1- INTRODUÇÃO
4.2 Análises das entrevistas
O Conselho Tutelar (CT) é um espaço onde as crianças, adolescentes e familiares podem adquirir orientações para determinadas situações que surgem com os mesmos, é nele também que os menores com problemas sociais possam refletir sobre suas atitudes ao dividir seus problemas com o pedagogo. Por meio do Conselho tutelar os menores conflituosos aprendem a se relacionar com meio social, todavia, cabe destacar que o principal papel do CT é orientar para que os menores e seus familiares possam analisar juntos, a melhor solução para o problema ali exposto, para que esses menores compreendam os fatos ao seu redor e assim obtenham uma visão mais ativa do contexto social ao qual estão inseridos.
Ao refletirmos sobre o fenômeno acerca da ressocialização dos menores para o convívio social, entendemos que se torna necessário valorizar esses menores a fim de resgatá- los dos problemas que lhes trazem prejuízos, bem como moldá-los para a resolução dos conflitos por estes protagonizados. É preciso, porém, levar em conta a realidade do convívio dessas crianças e adolescentes para que o atendimento seja concluído com sucesso.
Neste contexto, Konzen (s/d, p.05) ressalta que:
“Atendimento, assim, é sinônimo de providências de fato garantidoras dos direitos fundamentais da criança e do adolescente, consistentes em políticas públicas, na atuação de autoridades frente ao caso concreto e capazes de determinar providências (aplicar medidas e sanções aos transgressores), na existência de organismos de promoção e de defesa, na previsão de ritos (procedimentos) e na existência de programas (retaguardas para o cumprimento das providências determinadas), enfim, um conjunto de organismos, medidas, ritos e retaguardas que conferem ao atendimento proposto pelo Estatuto uma concepção sistêmica”.
Neste sentido o atendimento à criança e ao adolescente deve ocorrer de maneira íntegra, de forma que o resulto seja beneficente tanto para o menor quanto para sua família.
Por meio das entrevistas realizadas com o pedagogo do CT, procurou-se saber: Quais apoios o Conselho dispõe para o processo de ressocialização do adolescente? Obteve-se a seguinte resposta:
Jurídica – quando o caso envolve inquérito policial ou processual.
Pedagógica – pois o CT tem parcerias com todas as escolas do Distrito de Icoaraci.
Psicológica ou Psiquiátrica – quando envolve o emocional da criança ou adolescente.
Médica – quando envolve agressão física ou negligencia por parte da família.
Assistência social
Infere-se sobre a análise feita nesta concepção descrita pelo pedagogo, destaca-se que há um forte apoio que trabalham em conjunto no que diz respeito ao processo de ressocializar o menor que está sendo atendido. E este processo se dá a partir das atividades desenvolvidas pelo pedagogo por meio da pedagogia social no Conselho Tutelar. Para Graciani (2006, n.p):
“O primeiro e fundamental passo do educador social, é efetivar um diagnóstico situacional local, nacional e internacional para executar sua ação educativa e controlar os resultados que pretende alcançar e os impactos de suas ações, caracterizando: os problemas e necessidades, estabelecendo prioridades, identificando as condições básicas para o enfrentamento, custos, recursos, infra- estrutura, para potencializar suas ações educativas. Este diagnóstico situação que não só capta as dimensões quantitativas, como as qualitativas, além dos elementos culturais e tenta obter informações subjetivas e objetivas da realidade circunscrita a sua ação. Tenta identificar não só os diferentes atores sociais como a relações de forças entre eles”.
O trabalho do pedagogo interfere de maneira positiva no desenvolvimento do menor que está em reinserção social. Mas, embora alguns menores não tenham esta compreensão, os que buscam por mudança entendem e valorizam este processo.
Dando prosseguimento a entrevista, perguntou-se ao pedagogo: Quais atendimentos são mais comuns neste Conselho? Acerca desta, obteve a seguinte resultados:
Orientação Familiar – este é o principal foco do CT.
Apoio sócio-educativo – o CT verifica se a criança ou adolescente está frequentando a escola e, após a verificação, faz o acompanhamento dos mesmos para saber como está o rendimento escolar.
Medidas sócio-educativas – este em caso mais complexo e delicado.
Termo de Responsabilidade – este é necessário para que o responsável tenha total responsabilidade pela adolescente.
Diante da resposta do pedagogo podemos observar que os atendimentos são bastante diversificados, e com isso, entende-se o quão necessário se faz o papel do Conselho Tutelar nas comunidades. Quanto à participação dos responsáveis nos procedimentos de cada atendimento para a realização de determinada atividades, principalmente quanto se trata das medidas sócio-educativas, deve-se enfatizar ao máximo o efeito que a participação destes trará aos trabalhos desenvolvidos no CT, os quais requerem tanto a atuação do profissional do Conselho tutelar quanto o apoio familiar.
Acerca das responsabilidades que o Conselho Tutelar exerce para o desenvolvimento social de crianças e adolescentes, cabe salientar a importância do papel do mesmo na sociedade. Segundo Konzen (s/d, p. 13):
“A compreensão da importância e da verdadeira dimensão social, jurídica e institucional do Conselho Tutelar depende, portanto, do minucioso estudo e da
atenta observação dos nominados dispositivos, evidenciadores da delegação, não só de responsabilidade, mas também de abrangente autoridade pública ao Município.
Em nenhum outro momento e em nenhuma outra área, o legislador federal delegou tanta autoridade a agentes do Município como fez o Estatuto da Criança e do Adolescente, ao criar o Conselho Tutelar, investindo os conselheiros em atribuições e, especialmente, em prerrogativas de função até então inimagináveis a outros órgãos ou agentes das municipalidades”.
Conselho tutelar, família e comunidade devem e podem trabalhar em conjunto no desenvolvimento social da criança e do adolescente, é de suma importância que todos se trabalhem em parcerias para que este processo tenha êxito e se torne significativo e importante para os menores. Quando se tem ligação e interesse por parte da família, o menor tende a participar mais desse processo, por isso torna-se importante o apoio familiar para que, ao final, o menor consiga se reintegrar na sociedade.
Perguntou-se ainda: Quais outros Órgãos de apoio este CT dispõem para o atendimento ao adolescente em questão?Mediante a esta, obteve-se as seguintes respostas.
CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) – este trabalha em ações para prevenir situações de risco da criança e do adolescente. A adolescente em questão foi encaminhada à este Órgão, para que fosse possível fazer acompanhamento de fortalecimento familiar e social e para fortalecer o acesso aos direitos da cidadania.
CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) – este oferece apoio e orientação especializados para o adolescente em que já se encontra em situação de risco comprovada.
CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) – este, por sua vez, buscar acolher pacientes com problemas psicológicos e mentais. A avó da adolescente foi encaminhada à este Órgão para estimular sua integração social e familiar.
CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil) – este tem a função de acolher crianças e adolescentes para diferentes modalidades de tratamento, dependendo das necessidades de cada um. A adolescente foi encaminhada para este Órgão no intuito de trabalhem a reinserção social da mesma.
VARA DA INFÂNCIA – este tem a competência de julgar crianças e adolescentes entre 12 e 18 anos, por praticarem atos delituosos. Este não se fez necessário à adolescente.
Percebe-se que o CT trabalha em conjunto com outros Órgãos, sendo que para que haja está harmonização, se faz necessário a comunicação entre eles e esta se dá a partir das necessidades que o caso deste adolescente exige, considerando que cada Órgão tem sua rotina de trabalho.
Segundo Digiácomo (s/d, n.p)
“Evidente que, quando da definição das "rotinas" acima referidas, deverão intervir (em caráter opinativo e consultivo), outros órgãos e/ou autoridades interessadas, no sentido da descoberta da melhor "fórmula" para garantir também o melhor, mais rápido e mais eficaz atendimento ao qual o jovem faz jus, pois afinal, embora autônomo, não é o Conselho Tutelar um órgão que atua isolado, mas sim faz parte de toda uma “rede de proteção à criança e ao adolescente”, que deve agir de forma harmônica e integrada entre seus diversos componentes (cf. art. 86, da Lei nº 8.069/90), com respeito e colaboração mútuas, sempre na busca da melhor forma de tornar efetiva a proteção integral de crianças e adolescentes, que por força do disposto nos arts. 1º e 100, par. único, inciso II, da Lei nº 8.069/90, se constitui no objetivo primordial de toda e qualquer intervenção estatal realizada inclusive em relação a adolescentes envolvidos com a prática de atos infracionais e suas respectivas famílias”.
De acordo com o promotor de justiça, apesar de o CT ser um órgão autônomo podendo gerar e garantir suas atividades e os demais órgãos não podendo intervir em suas decisões, o apoio destes contribuem para o sucesso no processo socioeducativo do menor em conflito com a Lei, bem como no auxilio psicológicos e apoio às famílias que também fazem parte deste processo. PIS, já que o CT tem como papel garantir os direitos da criança e do adolescente, o mesmo aciona os demais órgãos quando se faz necessário no processo de atendimento das crianças e adolescentes.
Indagou-se o pedagogo sobre quais dificuldades o CT enfrenta com relação aos atendimentos,no que diz respeito deste fato, a resposta foi:
Na parte administrativa. Pois, ao final de cada atendimento os conselheiros produzem relatórios, e ao final do expediente, esses relatórios precisam ser arquivados no sistema do CT.
A resposta foi de acordo com o ponto de vista do pedagogo, no entanto, os demais conselheiros também questionam que esta parte administrativa torna os atendimentos um pouco demorados. Outro fator que cabe ressaltar é o comportamento dos que buscam atendimento em relação à demora dos mesmos, e essa demora se dá, como já ressaltado anteriormente, por conta da ausência de um setor administrativo. Este é um dos fatores que interferem no procedimento de atendimento, pois se houvesse um setor administrativo, este por sua vez, facilitaria a execução do trabalho dos conselheiros e os atendimentos seriam mais agilizados.
Sabe-se que a criança e o adolescente estão em constante processo de desenvolvimento, e tanto a família, a comunidade e o CT fazem parte desse processo, assim como os demais órgãos de apoio.