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A NECESSIDADE E A POSSIBILIDADE DOS ALIMENTOS E O PRAZO DE

Contudo, não se pode esquecer que a proporcionalidade conforme o próprio parágrafo único do artigo 2º traz, ou seja, os alimentos de que trata este artigo são referentes as despesas que deverão ser arcadas pelo futuro pai, devendo considerar a contribuição que deverá ser dada pela grávida, observando a proporção dos recursos de ambos.

Com isso chega-se à conclusão que, a proporcionalidade se configura por respeitar as condições pessoais e sociais do alimentante e do alimentado. “Não pode aquele requisitar um valor exacerbado pelo simples fato deste ter uma renda respeitável, e não pode este pagar uma quantia elevada pelo fato daquele ter necessidades maiores que sua possibilidade”113.

3.4. A NECESSIDADE E A POSSIBILIDADE DOS ALIMENTOS E O PRAZO DE

se ao juiz um extenso campo de ação, capaz de possibilitar o enquadramento dos mais variados casos individuais. Para definir valores, há que se atentar ao dogma que norteia a obrigação alimentar: o princípio da proporcionalidade. Esse é o vetor para a fixação dos alimentos.

Conforme disposto no parágrafo único do artigo 2º da Lei, que os alimentos de que trata este artigo referem-se à parte das despesas que deverá ser custeada pelo futuro pai, considerando-se a contribuição que também deverá ser dada pela mulher grávida, na proporção dos recursos de ambos.

E também descrito no artigo 6º da mesma lei:

Art. 6º. Convencido da existência de indícios da paternidade, o juiz fixará alimentos gravídicos que perdurarão até o nascimento da criança, sopesando as necessidades da parte autora e as possibilidades da parte ré.

Parágrafo único. Após o nascimento com vida, os alimentos gravídicos ficam convertidos em pensão alimentícia em favor do menor até que uma das partes solicite a sua revisão.

Este dispositivo é de extrema importância. De sua redação infere-se que o binômio necessidade/possibilidade deve ser também observando em relação aos alimentos gravídicos, já que dispõe que devem ser consideradas as necessidades da parte autora – no caso, a gestante e o nascituro, bem como as possibilidades da parte ré, que arcará com o pagamento dos alimentos116.

A jurisprudência gaúcha intensifica o posicionamento que devem ser fixados os alimentos de forma a contribuir para a

116 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias, p. 493.

mantença da gestante, porém, de maneira que sejam observados as possibilidades do alimentante e sem sobrecarregá-lo em demasia117.

Outra questão importante acerca do dispositivo em comento é a conversão da pensão à título de alimentos gravídicos em pensão alimentícia após o nascimento da criança.

Sobre o tema, o Desembargador Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves118 se manifesta:

Essa nova lei confere direito à mulher grávida, casada ou não, de receber alimentos desde a concepção até o parto, mediante ação própria movida contra o futuro pai. E, para que sua pretensão seja acolhida, a lei prevê que cabe ao juiz decidir sobre a fixação de alimentos com base em indícios de paternidade, sendo que esses alimentos, uma vez fixados, permanecem em vigor até que ocorra o nascimento com vida, quando então serão convertidos em pensão alimentícia em favor do filho, ocasião em que poderão ser revistos, por provocação de qualquer das partes.

Este artigo dispõe, ainda, que convencido da existência dos indícios de paternidade o juiz fixará os alimentos de que trata a lei.

Essa convicção de que trata o artigo gerou diferentes posicionamentos na jurisprudência, como pode-se observar:

117 Agravo de Instrumento Nº 70033927104, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 24/03/2010.

118 Agravo de Instrumento Nº 70033927104, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 24/03/2010.

(...) para a fixação de alimentos gravídicos, basta apenas a existência de fortes indícios de paternidade para embasar o convencimento do juiz, o que está demonstrado nos autos, pois as fotografias juntadas revelam que a autora mantinha relacionamento afetivo público e íntimo com o réu, de quem era colega de profissão, havendo forte possibilidade de que efetivamente seja o pai do nascituro119.

O parágrafo único do art. 6º dispõe que após o nascimento com vida, os alimentos gravídicos ficam convertidos em pensão alimentícia em favor do menor até que uma das partes solicite a sua revisão.

Após este período é realizado o exame pericial para a verificação se é ou não filho biológico do suposto pai, para então converter os alimentos gravídicos em pensão alimentícia.

Porém, conforme explica Pimenta120, não se pode confundir, porém:

(...) os alimentos gravídicos com o instituto da pensão alimentícia. Esta é devida em razão de parentesco, de casamento e da união estável. Exige-se, portanto, a prova do parentesco ou da obrigação. Já os alimentos devidos ao nascituro, os alimentos gravídicos, são devidos pela simples existência de indícios de paternidade. E é justamente esse um dos pontos mais questionados em relação a essa legislação, já que tal pressuposto para o pagamento de alimentos fere veemente o Princípio da Presunção da Inocência, previsto na Constituição Federal.

119 Agravo de Instrumento Nº 70033927104, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 24/03/2010.

120 PIMENTA, Natália Cristina M.. A importância social da lei dos alimentos gravídicos.

Disponível em: <http://jusvi.com/artigos/40288>. Acesso em 16 de abril de 2010.

Um aspecto importante de se destacar na pesquisa é que a condenação ao pagamento dos alimentos gravídicos se restringe a duração da gravidez, e com o nascimento, com vida, do nascituro, converte-se em pensão alimentícia121.

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