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4. CURADORIA PARA UMA EDUCAÇÃO MAIS SUSTENTÁVEL

4.5 A BRIR HORIZONTES E PROCESSOS HORIZONTAIS

É de admitir que, como todas as grandes instituições, e na experiência da estagiária, esta instituição carrega ainda processos que dificultam a concretização de algumas ideias e sugestões por parte das suas equipas internas.

Uma das dificuldades do coletivo Imagina verificou-se na intenção de quebrar algumas ideias enraizadas na sociedade, tendo sido as suas sugestões debatidas e desenvolvidas de forma a não fugir da linha de atividades já desenvolvidas pela FCG. É certo que decisões arriscadas são sempre difíceis de tomar, e a equipa onde a estagiária integrou é um elemento de força na direção da mudança de alguns paradigmas. Será também de louvar a disponibilidade da FCG de querer quebrar alguns estigmas.

Constata-se então uma contradição: como é que uma organização de estrutura vertical (em que a hierarquia por vezes tem peso nas decisões) consegue produzir situações de abertura ao mundo e alargamento de horizontes? Como é que se pode promover a visão crítica e a participação, no caso dos jovens, se quando se estimula a sua imaginação logo de seguida se colocam entraves? Afinal, estaremos a abrir horizontes ou a constranger ainda mais a imaginação e participação dos jovens?

Como vimos na introdução deste relatório, Manzini, define a transição para a sustentabilidade como um processo de “aprendizagem social” onde a forma de construção de pensamento e comportamentos deverão ser repensados e mutados em coletivo – ou em co-design – tornando a reorganização social num caso de estudo. Manzini refere que: esta reorganização de pensamento passará pelo empoderamento dos indivíduos e comunidades, instituições e empresas de ferramentas que os permitam ter diferentes graus e níveis de participação:

“(…) co-designing is a process in which everybody is allowed to bring ideas, even though these ideas could, at times, generate problems and tensions. In the end, what makes this complex mesh of initiatives a design process is the fact that the actors involved will be

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willing and able to listen to each other, to change their minds and converge toward a common view on the outcomes to be obtained.” 8 (Manzini, 2015, p. 67)

Mesmo com diferentes graus e níveis de participação, valorizar a opinião e as capacidades dos jovens pode ser visto como uma forma de criar as condições para um outro olhar sobre o mundo, o mundo dos museus e live arts. O processo de co-design, mesmo com problemas e tensões, capacita os jovens e gera autonomia destes, por baixo da asa de tal instituição. O facto de esta abrir as suas portas a jovens e permitir que este sejam integrantes da programação e gestão de atividades do museu, possibilitou que estes desenvolvessem as suas próprias ferramentas e visões da sociedade, de futuro, da arte..., sendo libertados neste mundo como cidadãos mais capazes, críticos e possivelmente ativos.

Manzini afirma que abrir este espaço e empoderar as comunidades e indivíduos necessita de três grandes características essenciais: tolerância, abertura e a capacidade de aprendizagem, pois não estamos sempre neste processo?

“Tolerance, meaning its ability to accept the existence and development of “the new”

(whatever is new and different from the mainstream way of being and doing, in that particular time and place).” 9 (Manzini, 2015, p. 161)

A abertura, segundo Manzini (Manzini, 2015, p. 161), está relacionada com ambientes que favorecem a livre circulação de ideias, e quebra de barreiras.

Finalmente a aprendizagem mútua, refere-se a processos em que a experiências e opiniões boas e más dos participantes são valorizadas. Cultivar a liberdade de experimentar coisas novas e reinventar-se a si depende, de acordo com o autor, de colaborações que permitem e toleram o aparecimento do falhanço (Manzini, 2015, p. 161).

8(t.l.) Co-design é o processo em que toda a gente tem permissão a trazer ideias, mesmo que estas ideias possam, às vezes, gerar problemas e tensões. No fim, o que faz desta teia complexa de iniciativas um processo de design é o facto que todos os atores envolvidos estarão dispostos a ouvir-se entre si, de modo a mudar as suas mentes e convergir em direção a uma visão comum dos resultados a obter.

9 (t.l.) Tolerância, significando a habilidade de aceitar a existência e desenvolvimento do “novo”

(o que quer que seja novo e diferente da forma habitual de ser e fazer, em particular tempo e espaço.)

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Observou-se por vezes em algumas atividades uma tolerância reduzida que cultivava a inibição e cautela como elementos do processo de codesign da programação entre a instituição e frações do seu público: os jovens, visitantes, participantes ou alguns espetadores. A aprendizagem mútua já faz parte dos fundamentos da FCG, contudo por vezes, em certos momentos, prevalecia a posição da instituição em detrimento do coletivo.

Não há dúvidas, que esta instituição é fundamental na história portuguesa e no contínuo acompanhamento dos desenvolvimentos culturais, sociais e artísticos deste país. No entanto, esta é uma constante e contínua luta pela educação.

Na transição para a sustentabilidade, até as instituições museológicas estão em processo de aprendizagem, e sempre que possível devem experimentar novas abordagens e novos comportamentos em prol do processo de “aprendizagem social” de futuros mais justos, conscientes e sustentáveis e a FCG é uma das grandes instituições portuguesas a demonstrar esta intenção.

Na equipa em que a estagiária teve a sorte de fazer parte, o constante questionamento e luta pelo objetivo comum é algo de fundamental no desenvolvimento e criação de relação com os seus públicos. O SE do CAM esforça-se pela constante aprendizagem mútua dos seus públicos com esta equipa, e desta equipa para com os seus públicos. Mesmo com algumas barreiras, nas diversas sessões que a estagiária assistiu, nenhuma opinião é errada, e a exploração com os seus públicos tem diferentes níveis de profundidades e pontos de conclusão.

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