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2.2 AROMATERAPIA

2.2.1 Óleos essenciais

Segundo Evans (2017), óleos essenciais são líquidos voláteis porque sua composição tem uma substância chamada terpenos e são derivados de plantas que podem vir de diferentes partes delas, como flores, sementes, folhas, frutos, raízes, cascas, resinas, troncos. Contêm grandes variedades de componentes químicos, entre eles: álcoois (monoterpenol, diterpenol, sesquiterpenol), cetonas (monoterpenona, diterpenona, sesquiterpenona), ésteres (monoterpenyl, diterpenyl, sesquiterpenyl, ácido orgânico/acetato), fenois, aldeídos (monoterpenal, diterpenal, sesquiterpenal). Os óleos essenciais contêm a força vital das plantas, das árvores, das frutas e das flores. Essa força vital torna esses óleos totalmente diferentes das drogas sintéticas, permitindo que você use sem correr riscos de efeitos colaterais indesejáveis (KELLER, 1989). Para Tisserand e Balacs (1999), em que pese os componentes supracitados sejam comuns a boa parte de todos os óleos essenciais, outros compostos químicos são especificamente estudados por conta de sua ação, tais como o bergapteno (fototóxico), o

linalol (narcótico) e o acetado linalílico (atóxico).

A maioria dos óleos essenciais são largamente empregados na perfumaria, cosmética, alimentos ou como coadjuvantes na indústria de medicamentos. Podem ser comercializados em sua forma bruta ou beneficiada e principalmente como aromas (fragrâncias ou fixadores de fragrâncias) em compostos farmacêuticos e orais, dos quais derivam substâncias purificadas, tais como o safrol, eugenol, limoneno, citronela, citral e o mentol (CRAVEIRO, 1993).

Para Bizzo et al. (2009), ao lado da China, Índia e Indonésia, nosso país tem lugar de destaque na produção dos óleos essenciais dentro do mercado mundial, sobretudo devido à produção de óleos cítricos, oriundos como subproduto da indústria de sucos. Como é sabido, tais óleos têm efeitos terapêuticos diretos (processos metabólicos em microorganismos, por exemplo) ou indiretos (processos olfativos, biológicos, endócrinos ou neurológicos etc.), variando, portanto, em função do composto químico presente em sua estrutura.

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Esses mesmos componentes químicos tratam de inúmeros problemas de nosso organismo (tabela 1), atuando sobre os sistemas respiratório (anticatarral, expectorante, mucolítico, antitussígeno e outros), excretor (anti-enurético, antisséptico e outros), endócrino (antidiabético, estimulante do córtex e medula adrenal, problemas menstruais, emenagogo, estimulante das gônadas, hipófise, hipotálamo, lactogênico, uterotônico, dentre outros), imunológico (imunoestimulante, imunorregulador, etc.), digestivo (aperitivo, adstringente, carminativo, colerético, hepato estimulante, litolítico, antidiarreico, contra náuseas, úlceras, eupéptico, hepatoprotetor, tremorregulador, etc.), nervoso (antiespasmódico, antiarrítmico, antiálgico, analgésico, anestésico, sedativo, neuromodulador central etc.), bem como para a pele (antipruriginoso, anti- sudorífico, antitranspirante, etc.), na forma de oxidantes, antioxidantes, renovadores celulares, clareadores, regeneradores e antissépticos, portanto (LYRA, 2010).

Tabela 1. Relação entre o óleo essencial e seu efeito no organismo

Óleos essenciais Efeito no organismo

Bergamota (Citrus bergamia) Relaxante e antidepressivo.

Esclaréia (Sálvia sclarea) Relaxante, antidepressivo e sedativo.

Gerânio (Pellargonium graveo- lens) Sedativo e relaxante.

Ylang-Ylang (Cananga odorata) Além de diminuir a tensão, melhorar o humor e

estimular os sentidos, é hipnótico e relaxante.

Jasmim (Jasminun officinalis) Estimulante e relaxante.

Lavanda (Lavandula officinalis) Reduz a tensão, o cansaço e a depressão, além de acalmar e revigorar o ânimo.

Milfólio (Achillea ligusticun) Ansiolítico, sedativo e relaxante.

Rosa (Rosa damacena) Reduz a tensão, a depressão e age contra

dores de cabeça.

Sândalo (Santalum album) Além de reduzir a insônia, é relaxante muscular e

tem ação sedativa.

Tomilho (Thymus officinales) Reduz tensão, fadiga, ansiedade e age contra dores de cabeça.

Fonte: adaptado de Oliveira et al. 2019

Reconhecidamente benéficos, os óleos essenciais, quando de sua utilização,

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precisam observar inúmeros cuidados em face da toxicidade de alguns de seus compostos. É fundamental a garantia da qualidade do material utilizado, bem como a observância dos cuidados na manipulação, armazenamento e uso dos mesmos, como forma de garantir eficácia e segurança. Não menos importante é a formação do profissional praticante da aromaterapia (OLIVEIRA, 2019).

2.2.1.1 Mecanismo de ação

Em geral, os óleos essenciais possuem ações diferentes em face de sua composição química. Os que têm elevado teor alcoólico e ésteres apresentam propriedades curativas moderadas (sendo, portanto, mais seguros para uso). Já os que possuem concentrações muito altas de cetonas, fenois e aldeídos, são pouco usados na aromaterapia (muito ativos terapeuticamente) porque há inúmeros efeitos adversos associados a seu uso (CORAZZA, 2002).

Em termos de mecanismos de ação, ainda não tão bem esclarecidos pela ciência, os óleos essenciais possuem moléculas capazes de induzir a liberação de neurotransmissores (encefalinas e endorfinas), gerando efeitos analgésicos e de bem-estar e relaxamento (GNATTA et al., 2011).

Ainda segundo Gnatta et al. (2011), é a via pela qual as moléculas de um óleo são administradas que respondem por sua ação terapêutica. Quando por via inalatória, essas moléculas atravessam o trato respiratório superior, passam pelas vias inferiores e são absorvidas nos pulmões por vasos sanguíneos, sendo distribuídas pela corrente sanguínea para todo o corpo. Por esta via, tais moléculas acabam por estimular o nervo olfativo, o qual está diretamente ligado ao sistema límbico (centro cerebral encarregado de nossas emoções, sentimentos, memórias e impulsos), já por via cutânea, as moléculas dos óleos essenciais penetram na pele ou mucosas em função de seu baixo peso molecular e seu pequeno tamanho, sendo distribuídas para todo o corpo por meio da corrente sanguínea. Se ingeridos, a absorção de tais moléculas se dá na mucosa intestinal, sendo novamente distribuídas pela corrente sanguínea ao organismo.

35 2.3 ÓLEO DE VETIVER

Planta aromática da família Poaceae muito encontrada no norte da Índia, também conhecido como capim-vetiver, capim-de-cheiro, falso-pachuli, grama- cheirosa ou grama- das-índias, o Vetiver (Vetiveria zizanioides) é uma gramínea muito usada em áreas de erosão para evitar o deslizamento de terras (CORRÊA, 1984).

Ainda segundo Corrêa (1984), embora sua origem não seja muito bem esclarecida, tudo leva a crer que essa espécie vegetal tenha se originado na Ásia (Índia) ou de que tenha surgido na Malásia, sendo introduzida pelos árabes na Índia há mais de oito séculos. No nosso país, sua introdução ocorreu depois do descobrimento, sendo comum encontrá-la desde a Amazônia até São Paulo. A planta normalmente atinge uma altura de 1 a 2 metros, apresentando grandes tufos verdes, cuja raiz (parte importante para a perfumaria e saboaria em face de sua fragrância) atinge mais de 2 metros de profundidade, podendo, portanto, evitar a erosão.

O óleo de vetiver abrange aplicações em diversas áreas, como por exemplo terapêutica, agindo no cuidado de varizes, edemas, melhoria das dores articulares, imunidade, acne, dermatites; em aromacológica, ficou conhecido como óleo do aterramento, do relaxamento, sendo um coadjuvante no desmame de medicamentos, fortalecendo conexão com objetivo que traçamos, nos trazendo um processo de interiorização e autoconfiança (VISHWA aroma, 2018).

Somado a isso, esse óleo é extremamente eficaz em Estética na melhoria de cicatrizes, estrias, antienvelhecimento, regeneração da pele e manchas escuras (destaque desta pesquisa), pois devido aos seus mais de cem componentes (dentre os quais khusimene, delta- selimene, beta-vetinene, cicopacampan-12-ol, alfa- vetivona), trata as manchas e afecções citadas acima. Sua ação antioxidante é comparada a dos antioxidantes mais potentes como hidroxitolueno, butilado e alfa- tocoferol, ajudando assim a inibir os radicais livres, que prejudicam as células, ou seja, os melanócitos, e consequentemente a pigmentação da pele de uma forma negativa, trazendo o estresse oxidativo, pois é sabido que este é um grande desencadeador desta melanose crônica (doTERRA, 2021).

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Ademais, não se pode deixar de destacar a influência do óleo de vetiver na regulação hormonal, uma vez que ele é um grande regulador dos hormônios sexuais femininos, tratando sintomas de TPM e dismenorreias menstruais. É sabido que esses mesmos hormônios, quando desregulados, aumentam os níveis de receptores estrogênicos na derme e progestagênicos na epiderme nas lesões do melasma. A desregulação desses hormônios pode ativar as vias da tirosinase e do MITF (Fator de Transcrição para Induzir a produção de Melanina). Com a regulação da progesterona induzida pelo óleo de vetiver, por exemplo, há também uma regulação da melanina, trazendo assim uma homogeneização no tom da pele, como também no clareamento das manchas (LIBERMAN, 2008).

Em face de suas propriedades diuréticas, têm sido também empregado no tratamento da hipertensão leve, detoxificação renal e afecções urinárias (SUDS- GO, 1988).