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Aproveitamento de Água Pluvial

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 37-42)

Figura 5. Climatologia de precipitação acumulada no ano (mm) realizado durante o período de 1961 a 1990. Fonte: CPTEC/INPE, 2015.

No Brasil o aproveitamento de água pluvial tem sido adotado nos últimos anos, porém Clarke & King (2005) consideram esta alternativa pouco explorada quando comparada a abundante pluviometria do país.

2.7.1 Utilização de água

A água pluvial pode servir para atender a demanda de diversas atividades, desde que seja enquadrada nos níveis de qualidade necessários. A cidade de Tóquio, por exemplo, sofre com a impermeabilização do solo, acarretando em problemas de escassez dos recursos hídricos. Atualmente a cidade tenta dirimir seus problemas através da captação de água da chuva, utilizando-a em diferentes setores, como, uso para beber, apagar incêndios, formação de córregos e rios, vasos sanitários, fontes de abastecimento em comunidades, para lazer nos parques, entre outros (GROUP RAINDROPS, 2002).

Em indústrias e residências a água pluvial pode comutar a água potável, de modo a diminuir gastos com a cobrança pelo uso de água, sendo que, para a utilização da água de chuva, ainda não se é cobrado. O uso não potável também está sendo empregado para atender as demandas, e.g. em vasos sanitários, rega de jardim, lavação de carro e calçada. Em regiões longínquas de praias, as águas pluviais podem servir de lazer para a população, através da utilização em piscinas públicas, em parques aquáticos, em lagoas artificiais, no abastecimento de chafarizes em praças públicas, etc. A captação, ainda, pode resolver problemas como enchentes, de infiltração do solo, auxiliando na manutenção de aquíferos, regularização de vazões de rios e temperaturas do solo.

A agricultura é responsável pela vasta consumação de água do mundo, demandando 69%, o consumo para fins industriais 21% e os domésticos 10% (CLARKE & KING, 2005). No Brasil o setor agrícola também é o maior consumidor, cerca de 60% do total. O setor industrial responde por 19% e o doméstico por 22% do consumo (CPRM, 2015).

2.7.1.1 Setor agrícola

Proveniente da demanda alimentícia decorrente do aumento populacional, o setor agrícola é o principal consumidor. Sendo fundamental o processo de irrigação, necessário para intensificar a produção e atender a demanda, já que a umidade exigida para o crescimento das espécies não é suprida naturalmente através do ciclo hidrológico (CARRERA- FERNANDEZ & GARRIDO, 2002). Fator resultante da atividade de irrigação, que se perde água de boa qualidade, devido ao uso intensivo de produtos químicos no processo. Estes percolam para os rios e lagos, provocando a lixiviação do solo e a contaminação da água.

2.7.1.2 Setor industrial

A procura por produtos industrializados faz do setor industrial a segunda atividade de maior consumação, onde sua função

[...] pode ser tanto de matéria-prima incorporada ao produto final, como um composto auxiliar na preparação de matérias-primas, fluído de transporte, fluído de aquecimento e/ou refrigeração ou nos processos de limpeza de equipamentos, etc. (MIERZWA & HESPANHOL, 2005, p. 14).

A água é um componente essencial na cadeia de produção industrial, sendo usada para processar, lavar e arrefecer o maquinário manufaturador. A indústria pode inovar adequando o uso de água atrelado ao acesso de novos métodos e tecnologias. É preciso ponderar os custos e vantagens para investir de forma inteligente e sempre compartilhar as informações, permitindo o desenvolvimento na área de pesquisa de recursos (SELBORNE, 2002).

O efeito da escassez de água atinge as indústrias, estas se utilizando de outorgas para captação em rios e reservatórios subterrâneos para suprir às necessidades de água no processo produtivo, de fronte as leis que instituem a cobrança pela captação, as empresas enfrentam mais um custo sendo agregado ao seu produto. A saída deste impasse é o reuso de água e a utilização de fontes alternativas, como o caso do aproveitamento de água pluvial (ZATTONI et al., 2011).

Devido ao crescimento industrial, a demanda deste setor por água só poderá ser sustentada se alguns aspectos forem considerados, seguindo o aperfeiçoamento dos processos que utilizam água, tornando-os mais eficientes ou aderindo a novas tecnologias para que seu consumo seja reduzido.

2.7.1.3 Abastecimento humano

A água destinada ao abastecimento humano compreende as necessidades metabólicas, higiênicas, limpeza doméstica e preparo de alimentos, sendo a qualidade para a ingestão humana considerada potável, de acordo com os padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde (RAINHO & GALETI, apud MACÊDO, 2004).

Os gastos representativos de água resultante do uso doméstico são, em sua maioria, decorrentes de desperdícios devido ao mau uso dos equipamentos, de vazamentos em tubulações, do consumo exacerbado e aproximadamente 30% se perdem em descargas de vasos sanitários (CLARKE & KING, 2005).

2.7.2 Sistemas de captação

A chuva é acessível a qualquer ser humano, independente das condições sociais ou econômicas. Pode-se coletar a água de telhados de construções, superfícies pavimentadas e terrenos naturais, suprindo as demandas do uso doméstico, industrial e agrícola.

Sistemas de captação de águas pluviais é uma alternativa tecnológica que tem ganhado destaque nas últimas décadas, embora essa prática seja adotada há mais de 2000 anos por diferentes civilizações. Uma das referências antiquada em relação ao uso de água da chuva, encontra-se em uma das inscrições mais antigas do mundo, a Pedra Maobita, encontrada no Oriente Médio, datada de 850 a.C, nela o rei Mescha sugere a realização de uma cisterna em cada casa para o aproveitamento de água da chuva (TOMAZ, 1998 apud UFSC, p. 34, 2005).

A utilidade de um sistema de aproveitamento de água pluvial depende das condições locais, e visa o uso no próprio local de captação. Tornando o sistema único, com suas características próprias e individualizadas, atendendo ao princípio do saneamento ecológico, já que promove a autossuficiência e contribui para a conservação da água (GONÇALVES, 2006).

O resultado de um sistema de aproveitamento de água de chuva depende primeiramente da quantidade de água captável, este influenciado por vários fatores, como pluviometria do local, área e local de captação. O reservatório é indispensável e o seu dimensionamento requer cuidados para não inviabilizar o sistema. Sua capacidade deve ter relação direta com a demanda a ser atendida. A qualidade da água deve ser analisada, e se necessário adotar tratamento, a fim de atender os padrões, perante a lei, para cada fim de uso.

Segundo GOULART (2008), a metodologia básica para um projeto de sistemas de coleta, tratamento e uso de água pluvial envolve as etapas:

 Determinação da precipitação média local (mm/mês);

 determinação da área de coleta;

 determinação do coeficiente de escoamento superficial;

 caracterização da qualidade da água pluvial;

 projeto do reservatório de descarte;

 projeto do reservatório de armazenamento;

 identificação dos usos da água (demanda e qualidade);

 estabelecimento do sistema de tratamento necessário.

2.7.3 Visibilidade de negócio

A pirâmide da responsabilidade social de Carroll (1991) define as estratégias que uma organização deve-se orientar (Figura 6). A responsabilidade econômica é a base da pirâmide; esta remete ao fato de que uma empresa deve ser lucrativa. Seguido da responsabilidade legal, atendendo as leis vigentes de suas atividades. A terceira dimensão está ligada à responsabilidade ética, cuja tem ligação com as anteriores, porém esta dimensão é vinculada ao comprometimento da organização além das leis e normas estabelecidas, procura atender as obrigações de realizar as suas atividades evitando ou minimizando causar danos às pessoas. No topo da pirâmide a responsabilidade filantrópica que abrange as ações em resposta às expectativas da sociedade, o comprometimento em ações e programas para promover o bem-estar humano (BARBIERE, 2012). O aproveitamento de água pluvial é uma tentativa das organizações atenderem a expectativa dos stakeholders e manter a base da pirâmide.

Figura 6. Pirâmide da Responsabilidade Social. Fonte: Carroll (1991).

Diversos setores da sociedade começam a visualizar a água de chuva como rentável. As indústrias, instituições de ensino, estádios, e estabelecimentos comerciais como empresas de lavagem de carros, empresas de ônibus, supermercados e empresas de limpeza pública buscam utilizar a água de chuva para suprir as suas necessidades, visando o retorno econômico, e ainda a inserção do “marketing verde”, servindo como meio de comunicação dos envolvidos, uma vez que estas práticas estão presentes nos conceitos de empresas com responsabilidade social e ambiental.

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 37-42)

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