A CPT foi criada com o auxílio principalmente da igreja Católica, porém o apoio da igreja foi sendo reduzido através dos anos. A cúpula da igreja Católica tem se mostrado cada vez mais reacionária nos assuntos que envolvem a reforma agrária. Logo adiante veremos a atual relação da igreja Católica de Campos com a CPT.
A pastoral é caracterizada pelo seu auxílio aos camponeses do Brasil. Segundo um folheto informativo produzido pela própria CPT a,
A Comissão Pastoral da Terra – CPT apóia, acompanha e assessora os povos da terra e das águas e lhes presta um serviço de caráter pastoral. Em suas ações a CPT estimula os homens e as mulheres do campo a criarem seus próprios movimentos e organizações autônomas. Preocupa-se sobretudo com a violência sofrida pelos trabalhadores e com o desrespeito a seus direitos. Essa realidade levou a Pastoral da Terra a priorizar a ação profética da denúncia, dando voz e vez aos trabalhadores e trabalhadoras, registrando as situações de violência e as ações de resistência e luta dos povos e tornando-as públicas para a sociedade brasileira e para os organismos internacionais. (Folheto informativo Produzido pela CPT, 2008.)
Atualmente a CPT (Comissão Pastoral da Terra) se organiza e se articula da seguinte forma:
A CPT está organizada em todo o Brasil em 21 regionais, uma Secretaria Nacional e 150 equipes de base, com aproximadamente 840 agentes, dois terços dos quais voluntários.
Existem articulações supra-regionais, como a Articulação Popular pela Revitalização do Rio São Francisco e a da Campanha de Combate ao Trabalho Escravo.
A CPT tem uma coordenação nacional colegiada formada por um presidente e um vice-presidente que são bispos e por outros seis coordenadores eleitos pela Assembléia Geral. A cada quatro anos se realiza um Congresso com participação majoritária de trabalhadores e trabalhadoras e que aponta os grandes rumos de ação da CPT.
A CPT se articula com as Pastorais Sociais ligadas à CNBB, com a Via Campesina, o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, a Articulação Nacional da Agorecologia. Mantém, também, parcerias com diversas entidades de direitos humanos. Em nível internacional a CPT representa a Pax Christi internacional.
Para desenvolver seus trabalhos, a CPT conta com o apoio solidário de pessoas e de agências de cooperação internacional sobretudo ligadas às igrejas católica e evangélicas, além do apoio de outras instituições e entidades. (Folheto informativo Produzido pela CPT, 2008).
Segundo Juvenal a hoje a CPT está interando seus 35 anos de formação, e a Pastoral da Terra na sua organicidade tem como o Presidente o Bispo de Viana, Dom Xavier Guilles, o vice de Rorâima, Dom Rock Paloch. A coordenação é composta além dos Bispos, por 6 leigos. Quando perguntado sobre a coordenação regional do sudeste a qual pertence Juvenal diz:
Há 5 anos eu faço parte da coordenação da Articulação Nacional da CPT.O meu mandato termina em abril de 2009.
Na regional do Espírito Santo - Rio de Janeiro eu sou o Coordenador da Equipe da Regional junto com os companheiros do Espírito Santo. O nosso regional é composto por 2 Estados: Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Temos hoje 4 equipes que desenvolvem o trabalho em torno junto dos camponeses e camponesas destes Estados. (informação verbal)
Quando perguntado sobre os recursos que financiam a CPT Juvenal responde:
Basicamente o nosso trabalho tem apoio solidário de entidades internacionais religiosas. Igrejas principalmente da Alemanha, Áustria e Holanda. Essas igrejas fazem arrecadações solidárias e comunitárias, que são enviadas logo após a aprovação dos projetos da CPT que enviamos para eles. (informação verbal)
Sua reposta também esclarece que as doações são provenientes de igrejas evangélicas e católicas em proporções iguais.
A CPT inicia sua jornada no Brasil em resposta às necessidades dos camponeses expropriados, e Juvenal complementa:
A Pastoral da Terra nasceu com a necessidade dos camponeses de fazer chegar a toda sociedade a toda imprensa também as organizações internacionais, o massacre que estava acontecendo na Amazônia. A CPT num primeiro momento se tornou uma entidade em que seu forte foi a denúncia da violência contra os direitos dos camponeses. (informação verbal)
Um dos motivos de fortaleceu a CPT logo após a sua criação foi que ela era composta por cidadãos de várias classes trabalhadoras, entre elas podemos citar: camponeses, advogados, médicos, professores, funcionários públicos, jornalistas formados, médicos, advogados, etc.
Juvenal aponta que a CPT na sua gênese era uma:
Pastoral muito forte, essa foi uma época em que tivemos muitos bispos e pastores importantes que se envolveram, como foi o caso do pastor Vitório Clauper, do Espírito Santo, era um pastor luterano de expressão nacional, o pastor Vernes Foquis da região Sul também luterano de expressão nacional, também teve a pastora Nanci Cardoso da igreja Metodista, também de expressão nacional. A CPT também contava com bispo Dom Pedro, de São José do Araguaia de expressão mundial e Dom Tomás Baldoíno que foi presidente da CPT. (informação verbal)
E acrescenta:
Apesar de não fazer parte da Constituição da CPT, Dom Luciano Mendes de Almeida muito nos apoiou. Ele era presidente da CNBB. Dom Elder Câmara não foi Presidente da CPT, mas era um suporte a esse tipo de trabalho. Então tiveram muitos Bispos de nomes importantes que apoiaram em muito a construção dessa entidade, e por isso que ela cresceu muito.
Ela é hoje a segunda maior organização Pastoral que existe no Brasil. Em termos de organização a Pastoral de Terra tem uma organização mais consistente até pela história dela, pelo grupo de pessoas que trabalham. (informação verbal)
A CPT também capta recursos nacionais da seguinte forma:
Nacionalmente a Pastoral da Terra tem uma opção para não usar dinheiro privado e público para a sua organização, então nós captamos dinheiro das igrejas nacionais. É uma quantia muito pequena, muito irrisória e também captamos alguns recursos públicos, mas para projetos culturais, por exemplo, para fazer um curso sobre agro ecologia através de um ministério ou numa secretaria. Nós não captamos recursos para manter estrutura, por exemplo, pagar gente; nada disso. Isso é uma definição política que a Pastoral da Terra tem. Os recursos nacionais que nós captamos de entidades pequenas, solidárias e das Igrejas chega a 20% do nosso orçamento hoje que a gente aplica, então é uma quantia bem pequena. Se não fosse a solidariedade internacional a Pastoral da Terra poderia existir, mais não do jeito que existe hoje.
(informação verbal)
Na sua primeira fase a CPT trabalhou principalmente no campo da denúncia, buscando chamar a atenção de toda comunidade nacional e internacional para os massacres que
aconteciam contra os camponeses do Brasil. Além da denúncia a CPT também agia na formação educativa dos camponeses. Na década de 1980 a CPT continua fazendo as denúncias de trabalho escravo e qualquer tipo de violência contra o camponês, entretanto na década de 1980 A CPT foi significativa para o fortalecimento de organizações camponesas, a principal delas foi o MST, que teve na sua organização e construção a ação decisiva da CPT.
Juvenal deixa Claro que também houve outras organizações de apoio aos camponeses e suas organizações. Ele ainda diz que a Pastoral foi uma entidade muito importante para a criação do MST, mas não a responsável pela criação. A CPT nas décadas de 1970 e 1980 trabalhava mais no sentido de assessorar os movimentos. Na década de 90 com os movimentos já constituídos, a Pastoral repensa o seu papel. Então ela faz um grande congresso em 1991, com a liderança de entidades e com os camponeses que compõem as entidades. O congresso aconteceu na Bahia, na cidade de Bom Jesus da Lapa, contando com a participação de mais de mil pessoas. Então a Pastoral da terra definiu o seu trabalho por 3 eixos de ação, o eixo terra, o eixo água e o eixo direitos.
Segundo Juvenal durante a década de 1980 a Pastoral tinha um corpo jurídico muito grande, isso devido ao enorme número de trabalhadores que sofriam violência todos os anos.
Já na década de 1990 as próprias comunidades um pouco mais organizadas, já possuíam seus próprios advogados, então a Pastoral decidiu reduzir o corpo jurídico e aumentar o número de agentes que trabalhavam diretamente com as comunidades. Na década de 1980 a assessoria tinha que vir de longe para atender as necessidades dos camponeses, já na década de 1990 os agentes passaram a morar na sua área de trabalho.
O trabalho da Pastoral segundo Juvenal passou a ter como principais objetivos os eixos: terra, água e direitos.
A CPT vê o eixo água da seguinte forma:
Desde os primeiros anos de atuação, a Pastoral da Terra se preocupou com a questão da água. No primeiro momento apoiou e acompanhou as famílias expulsas de suas terras pela construção de grandes barragens, como a de Itaparica, no rio São Francisco, e de Itaipu, no rio Paraná. Na região amazônica, a CPT ajudou os ribeirinhos e enfrentarem a difícil situação da pesca predatória praticada por grandes empresas. Mas foi a partir da Assembléia Geral de 1999 que a água se tornou um dos grandes eixos de ação da CPT. No seu 1º Congresso, em 2001, tomou a decisão de propor à CNBB, o tema da água para uma das Campanhas da Fraternidade, o que se concretizou em 2004. A CPT defende a água como um direito não só da pessoa humana, mas de todos os seres vivos e por isso se posiciona contra as diversas formas do hidronegócio em especial contra a privatização da água. (Folheto informativo Produzido pela CPT, 2008.)
Fig. 5 – Cisterna para captação e armazenamento de águas pluviais em lote do Núcleo 5, 2006
Foto: Déborah de Souza Martins Arêas e Thereza Cristina Barbosa da Silva Cruz
O trabalho realizado em torno do eixo água era feito da seguinte forma:
Foi discutida a privatização das águas. Não haviam pessoas formadas neste tema, então a Pastoral especializou algumas pessoas nessa discussão, que era a compreensão da utilização das águas. Então a Pastoral construiu uma compreensão jurídica e teológica do uso da água. A CPT participou dos comitês de bacia e da luta pela revitalização dos rios.
E nessa dimensão foram aparecendo várias dinâmicas, como por exemplo: hoje o maior projeto da CPT é o projeto contra a transposição do Rio São Francisco, e estão envolvidas neste projeto 100 pessoas da Pastoral.
Hoje a própria agência nacional de águas tem um projeto que ficaria 30% do valor da transposição e atenderia a população com a água potável, esse projeto transportaria água potável a população por adutoras e não com valas, mas, o fato que essa transposição é para atender prioritariamente aos empresários.
A equipe da Pastoral faz um trabalho em conjunto pela revitalização e preservação dos rios e contra a transposição. Então o trabalho das águas, mexeu muito com a sociedade, na questão da água. As pessoas se perguntavam “a água tem fim ou não?”
como se deve cuidar da água de modo a não desperdiçar? (informação verbal)
O eixo dos direitos é explicado pelo Coordenador da Pastoral de seguinte forma:
Uma das atividades que tem dado maior visibilidade à CPT é sua luta firme de combate ao trabalho escravo. Para melhor enfrentar este grave problema, a CPT desencadeou, em 1997, a campanha nacional de combate ao trabalho escravo: De Olho Aberto para não Virar Escravo.
O apoio às lutas pela conquista da terra, pela Reforma Agrária, pela garantia ao acesso à água, pelo cumprimento da legislação trabalhista, ao se tratar dos trabalhadores assalariados, peões e bóias-frias, se insere neste campo dos direitos que visa o respeito à dignidade humana. Para que os trabalhadores tenham consciência de seus direitos, a CPT tem promovido encontros de formação e a divulgação em linguagem popular das leis que podem de apoiar.
O relatório anual Conflitos no Campo Brasil publicado pela CPT é uma denúncia de violação dos direitos da pessoa e tem se tornado referência tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, a CPT incorporou na sua luta pelos direitos humanos, os direitos
econômicos, sociais, culturais e ambientais, os chamados DhESCA. (Folheto informativo Produzido pela CPT, 2008.)
E Juvenal acrescenta:
A CPT então partiu para a questão do trabalho escravo, que era uma ferida que ninguém queria por a mão. A CPT fez as denúncias e com sua articulação e com toda sua força, apoiada por outras entidades também.
Durante governo Fernando Henrique a CPT conseguiu construir um grupo móvel de fiscalização do trabalho escravo no Brasil. Esse grupo móvel é formado pelo Ministério do Trabalho, Polícia Federal e Ministério Público.
Sabemos que o trabalho escravo tem seu fenômeno. Ele tem um Estado exportador e possui um Estado que pratica o trabalho escravo. O Rio de Janeiro é um Estado que pratica o trabalho escravo. Existe uma tentativa de esconder essas informações, mas não há como negar que o trabalho escravo continua acontecendo nos canaviais do Rio de Janeiro. Aqui nós temos hoje em torno de 5 mil imigrantes que vem do Maranhão, Alagoas, Minas Gerais que estão nos canaviais vivenciando essa prática.
O maior número de trabalho escravo é registrado no Norte do País.
Das ações hoje feitas, nós temos a “lista suja” que contém todos os nomes dos empresários que o grupo móvel consegue identificar como aquele que utiliza o trabalho escravo. Esta lista então criará uma dificuldade de acessar créditos por parte desses fazendeiros. Chama-se “lista suja” exatamente por isso, o nome dele fica internacionalmente conhecido como praticante de trabalho escravo.
A outra luta contra o trabalho escravo, é a tentativa de aprovação de uma PEC (proposta de emenda constitucional) que está no congresso brasileiro para ser apreciada. Segundo esta PEC, seriam expropriadas as terras onde se pratica o trabalho escravo.
Nós entendemos que essa seria a maior resposta do Estado contra essa prática intolerável.
Mas essa PEC tem muita dificuldade de andar no congresso, porque temos um grupo grande dos nossos deputados e senadores que são latifundiários, inclusive alguns deles são também praticantes do trabalho escravo. O próprio Presidente da Assembléia do Rio de Janeiro já foi denunciado como praticante do trabalho escravo.
Então a luta o combate e a erradicação do trabalho escravo, é um firme propósito que a CPT encarou depois do congresso de 1991 nessa área dos direitos.
(informação verbal)
O terceiro e ultimo eixo de ação da Pastoral fala sobre a terra, que:
A defesa do direito dos trabalhadores à terra, sobretudo posseiros e sem-terra, ganhou maior destaque. A conquista da terra passa pela quebra do latifúndio e pela promoção da reforma agrária. A terra é para o trabalho, não para a exploração.
A permanência do agricultor na terra é outra das preocupações da CPT. Por isso fazem uma crítica contundente ao agronegócio e apóia e desenvolve ações na busca de alternativas de sobrevivência para o homem e a mulher do campo. Esta busca vem acompanhada da promoção de uma nova relação com a terra, uma relação de convivência e respeito com os mais diferentes elementos da natureza, através da produção orgânica e ecologia, do combate ao desmatamento indiscriminado, às queimadas e ao uso de agrotóxicos. (Folheto informativo Produzido pela CPT, 2008.)
Fig.6 - Diversidade de culturas no P.A. Zumbi dos Palmares (núcleo 5 – Cajueiro), 2006
Foto: Déborah de Souza Martins Arêas e Thereza Cristina Barbosa da Silva Cruz
E nas palavras de Juvenal o eixo terra é apresentado da seguinte forma:
Já na área conhecida como o eixo terra: A Pastoral da Terra não tem a função de organizar camponês para ir para a terra, mas nós temos função de continuar criando alternativas para que a reforma agrária fique mais aqui acessível ao trabalhador, tanto na fase de acampamento e na fase resistência como assentado.
A CPT criou uma campanha pelo limite máximo da propriedade, essa é uma lei que também vai ter muita dificuldade de ser aprovada no congresso brasileiro, porque é uma lei que limita a propriedade, mas também combateria o problema de concentração de terra no Brasil.
Na verdade, o que realmente identifica a nossa Pastoral, é o trabalho que nós chamamos de “a mística espiritualidade”, nosso trabalho é feito a partir desta mística e a partir de um entendimento teológico que é muito importante, pois quando falamos da água e da terra temos um entendimento não apenas jurídico, mas, também um entendimento do sagrado. (informação verbal)
A Pastoral entende a terra e a água como um direito sagrado, pois é ali que nasce a consistência e a sustentabilidade da vida. A CPT tem uma forte característica de diversificar suas ações. Podemos destacar o trecho a seguir como exemplo dessas ações:
A Pastoral faz as chamadas celebrações, as caminhadas pela terra, as romarias da terra, a celebração da posse da terra e dos mártires, pois quando a pessoa morre por nosso ideal ela deve ser valorizada. Nós valorizamos não a morte mais a luta deles.
Citamos os exemplos da irmã Doroti que ficou conhecido internacionalmente. Esse esforço máximo nós procuramos valorizar, não é fácil pegar e ir uma luta até o fim e ser capaz de entregar sua vida.
A CPT é uma pastoral que respeita os princípios evangélicos.
Então em termos de trabalho, é esse o trabalho da Comissão Pastoral da Terra. Essa dimensão que se aproxima mais dos camponeses teve inicio na segunda metade da década de 90 e hoje é muito forte. Nós valorizamos as experiências camponesas e continuamos a denunciar o trabalho escravo, a morte e a violência. Mas nós também temos aquele momento em que anunciamos as coisas boas, e uma das coisas
importantes da Pastoral da Terra é acreditar que por mais simples que seja o camponês ou a camponesa, eles são capazes de construir um mundo diferente para os filhos. (informação verbal)
A pastoral, sem dúvida alguma valoriza as experiências dos camponeses. Assim Freire comenta: “De nada adianta o discurso competente se a ação pedagógica é impermeável a mudanças”. (FREIRE, 1996, p.10)
E acrescenta: “[...] o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos, sobretudo os das classes populares, chegam a ela saberes socialmente construídos na prática comunitária”. (FREIRE, 1996, p.30)
Atualmente a Pastoral vê a Agro-Ecologia como uma importante forma de enfrentamento, dessa forma, o agricultor protege a sua terra e comercializa alimentos mais saudáveis, trazendo uma maior qualidade de vida para a população. A Agro -Ecologia recebe pouco apoio do governo, mas mesmo assim a Pastoral continua fortalecendo esse importante projeto agro-ecológico, que está presente no Brasil inteiro. Este projeto de Agro-Ecologia trabalha com a consciência do camponês, que tem a terra e a água como sagrados que por isso não devem ser poluídos ou contaminado. Num primeiro momento os camponeses até podem fazer lançar mão dos agroquímicos, entretanto num segundo momento o projeto visa à extinção do uso deles. A Pastoral também apóia a formação de pequenas fabriquetas e pequenas fábricas, pois esse trabalho é visto pela CPT como uma maneira fundamental de se agregar valor à produção dos camponeses. Mesmo sem possuir recursos materiais, a Pastoral utliliza-se de sua sabedoria, a sua forma de articular e suas relações para auxiliar a manutenção deste trabalho. A formação educativa é uma das principais formas de ação da Pastoral, ela cria iniciativas para a formação da consciência dos camponeses, principalmente na área da Agro-Ecologia e na área de direitos. A pastoral ainda apóia várias comunidades quilombolas por todo o Brasil. Algumas regionais possuem as escolas jurídicas populares onde a liderança e os próprios camponeses aprendem a se comportar e se defender em caso intimação, despejo, leis trabalhista e penal. A pedagogia da CPT trabalha para que todo o seu conhecimento seja repassado e multiplicado pelos camponeses, que podem ou não aceitar as idéias da CPT, que sempre são colocadas de forma democrática e respeitosa em relação aos camponeses.
A CPT também trabalha na elaboração de material científico para o meio acadêmico, contudo essa não é a sua principal função. O melhor exemplo é a elaboração do Caderno de Conflitos no Campo, que todos os anos mostra a triste realidade do campo brasileiro. Com isso a CPT trabalha para o fortalecimento do camponês. A pastoral trabalha com todo público
na área rural, os assalariados, posseiros, pequenos produtores, camponeses e camponesas que moram no campo ou na periferia das cidades, e finalmente, com os assentados que conquistaram sua terra através da reforma agrária. A CPT também trabalha com os ribeirinhos na Amazônia, com as quebradeiras de coco n Maranhão e como foi dito antes, com as comunidades quilombolas. O respeito ao camponês é tanto que segundo Juvenal:
Hoje a CPT tem uma dificuldade na questão do entendimento a respeito do biodiesel. Por exemplo, muitas entidades estão achando que ele será a salvação da lavoura dos camponeses, mas nós achamos que não. A Pastoral da Terra tem uma interpretação que o biodiesel só resolveria caso sua produção fosse feita de forma comunitária.
Agora, se a produção continuar sendo feita pelo viés monocultura que aos poucos destrói a terra, utilizando o trabalho escravo e está ainda trazendo um grande risco para a questão da segurança alimentar, através da redução de gêneros de subsistência.
Mas muitos movimentos de luta pela terra que nós auxiliamos no momento de sua fundação como, por exemplo, o MPA que é o (Movimento de Pequenos Agricultores) acham que é possível produzir biodiesel e produzir alimentos, inclusive para vender, para exportar, para entregar para a Petrobrás.
Nós consideramos que esse é um entendimento equivocado, que está muito ligado agora ao governo, como projeto de governo. Isso está dificultando um pouco a leitura do próprio movimento. Mais são dificuldades que acontecem que qualquer boa família. (informação verbal)
Quando indagado sobre a sobre a posição que a CPT se coloca em relação ao plantio da cana e de outras culturas agrícolas Juvenal nos mostra que:
Nós não somos contra nenhum tipo de cultura a não ser aquelas exóticas que a gente teria que discutir para que, que elas estão chegando. Como Por exemplo: o eucalipto, que não é uma planta típica do nosso país.
A cultura da cana é muito importante na vida das pessoas, culturalmente ela é fundamental. A CPT apóia todo tipo de cultura, desde que não seja de plantas exóticas e que seja apoiada na diversificação da produção. A visão da Pastoral sugere que a terra deve ser cultivada com plantios diversificados. Porque só se consegue preservar a biodiversidade desta forma, sendo que ela é fundamental para a vida no planeta. Todas as formas de vida são significantes para a manutenção da vida, desde as microscópicas até os grandes seres.
Então a terra não deve produzir só um tipo de cultura, seja ela qual for, hoje, a gente fala da cana porque ela é uma cultura extensiva e importante para o momento nacional, mas seja cultura de mamão, seja do café, ou outra, mas o importante é que ela não venha a se tornar uma monocultura, que elimina a biodiversidade.
Para reforçar, a CPT não é contra a cultura, ela é contra alguns modelos que são utilizados atualmente. (informação verbal)
E quando pergunto se a CPT apoiaria a produção da cana-de-açúcar realizada em comunidades por pequenos produtores ele acrescenta que:
É claro que sim, tanto é que apoiamos a implantação de uma fabriqueta que em breve estará produzindo alguns derivados de cana no município de Campos. Mas é