apresentadas na Figura 19. As amostras coletadas no estuário foram georeferênciadas pelo responsável das saídas a campo, enquanto que as amostras de pesqueiros foram realizadas pelos observadores de bordo. As amostras de indivíduos coletados dentro do estuário do rio Itajaí-Açu possuíam entre 0 e 3 anos. Fato similar foi relatado por Jaureguizar et al. (2003) onde o trabalho consistia em avaliar a distribuição da Micropogonias furnieri em relação aos fatores ambientais no estuário do rio da Plata na América do Sul. Nota-se que a distribuição de todas as outras classes encontra se em todas as isóbatas, tendo indivíduos de 4 a 23 anos distribuídos entre as profundidades de 50 a 100m. É possível observar uma relação da espécie com as isóbatas mais costeiras, onde tem maior ocorrência, devido estarem associadas com períodos migratórios que não são sazonais, mas sim migrações no sentido costa-mar aberto para desova em estuário ou regiões lagunares (CARNEIRO et al., 2005. Seu recrutamento ocorre dentro do estuário, logo após sua maturação sexual tendem a migrarem para locais mais profundos. Isaac- Nahum (1988) caracterizou a corvina como uma espécie costeira e Haimovici (2005) associada às desembocaduras de água doce e se desenvolvem em águas costeiras e de plataforma em até 100m de profundidade, fato que corrobora com os dados obtidos no mapa de distribuição da frequência etária da amostra.

Figura 19. Mapa da distribuição das classes de Micropogonias furnieri, por latitude, longitude e a faixa batimétrica do local onde foram coletadas.

6. CONCLUSÕES

O atual estudo determinou a idade e verificou o padrão de crescimento da corvina Micropogonias furnieri para a região Sudeste do Brasil (23° a 29°S), utilizando como estrutura de aposição o otólito sagitta, sendo obtido as seguintes conclusões:

 Os métodos para realização dos cortes das estruturas de aposição se mostraram eficientes. Entretanto, o equipamento esmeril de bancada dificultou trabalhar com estruturas muito pequenas tornando-as inviáveis, principalmente devido à manipulação, o qual exigiu maior esforço para realização do desgaste. Por outro lado, os processos de cortes realizados pela cortadora não apresentou danos internos à estrutura, porém, também demanda grande esforço de trabalho, uma vez que todas as estruturas devem ser recobertas por massa epóxi e aguardar a secagem para o processo de corte.

 O otólito sagitta se mostrou como uma ótima estrutura de aposição para leitura de idades para Micropogonias furnieri, possuindo uma legibilidade de 97,25 %.

Ambos os métodos de desgaste ou corte em lâminas se mostraram eficazes para a consistência das contagem dos anéis.

 Para a verificação do tipo de deposição da borda em diferentes classes de idades, observou-se que a deposição da banda hialina ocorre durante os meses de maio, junho e junho, compreendendo a estação de inverno, caracterizando a formação de uma banda de crescimento anual. Entretanto, a corvina do sudeste do Brasil, desovante múltipla de alta fecundidade, possui desova o ano inteiro com 3 picos anuais, esse fato pode ter dificultado o reconhecimento de um padrão de deposição do incremento marginal.

 A introdução de exemplares jovens nos modelos de crescimento para a corvina do sudeste do Brasil resulta em mudanças dos valores estimados a partir das curvas de crescimento, sendo necessários a revisão de estimativas de parâmetros de crescimento anteriores, pois as mesmas foram feitas exclusivamente a partir de indivíduos adultos.

 A redução da idade máxima observada nos otólitos, em comparação a estudos pretéritos, pode ser um indicador da remoção de indivíduos mais velhos da população pela atividade pesqueira.

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