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A3 – DIREITO

A ADOÇÃO E SEUS ASPECTOS JURÍDICOS, HISTÓRICOS E FILOSÓFICOS Aline Alves De Barros

Raissa Gomes Cabral Sarah Melo Rodrigues De Souza

Viviane Kely Da Silva Moura

Discentes do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

Ana Paula Cacho

Lenice Silveira Moreira De Moura

Docentes do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

(INTRODUÇÃO) O presente trabalho tem como objetivo expor a importância da adoção, principalmente em países como o nosso, onde há tantas crianças e adolescentes que foram abandonados por seus pais biológicos e precisam de um novo lar para receber carinho e educação. A adoção é o ato jurídico que estabelece o vínculo de filiação, oferecendo a quem não tem ou não pode ter filhos e aos menores desamparados, ou ainda àqueles jovens que já são maiores de idade, um recurso para instituir uma família. Além do campo moral, esse ato se insere no campo ético. Em algumas legislações efetua-se a adoção pelo simples consentimento dos interessados, solenemente declarado, enquanto em outras, exige-se a intervenção judicial, através de homologação ou decreto.

O Direito Romano conheceu duas formas de adoção, a datio in adoptionem e a arrogatio. Além do campo material, a adoção se insere no campo filosófico, da indagação, das incertezas, da vontade de adotar e da dúvida da escolha.

(METODOLOGIA) A metodologia empregada para a realização deste trabalho teve como base referências bibliográficas específicas no assunto, documentos eletrônicos e uma entrevista ao juiz Sérgio Maia, de competência da 2ª Vara da Infância e Juventude, caracterizando esse estudo como descritivo.

(RESULTADOS) A adoção teve seu prenúncio na Antiguidade, como forma de perpetuar o culto doméstico, sendo obrigação daquela família que não gerasse uma prole adotar uma criança, mas foi a partir do Direito Romano que essa instituição se difundiu e sistematizou. Atualmente, de acordo com o juiz Sérgio Maia, a adoção caminha para o bem-estar do adotado, para a asseguração dos seus direitos. Existem três tipos de adoção, a intuito persona ou direta, a de criança exposta e a de destituição do poder familiar, as duas primeiras são de jurisdição voluntária e, portanto, mais rápidas, a última é mais demorada por ser de jurisdição contenciosa. Adotar já foi um processo muito complicado em nosso país, mas com o atual apoio da legislação e o advento dos Juizados da Infância e da Juventude, ficou mais fácil adotar um filho. O Direito, ao ser um dos mecanismos de asseguração dos direitos do indivíduo, regula a adoção. O Estatuto da Criança e do Adolescente, consubstanciado no princípio da proteção integral, considera seus destinatários como sujeitos de direito, diferentemente do Código de Menores, que os considerava como objetos do Direito.

(CONCLUSÃO) A adoção está inserida em um cenário de impossibilidades, bem como no direcionamento da ética social, envolvendo interesses e direitos. Os filhos adotivos são a resultante da impossibilidade de pais biológicos de ficarem com os filhos que geraram, mas são, também, a conseqüência do poder de outras pessoas que, não podendo ou não querendo gerar seus próprios filhos, buscam, no poder gerar e não poder criar de outros, a realização do desejo de procriação.

Logo, quando decidimos adotar um filho, estamos implicitamente assumindo as mesmas responsabilidades de quem gera seu próprio filho, sendo que a adoção nos leva á confrontação com a revelação da forma pela qual ele se tornou filho. A direção dada a essa questão vai influir em aspectos importantes na formação de sua personalidade, bem como da auto-estima, auto-imagem e reconhecimento de seu valor como pessoa. Isto posto, leva-se a concluir que a adoção não é somente um ato jurídico, mas sim, um ato de compaixão perante o próximo, no qual prevalece á necessidade árdua de querer plantar a semente do amor e da família.

A AMPLIAÇÃO DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO E A CONTROVÉRSIA NO QUE TANGE O DISSÍDIO COLETIVO A PARTIR DA EMENDA CONSTITUCIONAL N°45/2004

Clésio José de L. Freire Filho Igor Leonardo Bandeira Lopes

Karina Cândida Oliveira Renato Pinho De Souza

Discentes do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

Marcelo De Barros Dantas

Docente do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

(INTRODUÇÃO) Após a promulgação da Emenda Constitucional nº 45 no ano de 2004, várias mudanças e ampliações passaram a vigorar na Justiça do Trabalho. Devido ao fato dos inúmeros benefícios que a mesma trouxe aos litigantes no âmbito trabalhista, faz-se mister a importância do trabalho apresentado. Cujo objetivo central é focalizar um estudo na análise da competência trabalhista e a (in)constitucionalidade do termo "de comum acordo", abordando a controvérsia doutrinária, no que tange essa expressão, a respeito dos dissídios coletivos impetrados por grupo de trabalhadores, de forma a nos fornecer informações também de natureza exemplificativa, do que seria essa controvérsia.Inicialmente apresentaremos alguns posicionamentos doutrinários sobre o tema, analisando, posteriormente princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional e as formas de controle de constitucionalidade possíveis diante dos dissídios coletivos ajuizados na vigência da Emenda Constitucional n. ° 45. Ao final, apresentar emos a forma como entendemos que a questão deve ser solucionada pelos tribunais.

(METODOLOGIA) Para a realização da pesquisa em apreço, necessário se fez um levantamento bibliográfico, lançando-se mão dos aspectos concernentes ao tema na Emenda Constitucional 45/2004. Outrossim, realizamos uma pesquisa exploratória para identificar a controvérsia, traçada pela doutrina,da expressão no novo texto constitucional que passou a disciplinar os dissídios coletivos (art. 114, § 2º da CF/88).

(RESULTADOS) Com o advento da EC 45/04, a Justiça do Trabalho tornou-se competente para processar e julgar ações decorrentes de relações de trabalho, não mais se limitando a dirimir os conflitos decorrentes da relação de emprego. Cuidou-se aqui de distinguir tais relações no Direito do Trabalho, observando as peculiaridades próprias desta seara jurídica. Além disso, como já exposto, foi explorada a controvérsia que diz respeito ao requisito do "comum acordo" para o ajuizamento dos dissídios coletivos. Pois bem, entre os direitos e garantias fundamentais declarados pela Constituição Federal, encontra-se a garantia de acesso à jurisdição, prevista pelo art. 5°, inciso XXXV. Trata-se, pois, do princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional, da ubiqüidade ou indeclinabilidade da jurisdição. Desta forma, é evidente que, ao estabelecer a obrigatoriedade de anuência da parte contrária para o ajuizamento do dissídio coletivo, a Emenda Constitucional n.° 45 violou o princípio d a indeclinabilidade da jurisdição. Porém, tal questão foi analisada com maior ênfase no curso do trabalho em tela.

(CONCLUSÕES) Com isso, foi possível observar que, com as modificações trazidas pela EC 45/04, houve uma demanda maior para a Justiça Trabalhista. Tais mudanças são todas ações oriundas da relação de trabalho (espécie de relação) e não mais de emprego (gênero de relação) que eram limitadas; já nas relações de trabalho, por serem das mais diversas, seria natural e juridicamente aceitável que a Justiça Trabalhista tivesse sua competência abrangida, devido a sua importância para o Direito Brasileiro. Assim sendo, verificamos também que o requisito do "comum acordo" é inconstitucional e cuja motivação foi desenvolvida no corpo do trabalho.

A3 – DIREITO

A ANÁLISE DA ARGUMENTAÇÃO EM TOULMIN Guilherme Gatto Azevedo Cabral

Sandra Araújo Da Silva

Discentes do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

José Eduardo Moura Noemi Favassa

Docentes do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

(INTRODUÇÃO) Um dos traços característicos do comportamento humano é a prática da argumentação. Certos pensamentos ou idéias que expomos exigem, também, a apresentação das razões que temos para afirmá-los. Isso ocorre, em especial, quando usamos uma linguagem argumentativa. O argumento, entendido como o conjunto das razões que apresentamos para sustentar uma alegação e essa alegação, em seu estado bruto, muitas vezes pode ser composto por muitas paginas de texto, dentro destas, teremos parágrafos com suas principais idéias, ou seja, temos como que uma visão anatômica do argumento. Quando enxergamos as sentenças individuais, e podemos analisar uma por uma, percebendo sua função na estrutura argumentativa ou refutando-a, chegamos ao ponto de estudo dos lógicos, à estrutura fina, ou fisiológica do argumento. Aristóteles, em sua filosofia, relata que essa microestrutura do argumento é simples, formada por três proposições “premissa menor, premissa maior, portanto conclusão”. Quando Toulmin, em 1958, publica “The uses of argument”, apresenta um novo modelo de análise do argumento, que foge dos padrões da lógica dedutiva (formal), e questiona a respeito da suficiência do silogismo categórico como modelo para um argumento jurídico.

(METODOLOGIA) Este trabalho foi desenvolvido avaliando diversos textos, com base na teoria da argumentação de Toulmin e suas formas de argumentação. É um estudo bibliográfico e qualitativo.

(RESULTADOS) Percebe-se que o layout dos argumentos, o modelo que Toulmin nos apresenta como a forma comum de argumentação mais completa, exige uma elaboração mais sofisticada de um argumento, do que a que se obtém com base nas duas premissas e uma conclusão de um silogismo.

Os elementos que compõem esse layout, que podem passar mais coerência e confirmar a pretensão argumentativa independente dos questionamentos que possam ser levantados, são: Dados (D), que representam as razões apresentadas em favor de uma Conclusão (C), a Garantia (W), que autoriza a passagem dos dados para a conclusão, constituem os elementos básicos de um argumento. O Respaldo (B) que são o que dá apoio a uma Garantia, os Qualificadores modais (Q), que representam a força (lógica) com que se afirma a conclusão e a Refutação (R), circunstancias que forçam o abandono da garantia. Estes elementos cumprem funções relacionadas entre si, e compõem o pano de fundo sobre o qual será analisada a força do argumento. Cada um destes componentes é utilizado intencionalmente com objetivos específicos, que são os de fazer com que o proponente confirme sua pretensão inicial. Passamos, assim, a utilizar assim métodos críticos que nos capacitam a avaliar de forma qualificada e imparcial os pontos fortes e fracos dos argumentos.

(CONCLUSÕES) Através da teoria de Toulmin obtém-se um método simples para superar a análise habitual do silogismo categórico, aplicável a todos os campos da argumentação. É possível utilizar- se de maneira técnica o layout, para evitar a ambigüidade que aparece no modelo tradicional de analise lógica. Consegue uma representação funcional, permitindo a visão da estrutura dos

argumentos com maior clareza, e mais próximo do uso real do que os habitualmente usados na lógica formal.

A APLICAÇÃO EFETIVA DO DIREITO INTERNACIONAL NOS CRIMES DE PEDOFILIA PELA INTERNET

Ana Virgínia Cabral De Oliveira Leocádia Silva De Almeida Marcela Freire Oliveira Da Costa

Discentes do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

Vânia Vaz Barbosa Cela

Docente do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

(INTRODUÇÃO) Com a popularização e expansão do acesso ao espaço virtual através da rede mundial de computadores (a Internet), milhões de indivíduos no mundo inteiro obtiveram uma ferramenta de interligação que permite o acesso a uma quantidade de informações praticamente inesgotáveis, relativizando os conceitos de distância, tempo e lugar. Mas se fronteiras foram vencidas, não se pôde evitar o surgimento de problemas legais inerentes à tecnologia da informatização, notadamente a expansão do crime de pedofilia, criando o que se convencionou chamar de “rede internacional de pedofilia”. O delito potencializou-se, ocorrendo agora através de salas de bate-papo, comércio e troca de fotos por correio eletrônico e divulgação em sites. A utilização da internet como meio para a prática do ilícito é ainda mais inquietante em virtude da dificuldade na coleta de evidências e identificação dos criminosos. Em assim sendo, o combate a rede internacional de pedofilia configura um desafio de escala global, cujo sucesso depende de um esforço internacional conjunto.

(METODOLOGIA) Como fonte de pesquisa, foi utilizada a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, maior instrumento jurídico internacional que fundamenta o combate à pedofilia. Foi analisada também a Convenção Européia sobre Crimes Cibernéticos, instrumento que oferece soluções ponderadas e fundamentadas sobre como lidar com crimes cometidos dentro do ciberespaço e através da internet, que leva em conta a soberania dos Estados e as divergências de legislações, e vem sendo aplicado com sucesso na Europa.

(RESULTADOS) Partindo-se da necessidade de buscar a maneira mais eficiente de concretizar uma colaboração entre Estados utilizando-se dos instrumentos de cooperação jurídica internacional, depreendeu-se que a assinatura de tratados com outros países, visando auxílio e colaboração mútuos, uma agilização no diálogo entre as autoridades de diferentes países e menor burocracia na efetivação de instrumentos de cooperação, tal qual o auxílio direto, seriam um primeiro passo em direção a uma evolução na luta contra a rede internacional de pedofilia.

(CONCLUSÕES) Percebeu-se desta maneira que, se as leis nacionais têm sua aplicação limitada a território específico, fronteiras não mais representam um empecilho às ações criminosas graças a Internet. Portanto, faz-se necessária a adoção urgente de adequados instrumentos internacionais para coibi-las. Acordar acerca da determinação de preservação de dados armazenados em sistemas de computadores por um certo período de tempo, realizar comunicação entre autoridades via fax ou e-mail, evitando os meios diplomáticos tradicionais mais demorados, designar autoridades para receber e enviar pedidos de assistência mútua, bem como executar tais requisições e transmiti-las as autoridades competentes, são apenas algumas das possíveis soluções a serem tomadas a nível internacional, que já são adotadas por outros Estados e que auxiliariam no combate a esta vergonhosa violência contra a crian ç a que é a pedofilia.

A3 – DIREITO

A COLISÃO DE INTERESSES ENTRE A LIBERDADE DE IMPRENSA E PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA.

Érida Cecy M. V. Varella Renata De Medeiros Ramos Paula Serrano Rocha P. Gaspar

Discentes do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

Rita De Cássia De Andrade Silva Alexandro Gomes Bezerra Dos Santos

Docentes do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

(INTRODUÇÃO) Episódios recentes no Brasil têm mostrado que o Poder Judiciário é um dos alvos preferidos dos jornalistas que buscam escândalos ou matérias sensacionalistas, portanto, diante disso esse trabalho científico tem por objetivo pesquisar acerca da influência dos meios de comunicação em crimes hediondos, ressaltando principalmente a importância da informação e a inutilidade do exacerbado sensacionalismo midiático. A experiência por que passou o Brasil, de repulsiva censura à imprensa terminou criando nos meios de comunicação um clima de aversão a tudo que se denomina Poder. Nesse sentido e de modo muito específico, a tudo que se refere à Justiça. E, como fruto desse passado, mostra-se crescente, em nossos dias, a tendência para um diálogo tenso entre a Justiça e a Imprensa, ainda mais quando vêm à tona situações em que esta se vê ameaçada em seus direitos e aquela, em sua competência.

(METODOLOGIA) A pesquisa é realizada segundo um ambiente jurídico, ou seja, a influência da imprensa em crimes hediondos e seu conseqüente reflexo no mundo jurídico e social, em dimensão nacional. A análise de casos concretos será método indispensável para tal pesquisa, pois como o tema é complexo, buscaremos exemplos reais para uma melhor exploração, o procedimento então, irá ocorrer segundo a leitura de algumas matérias informativas de principais meios e sua repercussão no desfecho do caso. Como base o trabalho terá a Lei de imprensa, incluindo a responsabilidade civil e penal, a Constituição Federal, bem como aspectos sociológicos.

(RESULTADO) Visto que estamos tratando de tema flexível a cada situação, é preciso estabelecer que, quando uma postura parcial e verídica dos fatos, é requisito da informação, temos produtivas repercussões no mundo jurídico, tais como: celeridade, criação de novas leis e etc. Porém, não é correto que a notícia leve a coletividade a concluir a culpabilidade do acusado antes do pronunciamento judicial ou fazendo com que o poder judiciário seja encarado por grande parte como injusto.

(CONCLUSÃO) Grande sensacionalismo por parte da imprensa gera escândalo e uma conseqüente manipulação das massas, tornando muitas vezes as pessoas de pouco conhecimento, alienadas, isto é, dessa forma os meios de comunicação atuam de forma negativa, colocando os réus como culpados e o poder judiciário como injusto. Não é justo que se inverta na mente das pessoas, a ordem das coisas, e a sentença seja “passada” antes mesmo da instauração do procedimento preliminar ou preparatório de ação penal, a cargo da autoridade policial. Até por que, entre os direitos e garantias fundamentais de nossa Constituição, encontra-se inscrito que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Portanto, sendo formadora de opinião, a imprensa deve mostrar apenas o que condiz com a realidade, sendo um dos mais poderosos instrumentos democráticos, e fazendo com que repercussões benéficas atuem no ambiente jurídico, contribuindo para evolução do nosso direito e fortalecendo a cidadania.

A3 – DIREITO

A CRISE NO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL E AS MEDIDAS ASSECURATÓRIAS DO CRÉDITO NO DIREITO BRASILEIRO: ASPECTOS MATERIAIS E PROCESSUAIS

Alvaro Alberto Souto Barreto Rezende

Discente do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

Anderson Leonardo De Oliveira Brito Lenice Silveira Moreira De Moura

Luciana Flavia Nunes Casimiro Vania Vaz Barbosa Cela

Docentes do Curso de Direito da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

(INTRODUÇÃO) O mercado financeiro mundial está passando pelo seu momento mais crítico desde a grande depressão vivida nos anos 30 do século passado. A enorme demanda pelo crédito imobiliário e sua crescente oferta, aliado a uma originação defeituosa do crédito e a existência de

“bolhas imobiliárias” deram causa à crise atual no mercado financeiro. Noutro aspecto, com o advento do Sistema de Financiamento Imobiliário – SFI, bem como com da instituição da Alienação Fiduciária de Bens Imóveis, o Brasil deu um passo significativo em seu sistema econômico, no entanto, alvo dos efeitos da globalização, não está imune às repercussões da atual crise no sistema financeiro. Diante desses aspectos, pretende-se, neste trabalho, apresentar os principais fatores que levaram os países que norteiam a economia global a entrarem em colapso financeiro, e, analisar, sob uma ótica global, dois dos principais sistemas assecuratórios do crédito incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro: o SFI e a Alienação Fiduciária de Bens Imóveis, com seus respectivos aspectos materiais e processuais.

(METODOLOGIA) Utilizamos, especialmente, o complexo de informações disponíveis na mídia como fonte de pesquisa, perfazendo, ademais, uma análise das deliberações dos Bancos Centrais das maiores economias globais que vêm realizando ações conjuntas nas últimas semanas. Por outro lado, refletimos sobre pareceres de especialistas na área, sobretudo os planos econômicos e as políticas adotadas pelos Estados Unidos da América, pela União Européia e pelo Brasil. No tocante às medidas assecuratórias no direito brasileiro, foi utilizada a legislação brasileira disponível no banco de dados do Senado Federal e da Presidência da República, em especial um estudo sobre a aplicação da Lei n. 9.514, de 20 de novembro de 1997, com redação modificada pelas Leis n. 10.931, de 02 de agosto de 2004 e 11.076, de 30 de dezembro de 2004. Os dados estatísticos foram obtidos por informações da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) e do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB).

(RESULTADOS) Tendo em vista a alta demanda pelo crédito imobiliário em todo o mundo, bem como o interesse das instituições financeiras em fornecer esse tipo de crédito, interesse gerado pela facilidade na circulação no mercado financeiro de créditos lastreados em hipoteca – com garantia real –, foi originado uma enorme quantidade de crédito desprezando fatores cruciais para garantir sua liquidez: fiel avaliação da garantia imobiliária e uma concisa análise jurídica nos aspectos que influem diretamente na capacidade de adimplemento da obrigação assumida e, o mais importante, nos aspectos jurídicos que atinjam diretamente a garantia da operação. Nesse contexto vieram os Subprimes – os créditos “podres”, sem liquidez – e a alavancagem financeira desordenada. Com o acúmulo de trilhões de dólares lastreados nesses créditos sem liquidez, logo o mercado financeiro entrou em séria crise. No que diz respeito ao Brasil nesse contexto global de pânico nos centros financeiros, importa analisar como o crédito está sendo originado aqui, especialmente no que se refere à alienação fiduciária de bem imóvel que possibilita ao fiduciário executar extrajudicialmente o objeto da garantia fiduciária e rever seu crédito em um prazo médio de 9 meses a contar do inadimplemento.(CONCLUSÃO) Conclui-se que, muito embora a crise esteja longe de seu fim, as medidas conjuntas entre diversos países, bem como a intervenção do Estado no setor privado e as políticas adotadas favorecem a uma contenção dos males gerados. E, quanto ao Brasil, as políticas e posturas jurídico-econômicas se mostram desenvolvidas, mas não ao ponto de serem satisfatórias nesse momento vivido. É necessária uma nova diretriz para a economia mundial, é preciso que se construa um “novo Bretton Woods”.

No documento NATAL / RN - 29 a 31 de outubro de 2008. (páginas 122-200)

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