O ESTADO ATUAL DA ARTE
2.4 Tecnologia e Gestão
2.4.4 A ISO 14001 no Brasil
2.4.3.3 O Exemplo de Três Rios, RJ
Três Rios, município do interior do Estado do Rio com 80 mil habitantes, adotou a coleta seletiva, onde mais de 5 toneladas de lixo já são recicladas diariamente, gerando uma receita mensal de mais de R$ 120 mil. O projeto, que começou com o auxílio da prefeitura, já é auto-sustentável e conta com total apoio da comunidade. Além disso, já reciclou 392 toneladas de papel salvando pelo menos 15.680 árvores, já que para cada tonelada de papel reciclado 40 árvores deixam de ser cortadas.
Quarenta por cento da renda do projeto é revertida para a o hospital do município, fato que acabou servindo como um mobilizador social. Assim, transmitiu-se a idéia da limpeza pública como instrumento de valoração da qualidade de vida, com a maior parte da coleta sendo realizada de porta em porta.
Tabela 2.2: Certificados emitidos com marca de Acreditação INMETRO (Fonte: Inmetro, 2005) Ano de
Emissão Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total no Ano
Total anterior a 2001 113
2001 6 5 9 6 13 13 8 8 6 11 14 25 124 2002 23 12 16 11 19 19 10 16 20 22 24 30 222 2003 19 15 9 13 13 21 24 17 8 25 24 33 221 2004 35 14 30 32 23 20 9 13 11 21 14 16 238 2005 25 14 19 13 53 17 16 9 0 0 0 0 166
TOTAL 1084
* Dados coletados a partir de 2001.
Esta tabela contém certificados emitidos no período, pertencentes ao SBAC.
Observando a tabela acima, pode-se notar que a partir de 2001 o número de certificações sofre um aumento significativo, pois nele foi atingida a marca que superou o somatório de todas as certificações já concedidas até então. A ISO 14000, como instrumento de competitividade, fez as empresas brasileiras acelerarem o ritmo de certificação. A desvalorização cambial a partir de 1999 tornou os produtos brasileiros mais atraentes em termos de preços, porém muitas empresas eram impedidas de exportar pela ausência de certificação da ISO 14001. Isto as obrigou a entrar em processo de certificação incentivada também por políticas públicas de incentivo as exportações necessárias ao equilíbrio da balança comercial brasileira. O mais importante fator que explica o aumento, a partir de 2001, são as certificações das unidades da PETROBRAS que só em 2001 corresponderam a 28 certificados cerca de 20 % do total segundo informações da própria empresa.
Infelizmente, os órgãos ambientais ainda atuam junto às organizações, em cima do potencial poluidor, histórico, confiabilidade e a relação com a comunidade do entorno, não levando em consideração o fato de a organização ser ou não certificada.
Por outro lado, a melhoria do desempenho ambiental, a manutenção da conformidade legal e a melhoria da relação com a comunidade do entorno podem promover uma mudança na relação com os órgãos de controle. Porém, neste caso, o importante é o gerenciamento ambiental eficaz da organização, seja ele um SGA baseado na ISO 14001, seja ele certificado ou não.
No contexto nacional, alguns setores são mais atingidos do que outros pelos diferentes ramos de atuação. A Tabela 2.3 mostra as certificações por área de atuação.
Tabela 2.3: Certificados ISO 14001 INMETRO por Área de Atuação (Fonte: Inmetro, 2005)
Área de Atuação Seção do
Cód.NACE ISO 14001:1996 Administração Pública e Defesa; Seguridade Social Oficial L 2 Agricultura Pecuária , Caça, Silvicultura A 4 Atividades de Serv.Sociais Comunitários e Serv. Pessoais – Outras O 17 Atividades Imobiliárias; Locações e Prestação de serviços K 45 Comércio; Conc. de veículos auto; bens de pessoais e domésticos G 18
Construção F 18
Educação M 4
Hotéis e Restaurantes H 2
Ind. de Transf. - artigos de borracha e de plást. DH 25 Ind. de Transf. - Celulose, Papel, Papelão e Prod.; Edição e Impres. DE 12 Ind. de Transf. - Coque, Refinados de Pet. e combustível nuclear. DF 16 Ind. de Transf. - Equip. de transporte DM 37 Ind. de Transf. - Madeira, Cortiça e seus produtos. DD 2 Ind. de Transf. - Máquinas e Equip. não específicos. DK 26 Ind. de Transf. - Metais de Base e Prod. Metálicos. DJ 70
Ind. de Transf. – Outras DN 6
Ind. de transf. - Prod. minerais não metálicos - Outros. DI 8 Ind. de transf. – Quím. de Base, Prod. Quím., fibras sintéticas e artific. DG 72
Ind. de Transf. – Têxteis DB 15
Ind. de Transf.- Couro e Prod. de Couro (Exceto vestuário) DC 0
Ind. de Transf.- Eletrônica e Ótica DL 59
Ind. de Transf.- Prod. Alimentícios, Alimentos, Bebidas e fumo. DA 38 Ind. Extrat. - (Exceto produtos energéticos) CB 13 Ind. Extrat.- Extração de Produtos Energéticos. CA 15
Intermediação Financeira J 0
Organizações e Entidades Estrangeiras Q 0
Pesca B 1
Saúde e Serviço Social N 7
Serviço Doméstico P 0
Suprimento de Energia Elétrica, gás e água E 27
Transp; Armazenagens e Telecom. I 55
Aproximadamente, 68% das certificações ISO 14001 estão concentradas no ramo industrial. A própria característica da atividade oferece um potencial de risco ambiental consideravelmente maior do que em relação ao ramo financeiro, por exemplo.
A Indústria Química corresponde sozinha a aproximadamente 11,7% de todas as certificações, que somada às de transformação, de refino, eletrônica, siderúrgicas, equipamentos de transporte e armazenamento e telecomunicações representam quase 65% das certificações, concentradas em apenas 6 áreas como mostra a Figura 2.10.
9% 63%
7%
5%
3%
1%
12%
Ind. de Transformação Transportes/Telecom Imobiliária
Ind. de Extração Comércio Serviços Sociais
Outros
Figura 2.10: Certificados ISO14001 válidos por Área de Atuação NACE (Fonte: Inmetro, 2005) A distribuição das certificações também varia de acordo com as regiões geográficas onde o sul e sudeste, principalmente São Paulo, tem um papel destacado por ser o maior centro industrial do país, que corresponde à aproximadamente 40% de todos os certificados ISO 14001 emitidos, como mostram a Tabela 2.4 e a Figura 2.11.
Tabela 2.4: Certificados ISO 14001 válidos por Localização Geográfica (Fonte: Inmetro, 2005).
Estados da Federação 2001 2002 2003 2004 2005 TOTAL
Alagoas 0 0 1 0 0 1
Amazonas 0 0 8 2 7 17
Amapá 0 0 0 1 0 1
Bahia 0 5 7 14 10 36
Ceará 0 1 2 1 0 4
Distrito Federal 0 1 0 2 2 5
Espírito Santo 0 2 2 6 2 12
Goiás 0 0 0 1 1 2
Maranhão 0 0 3 0 0 3
Minas Gerais 0 2 11 18 8 39
Pará 0 0 3 4 1 8
Paraíba 0 0 0 0 2 2
Pernambuco 0 1 11 3 3 18
Piauí 0 0 0 1 0 1
Paraná 0 2 14 10 6 32
Rio De Janeiro 0 7 32 25 7 71
Rio Grande do Norte 0 0 0 0 1 1
Rio Grande do Sul 1 6 12 19 5 43
Santa Catarina 0 2 10 16 4 32
Sergipe 0 0 2 0 1 3
São Paulo 0 28 80 90 33 231
Fora do Brasil 0 7 6 1 0 14
Total 1 64 204 214 93 576
12,0% 4,5%
1,2%
61,3%
18,6%
2,4%
Norte Nordeste Centro-Oeste
Sudeste Sul Fora do País
Figura 2.11: Distribuição de certificações ISO14001 por região no Brasil (Fonte: Inmetro, 2005) O Brasil, em relação ao resto do mundo, se encontra numa posição pequena, em termos absolutos, quando comparado aos números do primeiro mundo, EUA e Europa.
Mas, considerando as condições e o tamanho da economia, o número de certificações brasileiras surpreende. Quando consideramos esses números com a América Latina, incluindo o México, verifica-se que mais de 40% das certificações são brasileiras.
Quando comparado a países desenvolvidos há certa distância em relação aos Estados Unidos e Alemanha, porém comparados à Noruega e Finlândia, as certificações se aproximam. E comparado aos países em desenvolvimento, o Brasil assume liderança.
Mais relevante ainda é a tendência de crescimento verificada nos últimos anos e a expectativa de que ela se mantenha ou até se torne mais acentuada. Isto revela o crescimento do número de organizações comprometidas com a melhoria de seu desempenho ambiental. Além disso, cada certificação induz novas implantações e certificações de Sistema de Gestão Ambiental ou, pelo menos, de práticas e procedimentos ambientalmente mais corretos.
Pode-se dizer que o número de certificações no Brasil teve um crescimento exponencial significativo, pois em 1999 foi comemorada a marca de 100 certificações e hoje, seis anos depois, este número foi multiplicado 17 vezes, o que revela a postura pró-ativa das empresas brasileiras e demonstra que a ISO 14001 é uma ferramenta eficiente na implementação de atitudes favoráveis ao meio ambiente, incorporando ações comparadas com paradigmas da prevenção à poluição – a Produção mais Limpa – à medida que ocorre redução de matéria-prima natural, de energia, de água, de efluentes e outros resíduos, sem a redução da qualidade do produto e do processo produtivo.