2.5 PATRIMÔNIO E ARQUEOLOGIA
2.5.1 Arqueologia no Brasil
37 integración del medio ambiente en los procesos de desarrollo turístico requiere un cambio de actividades, con el objetivo de sentar los principios de un desarrollo equilibrado y sostenido que preserve los recursos naturales y culturales necesarios para las generaciones futuras” (VERA et al, 1997, p. 326).
O planejamento adequado dos aspectos físicos, legais, promocionais, financeiros, econômicos, mercadológicos, gerenciais, sociais, e ambientais irá contribuir para a concretização dos benefícios do desenvolvimento turístico.
(Goeldner; Ritchie; McIntosh, 2002, p. 339)
O uso do território pela atividade turística e a fragilidade dos recursos dos quais depende o turismo para sua continuidade justificam por si só a necessidade de recorrer-se à técnica de planejamento como forma de garantir um desenvolvimento turístico sustentável (DIAS, 2008, p. 37).
O planejamento e a gestão turística, de acordo com Boullón (1990, p. 58) têm a finalidade de ordenar as ações humanas sobre o território, antecipar o efeito do aproveitamento dos recursos.
Neste início do século, na problemática que envolve a relação entre sociedade e território, uma das principais questões que se enfrenta é a falta ou a adoção de planejamento territorial desvinculado da realidade. Esta situação aliada à desregulamentação do uso do espaço, leva a um processo de descaracterização, a médio e longo prazo, do próprio território. (Anjos, 2004, p. 64)
Para que um processo de desenvolvimento seja sustentável, Anjos (2004, p. 64) afirma que “deve-se ter um cuidado minucioso aos problemas sociais, econômicos e ambientais envolvidos, assim como a ligação estreita entre política e planejamento”.
38 – é que seus profissionais são aventureiros em busca de tesouros. Construiu-se uma imagem de que o arqueólogo tem um interesse exclusivo no artefato, e que em sua maioria possui um alto valor monetário. Para Scatamacchia (2005, p. 19), “a noção de arqueologia como uma aventura de caça ao tesouro, de busca de objetos exóticos, é uma noção equivocada”. No Brasil os artefatos confeccionados em cerâmica, lítico (pedra), vegetal, osso e concha, materiais que não possuem valor monetário, mas, poderão repassar informações importantes quando resgatados adequadamente através de métodos e técnicas da arqueologia. Trata-se de um trabalho minucioso, que durante as pesquisas de campo busca-se identificar e registrar todo o contexto em que o objeto encontra-se inserido. Um trabalho que poderá levar semanas, meses, até mesmo anos, deferente da maioria das representações cinematográficas. Segundo Scatamacchia (2005, p. 19), “toda ação praticada pelo homem envolve algum tipo de artefato e deixa algum tipo de marca no solo. Tais marcas podem ser resgatadas pelo arqueólogo por meio de métodos especiais de escavações”.
Outra confusão é a afirmação de que a Arqueologia estuda os dinossauros. A ciência responsável por estudar estes animais extintos é a Paleontologia. A Arqueologia estuda as sociedades humanas, através dos vestígios encontrados que podem ser fauna, plantas, lítico (rochas), entre outros, mas, sempre que associados aos grupos humanos.
A etimologia da palavra Arqueologia vem do grego Archaios = passado / antigo e, Logos = ciência / estudo. Podemos definir arqueologia como a ciência que estuda o passado das sociedades humanas através dos vestígios por elas deixados.
Para reforçar essa temática vamos esclarecer alguns pontos. O objeto de estudo da Arqueologia são as sociedades humanas e o seu objetivo é compreender essas sociedades através dos vestígios materiais por eles deixados, seja do período pré- histórico ou histórico. Portanto, sítios arqueológicos são espaços físicos onde são encontrados os vestígios arqueológicos, que poderão ser terrestres ou subaquáticos.
Os primeiros estudos de vestígios arqueológicos no Brasil, segundo Prous (2006, p. 09), ocorreram em 1843, com o botânico Peter Wilhelm Lund, dinamarquês, também paleontólogo amador, em Lagoa Santa, em Minas Gerais. O pesquisador encontrou em cavernas ossos humanos junto a ossos de animais
39 desaparecidos. Prous (1992, p. 6) afirma que Lund pesquisou mais de 800 grutas nessa região, e descobriu ossos de animais fossilizados, preservados a milhares de anos. Fazia coleta desses materiais, descrevia-os, dando assim a conhecer numerosas espécies de uma fauna extinta. Lund também descreveu para europeus artefatos em pedra polida, afirmou que os montes de conchas (sambaquis) encontrados no litoral do Brasil, foram construídos pelos seus primeiros habitantes, auxiliando inclusive o reconhecimento desse tipo de sítio no norte da Europa (PROUS, 2006, p. 9).
Conforme Prous (1992, p. 7), o interesse de D. Pedro II pela antropologia contribuiu para a implantação das primeiras entidades oficiais destinadas a ter um papel relevante na arqueologia brasileira. D. Pedro II enriqueceu o Museu Nacional, onde estão depositadas coleções de material europeu e africano de algumas das primeiras escavações pré-históricas realizadas no mundo. Logo após a queda do Império, o Museu Paulista tornou-se o concorrente do Museu Nacional, enquanto Emílio Goeldi reorganizava o Museu Paraense, de Belém, o qual, mais tarde, seria sede dos estudos a respeito da arqueologia amazônica. Prous (2006, p. 10) afirma que “no final do século XIX, foram realizadas as primeiras escavações arqueológicas de Santa Catarina, por Von den Steinen, e em Sítios do Amapá por Emílio Goeldi”.
A pesquisa universitária, segundo Funari (2003, p. 26) passou a ser desenvolvida no Brasil após a Segunda Guerra Mundial. Prous relata que, inicialmente as pesquisas eram orientadas por franceses e norte-americanos.
Posteriormente, “com programas independentes realizados pelos pioneiros formandos por esses mestres estrangeiros” (PROUS, 2006, p. 10).
Surge na década de 1960 o Programa Nacional de Pesquisa Arqueológica - PRONAPA, orientado por Betty Meggers e Clifford Evans, que visava apresentar um quadro preliminar da pré-história dos estados litorâneos, desde o Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte. Apesar de várias críticas ao projeto, foi a partir dele que foram criadas as principais “Tradições” ceramistas até hoje conhecidas (PROUS, 2006, p. 10). A partir da década de 1980 cresce o número de pesquisadores no país, ainda que o mercado careça de profissionais, a maiorias dos trabalhos são realizados por equipes nacionais (PROUS, 2006, p. 11).
40 Com o passar do tempo, a pesquisa arqueológica teve seus métodos e teorias modificados. Hoje, pautada em teorias modernas que envolvem o processualismo e o pós-processualismo, temos novas maneiras de averiguar um vestígio e demais sítios arqueológicos.
A escavação é um trabalho lento, utiliza instrumentos como colheres de pedreiro, pincéis, espátulas. Tudo é minuciosamente observado, medido, descrito, desenhado e fotografado. São encontrados artefatos, restos de alimentação, ossos humanos. Através da análise de todos os vestígios encontrados, que o arqueólogo representa aspectos socioculturais, reconstituindo o cotidiano dos grupos que habitaram o local em questão.
A história do Brasil é dividida em dois períodos: pré-história e história (ou ainda pré-colonial e colonial). Este último é marcado pelo período anterior ou posterior à chegada do colonizador, oficialmente no ano de 1500. A pré-história é o período anterior à escrita, que pode variar, levando em consideração que a escrita desenvolveu-se em períodos diferentes no mundo, por isso este limite muda, de acordo com a formação histórica. Este pode variar entre 4000 a.C. (antes de Cristo) com registros escritos na Mesopotâmia e 1500 d.C (depois de Cristo) como é o caso do Brasil, data oficialmente reconhecida com a chegada dos colonizadores, que trouxeram a escrita para o país.
O litoral brasileiro era ocupado por um grupo chamado sambaquieiros, que desapareceram antes mesmo da chegada dos colonizadores. Era um grupo de pescadores-caçadores-coletores.