3 METODOLOGIA
3.5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A HA é muito freqüente no nosso país, acometendo vários indivíduos. Essa patologia possui índices elevados de morbidade e mortalidade em decorrência de suas complicações, pois a maioria dos indivíduos acometidos apresenta fatores de risco que agravam a saúde do mesmo.
A HA pode ser controlada através de condutas adequadas estabelecidas por uma equipe multiprofissional que irá realizar uma avaliação clinica individual em cada paciente com a finalidade de determinar uma conduta condizente para cada situação.
É importante salientar que para estabelecer métodos adequados para o tratamento da HA deve existem um objetivo central a ser alcançado e posteriormente avaliado. Com isso certifica-se a adequação da conduta adotada, se isso não aconteceu devem ser detectadas as possíveis falhas para que o objetivo final possa ser alcançado.
Através deste estudo buscou-se analisar as falas dos profissionais que compõem a equipe de enfermagem comparando-as com a literatura referente ao tema que está sendo abordado.
Ao ser questionado sobre de que forma é feita a abordagem inicial do paciente com alteração dos níveis pressóricos, pode-se observar que a equipe de enfermagem não dá muita importância em seguir os procedimentos de forma correta como a anamnese e o exame físico do paciente que chega na unidade de emergência, deixando as condutas de responsabilidade da equipe de enfermagem ficarem inteiramente sob a responsabilidade única do médico da unidade.
“Coloca o paciente no leito de repouso, pergunta se faz uso de medicação para PA e orienta sobre a doença e encaminha para o médico para ser feito o procedimento correto.” (1)
“1º é medir a PA de preferência em repouso e encaminhar para o médico [...]” (2)
“Aferir a PA, estando alta, perguntar se faz uso de medicação, encaminhar para o médico[...]” (3)
Os entrevistados 2 e 3, atentam apenas para a aferição da PA, entretanto o 1 nem isso realizou.
Para Pires (2006), “a abordagem inicial do paciente compreende a anamnese, obtida do paciente ou de seus familiares e o exercício físico, através do qual se avalia a extensão do comprometimento dos órgãos-alvo da hipertensão arterial[...]”
Durante a conduta inicial do paciente é importante indagar ao mesmo sobre o seu conhecimento a respeito da doença e o uso de medicações. Como foi feito pelo entrevistado 1 e 3. Essa concepção é condizente com Duncan (1990) diz que “A indagação sobre tratamentos prévios justifica-se, pois grande parte dos pacientes já sabe ser hipertenso. É importante procurar entender a visão que o paciente tem sobre a doença [...]”.
Desta forma podemos notar que o atendimento inicial feito pela equipe de enfermagem não é satisfatória, já que muitas das condutas necessárias a anamnese não são realizadas ou são feitas de maneira incompleta. Sendo necessária a atenção devida às condutas e ao trabalho.
A partir das respostas dadas ao questionamento sobre como é feito o atendimento desses pacientes pela equipe de enfermagem, percebe-se a preocupação em focar alguns pontos prioritários nesse atendimento, que é a preocupação de orientar os pacientes hipertensos, realizar as condutas medicas e de enfermagem no qual irão fornecer um ambiente tranqüilo para os portadores dessa patologia, com a finalidade de normalizar os níveis da PA.
Priorizando a educação continuada em relação às condutas que deverão ser adotadas após a alta hospitalar para que o mesmo não precise retornar a emergência com picos hipertensivos.
“Como posicionar o paciente no leito, feito uso de O2 se necessário, e medicação prescrita pelo médico” (1).
“orientação, se for paciente hipertenso [...], evitar o cigarro, álcool, alimento gordurosos, fazer o acompanhamento” (3)
“Pergunta se já tem hipertensão arterial, se faz uso da medicação regular e dieta hipossódica, afere a PA e encaminha para o médico” (6).
Ao ser questionado sobre os tipos de crise hipertensiva, nota-se o total desconhecimento da equipe de enfermagem sobre os tipos de crise hipertensiva. Essa falta de conhecimento teórico acaba prejudicando a equipe e o paciente, pois o desconhecimento é prejudicial à qualidade que os profissionais deveriam ter no seu atendimento, dificultando assim o objetivo central no qual deveria ser focalizado para a distinção das crises evitando assim danos ao cliente. É importante que os profissionais busquem constantemente atualizar-se sobre os diversos temas voltados para a sua área de atuação para poder relacionar a parte teórica à prática, pois essas não podem estar dissociadas.
“Não sei” (1)
“Não sei qual é” (2)
“Questão emocional, doenças, idade, obesidade, tabagismo” (3)
“A crise que não necessita de medicamento só dieta, exercício físico e a crise que só controla com dieta, exercícios e medicações” (5)
Nota-se que os entrevistados 1 e 2 desconhecem os tipos de crise hipertensiva. Isso acaba dificultando a abordagem adequada do paciente na unidade de emergência e deixa de focalizar as ações que deveriam ser adotadas pela equipe de enfermagem.
Já o entrevistado 3 confunde o que está sendo questionado com os fatores que predispõem o aumento súbito da PA. O entrevistado 5 faz referência ao tratamento medicamentoso,
exercício físico, dieta, que estão correlacionados ao controle da HA, mas não sabe descrever os tipos de crise hipertensiva.
Pires (2006), classifica “a crise hipertensiva em emergência e urgência hipertensiva [...] Nas urgências hipertensivas a elevação da PA não acompanha de comprometimento de órgãos- alvo, enquanto nas emergências hipertensivas existe o comprometimento de órgãos-alvo.”
Para Barbieri (2002) “a crise hipertensiva é definida como um aumento grave e rápido da pressão sanguínea que ameaça a vida do paciente pelo comprometimento da função cerebral, cardiovascular ou renal.”
Sobre os fatores que predispõem o aumento súbito da Pressão Arterial, observou-se através das falas dos entrevistados um entendimento sobre os fatores que predispõem o aumento da PA. Isso beneficiará aos pacientes na unidade de emergência, pois os mesmos poderão contar com as orientações adequadas da equipe de enfermagem a respeito das complicações que podem ser geradas com o aumento da PA. Com isso o paciente poderá tomar um cuidado maior em relação aos seus hábitos de vida, melhorando-os com a finalidade de evitar danos decorrentes a não adesão do tratamento feito pela equipe multiprofissional.
“Doença cardiovasculares, sedentarismo, obesidade, tabagismo, fortes emoções” (3)
“Estresse, obesidade, dieta hipersódica, falta de exercício físico, hereditariedade” (5)
“Tabagismo, alcoolismo, ingestão de sal, sedentarismo, obesidade” (6)
As falas dos entrevistados possuem um embasamento teórico, no qual pode ser confirmado pela V Diretrizes Brasileira de Hipertensão Arterial (2006) diz que “o aumento súbito da PA está associado a fatores de risco, tais como: idade, sexo, etnia, fatores sócio-econômicos, sal, obesidade, álcool, sedentarismo.”
Iram Castro (1999) complementa dizendo “fatores ambientais (por exemplo: sódio da dieta, obesidade e estresse) [...] o fator ambiental seria usualmente nutricional (excesso de sal, calorias, álcool, falta de cálcio e potássio), mas poderia ser um fator psicossocial do tipo tensão emocional [...]”
Duncan (1990) relata que “[...] fatores ambientais como: a excessiva ingestão de cloreto de sódio, deficiente ingestão de potássio e o excessivo consumo de bebidas alcoólicas.”
Ao serem questionado sobre as complicações geradas pela elevação súbita da Pressão Arterial. Nota-se que a equipe de enfermagem está preparada para identificar possíveis comprometimentos decorrentes da elevação no atendimento do paciente na emergência, focalizando a causa principal e agindo de forma consciente no seu atendimento.
“AVC, insuficiência cardíaca” (1)
“AVC, infarto, renais e etc.” (3)
“Taquicardia, AVC, infarto” (6)
Através das falas dos entrevistados podemos fazer uma comparação com a literatura, segundo Mario Lopez, Medeiros (2004) “[...] a aterosclerose coronária é muito freqüente nesses pacientes. Transcorrido um período de sobre carga surgem os sintomas de insuficiência cardíaca, como dispnéia de esforço, dispnéia paroxística noturna, edema agudo do pulmão e edema generalizado. A aterosclerose coronária, além de favorecer a descompensação cardíaca, causa insuficiência coronária. Surgem então suas manifestações, como angina de peito, infarto agudo do miocárdio, arritmias cardíacas e morte súbitas.”
Mario Lopez, Medeiros (2004) “O sistema nervoso central é, com freqüência, acometido na hipertensão arterial. A ocorrência de cefaléia, tontura, visão turva, alterações da personalidade, deficiência da memória e acidente vascular cerebral – isquêmico e hemorrágico é indicativo desse sistema.”
Quando questionado sobre as condutas a serem adotadas pela equipe de enfermagem nos diferentes tipos de Crise Hipertensiva, foi notado que a equipe de enfermagem não sob compreender o que estava sendo questionado, revelando haver um despreparo da equipe em relação à parte teórica, além de não diferenciar a mesma acaba confundindo tratamento, diferenciação da patologia, abordagem, orientações sobre condutas adequadas para cada tipo de paciente.
“Orientação sobre a patologia, riscos, medidas que ele deve tomar, cuidados dados ao paciente” (1)
“Orientar sobre os horários das medicações, evitar sal [...] acompanhamento médico periódico [...]” (5)
Nas falas dos entrevistados, encontramos as orientações que devem ser fornecidas aos pacientes durante o atendimento em relação à orientação alimentar, adesão ao tratamento medicamentoso (medicação, horário), informações sobre a patologia.
Para fazer o atendimento adequado, a equipe de enfermagem deve atuar de acordo com o tipo de crise hipertensiva. O profissional irá tomar um direcionamento para agir de forma rápida no caso das emergências hipertensivas, em que há comprometimento de órgão alvo e o eminente risco de morte. Em relação as urgências hipertensivas, o profissional de enfermagem deve agir durante as 24 horas, mas nesse tipo de crise hipertensiva não há comprometimento de órgão alvo com isso a equipe pode agir mais tranquilamente com esses pacientes.
Isso pode ser embasado através da literatura de Pires (2006) relata sobre a urgência hipertensiva “Nesse tipo de hipertensão, a redução da PA pode ser processada mais lentamente facilitando assim o uso de drogas hipotensoras administrada por via oral, podendo o tratamento ser conduzido em enfermarias ou mesmo ambulatório.”
E Knobel (2006) relata que a “urgência hipertensiva são condições clínicas agudas, no qual caracteriza por elevação crítica da PA, mas apresenta comprometimento de órgão- alvo, sendo tratada com agentes de uso oral e redução da PA em ate 24 horas.”
A emergência hipertensiva, segundo V Diretrizes Brasileira de Hipertensão Arterial (2006), “é uma condição em que à elevação crítica da PA com quadro clínico grave, progressiva lesão de órgãos- alvo e risco de morte, exigindo imediata redução da PA.”
“Essa situação em que a PA elevada deve ser reduzida de imediato dentro do intervalo de uma hora, pois o retardo do alcance desse objetivo é causa freqüente de complicações e de óbito”
(Mário Lopes e Medeiros 2004).
Iram Castro (1999) diz que “esse risco imediato requer hospitalização e redução rápida da pressão arterial com o uso de fármacos anti-hipertensivos parenterais.”
Nesta categoria, busca-se identificar as principais dificuldades enfrentadas pela equipe de enfermagem no atendimento ao paciente com Crise Hipertensiva?
“Quando a unidade encontra-se sem médico” (3)
“A principal dificuldade é quando não tem médico na unidade e quando não tem balão de oxigênio.” (4)
“Falta de médico no plantão hospitalar” (5)
“No caso de paciente desorientado, a dificuldade é a falta comunicação.” (6)
Nesta categoria, podemos notar através das falas dos entrevistados 3, 4 e 5, a existência de problema de cunho administrativo, ou seja, pode existir nessa unidade a falta de compromisso dos médicos que estão escalados para assumir o plantão e não comparecem, deixando a
unidade descoberta ou pode ser a desorganização da administração dessa unidade por não providenciar a substituição desses profissionais. Essa dificuldade acaba prejudicando os atendimentos nesse hospital.
O entrevistado 4 faz referência à falta do balão de oxigênio na unidade. Portanto, para o atendimento adequado, deve ser verificada em todos os hospitais a substituição ou a manutenção de seus equipamentos, com a finalidade de não prejudicar o atendimento, conseqüentemente, fornecendo condições na estrutura física e humana para que a equipe possa atender a demanda do local sem comprometer a saúde do individuo.