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Análise dos textos dos alunos

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 77-122)

de vocabulário de palavras e expressões africanas que fazem parte do nosso vocabulário e da nossa cultura.

Começarei, analisando um poema, reproduzido a seguir:

Poema: África

( Natália e Evelyn)

África, um continente com beleza, Como qualquer outro

Também tem suas riquezas.

Ninguém sabe seus significados Mas cada país tem seu vocábulo Somos eternos aprendizes

E temos as nossas próprias raízes

Dela vem o samba, samba pra gente sambar Tem também o efó, bobó e o jabá

Que são pratos típicos de lá.

Todos nós somos mulatos, mulatos brasileiros.

Pare de preconceito e deixa isso de lado,

Somostodos seres humanos e devemos ser amados.

Um continente com sua cultura e sua arte Como qualquer outro

Também tem as suas dificuldades.

Viva esse lugar, viva com igualdade.

Na análise deste poema, intitulado “África”, produzido por duas alunas da turma 901,busquei elementos que comprovassem à luz da teoria usada nesta pesquisa e que serviu de base para as atividades, a necessidade de se recorrer a lembranças da memória, conhecimentos pregressos ao texto e que foram formadores do seu contexto de produção. “E porque o leitor utiliza justamente diversos níveis de conhecimento que interagem entre si, a leitura é considerada um processo interativo. Pode-se dizer com segurança que sem o engajamento do conhecimento prévio do leitor não haverá compreensão”. (KLEIMAN, 2016, p. 15)

No poema em questão, percebe-se a utilização de um dos critérios de conhecimento prévio como nível de conhecimento usado durante a leitura, que é o linguístico “Este conhecimento abrange desde o conhecimento sobre como pronunciar português, passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua.”(Kleiman, 2016, p.15). Observa-se isso, quando as alunas usaram na construção do poema palavras como “efó”, “bobó” e “jabá”(9º verso) estudados e conhecidos na parte da introdução da sequência básica quando foi realizada uma pesquisa de vocabulário sobre palavras e termos do universo africano usadas e incorporadas ao nosso português e a nossa cultura.

Nota-se também nessa produção textual o uso do conhecimento de mundo provenientes do filme assistido na motivação, Pantera Negra, e das leituras realizadas , pois falam que a

“África um continente com beleza/ também tem suas riquezas” (versos 1 e 3), desconstruindo a ideia de um país pobre, feio e miserável que tinham antes das atividades e leituras que fizeram.

“Dessa froma, uma primeira e fundamental aproximação, podemos dizer que ler é produzir sentidos por meio de um diálogo, uma conversa.” (COSSON, 2017, p. 35)

Além disso, deixam sinalizado nele que sabem que o samba veio dos africanos, ao dizer

“De lá vem o samba, samba pra gente sambar”(8º verso), fato este que desconheciam antes das leituras e estudo do vocabulário. Apontam, ainda, a miscigenação, a raça com orgulho, igualdade que une África e Brasil “Somos todos mulatos, mulatos brasileiros”.(11º verso).

Constata-se, assim, que as alunas utilizaram-se de conhecimentos prévios que lhes forneci e que ficaram guardados na memória, fazendo referência depois a eles “Beleza,( 1ª estrofe) “cultura” e “arte” ( 4ª estrofe).

Isso vem a confirmar que “Relações entre infomação textualmente expressa e conhecimentos prévios e/ou partilhados podem ser estabelecidas por recurso à intertextualidade, à situação comunicativa e a todo contexto sociocultural” (Koch, 2016, p.29), pois na escrita desse poema foi usada essa intertextualidade, envolvendo todo o panorama social e cultural da África.

Agora, vamos a análise da composição musical

Música: África

( Thaylane e Amanda)

Agora vou falar pra vocês

De um continente de grande riqueza chamado África

Alguns países falam a mesma língua portuguesa

Cabo Verde, Guiné Bissau, Angola,

Moçambique e São Tomé. África, África, África Um lugar de muitas culturas e de fé.

Você não sabe, mas muitas palavras Vem de lá

Acarajé, jabá, ubá, axé, orixá

África, África África, África África, África

África, África, África.

Nesta produção musical, os alunos recorrem novamente a conhecimentos enciclopédicos, vivos na memória, relembram por sua palavras o que aprenderam nas leituras anteriores. Coadunando com o que diz Kleiman( 2016) Para haver a compreensão durante a leitura, aquela parte do nosso conhecimento de mundo que é relevante para a leitura do texto deve estar ativada, isto é, deve estar num nível ciente, e não perdida nofundo da nossa consciência”. Vê-se essa inferência quando ele anuncia logo de início:

“Agora vou falar pra vocês

De um continente de grande riqueza chamado África Alguns países falam a mesma língua portuguesa”

Identificamos claramente a desconstrução preconceituosa da África e uma exaltação à riqueza de um continente que fala a nossa língua. Cita ainda na letra os países africanos que falam português. Além de reconhecer a África como possuidora de muitas culturas e fé:

“Cabo Verde, Guiné Bissau, Angola,

Moçambique e São Tomé. África, África, África Um lugar de muitas culturas e de fé.”

Neste trecho, há o que Koch (2016, pág.28)conceitua como “conteúdos de consciência”, pois as palavras não são direcionadas a elementos do texto em si, mas ao que se encontra nas recordações das leituras feitas e em conhecimentos adquiridos pelos alunos.

Acrescenta também a observação de algumas palavras do vocabulário que usamos como originário de lá

“Você não sabe, mas muitas palavras Vem de lá

Acarajé, jabá, ubá, axé, orixá

Neste trecho, observa-se que os alunos usaram a inferenciação ao incluir palavras do vocabulário africano, saberes estes anteriores a esta escrita, corroborando com o que preceitua Koch (2016, pág.28) “As inferências constituem estratégias cognitivas extremamente poderosas, que permitem estabelecer a ponte entre o material linguístico presente na superfície textual e os conhecimentos prévios e/ou compartilhados dos parceiros de comunicação.”

Texto dissertativo: Influências africanas

( Loreny e Larissa)

A maioria das pessoas ainda tem uma ideia atrasada e preconceituosa de que a África é um continente pobre e miserável e acabam não vendo como esse continente possui aspectos naturais incríveis e uma cultura diversa e bonita.

Assim como no Brasil, a África influenciou diversos países com sua cultura´influenciando as músicas, vocabulário, vestimentas e culinária.

Um exemplo disso, é o samba, um estilo musical característico do nosso país, que foi inspirado na cultura africana, assim como o axé e a dança capoeira. A culinária da África também foi muito incorporada aqui, pratos que são típicos em regiões do Brasil, vieram de lá, como a farofa, o bobó, o fubá e o acarajé.

As religiões africanas também estão muito presentes aqui, religiões como a umbanda e o candomblé.

Portanto, as ideias e preconceitos que as pessoas têm em relação à África, tem que ser mudadas para que elas possam ver as riquezas, belezas e importância que este continente possui, principalmente para nós brasileiros e para nossa cultura.

Nesta dissertação, as alunas se posicionam sobre a África com um outro olhar, desconstruindo preconceitos como proposto no tema. Antes, viam os africanos como um povo de extrema pobreza e feiúra.

Começam apresentando as pessoas como preconceituosas em relação à África e defendendo a ideia de um continente de cultura e belo “[...]esse continente possui aspectos naturais incríveis e uma cultura diversa e bonita.” E, como diz Cosson (2017, pág.35) “ [...]

ler é um diálogo com o passado que cria vínculos, estabelece laços entre leitor e o mundo e os outros leitores.” Os alunos escreveram por meio de lembranças de vídeos assistidos, conversas em grupo e leituras feitas sobre o universo africano.

No desenvolvimento dessa ideia, afirma que a África teve influência não só no Brasil, mas em outros países também “Assim como no Brasil, a África influenciou diversos países com sua cultura, influenciando as músicas, vocabulário, vestimentas e culinária.” E cita exemplos dessas influências culturais. Aqui, há uma retomada ao que aprenderam sobre vocabulário africano e outros textos que foram lidos sobre eles. Neste parágrafo, há uma contextualização, na qual se delimita quem lê ao escrever, já que através da leitura distribui-se os significados de uma coletividade (COSSON, 2017, p. 39). E os alunos compartilham o contexto da África com quem lerá seu texto.

Em outro parágrafo de desenvolvimento exemplifica a influência na música, citando o samba, um ritmo muito característico do nosso país, mas que foi inspirado na África, abordando também as danças afro-brasileiras “Um exemplo disso, é o samba, um estilo musical característico do nosso país, que foi inspirado na cultura africana, assim como o axé e a dança capoeira”. Ainda neste parágrafo falam da culinária africana que incorporamos à nossa “[...]

vieram de lá, como a farofa, o bobó, o fubá e o acarajé.” Ao escreverem sobre elementos da cultura afro-brasileira, seja na música ou na culinária, dialogam com Cosson(2017) quando afirmam que pela Literatura podemos medir o que um povo considera valorativo para ele, pontuando que esse fato se deve aos universos sonhados na linguagem literária, a qual apresenta outros rumos para nossa autenticidade.

No terceiro e último parágrafo de desenvolvimento fala da religiosidade africana presente aqui “As religiões africanas também estão muito presentes aqui, religiões como a umbanda e o candomblé.”

Como conclusão, sugerem a necessidadede mudança dessa ideias preconceituosas acerca da África e uma mudança no modo como as pessoa veem este continente, passando a enxerga-lo como um lugar rico, cheio de belezas e muito importante culturalmente “Portanto, as ideias e preconceitos que as pessoas têm em relação à África, tem que ser mudadas para

que elas possam ver as riquezas, belezas e importância que este continente possui, principalmente para nós brasileiros e para nossa cultura.” Nesta conclusão, as alunas perceberam o valor da cultura negra, deixando de ser motivo de vergonha por falsas ideias e passando a ser motivo de orgulho e apreço. Cultura que deve ser difundida nas escolas, como enfatizada nessa colocação de Amâncio:

Por isso, o diálogo escola/afro-brasilidade- ação exigida pela Lei 10.639, em seu potencial de interatividade-, além de alterar o lugar tradicionalmente conferido à matriz cultural africana, resgata e eleva a autoestima do alunado negro, de forma a abrir-lhe espaço para uma vivência escolar que o respeite como sujeito de uma história de valor, que é também do povo brasileiro.(AMÂNCIO, 2008, p. 37).

Nesta conclusão, na qual a escritora afirma a necessidade dialógica entre a escola e a cultura afro-brasileira, percebo que estou no caminho certo ao incentivar em minhas aulas as leituras de textos da literaturas africanas, abordando também a história e cultura trazidas por eles e incorporadas à brasileira. Muitos deles são negros e com isso se sentem mais valorizados e com motivo para terem orgulho e não vergonha.

Conto : Tromp, o protetor da floresta

(Misael Braga e Daniel Lopes)

Era uma vez um menino chamado Cleyton que morava em uma grande mansão. Um certo dia na escola com seus amigos Tonho, Isake e Faustão, conversando na possibilidade de explorar a floresta de Kasagathamne, localizada no interior da África, um lugar muito temido pelos ancestrais africanos que diziam que existia um monstro conhecido como Tromp, o protetor da floresta.

As lendas diziam que quem entrasse na floresta seria preso e escravizado pelo Tromp até a morte. Os garotos, planejando na casa de Cleyton o dia em que iam à floresta, sua mãe o chamou e disse:

__Meu filho, eu e seu pai vamos viajar, eu falei com a mãe de Faustão para que você ficasse na casa dele por uns três dias.

Cleyton chegou no quarto e disse aos amigos:

__Amanhã, vamos à floresta.

No dia seguinte, chegando lá para verificar se a lenda era verdadeira, eles se depararam com o “Tromp”. Um olhou para o outro, surpresos, e falaram “Caramba, a lenda é verdadeira”.

De repente, eles entraram em uma caverna Chegando lá,, começaram a andar até que se depararam com pessoas que estavam trancafiadas em celas. Foi quando o monstro chegou e prendeu a todos. Como eles coninuaram presos, o fato continuou sendo uma lenda..

Este conto escrito pelos alunos segue o estilo dos contos africanos e tem a África como o lugar da narrativa. Na história, amigos querem descobrir se existe “Tromp”, um protetor da floresta africana e muito temido pelos ancestrais “[...]conversando na possibilidade de explorar a floresta de Kasagathamne, localizada no interior da África, um lugar muito temido pelos ancestrais africanos que diziam que existia um monstro conhecido como Tromp, o protetor da floresta.” Um conto imaginário, interessante, tendo como referência contos lidos na fase das leituras.

Por meio desse conto, os alunos fizeram uma releitura de outros contos lidos que possuíam personagens fantásticas, como a lua do conto tambor e o pássaro dos sonhos. Essa retomadas e reescritas da História da África e do povo africano aqui no Brasil é apontada como uma forma de interação dos alunos com esse mundo afro, suas relações com seu mundo natural e familiares mais velhos, essa nova visão é o que determina a lei 10.639/2003, segundo AMÂNCIO (2008, p. 43))

Dissertação: O preconceito contra a África

( José Ivo e Marcus Vinícius)

A África é um continente extremamente grande e com diversas peculiaridades. Existem muitas coisas boas na África, mas poucos visualizam esses pontos positivos. Não é um continente apenas formado por negros, mas também por brancos.

Além disso, veem como um lugar pobre com muitas doenças e guerras.

A África possui riquezas históricas e culturais como o Egito, Savana africana, Cartago, Rio Nilo, o samba, capoeira,camdomblé, danças, instrumentos,etc. Possui uma grande quantidade de espécies de animais que só tem lá, assim como as iguarias e plantas medicinais.

A língua portuguesa reside em alguns países da África, o que facilita a comunicação desses países com o Brasil.

Portanto, as pessoas deveriam repensar seus conceitos sobre a África e compreender que esse continente foi onde tudo começou.

Neste texto dissertativo, os alunos recorreram aos conhecimentos e informações que tiveram nas fases da sequência básica de Cosson (2017) nas etapas de motivação, introdução e leituras, nas quais por meio dos vídeos, pesquisa, músicas e leituras que participaram,

interaram-se sobre a importância do Continente Africano. Isso lhes possibilitou ter argumentos para dissertar sobre ele (o povo da àfrica) e desconstruir as ideias preconceituosas do início da intervenção , percebidas nessa passagem do 2º parágrafo “Além disso, veem como um lugar pobre com muitas doenças e guerras”. Observa-se nesta colocação inicial essa desconstrução

“A África é um continente extremamente grande e com diversas peculiaridades. Existem muitas coisas boas na África, mas poucos visualizam esses pontos positivos.” E também por meio da exemplificação de fatos da sua cultura “A África possui riquezas históricas e culturais como o Egito, Sanava africana, Cartago, Rio Nilo, o samba, capoeira,camdomblé, danças, instrumentos, etc.”

Poema: África, África

( Sarah e Amanda Vitória) África, onde está a riqueza que possui?

Lá tem animais e luz

Muitos questionam de ser um continente pobre Mal sabem eles que é rico de culturas,

Esperanças e boa sorte.

Tem animais de várias espécies Frutas de vários sabores

Cheio de histórias, diferentes contos E diferentes cores

Seus temperos maravilhosos Mal sabemos que as palavras Acarajé e farofa vêm da África Continente de riqueza vasta.

Suas árvores gigantes, lindas

Animais de todos os tipos e tamanhos Cada paisagem maravilhosa

Na África que vemos e fotografamos E que é nossa.

O poema acima escrito por duas alunas da 901, que confirmam em sua produção textual a necessidade de que o professor forneça como motivação, antes de apresentar o texto para leitura e interpretação, subsídios acerca do vocabulário e do contexto da temática por ele abordada. “Nesse sentido, cumpre observar que as mais bem-sucedidas práticas de motivação são aquelas que estabelecem laços estreitos com o texto que se vai ler a seguir”. (COSSON, 2016, p. 55).

Nesses versos da 1ª estrofe, elas se apoderaram desse estudo anterior “Mal sabem eles que é rico de culturas,/ Esperanças e boa sorte.” Ou quando escrevem na 3ª estrofe “Mal sabemos que as palavras/ Acarajé e farofa vêm da África / Continente de riqueza vasta.” E reconhecem a ligação com o Brasil ao dizerem na última estrofe “Na África que vemos e fotografamos/

E que é nossa.”

Música: Lá na África ( Vitor e Gabrielly)

Já sabe o que fazemos lá na África?

Já sabe o que fazemos lá na África?

Palavras que dão origem à dança, à música, aos jogos e à religião

Berimbau, calango, caxixi e orixá.

Já sabe o que fazemos lá na África?

Já sabe o que fazemos lá na África?

Palavras que dão origem à culinária Acarajé, bobó, farofa e fubá.

Já sabe o que fazemos lá na África?

Já sabe o que fazemos lá na África?

Palavras que dão origem à flora e à fauna

Camundongo, caxinguelê, dendê e marimbondo.

Na composição dessa música, os alunos fizeram referência a várias palavras da cultura e vocabulário africanos, presentes no nosso cotidiano, como: “ Berimbau, calango, caxixi e orixá.” “Acarajé, bobó, farofa e fubá.” “Camundongo, caxinguelê, dendê e marimbondo.” E isso retoma o estudo que afirma ser o leitor atribuidor de significado ao que lê (CHARTIER, 2011; KOCH, 2016)). Aqui, após o momento das leituras, foi a hora de escreverem com sua compreensão do contexto africano. Também usaram o que Koch (2016, pag.32) chama de conhecimento linguístico, necessário ao entendimento do texto “O conhecimento linguístico compreende o conhecimento gramatical e o lexical, sendo responsável pela articulação som- sentido. É ele o responsável, por exemplo, pela organização do material linguístico na superfície textual [...]”

Dissertação: A interligação da África com o mundo

(Daniel Nenes e Thayane)

Muitas pessoas criticam a África,seu jeito de viver, seus costumes, sendo que ela é o centro de nossas criações.

O nosso Brasil foi colonizado pelos portugueses, mas grande parte da nossa população de hoje é descendente de africanos.

Além do mais, o nosso samba, a nossa culinária, tudo é afro-brasileiro, isso demonstra como a África não é um continente qualquer e com isso ainda tem muitas coisas que podemos não saber sobre lá.

Portanto, a África é um continente que deu início a grandes coisas e grandes histórias também, é um continente que deve ser mais estudado e valorizado.

Na análise desta dissertação, os alunos defenderam que se estude mais sobre esses povos africanos e que eles seja mais valorizados, com a argumentação de muitos de nós sermos afrodescentes e por sua importância e cultura “[...]a África é um continente que deu início a grandes coisas e grandes histórias também, é um continente que deve ser mais estudado e valorizado”. Isso é o que estabelece a Lei 10.639/2003 por incluir na LDB/96 a obrigatoriedade dos estudos da história africana e afro-brasileira como também das suas cultura. Fato que também Amâncio (2008) argumenta sobre sua relevância nas práticas pedagógicas.

Poema: Identidade africana

Sou negro sim

Eu não sou branco Sou da África

Mas não sou escravo Nem animal

Tenho orgulho de ser negro Eu não ligo para as pessoas Dizem sobre minha cor Eu sou negro sim Como qualquer um

Tenho orgulho da minha cor Sou diferente sim

Como a minha cor Somos todos iguais

Com braços, pernas, um corpo A diferença é nossa cor Somos todos iguais

Temos capacidade pra tudo

Neste poema, observa-se que os alunos identificam o valor da raça negra africana e também que os negros não são escravos “Sou negro sim /Eu não sou branco/Sou da África/

Mas não sou escravo/ Nem animal”.

Além disso, sabem que todos os seres humanos são iguais, independente da raça e da cor:“A diferença é nossa cor/ Somos todos iguais”. E, repetem nos versos 6 e 7 que sentem orgulho de ser negro, da sua cor.

Este respeito à diversidade, à igualdade por eles poetizado é o que estabelece a LDB/96 e o que se espera que seja efetivamente incluído nos estudos literários dos alunos.

Por meio destas produções aqui analisadas e também das outras que constam nos anexos, constatei a eficiência desse procedimento com as leituras literárias, visto que por possuírem conhecimentos do mundo cultural africano e afro-brasileiro que precederam as leituras feitas, conseguiram atribuir sentidos aos textos lidos, tiveram mais facilidade na compreensão da linguagem figurada, objetivo primeiro da minha pesquisa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho, empenhei-me em mostrar que a leitura de textos literários, na qual os alunos sentem dificuldade de compreensão, pode ser facilitada se antes de apresentar o texto, o professor fornecer ao seu leitor subsídios acerca do vocabulário usado, do contexto de produção dessas leituras para que entenda os implícitos, a subjetividade delas e possa, assim, atribuir sentido ao que lê. Em 31 anos de efetiva regência, nos quais pude trabalhar e conhecer diferentes anos escolares, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, sempre me esforcei para fazer a diferença na vida dos meus alunos e tentar minimizar suas dificuldades. Quando comecei a lecionar exclusivamente Língua Portuguesa e Literatura percebi, aos poucos, como a leitura literária lhes era obscura, complexa, entretanto, não fazia nada para tentar solucionar esse problema que me incomodava, principalmente ao trazer uma atividade avaliativa de compreensão textual e meus alunos, desconhecendo o texto em questão, já se antecipavam com perguntas como “ Professora, o texto da prova não é poema não, né?” ou “ Por favor, professora, não coloque poema no teste, porque não consigo entender.” E isso era constante. Dessa forma, resolvi descobrir um meio de facilitar essa compreensão leitora.

Conforme já mencionado, resolvi aplicar as atividades de intervenção propostas neste trabalho na minha turma de 9º ano por apresentar nas leituras de textos literários, principalmente o poema, muita dificuldade e também para descobrir um meio de facilitar essa compreensão leitora. Verifiquei que, para interpretarem, tinham que conhecer antes sobre o que leriam, o contexto de produção, o vocabulário usado. Produziram ao final delas textos, através dos quais me confirmaram que a habilidade de entendimento da linguagem literária havia melhorado sensivelmente.

Além disso, fundamentei minha pesquisa, dissertando sobre as leis voltadas para regulamentação de procedimentos para melhorias da compreensão leitora dos estudantes. A LDB/1996, As OCNs (2006), a Matriz de Referência (2011), A Lei 10.639/2003 e a BNCC (2017). Constatei que essas leis ficam só no papel em muitos pontos, principalmente no da inclusão do estudo da diversidade da população, no respeito à diferenças raciais e étnicas, em particular das culturas africanas e afro-brasileiras que são discriminadas e pouco trabalhadas na prática pedagógica e pelo material escasso destinado ao seu ensino. Esse fato é sério, já que a maior parte da população brasileira é negra, muitos são afrodescentes e nossos alunos fazem parte dessa estatística e sentem-se diminuídos frente a um ensino que não lhes dá voz nem vez.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 77-122)

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