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Este estudo vai ao encontro com o estudo realizado por Bernardo et. al. (2019) quando afirma que houve menor pontuação nas dimensões de aspectos físicos. Em contrapartida ao estudo feito por Da Silva Evaristo et. al. (2020), pacientes em tratamento hemodialítico tendem a apresentar intercorrências durante as sessões, com isso as menores médias tendem a se concentrar nas dimensões Sintomas/Problemas e Dor.

Contudo, vale ressaltar que devem ser observados diferentes públicos, aspectos de faixa etária e outros critérios, o que deixa inviável a mensuração exata.

propostos a amostra que estes respondessem algumas questões descritivas sobre as percepções dessa patologia e como ela interfere na qualidade de vida destes.

Dentre os discursos relatados pelos entrevistados pode-se destacar quatro indicadores, sendo eles: Descobrimento da patologia tardiamente, Abandono de emprego, Mudança de cidade e Restrições diversas.

O indicador de Descobrimento da patologia tardio foi o que mais se relatou entre eles, e isso traz a realidade da importância do rastreio com pessoas que são de risco para o desenvolvimento desta patologia.

Ribeiro et. al. (2020) destaca a importância de maiores informações sobre a DRC, pois a sua ausência de sintomas pode levar o paciente a descobrir quando a perda das funções renais já se encontra em menos de 50% e faz com que a maioria dos casos a descobertas seja tardia.

“Eu sou hipertensa desde os meus vinte anos, sentia muita dor de cabeça e pensei que fosse só enxaqueca. Quando descobri que tinha doença renal, o estado da perda das funções dos meus rins já estava avançado.” (PACIENTE A)

“…eu não fazia acompanhamento e quando comecei a sentir os sintomas já estava avançado.” (PACIENTE B)

“Foi aos poucos, eu comecei a passar mal e fiquei internado quatro dias e quando descobrir já tava os dois rins parados.(PACIENTE C)

Ainda conforme Ribeiro et. al. (2020) o prognóstico para a DRC em estágios iniciais ajudam a prevenir que os piores desfechos venham a acontecer. Faria (2019) confirma que o diagnóstico tardio dessa patologia traz complicações até mesmo na forma do tratamento e assim resulta em complicações com difícil resolução.

Para o indicador de Abandono de emprego, percebe-se que o indivíduo em tratamento hemodialítico necessitada de apoio para sua inserção no mercado de trabalho, e dentre os entrevistados quando questionados sobre o exercício remunerado, muitos afirmaram que tiveram que deixar seus vínculos empregatícios por conta das limitações que o tratamento oferece. Nota-se a dificuldade da inserção desses indivíduos no mercado de trabalho.

“O que mais me impactou foi eu ter que parar de trabalhar, depois que eu comecei a fazer hemodiálise eu não consegui mais trabalhar e isso foi o que mais me impactou naquele momento.”

(PACIENTE D)

“Eu trabalhava na época e como comecei a ter problemas de saúde eu fui despedido e isso impactou muito na minha vida porque era eu que mantinha a minha família e de uma hora pra outra eu fiquei doente e desempregado.” (PACIENTE E)

“Quando eu descobri a doença renal eu trabalhava e me mantia do que eu queria, como meu estado piorou e por conta de ter que fazer hemodiálise, eu fiquei desempregado e isso fez com que eu me sentisse pior, me senti um inútil…” (PACIENTE F)

Conforme RIBEIRO (2019).

O mercado de trabalho exige funcionários polivalentes, que exerçam várias funções, dificultando a inserção dos pacientes renais, que necessitariam de uma maior flexibilidade nos horários e compreensão dos órgãos governamentais, iniciativas privadas e sociedade sobre a sua deficiência. Nisto vê-se a falta de reconhecimento do paciente renal crônico – (PRC) como uma pessoa com deficiência, em que possa usufruir de políticas públicas que amparam a pessoa com deficiência – (PCD).

Outro indicador que foi observado foi a frustração de ter que mudar de suas cidades para a realização do tratamento.

“Eu não aceitava ter que fazer o tratamento longe da cidade onde eu morava, eu morava em outro município e não queria por nada ter que vir morar aqui em Marabá pra ter que fazer hemodiálise.” (PACIENTE B)

“Tem que viajar pra cá três dias da semana e isso não é bom, mas de qualquer forma a gente tem que fazer ou então morre.” (PACIENTE G)

Quando iniciado o tratamento o paciente passa por adaptação de uma rotina pré- estabelecida de ter que se deslocar três vezes por semana até onde possa fazer o tratamento.

Essa rotina pode fazer com que o paciente sinta-se incomodado, e isso reflete da pior forma em pacientes que residam em outras cidades, dificultando o acesso ao tratamento (FLORENCIO, 2021).

Ainda conforme Florencio (2021), a vivência desses pacientes em ter que viajar grandes quilometragens é totalmente cansativo e exaustante o que prejudica ainda mais as condições de saúde. Contudo, em comparação com pacientes que residem no mesmo local, além de ter acesso facilitado ao tratamento torna-se menos cansativo.

O último indicador descrito pela amostra foi as restrições que esses pacientes são obrigados a seguir. No questionário utilizado quando perguntado sobre as restrições com líquidos e dietéticas 95% deles afirmam sofrer com essas restrições, pode-se observar este fato na Gráfico 5.

“…me impactou muito a mudança de hábitos, as restrições que o tratamento impõe ao paciente são muito drásticas. Não podemos beber água, as comidas são diferentes fora as complicações que a gente sente…” (PACIENTE A)

“O tratamento em si é ruim, porque a gente sente muita coisa, tem vezes que a gente sai mal e isso afeta na qualidade de vida da gente, esse tratamento traz muitas limitações e isso é ruim, a questão de não poder beber água pra mim é a pior coisa…” (PACIENTE H)

“As restrições com relação a quantidade de beber água, comidas e questão de trabalhar pra mim são as piores restrições, a gente que mora aqui em Marabá sofre com o calor que aqui faz e não poder beber muita água é ruim demais.” (PACIENTE E)

Para os pacientes em HD é essencial que haja restrições hídricas e dietéticas pois podem sofrer com consequências graves. Em um estudo feito por Ferreira (2020) constatou-se que a maior parte dos entrevistados deste estudo se incomodava com as restrições hídricas e alimentares, o que causa um impacto negativo na vida desses pacientes.

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Fonte: Produção da autora, 2022.

Gráfico 5 – Dados referente a restrições alimentares e hídricas.

O edema (inchaço) está totalmente ligado a restrições, pois se não é feita essas restrições a eliminação hídrica não ocorre naturalmente e fica retida no corpo do paciente podendo ocasionar assim outros problemas de saúde (CARDOSO, DE AZEVEDO PACHECO, 2021).

Para um melhor entendimento sobre os indicadores mencionados pela amostra faz-se necessário a utilização de uma ferramenta que expresse as percepções. O mapa conceitual é uma ferramenta que tem como objetivo deixar clara as informações contidas nele de forma visual. De acordo com Maffra (2011) o mapa conceitual dispõe de características onde associa-se conceitos ligados de forma geométricamente facilitando o entendimento das expressões relacionadas. A Figura 2 vem retratando as percepções dos entrevistados com relação aos indicadores.

Fonte: Produção da autora, 2022.

Figura 2- Mapa conceitual com recortes de falas dos entrevistados sobre os principais indicadores.

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