Infográfico 2 Montadoras fabricantes de automóveis instaladas no
3.9 A relação do passado com o presente para o futuro
A formação dos primeiros designers nos leva a pensar no presente e no futuro do desenvolvimento deste profissional. No passado o processo de desenvolvimento de produtos transformou o profissional. Guenter Hix, refletindo sobre seu ofício, observou:
“Antigamente não se detalhava tão profundamente - como hoje, com a computação. Hoje em dia mudou muito a forma de se desenvolver um automóvel. Eu estou te dizendo tudo isso aqui, porque o passado
164 Referência entrevista Sidnei Eich.
165 Referência entrevista Sidnei Eich.
acontecia da improvisação, hoje também acontece, mas para nós, foi uma escola, uma improvisação e muitas coisas aconteceram e fizeram sucesso, porque a Brasília acabou sendo um sucesso”.166
No presente e para o futuro temos empresas como a Volkswagen que estabelecem parcerias com universidades para o desenvolvimento de projetos tendo a participação de alunos, como é o caso da Volkswagen alemã e a Technische Universität Braunschweig na Alemanha. De uma outra forma, o estúdio de design da Volkswagen brasileira criou o concurso Talento Design Volkswagen, que visa - por meio de um concurso de design com as categorias Shape167 e Color & Trim168 -, selecionar quatro estudantes que farão estágio de um ano no estúdio brasileiro. A importância deste concurso se deve exatamente em resposta à necessidade de formação técnica do designer de automóveis.
Gerson Barone discorre sobre o tema:
“(...) Muita gente dentro da indústria me ajudou; muitos profissionais. O Brasil não tinha escola, era muito difícil de estudar no exterior, e foi tudo assim com dificuldade e com ajuda de muita gente. Então eu não posso um dia me aposentar e não passar esta experiência. Não posso.
É um dever que eu tenho com a sociedade”.169
Barone prossegue:
“O concurso Talento Design Volkswagen surgiu primeiro dessa dívida que nós temos com os jovens talentos, com os estudantes. O primeiro plano é esse: ajudar o desenvolvimento desse pessoal, desses estudantes todos”.170
166 Referência entrevista Guenter Hix.
167 Shape Design é o setor no design que busca a síntese do binômio: estética e função; ou seja, é a área de Design que desenvolve novos conceitos estéticos do produto, aliando-os diretamente com sua funcionalidade e a exata integração deste com os anseios do consumidor. O Shape Designer atua na contínua busca por novas formas, que traduzam os conceitos de modernidade, esportividade, desejo, fluidez, aerodinâmica, refinamento e status, além de praticidade e funcionalidade. Este trabalho é
desenvolvido com intuito de trazer emoção para relação homem-máquina, entre o indivíduo e os produtos.
168 Design de Acabamentos ou Color & Trim são detectados nas mais diversas tendências dos mercados automobilísticos, decoração, moda e lifestyle. O Designer de Color & Trim precisa estar atento e
atualizado sobre todos os tipos de acabamentos: figurinos, tecidos, não-tecidos, vinis e couros para os revestimentos internos, cores externas, cores de interiores e de componentes. A partir dessas tendências, acompanha o desenvolvimento de plásticos e gravações de superfície (texturas), carpetes, cadarços de cinto de segurança e guarnições de portas.
169 Referência entrevista Gerson Barone.
170 Referência entrevista Gerson Barone.
Concluindo, em seguida:
“Então, para o estúdio da Volkswagen do Brasil, qualquer tipo de questionamento que surge com a entrada de novos estagiários, passa a ser muito importante. Porque se você deixar, todo processo de design, as dificuldades técnicas, as dificuldades financeiras e tudo, vira uma rotina e que muitas vezes você perde a criatividade ou fica engessado com o tempo. (...) Então a Volkswagen não dá nada, é simplesmente feita uma troca. Ela paga o salário, mas eles trazem muito para a Volkswagen, e a Volkswagen dá esse conhecimento a eles.171
Para Hix o Talento Design Volkswagen tem além dos objetivos apresentados, “dar oportunidade para estudantes, fazer com que a entrada destes traga novas idéias.”
“E você tem que tomar cuidado pra não cair na cegueira né?!?! Porque todos nós, aquilo que a gente sempre vê muitas vezes vira cegueira, você não enxerga, é coisa que a gente sabe. O cara passa todo dia por ali, está vazando água e ele não está vendo. Isso é o pior”.172
A Bentley Motors possui um processo similar ao da Volkswagen, onde através de um concurso seleciona um estagiário pelo período de seis meses.
Para Pires, é um meio de a companhia selecionar alguns dos melhores designers em virtude da dificuldade que algumas empresas sempre enfrentam.
“A história é sempre a mesma, quando você vê um cara que você quer empregar, nunca tem vaga pra você pegar o cara”.173
Já quando pensamos em futuro, lembramos não apenas de carros futuros, mas o processo de criação de um estúdio com mais recursos como é o caso da inglesa Bentley no processo de criação de Pires com o Continental GT.
“Ao mesmo tempo o Continental GT se firmou o carro mais bem sucedido na história da Bentley, em termos de volume. É o carro que eu desenhei. E ele também foi o responsável pelo re-born. Ele ressuscitou a marca, porque a marca durante anos estava debaixo da Rolls-Royce. O GT não foi uma coisa que eu fiquei pensando – eu vou usar um carro desses, e vai ter essa linguagem, o pessoal vai gostar
171 Referência entrevista Gerson Barone.
172 Referência entrevista Guenter Hix.
173 Referência entrevista Raul Pires.
porque parecia, porque está é a estratégia certa pra quando a gente lançar o carro. Então a Volkswagen comprou a Bentley, fez um investimento enorme e reconstruiu a fábrica, reorganizou, construiu uma linha de montagem super moderna, e lançou e desenvolveu uma família nova de carros para Bentley. E o primeiro desse trabalho foi o Continental GT, que por muita sorte foi o meu carro. E hoje os maiores mercados da Bentley são em primeiro Estados Unidos, segundo é China. De quatro portas o maior mercado é a China”.174
Para o futuro, vemos cada vez mais o designer se especializando por
“atividades”, pois o trabalho em equipe em um projeto tão complexo como é o do automóvel, não pode mais ser realizado por apenas um profissional como mostra Hix:
“As vezes é difícil dele falar: Esse carro é de fulano”.175
E completa:
“O designer passou a ser um especialista, e essa é as vezes a dificuldade de estúdios menores, e nós somos um estúdio menor.
Enquanto que na Alemanha tem todo um setor de design de rodas, outro setor de volante, de painel, e vários outros. Veja, a coisa se tornou tão especializada, tão profunda, que você tem que ter especialistas mesmo. Hoje vemos como a atividade de designer de automóveis ela era primitiva e como ela é hoje técnica”.176
Hix aponta ainda um cuidado que o designer deve ter nos dias atuais.
“Hoje em dia, ninguém mais faz nada, todo mundo acha que aperta o botão e tem a informação”.177