peso e o aparecimento de estrias. Para Soifer (1981) estas mudanças corporais podem provocar o sentimento de fealdade, o que leva ao desentendimento entre o casal, pois a mulher sentindo-se feia, com o corpo deformado devido à gestação, projeta um sentimento de rejeição por parte do marido. Mas isto, segundo a autora, é derivado exclusivamente do vínculo afetivo-emocional estabelecido entre o casal. Tolor & Tigrazia (1977, apud FAISAL-CURY & TEDESCO, 2005) também mencionam em seu estudo esta preocupação excessiva com o corpo.
O aspecto do vínculo afetivo-emocional estabelecido entre o casal, foi questionado na pergunta número dez, a qual, perguntava se a gestante sabia a opinião do parceiro sobre sexualidade na gravidez, que, forneceu dados também sobre o nível de comunicação entre o casal. Quatro das gestantes sabiam a opinião do parceiro, e uma delas, nunca havia perguntado, o que nos mostra um bom índice de comunicação entre os casais. O diálogo do casal sobre sua sexualidade expressa a possibilidade de falar, de elaborar sobre tal aspecto tão importante em matrimônio, em outras palavras, revela que o sexo na gravidez não é um tema tabu.
Uma das entrevistadas, respondeu que ela e o parceiro conversam bastante sobre o tema, e que no início da gestação, o marido lhe perguntava se não havia o risco de machucar ou ferir o bebê, segundo ela, depois de algumas explicações ele entendeu que não havia problemas. De acordo com os pressupostos de Tockus (1986), esta é uma das duas causas que podem levar a diminuição da freqüência das relações sexuais, a outra causa, é quando o feto se movimenta durante o ato sexual, levando ao constrangimento do casal, como se estivessem diante de uma terceira pessoa. Quanto a este receio ainda, podemos obter subsídios em Maldonado (1985), que nos descreve a visão santificada que a gestante possui. Por esta razão, faz-se tão importante e necessária que as informações corretas cheguem no mínimo até as mães, para que elas então possam repassar aos conjugues.
Na categoria referente à alteração no desejo sexual, é importante mencionar as palavras do sujeito 2: “Sim, pois existe uma maior carência e um desejo de estar sempre próximo”. Estes desejos descritos pela gestante correlacionam-se com os escritos de Tockus (1986), quando ele afirma que algumas mulheres sentem mais necessidade de carinho e aconchego durante a gravidez, e também, combinam com as palavras de Tolor & Tigrazia (1977, apud FAISAL- CURY & TEDESCO, 2005), quando eles, descrevem em seu estudo os sentimentos de insegurança que são vividos na gravidez, e, a necessidade de holding (continente) por parte do parceiro.
Podemos ainda, comparar o relato deste sujeito 2, que fala sobre a necessidade de maior atenção, carinho, com o relato do sujeito 4 na categoria de opinião sobre a prática sexual na gestação. Segundo o sujeito 4: “Com cuidado é até bom para mãe e para o bebê, por que é quando o sentimento de desejo e amor pode ser demonstrado”. A opinião desta mãe vai de encontro com as idéias de Soifer (1981), quando esta, demonstra os benefícios das práticas sexuais na gravidez, conforme já fora citado anteriormente. Observa-se então, claramente uma visão de sexualidade fortemente vinculada ao amor (afeto).
Após estas semelhanças entre as falas dos autores e os dados obtidos, devemos pontuar alguns aspectos que se distanciam destes dois tópicos. Primeiramente, o fato que, de acordo com os dados obtidos, não houve alteração na freqüência das relações sexuais. Porém, alguns autores dizem o contrário, podemos citar: Ballone (2005), Lazar (2002, apud FALSAL-CURY &
TEDESCO, 2005), Masters & Johnson (apud TOCKUS, 1986), Tockus (1986), Tolor & Tigrazia (1977, apud FAISAL-CURY & TEDESCO, 2005). Apenas duas das entrevistadas mencionaram mudança na freqüência, uma delas, disse que era devido a infecções que adquiriu na gravidez, e a outra, nos relata que alterou, pois era solteira, e depois da gravidez, casou-se, tendo assim, maior convívio com o parceiro.
Deve ser clara para que seja possível à compreensão dos resultados deste estudo, a diferenciação entre desejo sexual e freqüência de atividades sexuais. Ter o desejo sexual não significa que a prática sexual será exercida, pois segundo a fala de uma das entrevistadas durante a entrevista coletiva, muitas vezes é sentida a vontade, mas, o corpo não agüenta, por exemplo.
Em outras ocasiões, pode ocorrer que a mulher não está tendo vontade de ter uma relação sexual, ou mesmo não está tendo prazer, mas realiza a prática por muitos motivos. Desta forma, no resultado da presente pesquisa, obtivemos que houve alteração no desejo sexual, mas, a freqüência continuou a mesma.
Quanto às crenças com relação à sexualidade na gravidez, quatro das mulheres citaram não possuir nenhuma. Neste ponto, não existe nos sujeitos participantes do estudo, representações a respeito da sexualidade na gravidez que possam ter alterado o desejo, em todo caso, embora se possa levantar alguma hipótese em relação a esta mudança no desejo sexual, haveria a necessidade de outros estudos que possam oferecer compreensão neste aspecto. A outra entrevistada, relatou que tanto já ouviu falar que tanto faz bem como faz mal ter práticas sexuais durante a gestação. Tockus (1986) nos afirma que muitas mulheres imaginam ferir o bebê durante
a relação sexual, conforme foi mencionado acima, então, idéias assim, podem fazer parte do cotidiano de sujeitos que não bem esclarecidos, imaginam ainda como errônea a prática sexual na gravidez.
Por fim, a entrevista coletiva que foi realizada, trouxe breves dados. Um único dado que pôde ser adquirido foi o depoimento de uma das grávidas que mencionou que se comparando uma gravidez à outra, tudo muda, principalmente a sexualidade. Mas, como motivo, citou apenas que nesta gestação adquiriu muitas infecções. A fala da gestante leva a pensar em termos de hipóteses que o estudo possibilita a compreensão que a sexualidade na gravidez resulta em um aspecto complexo, determinado por vários fatores.
Assim, se no caso da amostra, a relação entre representações (idéias) prévias e práticas sexuais não é conclusiva, consistente, outros fatores não considerados exigem novas pesquisas, como por exemplo: a sexualidade muda de uma gravidez para outra? Quais fatos contribuiriam para tal mudança?