3 A UERJ E AS COTAS
considerando também os dados referentes ao número de aprovações no exame da Ordem dos Advogados do Brasil).
O campus Francisco Negrão de Lima, localizado no Maracanã, zona norte do Rio de Janeiro, foi erguido sobre a antiga Favela do Esqueleto, conhecida por esse nome devido ao fato de lá existir a estrutura abandonada da construção de um hospital público que, após sua conclusão, passou a ser o atual Pavilhão Haroldo Lisboa da Cunha.
O campus foi oficialmente inaugurado em 1976, e possui atualmente mais de 160.000 metros quadrados de área construída, 292 salas de aula, 12 bibliotecas, 24 auditórios e 111 laboratórios distribuídos entre o pavilhão João Lira Filho e o pavilhão Haroldo Lisboa da Cunha. O campus no Maracanã também abriga importantes espaços voltados para atividades artísticas e culturais, como o teatro Odylo Costa Filho (o segundo maior teatro do Rio de Janeiro), a galeria Cândido Portinari e a Concha Acústica.
A 200 metros do campus, em Vila Isabel, está localizado o Hospital Universitário Pedro Ernesto, unidade de saúde de alta complexidade vinculada à Uerj. No mesmo terreno, está sediada a Faculdade de Ciências Médicas (FCM), sendo que as faculdades de Enfermagem e Odontologia também estão sediadas em Vila Isabel, próximas ao Hupe.
O Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira, também conhecido como Colégio de Aplicação (CAP) da Uerj é um colégio público da Cidade do Rio de Janeiro.
Criado em 1957 o CAP se tornou uma unidade de experimentação e aperfeiçoamento metodológico e didático do ensino de nível médio, além de centro de treinamento dos alunos da Faculdade de Educação.
A Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF) é a representação da Uerj na Baixada Fluminense. A história desta faculdade inicia-se em 1966, e está associada ao episódio de autorização do funcionamento do Instituto de Educação pelo Conselho Estadual de Educação do antigo Estado do Rio de Janeiro. Em 1988, criou-se a Faculdade de Educação da Baixada Fluminense como Unidade Acadêmica da Uerj. Atualmente a FEBF possui cinco Departamentos: Ciências e Fundamentos da Educação, Formação de Professores, Gestão de Sistemas Educacionais, Educação Matemática e Ensino de Geografia.
O Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (Ceads), criado em 1995, é o órgão da Uerj responsável por estudos e projetos ambientais na Região da Baía da Ilha Grande, litoral sul do Estado do Rio de Janeiro. Por estar situado em local de peculiar beleza natural e riqueza de ecossistemas marinhos e terrestres, o Ceads oferece campo de ensino e pesquisa em amplas áreas.
O Instituto Politécnico do Rio de Janeiro(IPRJ) está situado no Parque Ambiental José Simões Lopes. O campus da universidade em Nova Friburgooferece mestrado e doutorado em modelagem computacional, pioneiro no país, desde 1995, e mestrado em ciência e tecnologia de Materiais desde 2007. Tem forte atuação junto aos setores produtivos da região, metal-mecânico e agronegócios.
A Faculdade de Tecnologia (FAT) foi criada em 1993, em Resende, com a implementação do curso de Engenharia de Produção. Atualmente, oferece o curso com ênfase em Mecânica e Química. Conta com os cursos de pós-graduação lato sensu em Engenharia da Qualidade e Gestão Industrial. Na linha de pós-graduação stricto sensu, oferece curso de Mestrado.
Desde 2010, a Uerj oferece também 40 vagas para o curso de Turismo na cidade de Teresópolis. O projeto é que se construa um campus e se ofereça mais cursos na cidade.
A Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP), situada em São Gonçalo, é a maior unidade da Uerj no estado do Rio de Janeiro fora do campus Maracanã. Dedicada à formação de professores, oferece seis cursos de licenciatura plena, nove cursos de pós-graduação (especialização), seis mestrados, sendo quatro acadêmicos e dois profissionais, e um doutorado. Sendo a única unidade de uma universidade pública localizada no município de São Gonçalo, a FFP/Uerj atende cerca de 2.500 alunos de graduação oriundos de inúmeros municípios da Região Metropolitana e do interior fluminense, inscritos em cursos de licenciatura em Pedagogia, História, Geografia, Matemática, Letras (Português/Literatura e Português/Inglês) e Biologia.
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro alcançou grande extensão do estado do Rio de Janeiro, tornando-se mais democrática, uma vez que leva cursos superiores a localidades marcadas por serem espaços dominados por universidades privadas.
O vestibular da Uerj compõe-se de duas etapas, a primeira consiste num Exame de Qualificação com prova de questões objetivas de múltipla escolha, versando sobre os conteúdos básicos de disciplinas agrupadas nas áreas de conhecimento determinadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Esta etapa considera eliminado o candidato que possuir desempenho com conceito E, que representa um percentual menor do que 40% de acertos nas provas. A segunda etapa do vestibular é o Exame Discursivo, composto de três provas discursivas: uma prova de Língua Portuguesa Instrumental com Redação, para todos os cursos, e duas provas de disciplinas específicas, de acordo com o curso escolhido. São eliminados nesta etapa os candidatos que obtém zero em qualquer uma das três provas. O resultado final para o candidato à Uerj tem caráter eliminatório e
classificatório e é obtido pelo somatório do resultado do Exame Discursivo e da pontuação recebida no Exame de Qualificação, totalizando o máximo de 100 (cem) pontos. A classificação do candidato obedece à ordem decrescente do total de pontos de acordo, exclusivamente, com sua opção de curso.
A classificação na Uerj considera também a opção do tipo de vaga (não reservada ou reservada). O candidato à Uerj somente tem sua classificação definida após serem esgotadas todas as sub opções dos candidatos que o antecederam na classificação, dentro da mesma opção de curso e do mesmo grupo de cotas, se candidato ao sistema de cotas.
Caso algum curso não tenha as vagas reservadas em determinado grupo de cotas preenchidas, estas são, prioritariamente, ocupadas por candidatos dos demais grupos de cotas, obedecendo-se à ordem geral de classificação. Se ainda restarem vagas, após esgotados os critérios do item, estas deverão ser ocupadas pelos candidatos às vagas não reservadas. E se em algum curso da Uerj não forem preenchidas as vagas não reservadas, estas deverão ser ocupadas pelos candidatos às vagas reservadas, obedecendo-se à ordem geral de classificação (UERJ, 2014)
Além do caráter democrático de expandir os campi por todo estado, a Uerj também se destaca pela iniciativa de políticas públicas de ações afirmativas.
No estado do Rio de Janeiro, em 2000, sob o governo de Antony Garotinho, foi estabelecida a Lei Estadual nº 3.524, de 28 de dezembro de 2000, que instituiu a reserva de 50% das vagas das universidades públicas estaduais, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), para estudantes que tivessem cursado integralmente o ensino fundamental e médio nas escolas públicas do Estado do Rio do Janeiro.
Mais tarde a Lei nº 3.708, de 09 de dezembro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 30.766, de 04 de março de 2002, determinou a reserva de 40% das vagas de cada um dos cursos dessas universidades estaduais para estudantes autodeclarados negros e pardos.
Assim, obedecendo ao disposto, em 2003 foram realizados na Uerj dois concursos vestibulares distintos: um denominado Sistema de Acompanhamento do Desempenho dos Estudantes do Ensino Médio mantido pelo Poder Público (Sade), destinado apenas aos candidatos oriundos das escolas da rede pública que tinham cursado integralmente o ensino fundamental e médio em escolas públicas do Estado do Rio de Janeiro; e outro para os demais candidatos, ou seja, o vestibular nos moldes tradicionais.
O fato de terem sido aplicados exames de qualificação diferentes se justificou porque, quando saíram os recursos para o vestibular Sade, o exame de qualificação do vestibular
estadual já havia ocorrido. Mas a Uerj afirma que, apesar de terem sido feitas em momentos diferentes, a banca, o conteúdo e a medida de dificuldade foram os mesmos (UERJ, 2003).
Assim, as vagas para os cursos de graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro foram distribuídas da seguinte forma em 2003: o vestibular Sade ofereceu 2.485 vagas, distribuídas entre os 1º e 2º semestres de 2003, em cursos de graduação, nos termos da Lei nº 3.524/2000 e dos Decretos nº 29.090/2001 e 31.468/2002; e além destas, outras 2485 vagas continuaram como Vestibular Estadual, que poderia contemplar alunos de instituições privadas e de outros estados.
De acordo com a Lei nº 3.708/2001 e com o Decreto nº 30.766/2002, tanto a Uerj quanto a Uenf reservaram 40% do total de vagas relativas aos seus cursos de graduação para candidatos que se autodeclararam negros ou pardos, obedecidos os critérios definidos no art.
3º do referido decreto. Deste modo, o percentual acima foi calculado sobre o somatório das vagas destinadas ao Vestibular Sade e ao Vestibular Estadual. É importante lembrar que as cotas não se somaram simplesmente, mas sobrepuseram-se.
Art.3º - No preenchimento de suas vagas, deverão as universidades observar, sucessivamente, o seguinte:
I - verificar os candidatos qualificados de acordo com os critérios tratados na Lei nº 3.524/2000, selecionando-os para o ingresso até o limite das vagas destinadas a tal fim;
II - identificar, dentre os alunos selecionados para o ingresso na instituição na forma do inciso anterior, o percentual que se declarou negro ou pardo, em relação ao número total de vagas oferecidas, por curso e turma;
III - deduzir da cota de 40%, o percentual de candidatos selecionados na instituição declarados negros ou pardos, que foram beneficiados pela Lei nº 3.524/2000 (art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 3.708/2000);
IV - preencher as vagas restantes, da cota de 40%, com os demais candidatos negros ou pardos que tenham sido qualificados para o ingresso na instituição, independentemente da origem escolar; e
V - preencher as demais vagas oferecidas independentemente da cor, raça ou origem escolar do candidato qualificado.
Parágrafo único - Em caso de reclassificação, deverão as universidades observar os sistemas de cotas estabelecidas pelas leis nº 3.524/2000 e 3.708/2001 (Decreto nº 30.766/2002).
Assim, a sobreposição destas duas reservas determinou que, se metade das vagas estava destinada ao Vestibular Sade e a outra metade ao Vestibular Estadual, de acordo com o previsto na Lei nº 3.524, 40% do total de vagas seriam destinadas aos autodeclarados negros e pardos, conforme a determinação da Lei nº 3.708. A orientação, assim, seria procurar dentre os primeiros colocados do vestibular Sade os autodeclarados negros e pardos até o limite dos 40% das vagas. Caso a totalidade destes 40% não fosse preenchida dessa forma, ou seja, se os colocados no Vestibular Sade não tivessem completado a parcela dos 40% autodeclarados, as demais vagas que cabiam aos negros e pardos deveriam ser preenchidas por aqueles autodeclarados que constassem na listagem dos aprovados do Vestibular Estadual. E, se ainda
desse modo, as vagas não fossem preenchidas, seriam deduzidas dos alunos do Vestibular Sade. Por fim, se ainda houvesse necessidade, seria feito o mesmo com os alunos classificados pelo Vestibular Estadual, identificando-se os negros ou pardos. O certo é que as vagas deveriam ser preenchidas por negros e pardos autodeclarados, ainda que suas notas fossem inferiores às tiradas pelos alunos não beneficiados pela cota prevista na Lei nº 3.708.
Apesar das inscrições do Sade terem correspondido a apenas 22% do vestibular de 2003 (UERJ, 2003), a universidade contabilizou que, no ano de 2003, 63% das 4.970 vagas oferecidas foram preenchidas por candidatos beneficiados por algum tipo de reserva. No curso de Desenho Industrial, por exemplo, 77,78% das vagas foram preenchidas através de alguma forma de reserva de vagas.
Esta primeira experiência culminou em muitas contestações, tanto ações de candidatos que se sentiram prejudicados, quanto por uma representação do Deputado Estadual Flávio Bolsonaro, que questionou a constitucionalidade da Lei. Este assunto foi pauta da 1ª Sessão Ordinária do Conselho Universitário em 21 de março de 2003, com continuidade no dia 26 de março do mesmo ano. A Reitora informou nesta reunião que a representação do Deputado, no que dizia respeito à reserva de vagas para estudantes da rede pública de ensino, foi acatada por um desembargador que concedeu uma liminar suspendendo os efeitos da Lei para este público. Para a outra representação, que questionava a constitucionalidade da reserva de vagas para negros, não foi concedida liminar, mostrando a complexidade da situação, inclusive do ponto de vista jurídico, na medida em que dois desembargadores reagiram de maneiras distintas sobre o caso (CONSUN, 2003).