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ALIMENTOS E OS DITAMES DA SÚMULA 358 DO STJ

ou familiares e voluntários aqueles devidos por força de uma declaração de vontade

106

.

Segundo Gonçalves

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: “os alimentos definitivos são aqueles de caráter permanente, estabelecidos pelo juiz na sentença ou em acordo das partes devidamente homologado. Provisórios são os fixados liminarmente no despacho inicial proferido na ação de alimentos e provisionais são os determinados e medida cautelar”.

Para esclarecer sobre os alimentos futuros e pretéritos importante citar Buzzi

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quanto a esses conceitos:

Esta classificação em alimentos futuros ou pretéritos tem significação ou relevância, quando se pretende determinar o termo a quo a contar do qual os alimentos passam a ser exigíveis e, assim, se são devidos desde a sua fixação, isto é, do estabelecimento para o futuro, ou se englobam termo já passado.

Alimentos futuros são os devidos a contar do estabelecimento deles em acordo, ou determinação judicial, a partir de tais marcos.

Alimentos pretéritos são aqueles estabelecidos em momento anterior ao acordo de vontades ou à determinação judicial.

Dado o exposto verifica-se que a terminologia quanto à

natureza dos alimentos é importante no tocante que estes imperam quanto à

discussão do tema de dar alimentos e resolvem questões na qual encontra-se no

dia-a-dia.

Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às

necessidades de sua educação.

Parágrafo Primeiro: Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. Parágrafo Segundo: Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia.

Analisando o texto do diploma legal supra transcrito, é possível constatar-se que o legislador deixou uma lacuna no que se refere ao término da obrigação de pagar alimentos aos filhos maiores de 18 (dezoito) anos, motivo pelo qual foi editada a verbete sumular n. 358 do STJ, com o seguinte texto: “O

cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos”.

Acerca do tema enfocado pela Súmula em comento, Narezi

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delineia:

Como se sabe, a súmula nada mais é que a consolidação da posição de um tribunal acerca de determinada matéria, considerando a existência de repetidos julgamentos onde a mesma é discutida, de forma a orientar as instâncias inferiores.

A súmula citada se aplica nos casos em que a maioridade do alimentado (filho) é, no entender do alimentando, causa para a cessação do direito ao percebimento de pensão alimentícia, posto que existem situações em que o acordo ou a decisão que os estabelece não fixa o termo final para tal obrigação.

Importa salientar que o Código Civil de 2002 diminuiu a maioridade civil de 21 (vinte e um) anos para 18 (dezoito) anos, permitindo, inclusive, que adolescentes de 16 (dezesseis) anos sejam emancipados, fazendo, desta forma, crescer a premissa de que os jovens podem se auto-sustentar a partir de 16 ou 18 anos, levando em consideração que o competitivo mercado de trabalho não vislumbra que tais “adultos” aufiram renda mensal suficiente para que tenham necessidade de prover sozinhos seus alimentos – nestes englobados todos àqueles itens necessários à sobrevivência pessoal, social e cultural.

109 NAREZI. Paulo Roberto. Os alimentos e a Súmula 358 STJ. Disponível em:

http://www.parana-online.com.br/colunistas/237/60204/. Acesso em: 26 nov. 2009.

Sobre a matéria leciona Rizzardo

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: “A necessidade é o aspecto de maior relevância, ou o primeiro requisito a ser examinado, posto que dele depende o exame dos demais. Em principio, considera-se em estado de necessidade quem não pode satisfazer as exigências da vida por seu trabalho, ou com o rendimento de seus bens”.

Portanto, o que é possível verificar a partir da edição da Súmula em análise, é que o simples fato de um indivíduo atingir a maioridade civil não obsta o seu direito de receber alimentos automaticamente, sendo necessário instar o Poder Judiciário para que este, embuído de sua competência, análise as circunstâncias que permeiam caso a caso e decida da forma mais equânime possível.

Sobre este aspecto bem disserta Narezzi

111

:

Até porque, como é de praxe em processos de separação ou divórcio, o menor, diretamente favorecido com a fixação de pensão alimentícia, tem seu direito fiscalizado pelo Ministério Público e Pelo Judiciário, não sendo crível admitir-se, por antecipação, que o alcance da maioridade, por si só, é garantia de que o mesmo já tem

condições de auto sustentar-se.

Muitas vezes, no processo de separação ou divórcio, a fixação dos alimentos é feita até mesmo antes do alimentado completar 1 (um)

ano de vida.

Além do mais, é fato notório que na idade da maioridade civil, o jovem, corretamente enquadrado na cadeia educacional, deve ter apenas e tão somente iniciado seu curso de graduação, sendo exceção à regra aqueles que já conseguem se manter sem

dependência junto à família.

Assim é que, alcançada a maioridade, o interessado (alimentante) poderia requerer ao Juízo competente (Vara de Família) a redução ou até mesmo a exoneração do ônus de alimentar fixado ou

homologado em sentença.

Isto pode ser feito tanto no próprio processo onde foi fixada a verba alimentar, como em autos próprios, onde a pretensão seria a de revisão ou a de exoneração de alimentos.

Nesta hipótese caberá ao Juiz analisar a capacidade e a necessidade, respectivamente do alimentante e do alimentado, para basear a sua decisão de manutenção, redução ou até mesmo exoneração da obrigação anteriormente fixada.

Contudo, se a sentença que homologar ou fixar a pensão alimentícia, estabelecer previamente de forma expressa e

110 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família: Lei n° 10.406, de 10.01.2002. p. 738.

111 NAREZI. Paulo Roberto. Os alimentos e a Súmula 358 STJ. Acesso em: 26 nov. 2009.

inequívoca, como termo final da referida obrigação a maioridade do alimentado, quer nos parecer que tal condição deve prevalecer, já que a coisa julgada, ainda que formal, só poderia ser alterada mediante nova provocação do Poder Judiciário.

Outrossim, vale dizer que da mesma forma que a legislação relativa a alimentos no país dispõe que o alimentante não pode pura e simplesmente extinguir o pagamento dos alimentos, à revelia do Judiciário, onde é respeitado o contraditório, de igual forma, não pode o alimentado, sem o devido processo legal – ação de alimentos, requerer seja mantido o direito garantido por lei até a maioridade civil ou a nova fixação de patamar, sem movimentar a máquina do Judiciário

112

.

O mesmo se pode dizer em relação à comprovação da necessidade de o alimentado continuar a receber o benefício e, noutro ponto, do alimentante comprovar as hipóteses competentes para se ver livre da obrigatoriedade lhe imposta por lei, ou seja, deve o Poder Judiciário ser instado

113

.

112 NAREZI. Paulo Roberto. Os alimentos e a Súmula 358 STJ. Acesso em: 26 nov. 2009.

113 NAREZI. Paulo Roberto. Os alimentos e a Súmula 358 STJ. Acesso em: 26 nov. 2009.

CAPÍTULO 3

A OBRIGATORIEDADE DE SE PAGAR ALIMENTOS APÓS A MAIORIDADE

Notadamente, das maiores problemáticas existentes nas sociedades modernas, é o fato dos pais separados entenderem que o valor pago a título de pensão alimentícia não se destina a custear “luxo” ou outras compras do ex- cônjuge ou ex-companheiro, mas sim a adimplir com o sustento de seu dependente.

Neste sentido escreve Oliveira114:

De acordo com o princípio constitucional de igualdade de tratamento dos filhos nascidos dentro e fora do casamento (art.227, §6°, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), o pai e a mãe devem prover, portanto, ao sustento e à educação da criança.

Esta obrigação começa com o nascimento, mesmo que a filiação só se estabeleça mais tarde115, e dura até a maioridade do filho.

Contudo, sopesando tal preceito com as condições econômicas que se tem no Brasil, onde a média salarial de um trabalhador orbita atualmente em torno de R$ 510,00 (quinhentos e dez reais) (um salário mínimo) e as uniões, mesmo que estáveis, são um costume, o pagamento de verbas alimentícias se torna uma espécie de “fardo”.

Assim pode-se dizer que há uma certa “explicação” para algumas condutas equivocadas acerca da obrigatoriedade de se pagar alimentos.

Porém, partindo dessa ótica, vale mencionar que, desde que foi instituída a obrigatoriedade legal de se pagar alimentos aos filhos “menores”, aquele genitor que fica com esta incumbência (isso quase na integralidade dos casos) acredita que aquela cessa quando o alimentando completa a maioridade civil; ou seja, 18

114 OLIVEIRA, José Lamartine Corrêa de. Curso de direito de família. 4 ed. 4ª tir. Curitiba:

Juruá, 2004. p.75

115 Art. 229. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988.

(dezoito) anos de idade, pouco importando, se aquele detém ou não condições de se sustentar com suas economias, ou mesmo, se possui esta.

É assim também que a doutrina salienta no entendimento de Cahali

116

:

o dever do sustento se extingue com a maioridade, ou mesmo com a emancipação do filho: ao romper-se o vínculo do poder familiar, cessam os efeitos pessoais do mesmo, entre os quais o dever de sustento do filho, e surge como única e autônoma a prestação legal de alimentos, condicionada, agora, esta, ao estado de necessidade do filho e à possibilidade do genitor.

Mas, considerando os dispositivos do Código Civil de 2002, facilmente verifica-se que o entendimento arraigado no costume do país não tem qualquer alicerce do ponto de vista legal.

Cahali

117

afirma:

(...) a maioridade extingue o poder familiar, com ela desapareceria, de pleno direito, o dever de sustento; ou, como assinalava Pontes de Miranda, aquele dever, originado do Poder Familiar, “cessa quando cessa por inteiro o [então] pátrio poder”.

(...) em realidade, nesta sede, algumas concessões podem ser feitas sem que se descaracterize a tese da cessação automática do dever de sustento pela cessação do poder familiar, afirmando-se que

“somente em casos especialíssimos, entre eles o dos filhos maiores inválidos, persiste o dever alimentar dos pais (...) É que, tratando-se de filho acometido de grave enfermidade, não propicia a exoneração do encargo alimentar a extinção do poder familiar pela aquisição da maioridade, eis que a necessidade de recebimento dos alimentos não deriva mais da faixa etária e sim de seu precário estado de saúde tal entendimento tem sido geralmente adotado naqueles casos em que o filho encontra-se cursando escola superior.

Isso porque, o art. 1.695 do Código Civil de 2002

118

, claramente regulamenta que os alimentos são devidos àqueles que não podem prover com seu trabalho a própria subsistência:

Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria

116 CAHALI, Yussef Saad, Dos Alimentos. 5 ed. 2007. p.352

117 CAHALI, Yussef Saad, Dos Alimentos. 5 ed. 2007. p.457-460.

118 BRASIL. Novo Código Civil. Lei nº 10.406 de 10 de janeiro de 2002. Aprova o novo código civil brasileiro. Brasília, DF, 2002.

mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento.

Em suma, o genitor (alimentante) que detém a obrigação de prestar alimentos ao filho (alimentado), não se desincumbe daquela pelo simples fato deste completar 18 (dezoito) anos, pois, mesmo que ao completar a maioridade, o direito se perpassa em alguns casos previstos no ordenamento jurídico pátrio, conforme se desdobrará a partir deste ponto do presente estudo.

3.1 DA OBRIGATORIEDADE DE SE PRESTAR ALIMENTOS APÓS A MAIORIDADE PARA FILHOS ESTUDANTES

Com a entrada em vigor do Código Civil de 2002, um dos temas controversos que passaram a fazer parte do bojo legal deste e do cotidiano da sociedade brasileira como um todo, é a obrigatoriedade de se pagar alimentos aos filhos, pois, a controvérsia surge exatamente quanto ao tempo que tal verba é imperativa, isto é, o dever de sustento cessa aos 18 anos, aos 21 anos, aos 24 anos, ou quando efetivamente?

Pois bem. O dever de sustento dos pais para com os filhos está previsto no ordenamento jurídico pátrio em inúmeros instrumentos normativos, a iniciar pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (art. 229, 1ª parte), passando pela Lei. 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente (art. 22), e atingindo o disposto no Código Civil de 2002 (arts. 1566, IV e 1724).

Neste liame entende Oliveira

119

:

É pacifico, na maioria dos sistemas jurídicos, que a obrigação de sustento se prolongue além da maioridade sempre que o filho não tenha terminado seus estudos ou sua formação profissional. A duração dessa sobrevivência vem apreciada em cada caso concreto segundo as circunstâncias. A jurisprudência francesa exige a realização de quatro condições: ausência de recursos do filho e existência de recursos dos pais; que a instrução ou ensino seja útil ao filho e que ele esteja apto. a formação profissional ou o estudo

119 OLIVEIRA, José Lamartine Corrêa de. Curso de direito de família. p.75

deve estar de acordo com as aptidões físicas, psíquicas e intelectuais do filho.

No entanto, nenhum dos mencionados dispositivos preconiza expressamente que a obrigatoriedade de se prestar alimentos descontinua a partir dos 18 (dezoito) anos. Em verdade, é possível constatar-se que, sopesando o disposto no art. 5º c/c art. 1.635, III, do Código Civil de 2002, que o primeiro mecanismo jurídico trouxe a redução da maioridade civil e, por conseqüência, o segundo a antecipação da extinção do poder familiar, de modo que o entendimento nos tribunais pátrios e da sociedade como um todo se deu no sentido de que, os alimentos deveriam ser pagos aos filhos tão apenas até os 18 (dezoito) anos de idade. Noutras palavras, o que houve foi uma imposição legal de forma tácita conforme se observa nos entendimentos dos tribunais e doutrinadores.

Oliveira

120

também estuda sobre a maioridade dos filhos que estudam e traz considerações no tocante ao tema:

Assim, os pais estão obrigados a assumir as despesas de sustento e de educação, nos limites de seus reais recursos, sempre que o filho carecido não tenha recebido instrução necessária ao exercício profissional, ou não tenha adquirido instrução suficiente para exercer uma profissão capaz de permitir que se sustente com seu trabalho, ou, se com a aprovação dos pais, iniciou estudos universitários de longa duração, que ainda não terminou na altura em que atingiu a maioridade.

No mesmo sentido entende Rizzardo

121

que “(...) o atingir da maioridade não faz cessar, automaticamente, o encargo do sustento, máxime se os filhos se encontram estudando, mostrando disposição de alcançarem uma profissionalização universitária, o que é aceito de praxe pelos tribunais”.

Por outro lado, contudo, necessário frisar que, muito embora o costume de exoneração por parte daquele genitor que detém a obrigatoriedade de prestar alimentos ao filho esteja arraigado na premissa que tal se dá com a maioridade, ou seja, aos 18 (dezoito) anos, há que se mencionar que o próprio Código Civil de 2002 traz em seu texto legal um dispositivo que fulmina por completo

120 OLIVEIRA, José Lamartine Corrêa de. Curso de direito de família. p.76

121 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família: Lei n° 10.406, de 10.01.2002. p.755.

esta equivocada concepção cultural, a saber: o art. 1.694, que, por sua vez, prevê que os alimentos devem prover as necessidades relativas com a educação.

Portanto, surge com isso, o ponto motriz do presente estudo monográfico, pois, se esta expresso no Código Civil de 2002 que os alimentos devem suster também as necessidades adstritas à educação, por certo que a obrigatoriedade de se pagar alimentos não se encerra aos 18 (dezoito) anos nos casos em que o alimentando não constitua renda suficiente para se sustentar, bem como prover sua educação e ingressar no mercado de trabalho que nos dias atuais é de extrema relevância e apresenta enorme dificuldade.

O entendimento de Rizzardo

122

esclarece:

A matéria, presentemente, revela contornos diferentes de tempos pretéritos. É de todos conhecida a dificuldade em se conseguir uma colocação no mercado de trabalho. Pouco importa que o filho se encontre habilitado a exercer uma profissão, se não se lhe são abertas as portas para desempenhar a profissão. Quem ignora o número excedente de pessoas aptas para toda espécie de trabalhos, que exige alguma habilitação? Ademais, longos anos de tentativa e prática se exige antes de conseguir qualquer profissional liberal alguma solidez econômica na carreira escolhida. De sorte que, nos tempos que concorrem, persiste a obrigação enquanto não se concretizarem as perspectivas de segurança econômica

.

Assim, o alimentando comprovando eficazmente (documentalmente) que aos 18 (dezoito) anos é estudante e não dispõe de recursos financeiros suficientes para manter sua subsistência mais os estudos, ao passo que o alimentante possui condições econômicas de continuar a lhe prestar alimentos, é assente o entendimento nos tribunais pátrios de que a verba recebida por aquele e paga por este mensalmente deverá perdurar até a conclusão dos estudos e inserção no mercado de trabalho, que, em regra, se dá aos 24 (vinte e quatro) anos.

A propósito, este colhe-se da jurisprudência do Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo

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:

Ementa - Ação de Exoneração de Pensão – Credora que atingiu a maioridade - Fato que, por si só, não autoriza a exoneração — Inteligência da Súmula 358 do STJ - Demonstração de que a credora ingressou em curso universitário - Inexistência de razão

122 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família: Lei n° 10.406, de 10.01.2002. p.761.

123 TJSP. BRASIL. Apelação Cível N. 990.10.043486-1 Relator: LUIZ ANTONIO COSTA. Data do Julgamento: 24/03/2010. Data do Registro: 05/04/2010.

para prefixação em data certa do término da obrigação – Não demonstração da redução da capacidade financeira do credor capaz de tornar insuportável o encargo — Sentença reformada — Pensão mantida tal como anteriormente fixada — Recurso Provido.

O fundamento principal do pedido formulado na inicial vem na maioridade alcançada pela Apelante que, como cediço, não mais se admite como fundamento único à exoneração, sendo necessário dar-lhe oportunidade de comprovar que ainda necessita da verba para sua manutenção, aí incluída a necessidade de pagamento de seus estudos, conforme autoriza a Súmula 358, do E. STJ, verbis "O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos. Também entendo que não se sustenta a fixação de data fixa para o término da obrigação que, in casu, não guarda qualquer relação com os fatos e os fundamentos discutidos nos autos, pois comprovado que a necessidade há de perdurar até que cesse a necessidade, como tem sido reiteradamente decidido nesta Corte e nos Tribunais Superiores.

Assim, proponho a reforma da decisão para que a ação seja julgada improcedente, mantendo-se a verba alimentar tal como vigente até que cesse a necessidade demonstrada nos autos (conclusão do curso superior).

Isto posto, dou provimento ao recurso.

Em igual sentido é o entendimento da corte gaúcha

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que negou provimento a apelação de pai com condições de colaborar a título de pensão alimentícia com seus filhos que ao atingirem a maioridade estão ingressando em escola de nível superior e com seu trabalho não se subsistem por si só:

APELAÇÃO CÍVEL. FAMÍLIA. EXONERAÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. FILHOS MAIORES. CABIMENTO DA VERBA ALIMENTAR NO CASO CONCRETO.

POSSIBILIDADE E NECESSIDADE.

Não há falar em exoneração da obrigação alimentar do alimentante em relação aos alimentados tão só pelo fato de que estes são maiores de idade e trabalham, porquanto freqüentam curso técnico e curso superior, não podendo prescindir do auxílio paterno.

À desobrigação do alimentante deve concorrer prova da desnecessidade dos alimentados. Recurso Desprovido.

Apelação Cível – Oitava Câmara Cível. N° 70011639895 Comarca de Passo Fundo –

Apelante : JCSS Apelados: D.R.S.E.R.S

Conheço do recurso, porque adequado e tempestivo.

124 TJRS – N. 70011639895/2005. Relator. Dês. JOSÉ S. TRINDADE. Data de Julgamento:

09/06/2005. Data da publicação: 01/07/2005.

No mérito, sopesando os elementos constantes dos autos, não merece provimento o apelo do autor Inicialmente, cumpre lembrar que é entendimento pacífico deste Tribunal que a maioridade do filho, por si só, não é causa automática extintiva da obrigação alimentar dos pais, sobretudo considerando-se que o Novo Código Civil, ao disciplinar a matéria, estabeleceu que os parentes podem pedir alimentos uns aos outros, inclusive para atender às necessidades de educação, sem limitação à maioridade civil (art.

1.694).

Ensina Regina Beatriz Tavares da Silva que “O instituto dos alimentos entre parentes compreende a prestação do que é necessário à educação independentemente da condição de menoridade, como princípio de solidariedade familiar. Pacificou-se na jurisprudência o princípio de que a cessação da menoridade não é causa excludente do dever alimentar. Com a maioridade, embora cesse o dever de sustento dos pais para com os filhos, pela extinção do poder familiar (art. 1.635, III), persiste a obrigação alimentar se comprovado que os filhos não têm meios próprios de subsistência e necessitam de recursos para a educação”125

Neste contexto a Jurisprudência que esta sendo analisada, apresenta entendimento que se os filhos, mesmo que atingidos a maioridade pelo vigente Código Civil de 2002, que estiverem trabalhando, mas mesmo assim não terem condições de arcar com seu próprio sustento e continuar os estudos e tendo os pais condições de pagar alimentos é o entendimento, que seja mantido a prestação a título de colaboração até que estes possam ter condições.

No tocante a todo o exposto decidiu o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, sobre o caso em tese

126

:

(...) Portanto, o dever dos pais de sustentar o filho menor é decorrente do poder familiar, presumindo-se a necessidade em face da incapacidade. A maioridade civil, por sua vez, extingue o dever de sustento dos pais, mas não a obrigação alimentar, que poderá subsistir se, presentes as necessidades, o interessado não puder prover, pelo seu trabalho, a própria mantença (art. 1.695 do CC).

(...) Quanto ao apelante, tem-se que não demonstrou sua impossibilidade de arcar com a verba alimentar. Em síntese, do compulsar do processo o que salta aos olhos é a total carência de elementos sinalizadores

da desnecessidade

alimentar dos recorridos ou da falta de condições do alimentante (já que este se limitou a respaldar seu pleito na maioridade dos filhos com condições de desempenhar atividades profissionais). Ante o exposto, o voto é pelo desprovimento da apelação.

125 in “Novo Código Civil Comentado”/coordenador Ricardo Fiuza, São Paulo, Saraiva, 2002, p. 1503.

126 TJRS – N. 70011639895/2005. Relator. Dês. JOSÉ S. TRINDADE. Data de Julgamento:

09/06/2005. Data da publicação: 01/07/2005.

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