O modelo de maturidade em Gestão por Processos da Cemig foi feito por meio do algoritmo de Rasch, que tem seus resultados detalhados na Tabela 9. Os itens estão ordenados
de forma decrescente, pelo valor do logit, que é a diferença entre a mediana da nota ideal dada pelos especialistas (LAHRMANN et al., 2011) e a média da nota dada pelos respondentes.
𝐿𝑜𝑔𝑖𝑡 = 𝑚𝑒𝑑𝑖𝑎𝑛𝑎 (𝑛𝑜𝑡𝑎 𝑑𝑜𝑠 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐𝑖𝑎𝑙𝑖𝑠𝑡𝑎𝑠) − 𝑚é𝑑𝑖𝑎 (𝑛𝑜𝑡𝑎 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙 𝑑𝑜𝑠 𝑟𝑒𝑠𝑝𝑜𝑛𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠)
Nessa esteira, o logit demonstra a dificuldade de se alcançar determinado patamar, de forma que, quanto maior o logit, mais difícil é de se evoluir naquele item. Ou seja, se o logit (mediana das notas dos especialistas – média das notas dos respondentes) for maior do que zero, representa que aquele item tem alguma dificuldade para evoluir e, quanto maior o valor, mais difícil é de se evoluir. Por outro lado, se o logit for igual ou menor do que zero, representa que aquele item já atingiu (se igual a zero) ou superou (se menor do que zero) o patamar e, quanto menor o valor, mais fácil é de se evoluir. Os itens foram agrupados pela coluna Cluster, que sinaliza em que nível de maturidade, de um a cinco, se enquadra o item. Foi aplicado o número de cinco clusters, conforme sugerido por Lahrmann et al. (2011), uma vez que a maioria dos modelos de maturidade trabalha com o número de cinco níveis.
Item Logit Outfit Infit Cluster
Infr3 0,67 0,95 0,93 5
Des5 0,48 1,07 1,07 5
Prop1 0,40 1,13 1,12 5
Infr4 0,30 0,67 0,71 4
Infr2 0,23 0,93 0,98 4
Infr1 0,18 0,84 0,86 4
Des2 0,18 0,83 0,85 4
Prop3 0,13 0,87 0,88 4
Des7 0,07 1,71 1,66 3
Des4 0,06 0,78 0,77 3
Idp3 0,05 0,82 0,82 3
Des1 0,00 1,05 1,14 3
Des3 -0,02 0,80 0,82 3
Exe3 -0,04 0,85 0,85 3
Exe1 -0,05 0,93 0,93 3
Idp1 -0,09 0,63 0,64 3
Exe2 -0,14 0,85 0,89 3
Prop4 -0,17 0,71 0,77 3
Prop2 -0,24 0,75 0,80 3
Idp4 -0,35 0,74 0,80 2
Des6 -0,41 1,49 1,64 2
Exe4 -0,54 0,78 0,82 2
Idp2 -0,65 1,05 1,20 2
Des8 -1,03 1,52 1,84 1
Tabela 9: Resultados do modelo Rasch Fonte: Dados da pesquisa
Figura 29: Dendograma do logit resultado do algoritmo de Rasch Fonte: Dados da pesquisa
Pode-se afirmar que os clusters 1, 2 e 3 não representam desafio para a Cemig, por terem apenas logit negativo ou próximo de zero.
Em outras palavras, a nota do especialista dada como ideal já foi superada ou praticamente alcançada. Os itens desses níveis são entendidos como fáceis de se alcançar.
O nível 4 apresenta lacunas a serem alcançadas, e o nível 5 coloca-se como o de maior dificuldade e tem os maiores gaps para a companhia perseguir.
Observando de baixo para cima, na Tabela 9, temos que, do item Des8 até o Des3, a Cemig já está num patamar aceitável e deveria manter a situação, porque a nota dos especialistas supera a nota dos respondentes, o que corresponde a exatamente metade dos itens.
O item Des1 também poderia ser mantido, pois as notas se igualaram.
Do item Idp3 até Infr3, tem-se a oportunidade de melhoria colocada pelos especialistas.
Pelo fato de o cluster ser calculado de acordo com o valor do logit, eles estão diretamente relacionados, como mostra a Figura 30.
Figura 30: Relação entre o logit e o cluster de maturidade Fonte: Dados da pesquisa
6.6.1 Modelo de Rasch em Curva S
A Figura 30 representa a Curva S da maturidade de uma organização, conforme mencionado por Lahrmann et al. (2011) e outros trabalhos citados por esses autores.
No entanto, Lahrmann et al. (2011) destacam que os modelos de maturidade (de forma geral, não somente em BPM) seguem uma Curva S ou uma distribuição normal, com poucas capabilities nos estágios iniciais, um número crescente nos níveis 2 e 3, de forma que, no 4 e no 5, haveria menos aspectos a serem alcançados.
Isso ocorre porque, no nível 1 do modelo, há poucas competências a serem desenvolvidas para que se alcance o básico.
Os níveis 2 e 3 representam a alavanca para desenvolvimento de diversas frentes de trabalho, como treinamento e capacitação das pessoas envolvidas, aprendizado de ferramentas em gestão, dentre outros aspectos.
Os níveis 4 e 5, por sua vez, trariam consigo as melhorias incrementais para se alcançar a excelência no tema. Nota-se que o modelo, elaborado utilizando os resultados da Cemig, teve concentração dos itens no nível 3, como pode ser verificado também no Quadro 12.
0,67 0,480,40 0,300,23
0,18 0,180,13 0,07
0,060,05 0,00-0,02-0,04-0,05-0,09-0,14-0,17 -0,24 -0,35
-0,41 -0,54 -0,65 -1,03
-1,50 -1,00 -0,50 0,00 0,50 1,00
0 1 2 3 4 5 6
Logit
Cluster de maturidade
Construto
Nível 1 Desenhado com melhorias
Nível 2 Resultados mensurados
Nível 3
Proprietários e executores orientados
Nível 4 Sistemas de informação alinhados
Nível 5 Reconhecimento e
recompensa concedidos
Desenho do processo
Des8 - O desenho dos processos organizacionais gera melhorias na forma como as atividades são executadas
Des6 - O desenho do processo pode ser adaptado a partir das necessidades dos clientes
Des7 - O desenho do processo pode ser adaptado a partir das necessidades dos fornecedores Des4 - Nossa organização conhece as diferentes necessidades dos nossos fornecedores
Des1 - Todos os processos de nossa organização estão completamente documentados Des3 - Nossa organização conhece as diferentes necessidades dos nossos clientes
Des2 - Todas as entradas e saídas de processos da organização são definidas de forma clara
Des5 - Todas as vezes que um processo passa por alterações sua documentação é imediatamente
atualizada
Executores do processo
Exe4 - Os executores do processo possuem competências que contribuem para melhorar a execução das atividades
Exe3 - Ao executar as tarefas, os colaboradores seguem fielmente as orientações que constam na documentação dos processos Exe1 - Há um pleno conhecimento por parte de todos os responsáveis pelos processos acerca dos seus indicadores de desempenho
Exe2 - Os colaboradores da organização estão devidamente qualificados para o exercício de suas atividades
Proprietário do processo
Prop4 - Os proprietários do
processo assumem a responsabilidade pelos resultados alcançados Prop2 - Os colaboradores que assumem a responsabilidade de planejar as melhorias dos desenhos dos processos as realizam de forma alinhada aos objetivos organizacionais
Prop3 - Os
colaboradores que assumem
responsabilidades possuem autoridade como um tomador de decisão
Prop1 - Os
colaboradores que assumem
responsabilidades são reconhecidos de forma distintiva na organização
Infraestrutura de processo
Infr4 - Os sistemas de
informação possuem a abrangência necessária, contribuindo para o melhor desempenho das atividades
Infr2 - Os sistemas de informação permitem interação entre as diferentes áreas organizacionais Infr1 - A organização conta com sistemas de informação adequados que sejam alinhados às necessidades dos processos existentes
Infr3 - O sistema de
recompensa na
organização está alinhado com os indicadores de
desempenho de
processos
Indicadores de desempenho
de processo
Idp2 - Há um
monitoramento contínuo dos indicadores de processos da organização Idp4 - Os indicadores de
desempenho dos
processos organizacionais utilizados auxiliam na identificação de oportunidade de melhoria
Idp3 - As melhorias contínuas são iniciadas independentes do desempenho alcançado Idp1 - Os indicadores de desempenho de processos estão alinhados com os requisitos de seus clientes
Quadro 12: Modelo de maturidade com base no algoritmo de Rasch Fonte: Dados da pesquisa
6.6.2 Níveis de maturidade conforme o modelo Rasch
Explanando de forma detalhada cada um dos níveis, o Nível 1 possui um item, do construto “Desenho do processo”, que está relacionado à geração de melhorias com a execução das atividades. Esse é o estágio mais básico do modelo. No Nível 2, nota-se a entrada de dois itens de indicadores de desempenho, sinalizando o início da mensuração dos resultados, além de entrar também com pessoas, por avaliar as competências dos executores das atividades.
O Nível 3 se mostra como o mais desafiador, em termos de elementos para serem desenvolvidos. Em termos de “Desenho do processo”, surgem os fornecedores a serem contemplados, bem como a garantia da documentação dos processos.
Com relação aos clientes, o conhecimento das necessidades ficou alocado em nível superior à adaptação a essas necessidades, o que pode não fazer sentido, a princípio, porque, antes de adaptar o processo às necessidades dos clientes, a organização deve conhecer essas necessidades.
No entanto, o modelo traz, em seus níveis, o quão difícil é alcançar aquele item de forma satisfatória. Portanto, o modelo quer dizer que conhecer as necessidades dos clientes é mais difícil do que adaptar o processo a elas.
Com relação aos “Executores do processo”, além de possuir competências, eles devem estar treinados para exercer suas funções, fazê-lo seguindo os padrões dos processos e ter conhecimento dos indicadores de desempenho. Nesse nível, surgem as qualidades relacionadas ao “Proprietário do processo”, sendo um construto de alcance mediano, avaliando se os donos dos processos assumem a responsabilidade pelos resultados alcançados e se eles alinham as melhorias aos objetivos organizacionais.
O construto “Indicadores de desempenho”, assim como o “Executores”, participam apenas dos níveis 2 e 3, demonstrando que a Cemig possui certa facilidade de obter maturidade nessas frentes.
Por outro lado, na esteira de maior dificuldade, encontra-se a “Infraestrutura do processo”, que se inicia no Nível 4 com os elementos voltados para os sistemas de informação e o suporte que essas ferramentas conseguem dar aos processos da companhia. Esse nível ainda é caracterizado pela definição clara das entradas e das saídas dos processos e pela autoridade de fato recebida pelos donos dos processos, para agirem como efetivos tomadores de decisão.
O Nível 5 é o mais desafiador para alcance por parte da Cemig e está atrelado a reconhecimento e recompensa dos funcionários, avaliando se estes se encontram alinhados aos
processos e seu desempenho. E, por fim, a atualização da documentação dos processos também se encontra no cluster de maior desafio.
Na seção seguinte é feita uma comparação de teorias e nas seguintes serão apresentados os resultados por construto.
6.6.3 Análise comparativa do modelo Curva S e do modelo em escala ordinal homogênea
Vale destacar a distinção entre teorias que se observam entre o perfil de modelos de maturidade atualmente destacado por Lahrmann et al. (2011), o CMM e o BPO utilizados por Cardozo e Rocha (2017). O dos modelos CMM e BPO é de que os níveis crescem em escala ordinal homogênea, assumindo que seriam desafios de mesma amplitude evoluir de um nível para o próximo.
Lahrmann et al. (2011), por sua vez, mencionam autores que defendem a abordagem da Curva S para os modelos de maturidade, entendendo que a evolução entre os estágios se difere, a depender do degrau em que se está avançando. Nos níveis iniciais e finais de maturidade, há menos competências para cumprir, nos níveis intermediários há mais elementos para serem trabalhados.
6.6.4 Construto “Desenho do processo”
O construto “Desenho do processo” é o único que perpassa todos os níveis de maturidade. Inicia-se pelo desenho do processo gerar melhorias, sendo esse o único elemento do nível 1, e segue no nível 2 com a adaptação do processo às necessidades dos clientes. Esses dois primeiros níveis possuem logit negativo, de forma que não apresentam desafio para a Cemig alcançar.
No nível 3, está a maior concentração desse construto, tendo sido alocada metade de seus elementos. Portanto, representa o maior desafio, em termos de alavancas a serem trabalhadas para se evoluir de nível, sendo elas relacionadas aos fornecedores, à documentação plena dos processos e a conhecer as necessidades dos clientes.
O nível 4 abarca as interfaces do processo, avaliando se as entradas e saídas estão bem definidas. Já o nível mais elevado de maturidade demanda que a documentação seja atualizada sempre que o processo for alterado.
6.6.5 Construto “Executores do processo”
O construto “Executores do processo” possui todos os valores de logit negativos, de forma que se pode se depreender que não há desafio para que a Cemig cumpra seus elementos, que se iniciam no nível 2, com as competências dos executores para melhorar o desempenho das atividades.
No nível 3 se encontram os demais itens desse construto, que se referem à qualificação dos colaboradores para a execução do trabalho, cumprimento dos padrões e conhecimento dos responsáveis acerca dos indicadores dos processos.
6.6.6 Construto “Proprietário do processo”
O construto “Proprietário do processo” tem itens do nível 3 ao 5. No nível 3, encontram- se aqueles com logit negativo, representando que a Cemig já alcançou esse patamar e vai ao encontro do diagnóstico dos especialistas, que se referem ao alinhamento das melhorias, aos objetivos organizacionais e à responsabilidade assumida pelos resultados alcançados. O nível 4 está atrelado à autoridade concedida sobre os meios, e o nível 5 está relacionado ao reconhecimento dos responsáveis pelos processos, de forma distintiva, na empresa.
6.6.7 Construto “Infraestrutura de processo”
O construto “Infraestrutura de processo” é o mais desafiador para a Cemig, uma vez que possui seus elementos nos níveis 4 e 5 apenas. No nível 4, estão os itens correlatos a sistemas de informação que dão suporte ao desempenho das atividades ligadas aos processos. No nível 5, está o alinhamento do sistema de recompensa aos “indicadores de desempenho de processos”.
6.6.8 Construto “Indicadores de desempenho de processo”
O construto “Indicadores de desempenho de processo” possui seus elementos em níveis relativamente inferiores, sendo eles 2 e 3. No nível 2, estão os itens de monitoramento dos indicadores e de identificação de oportunidades de melhoria por meio desses indicadores. No nível seguinte, encontram-se o alinhamento dos indicadores aos requisitos do cliente, sendo
que, até esse item, o logit é negativo; e a implementação de melhorias contínuas independentemente dos resultados alcançados.
6.6.9 Diagnóstico da maturidade de acordo com o Algoritmo de Rasch na visão dos especialistas
Os especialistas foram convidados a apontar, em qual nível de maturidade, a Cemig se encontra atualmente, dados os elementos que se encontram em cada construto, e os resultados que estão apresentados no Quadro 13.
Construto Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5 Desenho do
processo X
Executores do
processo X
Proprietário do
processo X
Infraestrutura
de processo X
Indicadores de desempenho de processo
X
Quadro 13: Diagnóstico da maturidade da Cemig conforme a visão dos especialistas acerca do algoritmo de Rasch
Fonte: Dados da pesquisa
No construto “Desenho do processo”, houve consenso de que a companhia se encontra no segundo nível de maturidade, ou seja, venceu o nível 1, em que o desenho dos processos gera melhorias na execução das atividades, e está no nível 2, em que o desenho do processo pode ser adaptado a partir das necessidades dos clientes. Essa avaliação converge com o logit, que é negativo nos níveis 1 e 2 desse construto.
Em todos os outros construtos, os especialistas entenderam que a Cemig se encontra no nível mais baixo. Dessa forma, em termos dos executores dos processos, eles possuem competências que contribuem para melhorar a execução das atividades; os proprietários dos processos assumem a responsabilidade pelos resultados alcançados e alinham as melhorias aos objetivos organizacionais; ainda não alinha o sistema de recompensa com os indicadores; e monitora seu desempenho por meio de indicadores e estes auxiliam na identificação de oportunidades. Seguindo a metodologia sugerida por Hammer (2007), o diagnóstico que se tem
é o nível inferior ao que foi atribuída a maturidade; portanto, no caso da Cemig, os especialistas atribuíram o nível 2.