POLYTECHNICA DO POKTO 03
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sentar ama parte do edifício ainda não foram demolidos. O resto do edifício, em parte definitivo, em parte formado tie construcções provisórias, accommoda a Academia Polytechni- ca e o Instituto Industrial.
3. O conselho da Academia Polytechnics tem reiteradas ve- zes representado aos poderes públicos para que se conclua o edifício, que, como está, é um obstáculo permanente aos melho- ramentos scientifiços c ao desenvolvimento dos estabelecimen- tos de ensino pratico, alguns dos quaes estão mal installados, outros se acham em estado rudimentar por falta de local em que se achem accommodados.
4. Em 1 de Fevereiro de 1876 teve segunda leitura na Ga- mara dos deputados um projecto de lei relativo ao edifício. O preambulo d'esse projecto diz o seguinte que tem ainda hoje toda a applicação.
SENHORES : — Quem na capital das nossas províncias do norte visitar os estabelecimentos de instrucçãò publica, liça desagra- davelmente surprehendido ao contemplar no primeiro d'entre elles, no da Academia Polyterlmica, uma grandiosa fabrica levan- tada á custa de avultadas sommas, gastas no longo período de 1res quartos de século, mas em grande parle incompleta ainda, em parte arruinada já; envolvendo a antiga e irregular construc- ção do Collegio dos orphãos; contendo dentro em si a velha igreja, que lhes tem ministrado o culto, hoje quasi impossi- bilitada pelo tempo de continuar a servir sem risco; e as sa- las do edifício no pavimento inferior pejadas com vários ra- mos de commercio e industria, que a transformaram e divi- diram em lojas e casebres, desde o botequim e a mercearia até á venda de louça e á taberna !
Observando a frontaria do palácio voltada para o poente, e seguindo o alinhamento d'ella a partir do norte, vê-se iimne- diatamente incidir n'uma fieira de prédios velhos e de peque-
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110 Va'01' uns, outros de preço elevado e construídos de ha pouco
i iodos situados entre a rua que liga o largo do Carmo com
0 jardim da Cordoaria, e a travessa estreita e tortuosa, deno
""";ida Viella do Assis, necessitando por tanto para completar edifício, de se proceder a uma extensa e custosa expropria
Ç;10 Dentro do estabelecimento relletese o seu estado exte
l01' Gabinetes, laboratórios, observatórios, officinas, o que
,! "dispensável para o ensino das sciencias naturaes, tudo falta
°u tudo está incompletissiino.
transcrevendo em seguida a luminosa exposição do conse
l0l|,o José Maria d'Abieu, relativamente ao edilicio, os apre
sentantes do projecto—os snrs. Dr. Antonio José Teixeira e Monio Maria Pereira Carrilho, terniinavani por apresentai' o seguinte projecto de lei:
At"t. l." O governo é auctorisado a conlrahir uni empresti
1,10 a lé â quantia de 300:0000000 de réis, com juro que não
X c e a a :l 0 por cento ao anuo.
Art. g.» o producto d'esté empréstimo, realisado em pres
sões ou series, conforme se convencionar, será exclusivamen
j aPplicado á conclusão do edifício tia Academia Polytecbni
oo Porto, segundo o projecto e orçamento apresentados ao
«overno em 26 de janeiro de 1863.
• ll 3.° o governo é auctorisado a applicar an pagamento JUr°S e amortização do capital do empréstimo a verba de 0,)()()() (|e n,jS ) qu e se|..l a n Q u a|m e nte votada pelas cortes.
. • >'C i.° O governo é auctorisado a reunir no Convento de ' ' ' *l Clara os recolhimentos do sexo feminino que existem
doUa'roente na cidade do Porto, e a transferir para qualquer
s edifícios, que ficarem desoccupados, e se julgar mais apro
■ j "' ° Collegio dos Meninos Orpháos, (pie está dentro do
sta^elecimento da Academia Polytechnica.
coi i '' ^ ° f'u e e s t eJa a c a', a ,'a a l) a r l e exterior da nova
s j'ucçào, será vendido o palácio de S. Lazaro, onde estão tes h"161116 a B i b l i o t h e c a p u b l i c a e a Academia de BellasAr
•' )C"i como o terreno pertencente ao mesmo prédio, e o
(;ti ANNUARIO DA ACADEMIA
proilucto da venda será empregado na conclusão d'aquellas obras.
Art. 0.° O novo edifício será destinado para a Academia Polyleclmica, para o Instituto Industrial, para a Academia das Bellas-Artes e para a Bibliotheca Publica, e denominar-se-ha Varo dos Estudos no Porto.
Art. 7.° A administração dos (undos levantados em vir- tude das auctorisações concedidas pela presente lei, a direcção e íiscalisação das obras a (pie são destinados, serão commet- tidos a uma commissão de cinco membros sob a inspecção do governo, ao qual a mesma commissão prestará regular- mente conta do emprego que for dando aos fundos.
S unko. A Academia Polyleclmica elegerá para esta com- missão dois dos seus vogaes, o Instituto Industrial um, a Academia de Bellas-Artes outro, e a Camará Municipal a pessoa que julgar competente.
Art. 8.° Fica revogada a legislação em contrario.
Sala das sessões da camará dos deputados, 31 de janeiro de 187«. O deputado por Pombal, An'onio Josr Teixeira, Anlonio Maria l'rrrira Currilho.
{Diário da Camará dos Deptttoiioi.de 1876, pag. 320/382 o Ï38 de i du fevarelroO
Este projecto de lei, infelizmente, não teve seguimento.
5 - Os primeiros passos a dar para resolver a questão são : a remoção dos orpbãos para uma casa apropriada e a demo- lição da igreja da Graça, pois sem isto não podem proseguir as obras no interior do edilicio.
G _i»or virtude da lei de 19 de junho de 1880, que permittia anpiicar a dotação para as obras á expropriação das lojas si- tuadas nos baixos do edilicio, foi necessário instaurar um processo para se averiguar quaes eram aquellas a (pie o Col- í r i o dos Orpbãos tinha incontestável direito e as que perten- ciam á Academia. Uma commissão mixta da Academia e da
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Samara Municipal do Torto, administradora do Collegio dos Orphãos, chegou a um accordo sobre esta questão importan- ts. Os documentos que lhe são relativos constam do officio da directoria da Academia ao director geral da instrucção publi- ca, com data de 8 de julho de 1881, o qual foi publicado no Arinuario do anuo anterior. Assim ha actualmente todos os Mementos para se resolver a questão.
~ — A dotação annual para as obras é de i:000;5ÍOOO de réis, segundo a lei de 9 de junho de 1857. «A applicação de
M||nia tão diminuta somma, como foi estabelecida por esta
«lei, dizia em 18Gí o sur. José Maria de Abreu, quando
«se não podia então calcular toda a sua importância, pôde
«significar, e creio que significa de certo, os bons desejos da
«administração ; mas a espectativa de três quartos de século
«para levar ao cabo essa obra de tão reconhecida e urgente
«necessidade, é demasiado longa para não aconselhar como
"'"dispensável o emprego de meios mais efficazes.»
H- ~ A actual dotação de réis 4:00()0()()0 para as obras da Academia figura no orçamento desde 1837. A iniciativa do Projecto respectivo é dos irmãos Passos (Manuel e José), que
e i n 3 ile julho de 1832 o apresentaram á Gamara dos depu- tados (projecto n.° 110). Em 19 de fevereiro de 1857 foi a ini- ciativa renovada por José Passos. Em 30 de abril de 1857 foi
(Je novo apresentado o projecto, e a final, depois de bastante
(l|scussão, approvada n'essa sessão legislativa, em 6 de maio (Projecto de lei n.° 92). O relatório que o procedia referia-se
a que «o imposto especial para a construcção de tão van-
^joso e importante edifício foi encorporado no rendimento do estado, e a indenmisação promettida pelo D. de li de junho
<le '832 ainda não foi satisfeita.»